FNR – Capítulo 28 – Prelúdio



Foi um alvoroço ao explicarmos os acontecimentos a Hiekf e Stela, os dois se tornam ansiosos com a situação.

Hiekf diz:

— Mas que merda! Tsk! Os dois estão proibidos de sair enquanto não terminarem o castigo!

Eu reclamo:

— Ei! Isso já está passando dos limites! Ficar preso? De jeito nenhum!

A felina partilhou de minha opinião:

— Ele está certo! Há limites para essas coisas, eu vou enlouquecer se ficar presa em algum lugar! …. Eu detesto essa ideia!

Stela encerra o assunto:

— Vão aguentar por mais dez dias e ponto final! A menos que queiram aumentar o castigo!

— Guh!

— Auh!

Sem poder retribuir nada eu me calei para não piorar as coisas.

Hiekf me perguntou:

— Rapaz! O tal Rormand foi preso pela milícia como você disse?

— Sim!

Hiekf se levantou e avisou para todos:

— Vou investigar sobre esse tal lobo branco, Stela por favor, deixo Ferus aos seus cuidados!

Stela bateu em seu peito e respondeu:

— Deixe para mim! Eu vou pôr o lobinho na linha!

Eu não sabia o que era mais irritante, se era a situação onde não posso dar um passo sem que a felina venha comigo, ou se é ser tratado como um maldito moleque sem esperança, o pior para mim é ser chamado de “Lobinho” essa é de matar!

Milin ficou preocupada com Hellen e perguntou cheia de tensão:

— Hellen! Você se machucou em algum lugar?

— Não Millin eu não me machuquei, mas….

A felina me encarou assustada:

— SUAS COSTAS! A FERIDA! PRECISAMOS TRATÁ-LA!

Surpreso com a súbita preocupação da felina eu tentei acalmá-la:

— Está tudo bem! eu….

Ela saltou sobre mim e levantou minha camisa, essa gata age muito repentina, simplesmente não consigo prever suas ações, sem camisa eu fiquei meio envergonhado.

A felina comenta desorientada:

— Eh? Eeeeeh? Onde está a ferida? Eu vejo sangue mais a ferida….

Eu respondi:

— Ela fechou! Eu tenho uma habilidade de regeneração.

— QUE DIABOS! Você é mesmo normal?

Eu respondi com ironia:

— Segundo Hiekf! Eu sou uma fraude.

Stela ficou ali me observando atentamente, curioso eu pergunto:

— Hun? Algum problema?

Stela sorriu para mim, senti um arrepio na espinha igual ao dia que a conheci, foi como se ela fosse um perigo ambulante.

Ela me fala:

— Só estou admirando! Você tem um belo corpo apesar de tão jovem!

Milin e Hellen ficam vermelhas com o comentário fora de hora de Stela.

Eu arranquei minha camisa das mãos da felina e rapidamente tento me vestir, Milin e Hellen observavam sem parar meu corpo, me senti violado ali.

Como se não bastasse a coelha cinzenta pervertida expressa:

— Hun? Realmente um corpinho sarado hein? Ah! Se eu fosse dez anos mais jovem!

Senti vontade de correr, mas Hellen está amarrada a mim então é impossível.

Milin piora ainda mais a situação:

— Hellen…. Você é inesperadamente ousada! Arrancou a roupa de Ferus sem nenhuma vergonha!

O rosto assustado de Millin deixa Hellen desesperada:

— Hã? NÃO… NÃO É NADA DISSO! ELE SE FERIU, ENTÃO QUERIA VER SE ESTAVA BEM!

— Que… queria ver?

— NÃO SE FOQUE NAS PIORES PARTES DA MINHA FALA DROGA!

Não encontrei espaço para falar alguma coisa, apenas fiquei calado com tanta vergonha que poderia morrer.

Fizemos todas as tarefas da forma que deveria ser, na hora do banho Hellen foi primeiro e eu fiquei do lado de fora da porta.

Isso é uma forma bem desconfortável de fazermos as coisas, a corda tem apenas dez metros, pode parecer muito, mas com o tempo não qualquer um não ficaria satisfeito com essa medida.

Hellen saiu do banho com roupas casuais, eu nunca a tinha visto com uma vestimenta diferente do seu uniforme de trabalho, que é uma simples roupa e um avental.

Eu evitei olhar diretamente para ela, eu me recusei a pensar nisso até agora, porém essa felina é muito bonita, não! Dizer só bonita seria eufemismo, ela é linda, os seus cabelos ainda molhados me fizeram pensar besteira, o aroma de sua pele limpa me deixou tonto.

