DE – Volume 1 – Arco 1 – Capítulo 8




Arco 1 – Pequenas Patas
Capítulo 8 – Pequeno Líder Amba

 

Enquanto eu entrava, acompanhado de Ka’in e Yan, notei que nenhum filhote estava ao lado de seus pais. Literalmente, todos filhotes — exceto eu — estavam na frente de Kei, encarando-o. E seus pais, de costume, na arquibancada gigante observando seus filhotes.

Kei notou que eu havia chegado e começou a explicar em tom sério: “Filhotes, como já dito antes, hoje será decidido qual de vocês é mais talentoso e poderoso através de uma competição. Não será permitido matar. Se forem atacar a garganta, não arranquem, apenas mordam e soltem, dessa forma Ka’in ainda será capaz de lidar com os ferimentos.”

Após dizer as regras mais básicas, o tom sério mudou para animado.

“O vencedor receberá o posto de Pequeno Líder Amba! Na batalha que se aproxima, o filhote com esse posto será o comandante de vocês, os mais novos. Vocês empenharão o papel de surpresa ao inimigo, por serem filhotes, jamais esperariam que estivessem na batalha. Nós, os mais velhos, estaremos lidando com os mais poderosos, então, os mais fracos serão de vocês!”

Todos filhotes rugiram alto quando ouviram o plano. Eu só segui a onda e rugi junto.

Por mais que eu seja desconfiado com muitas coisas… Na minha visão parece que têm cinco filhotes me encarando com raiva… Eu fiz algo para eles?

Ah… Agora que notei. Um dos filhotes é o filho de Le’in… Hah… Não pode haver uma competição no mundo mais amistosa, não? Sempre tem que estar acompanhada de intrigas e complôs.

Kei logo deu os últimos detalhes sobre a competição: “Não lutarão em turnos. Será um verdadeiro campo de batalha aqui. Todos contra todos! Nunca sabemos quando e onde vamos ser atacados, mas devemos sempre estar preparados! Experimentarão isso agora!”

Quando ele terminou de falar, todos os adultos rugiram.

O templo era imenso — para caber tantos Tigres Amba, que são, praticamente, gigantes, tem que ser imenso de verdade —, mas ainda assim tinha espaço suficiente para uma arena no meio. Como as arquibancadas ficavam na frente e nos lados direito e esquerdo, o meio tinha mais do que espaço para todos os filhotes.

Quando Kei rugiu, deu-se o início da competição. Cada filhote ativou seu manto de uma só vez. Porém, eu não ativei, afinal, quando se tratava de uma batalha caótica, cada gota de energia seria preciosa.

Logo, dois filhotes pularam em minha direção. Era um branco e um marrom. Eles visavam minha garganta e patas.

Sem esperar, saltei para trás, virei meu corpo e usei minha cauda para bater no olho do branco, que estava na direita. Como era um reflexo básico, assim que batesse algo em seu olho, o comum é fechar ambos olhos. Logo, me aproveitei disso e fui para direita dele.

O marrom, que não tinha tirado os olhos de mim ainda, pulou sobre o branco, com as garras para fora. Nessa hora, parti para cima. Já tinha noção que nessa luta iria me machucar.

Porém, eu ainda sou mais esperto que esses filhotes novatos. Embora ainda não sentisse perigo de vida — já que meu sentido de tigre não ativou —, ainda era perigosa essa competição. Por sorte, o treinamento com Yan me gerou confiança suficiente para participar sem medo.

Com as garras se aproximando do meu rosto, abaixei minha cabeça de imediato. As garras do marrom passaram rasgando o ar, sem me acertar. Enquanto isso, as minhas garras cravavam nas costelas dele, se prendendo nos ossos e peles. Ele só pôde rugir de dor.

Logo, sentindo o perigo, notei os pelos dele dançarem. Ele estava para ativar o Manto Amba. Retrai minhas garras e me afastei de uma só vez. Não sei o que um manto marrom é capaz ainda, é melhor não arriscar.

Assim que recuei, o branco também ativou seu manto e deu suporte ao marrom. Esses desgraçados estão mesmo juntos! Maldito seja o grupinho do filho do Le’in!

Bom, para mandarem apenas 2 lidarem comigo, e não todos, só me faz pensar em uma coisa. Eles acham que não tenho capacidade para lidar com eles. Isso me faz ainda raivoso. Esses desgraçados realmente me subestimam… Vocês vão se arrepender por isso.

