FNR – Capítulo 11.5 – Harbor


Solis a capital do país Solaris, reino do deus do Sol Isoltis.

Um país governado por um sistema teocrático, a fé dos fiéis de Isoltis não é algo para se brincar.

Cada um dos cidadãos de Solaris daria suas vidas de bom grado para o bem de seu amado deus, mesmo as crianças não duvidam do poder de seu senhor.

Isso se deve a educação pragmática instituída pelo país, uma forma de alienação que implanta a felicidade no coração e na mente das pessoas, dentro de qualquer cultura a dúvida e curiosidade queima em alguma parte do ser humano mesmo que ele negue isso, entretanto isso não acontecia aqui.

Tudo nesse lugar é padronizado, apesar de seguir um sistema de meritocracia, ninguém sente inveja do outro que chegou mais longe, havia algo errado com esse lugar.

Um residente de Solis que acabou de chegar de fora nunca se deixou levar pela paisagem de marfim, ele é um homem que nunca pode ter uma vida comum, sempre viveu como um ator em uma peça teatral, atuando como um personagem diferente em cada papel que lhe foi dado.

Desde sua infância esse homem se destacou entre os militares, aos oito anos teve sua primeira missão e a cumpriu com louvor.

Esse homem que sempre fingiu para sobreviver, perdendo aquilo que todos possuem, uma personalidade. Ele não sabia mais distinguir quem era o personagem e quem era o ator, pois toda sua vida foi uma atuação interminável.

Se infiltrando em lugares perigosos para reunir informações, fingindo ser pessoas na qual ele decorou os hábitos, capaz de falar quase todos os idiomas e detentor de uma memória fotográfica além de uma inteligência sem par, não seria exagero dizer que esse homem pode ser o maior espião da nação.

Contudo esse homem descobriu ter uma única parente viva, sua irmã mais nova, um caso extraconjugal de seu falecido pai com uma serva, o homem em questão adotou essa jovem e se apegou a ela assim como ela se apegou a ele.

Pela primeira vez esse homem teve algo chamado de família e um lugar para ser seu lar, o homem decidiu largar sua vida perigosa e viver junto a sua irmã Erika.

Mas um Cardeal de mente deturpada chamado Regulus, sequestrou sua irmã e o forçou a trabalhar para ele.

O homem sem opção aceitou, seu último trabalho a mando de Regulus foi como guarda-costas de uma pessoa degenerada da igreja de Isoltis, tratou-se do bispo Sillas.

Nessa mesma época o homem apesar de usar seu nome real, dessa vez ele assumiu o papel de uma pessoa tão degenerada quanto Sillas.

Seu nome é Harbor, mas sua personalidade não é a sua própria, nessa época ele conheceu a jovem Erumir que foi sua parceira de trabalho.

Erumir o detestava e Harbor estava ciente disso, o papel que ele escolheu para atuar foi de um homem bem desagradável, não seria surpresa nenhuma ela o odiar.

Harbor, no entanto que sempre trabalhou sozinho e nunca teve um parceiro, Erumir era uma mulher versátil detentora de diversas qualidades, quando algo a desagradava ela não se restringia em dizer.

Harbor sentiu muita admiração por essa mulher que odiava seu personagem atual.

Em resumo sua missão de proteger Sillas fracassou e para não voltar de mãos vazias, Harbor recolheu toda a informação do projeto “olho do senhor” e destruiu o resto antes da inteligência de Solaris se apossar do conteúdo, isso pelo menos deixaria seu mestre com vantagem.

Harbor levou as informações para seu mestre Regulus e Erumir o acompanhou, Harbor já havia cogitado a possibilidade de Erumir ser uma espiã da divisão de inteligência do estado, por isso não a impediu, foi um erro fatal.

Regulus assim como todos os cardeais é detentor de uma poderosa habilidade única, no caso de Regulus um poder mental capaz de enlouquecer as pessoas, Regulus afetou Erumir com seu poder e a deixou doente.

Voltando ao presente Harbor chegou de sua viagem até sua residência, era uma casa simples com uma única serva, adentrando a residência Harbor cumprimenta a criada e dirige-se a um dos quartos, ao abrir a porta, encolhida na cama estava Erumir.

Harbor se aproximou da jovem que ao vê-lo o abraçou, já fazia duas semanas que essa situação perdurou e a atual Erumir se apegou a Harbor.

Felizmente por meio de seu sistema de informação Harbor descobriu uma medicina sagrada que poderia cura-la.

