FNR – Capítulo 02 – Sacrifícios



Se passou uma semana desde que fomos arrebatados para esse mundo infernal, dia após dia fomos submetidos a torturas, muitos de nós já morreram, sinceramente eu pensava em tirar minha própria vida.

Na mesma cela que eu e outras dez pessoas estamos, meu irmão se isolou, ele não conversou mais comigo, talvez esteja preocupado com a própria sobrevivência, ele não tem tempo para perder com um peso como eu.

O olhar de meu irmão era diferente do resto, todos perderam as esperanças, mas ele tinha uma chama em seus olhos, talvez ele esteja mesmo pensando em sair daqui.

Meu pai sempre disse que meu irmão era especial, agora vejo o porquê, eu só me preocupo em estar vivo amanhã, ele deve estar pensando mais longe.

O fato é que agora sabíamos o motivo desses estranhos pegarem as pessoas do nosso mundo, eles usam suas vidas para alimentar uma espécie de arma.

Dia após dia assistimos pessoas serem consumidas por aquela coisa, que era uma espécie de máquina com forma de um anjo.

Essa máquina maldita suga as nossas almas e usa como combustível para se recarregar, eu entendi isso pelas conversas dos carcereiros, eles pretendem usar essa máquina para conquistar um poder de uma masmorra antiga e espalhar sua religião pelo mundo.

A religião que esses malditos cultuam é uma dedicada ao deus do sol chamado Isoltis, eu que já presenciei todas as coisas esquisitas nesse novo mundo, não duvidaria nem de dragões.

Parece que o nosso dia tinha chegado, o dia em que seríamos o sacrifício.

Fomos levados rudemente de nossas celas pelos guardas e com correntes em nossos corpos fomos enviados ao salão de sacrifício, lá junto a nós haviam mais quatro pessoas, todas choravam em desespero, meu irmão não temeu e eu também já estava conformado.

O salão brilhou igual a vez que fomos transportados a esse mundo e três pessoas perderam suas vidas, sobrando eu, meu irmão e um jovem um pouco mais velho que eu.

Eu não entendi, mas a máquina parou de sugar nossas almas, as portas do salão se abriram e o velho que matou nossa mãe entrou junto com seus dois comparsas, meu irmão ao vê-lo partiu com tudo para cima dele.

— Morra velho maldito! — Gritou Natã.

Porém foi golpeado pela mulher que o acompanhava o velho e caiu no chão.

— Urgh! COF! COF!

Meu irmão tossiu sangue com o golpe, eu rangi os dentes em silêncio.

O velho volta seus olhos para meu irmão e expressa:

— Huhuhuhu! Eu vejo que ainda está vivo! Talvez o carma exista mesmo!

Meu irmão com toda sua ira confronta o velho maldito que se divertiu com a reação de meu irmão e riu ainda mais.

Deixando meu irmão de lado ele se aproxima da máquina e fala com vivacidade:

— Finalmente! O olho do senhor está completo.

Ele se volta para os sobreviventes e continua com desdenho:

— O motivo dos três permanecerem vivos é porque o olho do senhor está completamente carregado, vocês não estão felizes? Graças aos sacrifícios de seus compatriotas vocês ainda respiram, Huhuhuhuhu!

Eu senti uma raiva que queimou em meu peito, eu queria matar aquele velho desgraçado a qualquer custo, eu decidi que iria mata-lo, mas antes que eu fizesse qualquer coisa, o terceiro sobrevivente partiu para cima do velho como um louco.

— MALDITO! VELHO MALDITO!

— SLASH!

Com um único balanço de sua espada o lacaio do velho que atendia pelo nome de Harbor dividiu o rapaz ao meio, um festival de sangue e vísceras se espalha pelo chão.

Eu me senti mal com a visão e se tivesse algo no estômago teria vomitado agora.

Harbor deu um forte balanço em sua espada assim limpando o excesso de sangue nela e com indiferença ele a guarda em sua bainha anunciando:

— Uma leve correção mestre! Parece que são apenas dois sobreviventes!

— Entendo! Bom… Sacrifícios são sacrifícios no final das contas. Que a masmorra divina de Ferus decida o destino deles.

Harbor que parecia impressionado com a decisão de seu mestre colocou a mão em sua face e riu como um psicopata:

— AHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHA! EI! EI? E a aquela estória de carma?