Enquanto o branco e marrom rondavam ao meu redor, senti algo vindo na minha direção. Quando percebi, era Ka’la, com seu manto amarelo ativado! Ela veio tão rápido que só notei quando já estava para colidir com o filhote marrom que me rodeava.

Para ser tão rápida, ou ela tem pernas poderosas para um caralho, ou o manto amarelo aumenta sua velocidade. Só posso imaginar que seja do Elemento Vento…

Assim que colidiu com o marrom, que foi pego de surpresa, ambos rolaram para longe em uma luta feroz.

Ka’la, era filha de Ka’in, e nesse mês de treinamento, tive alguns curtos descansos. Durante eles, tentei conversar com ela, porém, raramente me respondia… Só consegui receber “Hmph!” e ignoradas. No fim, conclui que fizemos uma amizade complicada.

Não bastava apenas ser feroz, as garras dela pareciam ainda mais afiadas e potentes que as minhas. Durante o rolar dos dois, notei que o pescoço do marrom já estava escorrendo sangue de diversos pontos, sem contar os cortes pelo corpo.

Quando pararam de rolar, o marrom estava acabado, mas ainda respirava. E, imediatamente, uma aura branca o cobriu. Não, conforme olhava para a arena, era capaz de ver diversos filhotes cobertos por uma luz branca.

Óbvio que era Ka’in. Mas, sério… QUÃO ROUBADO É ESSE MANTO?! ELE TÁ CURANDO TODOS FERIDOS AO MESMO TEMPO E EM LOCAIS DIFERENTES DA ARENA!

Ao mesmo tempo que ela lutava com o marrom, eu já estava em uma luta tensa com o branco. Como ele tinha o manto branco, o calor era mínimo, então os ferimentos seriam apenas queimaduras mínimas.

Seria um desperdício gastar energia usando meu manto para lidar com esse filhote. Há muitos outros para lidar, e o filho do Le’in estava andando por aí. Se ele tiver, não apenas outros no grupo, mas também força, será uma luta desgraçada pela frente.

O branco foi complicado, mas não causou problemas. Visto que eu tinha uma agilidade e reflexos maiores que o dele, sua decisão foi inesperada para mim, ele começou a fazer fintas.

Ele levantava as garras, como se fosse atacar com elas, mas na verdade vinha com as presas visando meu pescoço. Eu quase caí nessa quando fez pela primeira vez! Esses tigres malditos são espertos demais. Desse jeito vou cair morto se eles continuarem a me surpreender.

Sabe quando sente que tem alguém olhando para você? Agora, imagine se essa pessoa tem mais de 10 metros de altura e com um poder imensurável. Para melhorar ainda mais, não é somente um, mas dois te observando. Pois é, estou passando por isso agora mesmo.

Kei me observava com muita atenção. Dava para sentir claramente sua aura sobre mim… Mas não bastava uma pressão, o filho da puta do Le’in quis participar da olhada e começou a me observar também. Parece que os dois esperam que eu faça alguma coisa, ou que aconteça algo comigo.

Tentando ignorar a aura dos dois, parti para cima do branco. Consegui imobilizá-lo quando saltei em suas costas, derrubando-o no chão. Como consegui ferir suas patas, dificilmente levantaria.

Ka’la cuidava da minha retaguarda enquanto lidava com o branco. Pelo menos, posso contar com ela.

“Ka’la, por que, ajuda?” Perguntei para ela.

Olhando para os lados, notando que ninguém estava se aproximando, Ka’la respondeu: “Filhote forte, posto merecido, pai concorda.” Mantendo-se imersa na batalha caótica, com uma postura firme, ela respondeu, sem deixar de manter a guarda levantada.

Havia poucos filhotes com tanta firmeza quanto Ka’la. Era como uma verdadeira vigilante. Porém, muitos ainda eram apenas filhotes inexperientes.

Tirando proveito disso, comecei a atacar aqueles com guarda baixa ou em meio das suas batalhas. Afinal, por mais que sejam espertos, ainda são animais, com hábitos parecidos; quando focados em alguma coisa, sempre perdem a noção do que acontece ao redor. E, dessa forma, tomo vantagem deles. Desculpa pessoal, mas, numa batalha vale tudo.

Enquanto procurava algum alvo, notei Ka’la. Tão feroz quanto eu e extremamente veloz. Uma oponente terrível. Todos que a enfrentavam de frente tinham os músculos e tendões rasgados por suas garras envolvidas nas chamas amarelas.