Agora que penso sobre isso, eu durmo junto a essa garota todos os dias no mesmo quarto.

— Ei? Você está bem?

Eu voltei dos meus pensamentos e percebo que Hellen está me chamando, eu tento voltar a atenção para ela, mas dou de cara com seu grande busto, um decote na sua roupa mostrou uma parte bem sugestiva “deles”.

Engolindo seco eu me levantei e corri para dentro do banho, Hellen me viu com curiosidade devido minha atitude suspeita, contudo não quero que ela perceba meus pensamentos.

Depois de trancar a porta eu retirei minha roupa e mergulhei na banheira.

Hellen falou pelo outro lado da porta:

— Hun? Desculpe, mas acho que a água esfriou.

Eu respondi com ironia:

— Ahaha! Tudo bem! água fria é a única coisa que resolve meu problema agora.

— Hã?

Com uma interjeição de dúvida, a felina encerrou a conversa.

Nunca em minha vida tive contato com garotas, no meu antigo mundo nunca fui popular, meu irmão ao contrário de mim era um maldito galã cheio de namoradas bonitas.

Eu me lembro de Natã rodeado de garotas brigando por ele, enquanto eu que sempre fui insociável era desprezado pelas garotas.

— Tsk! Caras populares devem apodrecer no inferno!

Repentinamente me lembrei da sensação da felina pressionado seus grandes seios em mim mais cedo quando fugimos do tal Rormand.

Com vergonha de meus pensamentos afundei minha cabeça na água da banheira.

Quando fomos dormir eu fiquei bem nervoso diferente do habitual, sou tão idiota que não me liguei que durmo junto a uma garota todos os dias.

Eu me lembrei do meu antigo mundo, havia me declarado para uma garota, mas fui rejeitado da pior forma possível, ela disse que me odiava, claro, não podia reclamar, afinal não passava de um delinquente causador de problemas.

Pensando bem Hellen também me disse sem rodeios que me odiava, agora que parei para pensar sinto-me triste.

Com certeza vou encontrar muitas adversidades em minha vida daqui para frente, talvez pensar no sexo oposto seja só algo que vai ter um retorno doloroso, não acho que tenha o que é preciso para uma garota se interessar por mim.

É doloroso, porém real! Devo me conformar afinal, sei que é triste pensar assim, contudo o que é impossível é impossível.

Conformado com meus pensamentos eu finalmente caio no sono.

Foi o quinto dia de punição, essas semanas não pareciam passar de jeito nenhum.

Uma cela escura e úmida uma pessoa está lá esperando pela hora passar, seu rosto muito ferido assim como seu corpo ficou melhor depois de um tratamento adequado.

A pessoa que está presa na cela é o lobo branco Rormand, encarando-o com repulsa pelo lado de fora da cela estava Jedhar!

Completamente furioso com a situação Jedhar desdenha dos resultados:

— Hunf! moleque petulante! Eu lhe avisei para não se meter com aquele bestial não foi?

Rormand encarou Jedhar sem emitir uma palavra de retorno.

Jedhar reclama com um olhar farto:

— Tsk! Eu tinha expectativas de que você mudasse seus pensamentos um dia, mas foi uma aposta tola da minha parte! Você não é diferente da Predatory!

O rosto de Rormand tremeu diante dos argumentos de Jedhar.

Jedhar expressa com tristeza:

— Vou pedir a realeza que retire seu posto como chefe da milícia da capital, uma pessoa com um posto tão importante não pode ser um bandido qualquer que tenta assassinar uma criança sem motivo nenhum!

Rormand perdeu a paciência com Jedhar e gritou agarrando as grades da cela:

— SEM MOTIVO NENHUM? ABRA OS OLHOS PANTERA BASTARDA! AQUELE GAROTO É UMA AMEAÇA!

Jedhar balança a cabeça decepcionado com Rormand com um olhar cheio de tristeza a pantera velha exprime:

— Eu esperava mais de você!

Rormand sentiu seu coração apertar ao perceber que Jedhar tinha seus olhos marejados por causa de suas ações.

Jedhar deu as costas e deixou aquele lugar.

Saindo dali a velha pantera encontra alguém inesperado, esse é ninguém menos que Hiekf, ele tinha uma postura hostil para Jedhar.

Hiekf fala com a voz cheia de ódio:

— Seja sincero! O ataque a Ferus foi sobre seu comando?