Esse homem passou o inferno nessa última semana para adquirir esse medicamento, o nome dessa medicina é conhecido como pedra Yggdrasil e Harbor a roubou do reino dos demônios.

Por meio de teleporte de um mago conhecido ele chegou até lá e enfrentou vários obstáculos para adquiri-la, tanto que seu corpo está muito ferido.

Harbor pegou a pedra de âmbar verde com uma raiz em seu interior, ele a aproximou da testa de Erumir e um brilho tomou conta do quarto, Erumir que enfraquecida o encarou chamou por seu nome.

— Harbor…

Em seguida ela adormeceu nos braços de Harbor.

Harbor guardou a pedra em seu bolso e depois de colocar Erumir cuidadosamente em sua cama saiu do quarto.

Esgotado o jovem loiro sentou-se em seu sofá, sua serva que viu a figura fadigada de seu mestre lhe serviu um chá, Harbor gentilmente a agradeceu.

Harbor deitou-se ali e dormiu profundamente.

Na manhã seguinte Harbor acordou e um cobertor estava sobre ele, preocupado se dirigiu ao quarto de Erumir e quando entrou não havia ninguém lá, a cama estava arrumada e um bilhete sobre ela, Harbor leu o bilhete.

Obrigado por tudo.

Um sorriso abriu na face de Harbor, pelo menos ele não teria que carregar essa culpa, talvez nunca mais fosse capaz de ver a mulher que admirou, mas estava bem para ele, sua vida nunca lhe permitiria se aproximar de alguém.

Harbor guardou o bilhete e saiu daquele quarto.

O cardeal responsável pela divisão de informação e inteligência Kaelli, um homem astuto que nunca deixaria uma informação valiosa passar.

Em sua frente sua assistente que sumiu misteriosamente por quase dez dias se apresentou.

— Você pode me dizer o que houve Erumir?

A bela moça que tinha um olhar melancólico no rosto respondeu:

— Eu fui vítima da habilidade do cardeal Regulus e fiquei enlouquecida até ser curada!

Kaelli apertou o rosto de raiva, ele sempre odiou Regulus, mas pensar que feriria um de seus subordinados o fez ferver por dentro.

Mas Kaelli se atentou para um fato e perguntou a Erumir:

— Espere Erumir! Aqueles que são afetados pela habilidade de Regulus nunca foram curados! Seria necessária uma medicina lendária para isso.

Erumir se lembrou do estado do corpo de Harbor cheio de ferimentos quando chegou com a estranha pedra para ela, com medo de prejudicar Harbor ela se calou.

Kaelli observou o silencio de Erumir e suspirou:

— Entendo!

Erumir entregou um relatório para Kaelli que no mesmo momento começou a lê-lo, a impaciência de Erumir incomodou Kaelli que perguntou:

— Você quer saber algo?

Erumir abaixa a cabeça e pergunta:

— Sobre o Harbor.

Kaelli apertou os olhos em direção ao relatório que lia.

— Senhor Kaelli o que sabe sobre o Harbor?

— Por que quer saber?

Kaelli pergunta com indiferença e Erumir responde:

— Eu nunca me questionei quando me mandou em uma missão para monitorá-lo, mas quando o conheci ele era uma pessoa tão detestável quanto Sillas, no entanto quando a missão falhou ele pareceu ter se tornado outro, se não fosse por ele, Regulus teria me matado e quando fiquei enlouquecida pela habilidade de Regulus, ele pacientemente cuidou de mim, ele virou noites inteiras preocupado e se culpou muitas vezes pelo meu estado, no final fui até…

Erumir que quase confessa que Harbor a curou se calou.

Kaelli estava escutando bem as palavras de Erumir, entretanto não tirou os olhos do relatório.

Erumir implorou:

— Se souber alguma coisa por favor me diga!

Kaelli deixou o relatório sobre a mesa e unindo suas mãos encarou Erumir:

— Por que quer saber?

Erumir cerrou os dentes com a pergunta de Kaelli e esbravejou:

— EU APENAS QUERO SABER O.K, EU O CONHECI COMO A PIOR ESCÓRIA E DEPOIS EU CONHECI UM HOMEM GENTIL INCAPAZ DE FAZER MAL A ALGUÉM! EU ESTOU CONFUSA!

Kaelli deu um longo e cansado suspiro e abriu sua gaveta, tirando uma pilha grande de papel de lá.