Depois de 30 minutos em diversas lutas, havia sobrado apenas 10 filhotes.

Han, Ka’la, o desgraçado do filhote do Le’in, eu e outros seis, sendo dois do grupinho do pirralho do Le’in.

Em um quase círculo, todos se encaravam. Então, o filhote do Le’in falou enquanto me olhava: “Feroz, mas fraco. He’in, matar filhote.”

Bom, como já pensava, os nomes dos filhos são semelhantes aos pais, então, o nome dele era He’in. E pelo leve dialogo que tivemos, deu para perceber o quão arrogante ele é. Um gatinho bem arrogante huh.

Ele é um Tigre Amba negro de 1,9m de altura, em comparação, tenho 1,7m… Só a Ka’la tem a minha altura…

Han, igual o pai, era azul. Apesar da timidez, se provou capaz chegar até aqui sozinho. E para piorar, dá para sentir que é o mais poderoso entre todos nós.

Percebi isso quando vi o controle mágico dele. Toda vez que um filhote tentava ir até ele, espadas saíam do chão e atravessavam os órgãos do inimigo. A luta acabava ali mesmo. Ao menos ele não matou nenhum filhote, provando ter grande controle sobre suas habilidades.

Han era pior do que Ka’la quando se trata de conversar. Era zero dialogo. Por sorte, ele estava do meu lado nessa luta final.

Finalmente, ativei meu Manto Amba. Nessa hora, Kei aumentou o foco sobre mim. Pelo visto era isso que esperavam para ver. O quão desenvolvido ficou meu manto depois do treino.

O templo, tanto por fora quanto dentro, era feito de gelo. Um gelo extremamente duro e frio, mas não trazia desconforto de ficar sobre ele. E, por mais que tivessem dezenas de filhotes usando mantos com todas suas forças, não conseguiram fazer o gelo derreter um pouquinho.

Nesse momento, He’in também ativou seu Manto Amba.

Han chegou até meu lado, ativou seu manto e disse: “Deixe comigo, parceiros de He’in.”

Antes mesmo de terminar de falar, uma parede de gelo levantou do lado direito de He’in e começou a se mover, empurrando os dois tigres que estavam ao seu lado.

Sem esperar que o choque do inimigo passasse, Han partiu para cima dos dois de uma só vez.

Que foda! Esse manto é insano! Devo concordar, os mais quietos conseguem ser os mais maneiros.

He’in também estava chocado. Mas, viu que Han não veio em sua direção, então, logo ignorou e, com olhos ferozes, veio dar seu bote em mim.

Finalmente. A raiva que tanto estava me segurando pode ser solta!

Minha visão se tornou vermelha, a fúria havia ativado meu sentido de tigre. Agora, eu vou mostrar para todos esses filhos de uma puta o que acontece quando alguém tenta me matar!

A chama laranja se tornou vermelha, subindo ainda mais alto que antes. Kei arregalou os olhos. O gelo do solo da arena estava começando a derreter por causa do calor emitido das minhas chamas.

Tudo estava em câmera lenta. Dessa vez, com minha agilidade ainda maior, eu podia até mesmo ver exatamente as unhas de He’in, que estavam retraídas, saindo. Até mesmo a expressão de ódio podia ser analisada. Minha velocidade se tornou ainda maior do que quando lutei contra os Coelhos Ankis. Agora, eu podia fazer ainda mais do que antes.

Quando a chama de He’in tocou a minha, que estava alguns passos de mim, nossas chamas se repeliram. Um choque ocorreu no meio e nos empurrou para trás. Com meus reflexos tão afiados que poderia analisar as menores mudanças na batalha, notei que ambos mantos tinham o mesmo poder. O choque ocorreu pela batalha de elementos, que, no fim, foram repelidos um pelo outro.

He’in teve sua fúria aumentada, mas parecia chocado com o resultado. Eu tinha igualado com ele em questão de poder.

Quando dois oponentes tem um poder igual, só pode significar uma coisa: Será uma longa e dura luta.

Sua chama negra queimou ainda mais preta, subindo ainda mais alto. Ele havia trocado o tempo de uso para potência.

Entendo. Não posso ficar para trás. Se essa porcaria me tocar, vou sofrer muito, talvez até morrer antes de Ka’in me curar. Colocando todo meu Chi e Mana no manto, fiz o mesmo que ele, troquei quantidade por qualidade.

A chama vermelha derretia o chão gélido mais rápido.