O pensamento de Hiekf ofendeu profundamente Jedhar, contudo a pantera velha sabe que o raciocínio do gnoll tem todos os fundamentos do mundo.

Sem rodeios Jedhar reponde:

— Não! Não tenho nada a ver com isso, no entanto foi obra de alguém que conheço!

Hiekf deu um passo à frente ficando cara a cara com Jedhar, a mão do gnoll tremia tanto que era visível sua tensão.

Jedhar nem sequer tremeu com a face intimidante de Hiekf.

O gnoll pronunciou:

— Não importa quem seja! Não vou tolerar qualquer tipo de ameaça ao meu garoto!

Jedhar retribui:

— Eu afirmo que a guilda de Harp não tem nada com o ataque!

Hiekf questiona:

— Por que diabos estão atacando o menino? Ele não fez nada de mais, apesar de ser diferente ele não deixou de ser apenas uma criança!

As palavras de Hiekf uma vez já saíram da boca de Jedhar na época em que criou Alba, ele não conseguiu deixar de simpatizar com o gnoll que só quer defender o garoto.

Suspirando Jedhar expõe seu raciocínio:

— Algumas pessoas agem com medo, outras com ignorância e algumas até por inveja e vaidade, o que eu quero dizer é que esse menino vai ter uma vida dura e sofrida, seu trabalho é amenizar isso não é?

Hiekf arregalou os olhos para a pantera que parecia entender seu coração.

Jedhar botou a mão sobre o ombro de Hiekf e transmitiu sua opinião:

— Não desista! O caminho é tortuoso e sofrido, mas valerá a pena quando olhar para trás e ver o quanto ele cresceu…

Jedhar passou por Hiekf dando as costas, sem parar seus passos ele continua:

— Eu sei o que está passando e eu não vou desampará-lo agora, contudo deve preparar o garoto para o pior! Ao contrário de mim você é um guerreiro, se eu consegui você também consegue.

Hiekf não entendeu nem a metade das palavras de Jedhar, mas percebeu que ele não está por trás do ataque, também notou a simpatia dele.

O pior de tudo é que o argumento de Jedhar fez todo o sentido, o ataque pode ter vindo de qualquer lugar.

A sensação de impotência deixou Hiekf desapontado com ele mesmo, não pode fazer nada a não ser reclamar, palavras não resolvem nada nessa situação.

Hiekf caminhou desnorteado para casa, ele encarou seu próprio punho desanimado.

— Droga!

Hiekf sentiu desprezo por ele mesmo, ainda que despertasse habilidades únicas poderosas ele não mudou, apenas continuou sendo o mesmo gnoll impotente que deixou sua vila.

Hiekf andou sem conseguir pensar direito, até que chegou repentinamente a um local, esse local foi uma livraria, na frente dela está um humano, Hiekf nunca viu um humano por Lemur, mesmo com muito em sua mente ele não deixou de se surpreender.

O humano trajava um robe negro incomum, suas vestes do pé a cabeça são todas negras, até seu cajado é negro, em sua cabeça um chapéu pontudo surrado.

O humano notou Hiekf e abriu um largo sorriso:

— Ei! Será que pode ajudar um viajante perdido?

Hiekf sorriu ironicamente, contudo sua personalidade dócil jamais permitiria que ele deixasse alguém com problemas.

Com um sorriso Hiekf pergunta:

— Farei o possível para ajudá-lo! O que quer dessa humilde hiena?

O misterioso homem botou sua mão no queixo e comentou:

— Hou! Você é o primeiro que me trata com tanta cortesia! Meu nome é Sendor Yami, qual é o seu?

Com a mão por trás da cabeça Hiekf se anunciou:

— Me chamo Hiekf Gnoll é um prazer!

O homem ponderou com sua mão no queixo, ele é bem jovem apesar da preferência excêntrica de vestuário.

Sendor comenta:

— Hun? Se não me engano, a palavra “Hiekf” no idioma antigo significa “chave”!

Hiekf ficou impressionado com a noção de linguagem do homem, dado em conta que essa língua é morta, Hiekf tentou mudar de assunto:

— Então! O que deseja?

— Ah? Sim, me desculpe, eu viajei por um momento… Hã? Você pode me dizer onde fica a guilda de Harp?

— Claro!

Hiekf instruiu o homem misterioso de uma forma para que não se perdesse, ele até deu descrição do prédio da guilda.

— Eh! Muito obrigado senhor Hiekf, você ajudou muito esse humilde mago.

— Hou! Então você é um mago?