Kaelli disse:

— Isso é toda a vida desse rapaz resumida, se eu tivesse que dar minha opinião eu diria que a vida desse cara é uma tragédia, ele é como um pássaro que bicou desesperadamente a gaiola tentando voar livre mais uma vez! Contudo! tire suas próprias conclusões

Kaelli se levanta e declara:

— Volto em três horas.
Ao sair da sala Erumir começou a ler o relatório sobre a vida de Harbor

Três horas depois Kaelli voltou para sua sala e ao abrir a porta viu Erumir que em melancolia chorando muito com o relatório nas mãos.

Sem ter muito o que fazer Kaelli bate a mão em seu ombro tentando consolar sua subordinada.

Harbor que finalmente conseguiu curar Erumir, descansou um dia inteiro para recobrar suas forças, contudo pareceu não ser o suficiente, ele estava agradecido que o cardeal Regulus ainda não o havia convocado, seu corpo ainda estava dolorido.

Harbor pensou em sua irmã que não via a dois anos, ele sentia muitas saudades, tentou de tudo para localizá-la, contudo Regulus é o único que pode esconder algo de Harbor graças a seu poder mental.

Sem esperar, uma batida ecoa em sua porta, como havia dado folga a sua serva ele mesmo foi atender.

A visão de Harbor foi impactada de surpresa, a cardeal Lumina estava em sua frente, sem saber o que falar Harbor a comprimento.

— Hun? bom dia vossa eminência Lumina, em que posso servi-la?

— Hun? Vejo que é um jovem bem educado!

A cardeal Lumina arrodeou o corpo de Harbor parecendo o avaliar, ela colocou o rosto bem perto do dele, se não fosse por suas habilidades de atuação ele não conseguiria manter a poquer face (expressão vazia, não demonstra sentimento).

— Bonito! Na verdade bem bonito!

— Eeeeh? Vossa eminência deseja algo?

— Me acompanhe!

Harbor não era tolo para dizer um “não” para um cardeal, todavia seu pensamento foi:

Que merda só me faltava essa! Será que descobriram sobre a pedra Yggdrasil?

Contudo a face de Harbor só mostrou um sorriso gentil para Lumina, assim eles entraram em uma carruagem e partiram dali.

Um tempo depois os dois chegam na residência do lendário herói do país, o cardeal da guerra, Invictos.

Harbor fez um rosto preocupado e perguntou:

— Eeeh? Vossa eminência?

— Me chame apenas de Lumina!

— Senhorita Lumina?

— Assim já está bom!

— O que viemos fazer na casa do herói lendário?

— Ele quer te conhecer!

Os pensamentos de Harbor foram:

Fudeu! Eles descobriram que roubei a pedra Yggdrasil.

Apesar de estar suando por dentro de aflição, seu rosto não demonstrou isso nem sequer uma vez, assim os dois adentraram a residência do famoso herói de Solaris.

Uma situação completamente sem sentido estava acontecendo na frente de Harbor, todos os cardeais incluindo Regulus estavam presentes.

Sem entender nada Kaelli deu uma luz para Harbor.

— Rapaz! Estamos aqui para dizer que você está livre da tirania de Regulus.

— ….!….

Harbor sentiu desconfiança da situação e começou a avaliar o local, procurando por contramedidas.

Kaelli continua:

— Sua irmã está a salvo!

A face de Harbor finalmente mostrou alguma expressão.

Harbor perguntou a Kaelli:

— Erumir está bem?

— Sim graças a você, obrigado!

Kaelli abaixou a cabeça em agradecimento e Harbor continuou:

— Minha irmã?

O herói lendário respondeu:

— Está hospedada em minha residência, eu mandei os empregados trazê-la aqui.

— Regulus, sairá dessa impune não é?

O Homem ruivo desdenha de Harbor:

— Beeeeh! Não me ponha no mesmo nível que você lixo!

Veias saltaram da testa de Harbor que fumigou um olhar feroz para direção de Regulus ele segurou por anos sua intenção assassina, mas agora transbordou dele tão forte que todos os cardeais entraram em guarda.

Montis comentou:

— Hou! Esse rapaz não é brincadeira mesmo Hein! Kaelli?

Uma das empregadas abriu a porta e a irmã de Harbor apareceu, uma bela garota de cabelos azuis atípicos dos moradores de Solis, Erika é seu nome, com a visão de sua adorável irmã Harbor deixou sua intenção assassina de lado e correu para ela.

Sua irmãzinha o abraçou forte e chorou de saudades por ver seu querido irmão, invictus se aliviou com o time de seu servo.

Depois de um tempo eles tiveram que se separar para que a reunião seguisse e Harbor concordou no momento.