E ambos partimos para cima do outro em um só bote. Vi He’in abrir sua boca e suas garras vindo em minha direção. Porém, com a nossa velocidade atual seria impossível de desviar mesmo se eu quisesse. Eu já havia decidido que não iria evitar mais nada nesse ponto da competição.

Nós dois colidimos e começamos a rolar, igual Ka’la com o tigre marrom. Nossas garras estavam cravadas nos músculos um do outro. Sangue escorria e era evaporado pelo calor das chamas.

Por mais que os mantos quisessem se repelir diversas vezes, causando choques de poder, que eram sentidos pelos meus órgãos, não soltamos em momento algum.

Todos os outros filhotes já haviam sido derrotados. Han e Ka’la se retiraram da competição, sobrando apenas eu e ele.

Quando paramos de rolar, a quantidade de choque de poder nos fez recuar. Uma quantidade preocupante de sangue começou a subir pela minha garganta. Com He’in não foi diferente, os nossos poderes causaram mais problemas que nossos ataques.

Visto que nossos poderes estavam em patamares iguais, sabíamos que isso seria um empate, porém, se o poder não iria decidir o vencedor, então só restava uma solução:

Quem feria mais o outro.

Nesse momento, todos meus músculos enrijeceram. Como não posso usar técnicas marciais do Si Zhang neste corpo, decidi utilizar um antigo artificio proibido que Mestre Zi ensinou.

Por mais que esse corpo não seja compatível para praticar artes marciais, ainda estava constantemente absorvendo Chi, e com isso significava que poderia quebrar a supressão mental.

O Mestre dizia que sempre havia uma supressão na mente do ser humano para impossibilitar de alcançar uma força que seu corpo não poderia suportar. Nada mais é, aquilo que segura o ser humano à um patamar. Evitando a automutilação ou suicídio.

Se um homem comum quisesse usar todo o poder do seu corpo para destruir uma parede de concreto, ele até conseguiria se não tivesse a supressão mental, mas acabaria com o braço destruído no processo. Porque teria utilizado toda a força dos seus músculos e tendões.

Contudo, para um homem com Chi circulando pelo seu corpo, os feitos seriam ainda maiores. Essa energia existe para enriquecer, melhorar e nutrir seu corpo. Sem uma supressão mental, um artista marcial é capaz de quebrar diversas paredes de concretos sem romper e rasgar os músculos. Claro, se utilizado por muito tempo o fim seria o mesmo que de um homem comum.

Esta trava some para qualquer animal quando no auge da ameaça. Mas, dessa vez, havia um apoio mental que me impossibilitava de alcançar o auge da ameaça; Ka’in. Eu sabia que ele iria me curar.

MAS A MERDA DO PROBLEMA É ESSE MESMO! ESSE PENSAMENTO É UMA FRAQUEZA EM UMA LUTA!

DEVEMOS ENTENDER QUE TODA MALDITA BATALHA É DE VIDA OU MORTE PARA QUE ESSA PORRA DE SUPRESSÃO MENTAL SUMA!

PORRA! EU TO MUITO PUTO! EU QUERO ACABAR COM ESSE FILHOTE DE MERDA E ESFREGAR NA CARA DO LE’IN QUE ESSE BASTARDO VALE DE NADA!

Minha chama aumentou três vezes o tamanho. Sua cor vermelha escura se tornou negra e um aviso soou na minha mente. Porém, ignorei na hora.

Todos se chocaram com esse acontecimento. Como eu precisava quebrar a supressão mental, tive que usar o meu Chi para causar um dano no meu cérebro, para que entrasse no auge do perigo. Agora, realmente era uma luta de vida ou morte para mim.

A dor foi tão absurda que comecei a surtar e xingar como nunca. Minha raiva tinha chegado a um ponto nunca visto. Até ficar em pé era doloroso. Os meus músculos estão tão tensos que qualquer movimento seria capaz de rasgar meus tendões no processo.

He’in estava amedrontado após minha chama ficar ainda mais forte. Sem esperar, eu avancei até ele com todo meu poder. A minha velocidade superou a de Ka’la nesse estágio. Quando colidi com He’in, a força foi avassaladora. Cheguei a ouvir o estalar alto de todas costelas dele.

Era fim de jogo para ele. A força da minha investida foi dividida com ele. Nossos corpos colidiram contra a parede da arquibancada da esquerda com toda força. Porém, o impacto da parede só foi para He’in, já que o corpo dele serviu como colchão e amorteceu o impacto para mim. A arquibancada da esquerda era justamente onde Le’in ficava. Humilhar alguém nunca foi tão gratificante.