O homem estufou o peito e falou com orgulho:

— Sim! Isso mesmo! Embora não seja o melhor, sou um dos melhores! Ahahahahahaha!

O gnoll achou o homem a sua frente interessante, como se a situação fosse boa Hiekf aproveita e pergunta a um profissional:

— Me diga senhor Sendor, eu gostaria de estudar feitiços, há algum livro que me recomendaria?

Sendor abriu um sorriso para Hiekf, ele retira de sua bolsa um livro e deu para Hiekf, o livro é bem grosso e parece muito precioso.

Hiekf devolve o livro e diz humildemente curvando-se:

— Eu agradeço a oferta, mas não tenho como pagar por algo tão valioso!

— Hehehe! Eu não estou vendendo, eu estou dando-o a você, esse livro foi eu mesmo que escrevi, acho que ficará bem com você.

Hiekf viu a capa do livro, o título é “Os caminhos da magia”, tremendo Hiekf achou que não deveria aceitar algo de tanto valor, afinal nesse mundo o preço de um livro pode ser maior do que de uma espada de primeira.

Quando Hiekf ia recusar, o homem sumiu do seu campo de visão, surpreso o gnoll se virou de um lado para outro procurando pela pessoa, mas nada encontrou.

A hiena guardou o livreto em sua bolsa, espiar não fará mal desde que o devolva, foi o que ele pensou.

Seis dias se passaram e ainda estou no meu castigo, cada dia que passa a punição parece ficar mais distante do fim, eu suspirei pesadamente.

Milin que fazia companhia a nós na cozinha reclama:

— Poxa Ferus! Você tem suspirado demais hoje! Ficar próximo a mim é tão ruim assim?

— Hã? Não é isso Millin! É que quero logo sair desse castigo e fazer missões como aventureiro, sinto que estou sendo deixado para trás sabe?

Hellen ficou por conta dos alimentos hoje, então está um pouco distante, apesar de estarmos amarrados pela maldita corda mágica.

Eu fiz de tudo para tirar de mim essa corda, só que não parece possível retira-la sem machucar Hellen com um choque, Hiekf me conhece como a palma de sua mão!

Millin ultimamente tem conversado muito comigo, ela me pergunta sobre muitas coisas, eu respondo na medida do possível.

— Me diga Ferus! Foi mesmo você que matou a aberração de espinhos?

— Sim! Fui eu! Pode até duvidar, mas não estou mentindo!

— Eu não acho que você é do tipo que mente, também Hellen me falou o quanto você é forte, venceu um membro do clã dos lobos brancos como se não fosse nada!

— Ela disse?

Eu voltei meu olhar para felina, mas ela virou o rosto evitando contato visual comigo, ela me odeia mesmo.

Millin fez outra pergunta:

— Ei Ferus! Você é um mestiço não é?

Me senti mal em mentir, mas foi uma coisa que Hiekf me instruiu a fazer.

— Sim! Isso mesmo!

— E de que clã de lobo você veio?

— Hã?

— Você sabe! temos o clã dos lobos brancos, o clã dos lobos cinzentos e por último o clã dos lobos azuis.

O rosto da gata torceu ao escutar sobre os lobos azuis.

Sem saber como responder a isso eu disse meia verdade:

— Uh! Vou te responder dessa forma: sou parte humano!

Millin se surpreendeu com minha revelação e perguntou mais uma vez:

— Se… Serio? Você é um mestiço com uma raça diferente da bestial?

— Bem! Acho que é isso!

— Uou! Eu nunca vi um mestiço assim! E qual de qual parte herdou o sangue de lobo, digo qual é o clã que lhe forneceu a aparência de lobo.

Eu respondo:

— Não sei! Minha família sempre foi humana, ela foi assassinada pelos membros da igreja do sol, desde então vivia sozinho na floresta, quando decidi sair de lá e ir até a civilização eu encontrei Hiekf e salvei sua aldeia de um tigre desagradável, a partir daí estamos sempre juntos.

Millin se arrepiou com minha confissão pesada, fazia parte do meu plano jogar algo assim para ela, com isso eu não precisarei mentir e ela vai parar de perguntar.

Inesperadamente a gata entrou na conversa:

— Você nunca teve nenhum contato com os clãs atuais de lobos?

Meio surpreso eu respondi a ela:

— Não! Eu não sei nada sobre nenhum clã de lobos, tudo que aprendi até o momento é que não quero relacionamento com eles, pois só vi lixos entre esses clãs malditos! Ter eles associados a mim me faz sentir náuseas como um lobo, por isso sou um lobo negro! Nada mais e nada menos que isso!