Harbor se virou para Kaelli e o agradeceu:

— Obrigado senhor Kaelli por me livrar desse maldito.

— Não se preocupe com isso…

— No entanto eu não posso perdoar Regulus!

Os cardeais pensavam que foram apenas palavras na boca de Harbor.

Harbor também falou com Invictus:

— Senhor invictus eu sei que é uma excelente pessoa, então desculpe-me por sujar sua sala com sangue.

Todos os cardeais se levantaram e Harbor apenas tinha olhos para Regulus.

Regulus desdenhou:

— Hunf! Esse merda acha que pode contra um cardeal?

Montis e outros cinco cardeais se puseram na frente de Harbor e avisaram:

— Embora eu adoraria ver esse maldito se dar mal, eu não posso permitir isso rapaz, você teria que passar por nós.

Comum sorriso cínico Harbor inclinou a cabeça e respondeu:

— Tudo bem!

[Cross The Void] *cruzando o vazio

Montis viu o rapaz desaparecer de sua vista, os outros cinco cardeais também ficaram desorientados.

[Sword of emptiness] *espada do vazio

— GYAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!

Um grito de agonia veio de Regulus que teve seu braço direito jogado no ar e litros de sangue se espalham no salão.

Ignis e Lenus pulam na direção de Harbor na esperança de pará-lo, mas:

[Empty Moment] *momento vazio

De alguma forma os dois passa direto por Harbor como se ele fosse intangível e mais uma vez Harbor atacou Regulus que ficou com pavor no rosto.

[Sword of emptiness]

Uma energia incolor revestiu a mão de Harbor que decepou o segundo braço de regulus.

— IAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!

O cardeal ruivo berrou de dor e tentou correr sem seus membros superiores, mas Harbor fez um movimento instantâneo e apareceu na frente dele.

— IIIIH!

Regulus gritou pateticamente.

Kaelli fez uma cara aterrorizada:

Eu suspeitei que esse cara era forte desde o início, mas isso é ridículo! Ele está fazendo de palhaço todos os cardeais aqui! O relatório não menciona nada sobre suas habilidades avassaladoras, este maldito sempre as escondeu!

Uma magia pegou o corpo de Harbor de surpresa, várias correntes de luz o imobilizam e Lumina grita:

— Pare agora rapaz! Essa magia de selamento não pode ser quebrada! Então desista.

Harbor olhou para as correntes:

[Dispel Magic]

E as correntes sumiram, sem acreditar Lumina caiu de joelhos no chão.

— Nã… Não pode ser!

Regulus que tremia de medo, viu o homem em sua frente como um demônio, em sua mente os pensamentos se embaralham de uma forma tão frenética que ele nem conseguia usar suas habilidades mentais.

Não pode ser! Não pode ser! Não pode ser! Eu mexi com um demônio em pele de cordeiro e nem fazia ideia disso! implacável como o próprio demônio! imperdoável como o próprio demônio!
horripilante como o próprio demônio!

— GYAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!

Regulus gritou de desespero e desmaiou, quando Harbor se preparava para o golpe de misericórdia uma forte luz surgiu.

— Guh!

Em questão de segundos Harbor estava imobilizado no chão e Invictus o parou com uma única mão que segura seus dois braços em suas costas.

— Eu sei que você não podia deixar para lá tão cedo, então isso deve ser o suficiente não é? Afinal você já o deixou sem os braços!

— Tsk! Então vai ficar assim? Todas as coisas horríveis que esse maldito fez?

Invictus entendeu a ira de Harbor, contudo Regulus agora é indispensável para o reino, graças a seu projeto “mão de deus”, o próprio Invictus sentia suas entranhas torcerem no apelo de Harbor.

Kaelli e os outros cardeais ficam pasmos ao presenciar as habilidades de Harbor que de longe superou suas expectativas.

Angellus com desgosto comentou:

— Tsk! Um maldito usuário do vazio!

Beatus se espantou com a declaração de Angellus:

— O que? Tem certeza disso Angellus? A magia lendária?

— Sim, o sistema do vazio é o único que possui a força para anular uma magia de alto nível como a da Lumina, então não há dúvidas nisso.

Beatus comentou:

— Uma em cada trezentos milhões de pessoas nascem com o atributo do vazio, esse cara é como um artefato vivo!

Glacies que não é de falar muito entrou na conversa:

— Parece que o “Leão ruivo” Regulus grita igual a uma jovem gazela.

— Puff! (Coletivo)

Montis, Beatus e Torusus quase não conseguiram segurar o riso no comentário de Glacies.