Mesmo feliz, eu estava acabado no chão. Afinal, quem é que estaria feliz com um corpo todo fodido? Cheguei a quebrar minhas patas na investida. Eu tive que segurar para não gritar de dor. Os músculos das coxas também romperam… Hah… Espero que Ka’in possa dar um jeito…

He’in estava desmaiado ou morto, não dá para saber enquanto perde a consciência… A última coisa que vi antes de desmaiar foi Le’in rugindo furioso. Heh… Toma essa…

 

– Terras Gélidas –

 

Ragnar estava avançando para a cordilheira, quando notou que uma batalha estava ocorrendo próxima a ele.

À sua direita a alguns quilômetros de distância, ele ouviu rugidos altos soando. E, nas Terras Gélidas, havia apenas duas criaturas que poderiam rugir dessa maneira: os Tigres Amba ou Leões Atlas.

Começou a coçar o queixo, refletindo.

Hmm… Bem, tanto faz. Não é como se eu não conseguisse ir para os dois pontos em 5 dias.

Como um relâmpago, ele mudou a direção de imediato a direção que estava indo. Onde quer que fosse, havia explosões absurdamente altas.

Ragnar era capaz até mesmo de voar com suas explosões. Como podia anular os danos de impacto ao seu corpo, era capaz de utilizar ao seu favor, atirando-o para cima, e com um chute, sendo lançado para frente.

Bastava ele direcionar o impacto com seus pés ou mãos e determinar para onde seria lançado.

Para ir até a cordilheira, ele havia viajado deitado no ar, para receber a menor resistência do ar, assim, tornando-se mais rápido. Ragnar podia voar como um super-herói. Tão rápido quanto uma bala.

Esse era apenas um exemplo da extensão de poder deste Homem-Fera absurdamente poderoso.

Como ele não tinha pressa para chegar ao local, apenas foi correndo. Quando tinha que subir montanhas, então, usaria uma explosão para subir um pouco mais alto que o cume. Ele sequer precisava colocar um pé na montanha.

Utilizando suas explosões apenas para aumentar o ritmo da corrida, Ragnar percebeu que os rugidos estavam bem mais altos que antes. Logo, estava próximo da batalha.

Com um grande sorriso no rosto, lançou-se alto o suficiente para ver onde estava ocorrendo a batalha. Seus olhos cerraram, mas o sorriso permanecia, quando notou quem era.

Era uma tigresa protegendo seus filhotes.

Uma mãe laranja… Pensou ele, analisando o que estava acontecendo.

Como ele estava próximo ao local, passou a evitar utilizar suas explosões. Isso faria a tigresa notar que ele estava se aproximando.

Sua animação podia ser notada apenas de olhar seu rosto. Mal podia contê-la.

Uma mãe tigresa significava só uma coisa para ele: Ela faria de tudo para proteger seus filhotes. Usando toda sua força e colocando sua vida em risco na mesma hora.

Depois de anos lutando batalhas fáceis, Ragnar queria voltar a experimentar lutas perigosas, capazes de fazer seu coração bater mais rápido. Ele queria ver quão poderosa e esperta essa tigresa era.

Escondeu sua aura quando chegou próximo da luta e subiu em uma árvore, para disfarçar qualquer indício que estava ali. Com os preparativos feitos, ele apenas encarou os acontecimentos, enquanto analisava melhor.

Uma mãe laranja, filhotes de três cores? Negro… Brancos… E mais um laranja. Ele não conseguiu evitar de ficar sério. Eram crias especiais. Raramente acontecia de uma ninhada ser tão diversificada. O comum era que os filhotes tivessem apenas duas cores, as dos pais ou avós. Se esses filhotes crescessem, poderiam se tornar grandes problemas.

Como um experiente em batalhas, com mais de 500 anos, Ragnar já havia lutado com alguns Tigres Amba laranja. Principalmente na Horda de três anos atrás, quando lutou contra dois ao mesmo tempo. Então, ele estava ciente dos poderes.

O mais notável dos dois era um que usava o manto azul. Ele causou problemas para Ragnar que utilizava explosões e impactos. Pois, todas vezes que um impacto era gerado, o tigre criava uma grande barreira de gelo e neve para interromper.