— Hunf! Como eu disse, eu acredito em carma e é por esse motivo que cuido desse assunto da pior maneira possível!

A mulher que nunca disse nenhuma palavra até momento argumentou em desgosto:

— Tirar a borboleta da teia de aranha só para colocá-la em uma situação ainda pior, o mestre tem mesmo um gosto nojento.

— Ei! Erumir olhe como se dirige a nosso superior, ele é um escolhido do sol.

— Huhuhuhu! Deixe-a Harbor, o jeito crítico de Erumir foi um dos fatores que me fez a escolher como minha escolta pessoal, mudando de assunto, deixo a seu cuidado o destino desses dois.

Harbor dá um arco ao velho e responde com um sorriso maquiavélico:

— Pode contar comigo mestre Sillas.


Sob um sol escaldante, eu estava preso a correntes e puxado pelo cavaleiro desgraçado chamado Harbor, ele é claro estava montado em seu cavalo enquanto eu caminhava a minguas uma subida íngreme que superou dez quilômetros.

Meu irmão estava na frente sendo levado por um lacaio, o motivo dele levar a mim em vez de meu irmão ficou bem claro, ele queria incomodar meu irmão.

Em nenhum momento eu fraquejei na longa caminhada, isso o deixou descontente.

Horas mais tarde chegamos em um grande portão negro, ele possuía ideogramas macabros em toda sua estrutura.

Um homem que estava guardando o local veio receber Harbor:

— Senhor Harbor! É uma honra receber um membro da guarda real do bispo Sillas.

O homem se prostrou em frente a Harbor que responde:

— Obrigado pelo respeito irmão, mas o único que merece reverências é o mestre Sillas, portanto trate-me como um igual.

O homem se mostrou admirado com a falsa modéstia de Harbor.

Lá eu encontrei meu irmão que pela primeira vez em muito tempo falou comigo:

— Você fez bem por aguentar até aqui!

Embora ele nem tenha olhado para mim, pelo menos me elogiou, porém eu não sentia nenhuma satisfação com seu elogio frio.

Harbor desceu de seu cavalo e disse a nós dois:

— Bem! Esse é o mal que queremos combater, a masmorra divina de Ferus, lar de um demônio que a muito tempo foi chamado de Fenrir.

— Fenrir? O lobo causador do ragnarok?

Meu irmão perguntou a Harbor que se espantou com sua pergunta.

— Como uma existência inferior sabe sobre a forma da criatura do caos, e do ragnarok?

— Hã? você não sabe? Ahahahahaha! Me pergunto quem é o inferior aqui!

Meu irmão desdenhou sem medo de Harbor, que teve uma veia azul saltando de sua testa.

Recuperando sua compostura Harbor avisa:

— Bem! Não importa mais o que você sabe ou não, sua sepultura será dentro daquele lugar, Uma masmorra divina que ninguém conseguiu vencer, mas não se preocupe, dentro de dois dias usaremos o olho do senhor para conquistarmos essa masmorra, se acharmos seus restos mortais eu serei piedoso e lhe concederei um funeral igual ao de sua mãe que sucumbiu ao fogo

Eu senti tanta raiva que ataquei sem pensar aquele maldito, mas fui impedido por meu irmão que disse:

— Guarde essa raiva, teremos nossa chance.

Eu me virei para reclamar sobre ele estar calmo com aquilo que ele tinha dito de nossa mãe, só que vi ele morder os próprios lábios com tanta força que o sangue apareceu, ele provavelmente sentiu mais raiva do que eu, mas teve que se conter para meu bem.

Mais uma vez, estava amaldiçoando minha fraqueza.

Harbor sentiu-se satisfeito com nosso silêncio e nos deixou aos cuidados do guarda que vigiava o local.

O guarda nem se importou em falar conosco, apenas nos empurrou até a entrada, depois de fazer um cântico mágico o portão levemente se abriu:

— Entrem logo seus ratos.

O guarda nos chutou para dentro e explicou:

— Até mesmo ratos como vocês têm o direito de desafiar essa masmorra divina.

Ele diz algumas palavras mágicas e nossas correntes se soltam, rapidamente ele se arma e continua:

— Essas mochilas têm alguns itens que os ajudarão por algumas horas.

Ele nos lança duas mochilas de pano, dentro havia um pouco de comida e algumas ferramentas, ele nos joga também dois pequenos livros.