Invictus gritou para eles:

— EI! PAREM COM AS BRINCADEIRAS! BEATOS! RÁPIDO CURE REGULUS ELE PODE MORRER POR PERDA DE SANGUE! E KAELLI ME AJUDE COM O RAPAZ AGORA, OS OUTROS SE COMPORTEM!

Como um adulto colocando a ordem em uma creche, Invictus fez os jovens cardeais tomarem posturas apropriadas.

Regulus foi levado embora por Lumina e Beatos, a magia de cura de Beatos é de alto nível, com isso foi capaz de reparar seus braços decepados.

A alvoroço na casa do herói demorou horas para ser resolvido, Harbor agora estava sentado na frente de invictus e a sua volta os cardeais restantes o assistiam.

Invictus conversa:

— Então jovem, qual é sua idade?

Harbor respondeu com indiferença:

— Vinte e cinco.

Kaelli o desmente:

— Vinte e dois anos!

Harbor encarou Kaelli que sorriu como resposta.

Invictus retomou as perguntas:

— Hun? Quando começou no exército do sol?

— Aos quatorze anos, como qualquer um!

Harbor respondeu com uma face séria, mas Kaelli o desmentiu novamente:

— Aos oito anos de idade, no mandato do papa anterior, ele fez parte do projeto banido chamado “Nascer do sol” que recrutou jovens talentosos para fazerem trabalhos sujos.

Os cardeais começam uma comoção, e o rosto de Harbor se torceu de desgosto.

— Tsk! Se sabe tanto sobre mim por que está me perguntando?

Kaelli sorriu e respondeu:

— Eu não sei tudo sobre você, eu nunca imaginei que você fosse um usuário do vazio, o que sei sobre você é que tentou várias vezes desistir do que faz, mas nunca conseguiu, sempre teve alguém que o colocou contra a parede, eu só quero que me diga uma coisa! Por que quer sair do exército santo?

— Hã? … hahahahahahahahahaha! HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!

Harbor riu de forma agressivas e deixou os cardeais em alerta:

— Você ainda pergunta uma merda dessas? Me diga meu bom cardeal Kaelli, como é ver tudo em uma zona de conforto?

Kaelli não alterou sua expressão, apenas deixou o rapaz falar sua queixa.

— Toda vida eu fui ensinado a matar por Isoltis, tirar a vida de outro em nome de Isoltis, em nome desse deus do sol eu matei mulheres, crianças e famílias inteiras e para que? Por causa do poderoso deus Isoltis? Para mim sua fé é uma analogia de merda! Depois de tudo que fiz não consigo tirar os gritos de desespero daqueles que sofreram em minhas mãos de meus sonhos, me diga Kaelli que deus é esse que concederia a salvação a alguém como eu? Sinceramente só enxergo o fim de minha alma pagando pelos seus pecados no inferno!

Todos pareciam terrivelmente abalados com as injúrias de Harbor, nenhum cardeal jamais escutou um ponto de vista onde Isoltis é colocado dessa maneira, mesmo Ignis que é responsável pela educação religiosa não tinha resposta para o clamor de Harbor.

Ao suspirar o jovem murmurou:

— Eu não entendo? Toda vez que olho o nascer do sol no horizonte eu vejo a luz tocar a todos sem escolher quem a merece…

Invictus sorriu amargamente para o murmúrio do jovem que após um longo suspiro concluiu:

— Em vez de escolhermos que é digno ou não da luz do sol, nós não deveríamos levar a sua luz para aqueles que não a alcançam? Afinal o sol nasce para todos!

O coração de invictus acelerou forte com os últimos argumentos do jovem Harbor, ele se lembrou da criatura lendária que o derrotou e o fez ver o mundo com outros olhos.

Ao mirar o rosto de Harbor, Invictus viu a figura de um jovem que parecia preso por corrente dentro de um abismo, igual ao lendário Fenrir, contudo ele ainda queria alcançar o céu desesperadamente.

Os olhos de Invictus mostravam uma admiração pela opinião sincera do garoto, rindo dele mesmo, invictus ficou impotente com alguém que achou maior que ele, pois Harbor encontrou sozinho essa resposta e não foi preciso uma criatura lendária ensiná-lo como aconteceu com ele.

Invictus encarou o jovem Harbor e Proclamou:

— Harbor! Você vai se tornar um cardeal!

Todos ficam surpresos com a afirmação de invictus naquele momento e fazem caras idiotas, incluindo o próprio Harbor.


Autor: Marcus | Revisor: Heaven

QC: Bczeulli


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