A felina meio para baixo se curvou e me disse:

— Desculpe-me pela maneira que tenho agido até agora! Eu tenho reparado em você, realmente não possui nenhuma conduta similar a eles.

Millin ficou boquiaberta com a reação de Hellen, eu também não consigo esconder minha surpresa.

Hellen continua:

— No entanto eu não consigo parar de sentir medo em relação aos lobos, eu passei por muita coisa por causa deles!

Em resumo ela disse que não me quer por perto, pois me teme. Eu entendo a posição dela e assim afirmo:

— Quando o castigo terminar não vou mais aborrece-la, pode ficar tranquila.

Eu disse aquilo com um sorriso no rosto, apesar de me sentir péssimo, a felina devolve um sorriso apagado para mim.

Com o clima pesado aquele dia se encerrou com o silêncio.

Alguns dias se passam e chegamos ao nono dia do castigo, Hiekf começou a se focar na leitura de um livro esquisito e a sair todos os dias sem dizer para onde, quando retorna ele sempre parece esgotado e cansado, mesmo perguntando ele mudava o foco da conversa.

Deixei de lado o assunto, afinal todos temos direito a nosso espaço e a sermos reservados.

Eu evitei ter diálogos com Hellen, ela deixou claro sua posição em relação a mim, sinto-me desconfortável quando estou perto de uma pessoa que não me suporta, uma pena porque pessoalmente não a odeio e nem nada do tipo.

No outro mundo em minha época escolar, briguei feio com três alunos mandando-os para o hospital, foi assim que minha solitária vida escolar começou, me sinto da mesma forma aqui.

Bom! Só faltam cinco dias, então vou dar meu melhor.

Stela entrou na cozinha:

— Olá garotas e lobinho!

Eu retruquei:

— FERUS! Meu nome é Ferus! Para com esse negócio de lobinho! Isso é vergonhoso!

Millin riu divertidamente e eu a provoquei:

— Qual é a graça? “Ratinha”

— Eeeeeeeeeeh! Isso… isso é ofensivo?

— Oh! É mesmo? Espero que assim entenda como eu me sinto!

Milin inflou as bochechas como uma criança, sem resistir toquei com meus dedos em suas bochechas esvaziando o ar que lá havia.

Stela riu:

— Ahahahaha! Vocês estão se dando bem.

A coelha cinzenta bota seus olhos em Hellen que trabalhava sem participar de nada.

Ela suspira em decepção:

— Aaaaaaaah! Queria que Hellen fosse mais mente aberta!

Hellen parou o que fazia por um momento, eu não sei o que Stela pretende, mas pedi a ela:

— Hun? Deixe-a por favor, ela está fazendo o melhor do jeito dela!

Stela me encarou e perguntou:

— Está tudo bem para você? Ser tratado com frieza por nada?

A pergunta de Stela é muito áspera, eu cocei a cabeça e expus minha opinião com indiferença:

— Ao menos ela tem um motivo para agir comigo assim, Bom! Se tratando de mim, acho que me acostumei a ser detestado de graça.

— Não se acostume a algo tão horrível Ferus! Não aceite nada que não lhe pertence, principalmente um ódio idiota!

Hellen começou tremer com os ataques verbais de Stela, que indiretamente serviam para ela.

Stela colocou a mão em sua testa e murmurou com decepção:

— Arhg! Já chega disso!

Ela foi até mim e fez um cântico curto soltando a amarra mágica que me ligava a felina.

Stela fala para Hellen:

— Tsk! Eu pensei que você poderia dar um passo à frente, mas parece que me enganei! Um gato não gosta de aprender afinal, mesmo que seja pelo seu bem!

Hellen soltou tudo que fazia e correu com lágrimas nos olhos.

Eu gritei:

— EI STELA! VOCÊ EXAGEROU!

Com um olhar triste e cheio de decepção ela indaga:

— Hunf! alguém que não quer mudar não merece correr atrás da felicidade!

Eu fiquei completamente sem ação agora, simplesmente não sei o que fazer.

Já era noite e uma garota corria sem rumo em meio as esquinas vazias, talvez ela não estivesse ciente dela mesma, mas sua aparência chama muito atenção é como uma flor que nasceu em um lugar hostil, mesmo que não devesse estar ali sua beleza foi a mais bela de todas.

A garota é uma bestial felina, apesar de não pertencer a nenhum clã por ser uma mestiça, sua beleza de longe é muito cativante, ela fazia o melhor para esconder sua aparência chamativa, contudo nada poderia apagar o brilho de seus belos olhos azuis.