— Agradeçam por receberem o conhecimento da nossa sagrada língua, seus imundos.

E já com os portões se fechando ele nos lançou duas espadas maltratadas, quando eu peguei a minha tive a impressão que quebraria se batesse com muita força.

Meu irmão parecia calmo nessa situação, eu me perguntava como ele conseguia.

— Willian leia o livreto, parece ser um tipo de manual.

Relutante eu segui o conselho do meu irmão, o título do livro “Ensinamentos sagrados para criaturas inferiores”.

Eu joguei o livro na parede sem pensar duas vezes.

Meu irmão pareceu irritado da mesma forma, no entanto ele me fala:

— Mesmo assim vamos ler, qualquer coisa pode ser útil, mesmo vindo desses desgraçados, temos que viver para vingarmos nossos pais.

Aquelas palavras de meu irmão foram amargas de engolir, mas a razão estava do seu lado, então eu peguei o livreto e comecei a ler.

“Como averiguar estatísticas próprias:

Primeiro deve-se verificar o próprio corpo, imaginar a si mesmo também serve.

Com os requisitos feitos deve-se lançar a habilidade que todos os seres vivos têm nesse mundo, a habilidade “status”.

Para ativar essa habilidade pode-se apenas imaginar dizendo o nome dela para si mesmo “status”.

— Que merda é essa?

Eu falei para mim mesmo, no entanto já havia visto tantas coisas incomuns que já não duvidava de mais nada, então eu disse:

[Status].

E na minha mente apareceu uma diversidade de dados e uma imagem apareceu:

Status

Nome: Willian Greives Raça: Humano extraplanar Gênero: Masculino
Idade: 14 anos Classe: Nenhuma Nível: 00
Força: 08 +2 Resistência 12
Agilidade 09 Destreza 12
Sabedoria 10 Inteligência 11
Carisma 13 Poder Mágico 06
Pontos de Vida 20 Mana 15
Ataque 20 Defesa 12

Equipamentos:

Arma Bônus Propriedades Material
Espada velha +2 de FOR Corte Ferro
Proteção Bônus Propriedades Material

Habilidades:

Status

— Mas que Merda! …. IRMÃO!

— Eu já vi Willian! E não acredito nessa merda!

Status

Nome: Natã Greives Raça: Humano extraplanar Gênero: Masculino
Idade: 17 anos Classe: Nenhuma Nível: 00
Força: 12 +2 Resistência 12
Agilidade 08 Destreza 10
Sabedoria 20 Inteligência 33
Carisma 18 Poder Mágico 20
Pontos de Vida 24 Mana 40
Ataque 22 Defesa 24

EQUIPAMENTOS:

ARMA BÔNUS PROPRIEDADES MATERIAL:
Espada velha +2 de FOR Corte Ferro
Proteção Bônus Propriedades Material

Habilidade:

Status

— Igual a merda de um jogo? Essa bosta de mundo que matou nossos pais é igual a merda de um jogo? VÁ PARA O INFERNO!

Eu grito minha revolta para as paredes dessa caverna, meu irmão tem suas mãos trêmulas, sei bem que quer fazer o mesmo, mas ele tem que manter a compostura por minha causa.

Meu irmão comenta:

— Eu sempre lia muitos livros com esse tema e sempre cogitei que seria legal essa possibilidade de acontecer de fato, mas parece que expectativa e realidade são coisas bem diferentes, não é?

Meu irmão pareceu aflito ao lembrar do passado e continuou a ler o manual.

“É possível ficar mais forte matando monstros e adquirir novas habilidades e magias com os níveis.”

Fim.

 

— Só isso? que merda… Esses filhos da puta… EU VOU MATA-LOS!

Dessa vez aquele que perde a compostura foi meu irmão que lançou o livreto na parede com força.

Respirando pesadamente Natã lamenta:

— Desculpe Willian eu o repreendi, mas acabei fazendo o mesmo.

— Tudo bem! eu entendo.

— Willian! Temos que sobreviver… Não! Nós iremos sobreviver e vingar nossos pais e depois vamos sair desse mundo de merda.

Eu senti confiança nas palavras do meu irmão, isso me fez confiante também.

— Sim.

Respondi de uma forma simples.

Meu irmão contempla a entrada da caverna:

— Primeiro temos que derrotar esse inimigo.

— Sim.


Autor: Marcus | Revisor: Heaven

QC: Bczeulli



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