Neste momento, a tigresa estava lutando contra 100 Bestas Mágicas, algumas estavam mortas no chão. Era uma pequena Horda de Classificação (B-), porém, para uma única pessoa seria difícil lidar com isso. Principalmente quando se tinha que proteger seus filhotes.

Era uma luta devastadora. Ragnar nunca viu um ser tão furioso quanto a tigresa em sua frente.

Ela ativou seu manto, das chamas laranjas, um tom amarelo foi aparecendo mais evidente. Entretanto, quando alcançou um brilho dourado, as chamas mudaram sua composição completamente. Não eram mais chamas, mas eletricidade em grande quantidade saindo por seus pelos. Era o manto mais devastador, o manto dourado.

O sangue de Ragnar ferveu na mesma hora. Era a tigresa mais forte que enfrentaria! Ele precisava lutar contra ela enquanto é forçada a proteger seus filhotes! Somente assim ele experimentaria o que tanto procurava.

Ele não podia mais esperar. Não aguentava apenas olhar.

Soltando toda sua aura, forçando todos notarem sua chegada. A tigresa direcionou toda sua ferocidade para ele imediatamente. Ela sabia que ele era mais perigoso que a Horda que a estava perseguindo.

Os olhos dela se tornaram vermelho sangue. Esse inimigo havia ativado seu sentido de tigre de uma só vez. Somente sua aura já anunciava: “Eu vim aqui para derramar seu sangue”.

A eletricidade do manto da tigresa aumentou de maneira brusca. 30 Bestas Mágicas, que estavam próximas, foram tostadas de uma só vez. Tornando-se carvão. Era um campo estático com 10 metros de diâmetro. Ele cobria tanto ela quanto seus filhotes. Igual a aura de um Tigre Amba branco para apoiar seus companheiros.

Ela tinha se preparado para o novo inimigo.

Ragnar usou uma de suas Habilidades de área. Pegava em uma área tão grande que foi capaz de erradicar as 70 Bestas Mágicas que não se aproximaram da tigresa.

Era a Explosão Terrestre. Com toda força da sua perna direita, ele precisaria apenas chutar o chão, que começaria a rasgar em uma linha, abrindo um abismo debaixo dos pés das criaturas. Uma cratera havia se criado para separar os dignos de lutar.

Com um sorriso ensandecido, Ragnar disse na Língua Bestial: “Tigresa, vamos brincar.”

A tigresa respondeu rapidamente: “Raça, desgraçada, morra!”

Ela então saltou na direção dele, visando acabar de uma só vez com essa batalha.

 

– Templo dos Tigres Amba –

 

É, estou acordado. Mas meu estado é terrível. Notando que não estou jogado na arena, devo concluir que fui levado a uma das salas do templo para que Ka’in pudesse cuidar melhor de mim e do parceiro de dor ao meu lado, He’in.

Depois de dar uma surra nele, como guardar raiva?

Ele estava completamente acabado. Eu devo ter quebrado muitos ossos dele, porque tá todo esquisitão… Pelo menos respira, acho que isso é bom, né?

Ka’in notou que eu acordei e disse: “Filhote, você de fato é digno do posto de Pequeno Líder. Não apenas ousado, mas não sente medo da dor ou morte.”

Eu até ia falar algo, mas tô tão fodido aqui que prefiro só ficar quieto.

Após dizer isso, ele chamou Kei, avisando que acordei.

Kei estava no lado de fora, quando me viu já foi falando: “Filhote, você acordou! Como pode você despertar outra chama tão rapidamente?! Não posso nem imaginar seu futuro! É claro que você recebeu o título de Pequeno Líder Amba!”

Com dor, perguntei para ele: “Kei-han… filhote fraco, liderar, cedo?”

Eu quis dizer que não me sinto preparado para liderar filhotes nessa batalha. Afinal, eu sequer sei a extensão da força dos meus inimigos, como posso jogar todos os filhotes para morte sem me preocupar?

Ele notou minha preocupação e respondeu com convicção: “A tarefa de um líder não é apenas comandar, não é ordenar, nem ser o mais esperto. A tarefa de um líder é ser o pilar, aquele que não recuará diante da morte. Nunca desabar antes dos outros. Você sendo o mais forte entre os filhotes deverá protegê-los. Tenha isso em mente, Pequeno Líder.”

Dizendo isso, ele saiu da sala e deixou Ka’in e nós, os feridos, sendo tratados. Agora que não tenho o que fazer, vou dar uma olhada na janela de aviso que veio antes.


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Autor: Rose Kethen



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