Ela não percebeu, mas caminha por um lugar que não é o melhor para uma linda jovem.

As lágrimas em seus olhos só serviam para tornar sua aparência ainda mais atrativa, pois também há beleza na fragilidade.

Suas pernas perderam as forças de tanto correr sem rumo, a bela garota parou próxima a uma fonte em uma das praças da cidade.

Ela sentou-se sobre a fonte e limpou as lágrimas, mesmo assim elas continuavam a cair.

A jovem sabia bem que as palavras de sua responsável eram verdadeiras, seu coração doeu por saber disso e ainda negou com todas as forças.

Ela odeia os bestiais lobos, talvez nada pudesse mudar sua opinião, contudo a garota sabe bem que o rapaz com que passou os últimos dias foi injustiçado por seu pensamento mesquinho.

O rapaz nunca começou uma briga, ele apenas devolveu a ela suas ofensas, o rapaz também nunca recorreu a violência, embora pudesse fazer qualquer um ficar de joelhos com sua força, mesmo quando ela negou por completo qualquer chance de reconhecê-lo, ele entendeu e a respondeu com um sorriso, ela percebeu que o lobo que tanto repudiou é na verdade apenas uma pessoa ruim em se comunicar.

A felina riu de si mesma, ainda sim resolveu não aceita-lo, essa foi sua decisão final, mas o que doeu muito nela foi o fato de ter sido aceita por ele, ser entendida sem querer compreender é um pensamento tolo e egoísta, mesmo sabendo disso ela preferiu agir como uma tola e ser egoísta.

Ela decidiu negar Ferus, decidiu não aceita-lo, em nome do ódio em seu coração ela nunca vai aceitar um membro do clã dos lobos, sabendo bem que seu pensamento é mesquinho ela decidiu se agarrar a seu ódio, afinal foi isso que a fez viver até os dias de hoje.

Esse foi o motivo de Stela perder a paciência com ela, Hellen não queria mudar, ela não queria se desprender do passado, ela só quer viver com sua magoa até o fim da vida.

Em meio a sua melancolia Hellen escutou passos em sua direção.

Limpando os olhos para melhorar a visão ela pergunta:

— Quem está ai?

Contudo nenhuma resposta foi feita.

Os passos aproximam-se mais e mais de Hellen.

Ela se levanta e vê uma silhueta tomando forma, sua visão é ótima a noite.

Hellen se depara com um bestial que nunca viu igual, era um senhor de idade com rugas, parecia ter ao menos uns sessenta anos, as vestes desse bestial são atípicas, não eram da região em que vive.

Esse bestial esguio tinha uma das mãos em suas costas enquanto a outra apoiava um grande bastão em seus ombros.

A cada passo e cada movimento, mesmo Hellen que é leiga em lutas percebeu que esse bestial se movia com maestria, não com seu andar, mas em tudo movimento que ele fazia, até a respiração do estranho bestial foi intimidante.

A única palavra que se passou na mente de Hellen para descrever as atitudes desse bestial foi a palavra “Adequado”, ou seja o jeito perfeito de fazer qualquer coisa.

O ser em sua frente abriu um grande sorriso ao balançar a longa cauda delgada.

Hellen ficou paralisada diante da presença nobre desse bestial.

Com o pouco de coragem que sobrou ela murmura:

— O clã macaco?

Ele revela a Hellen:

— Kukukukuku! Estive observando a dias os movimentos do lobo negro, infelizmente não pude acuá-lo na floresta, pois ele não saiu de Harp em nenhum momento! entretanto tenho visto que vocês dois não se separam por nada, vou usá-la como isca!

Hellen tentou correr, mas ao se virar o estranho já estava em sua frente.

— Kyaaaa!

Com o susto ela caiu com os quadris no chão.

O estranho a encara com um sorriso:

— Ooooh! Você é muito bela mocinha! Por isso o rapaz não se desgrudou de você, afinal não é qualquer uma que recebe o título de “a mais bela peça”, me pergunto se seu antigo dono ainda tem algum interesse em você como artigo!

A face de Hellen se tornou azul de medo, o homem sacou uma pequena faca e comentou ao aproximá-la da face de Hellen:

— Uma pequena mensagem para um lobo que tomou gosto por uma felina, o que acha?

Hellen não teve forças nem para gritar.

Naquela noite, a garota desapareceu.


Autor: Marcus | Revisor: Heaven



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