DE – Volume 1 – Arco 1 – Capítulo 7




Arco 1 – Pequenas Patas
Capítulo 7 – Guerra Iminente

 

Apesar de Kei ser parecido com um avô amável, pelo visto, com outras raças, era extremo. Bom, não apenas ele, parecia que todos os outros Tigres Amba tinham problemas com outras raças.

A reunião estava quase terminando. Por sinal, a quantidade de Tigres Amba aqui é imensa, variando em muitas cores. Pretos, brancos, alguns azuis, outros são cinzas escuro, marrons, e também têm amarelos, mas não são como a cor de Kei, que é dourado. Apenas contando os adultos, deve dar por volta de cinquenta e pouco.

No fim da reunião, Kei chamou dois nomes.

“Yan e Ka’in! Fiquem aqui com seus filhotes, quero conversar algo com vocês.”

Dois Tigres Amba levantaram da arquibancada. Um azul e outro branco. Ah! Esses nomes eram dos dois dos três que protegeram nosso território dos Elfos Prateados.

Quando apenas os dois foram chamados, pude ver Le’in rangendo os dentes. Aposto que deve estar pensando o motivo pelo qual não foi chamado também. Mas, com raiva ele e seu filhote saíram do templo.

Vendo que todos tigres estavam saindo, eu já estava indo junto, porém o Kei me interrompeu.

“Filhote, fique aqui. A conversa é sobre você.”

Fiquei confuso e perguntei na mesma hora: “Kei-han, por quê?”

Gentil como sempre, ele me disse: “Se esperar um pouco entenderá, apenas ouça a conversa.”

Então, ele mudou o olhar para os dois Tigres Amba e falou: “Yan, você foi o parceiro das antigas batalhas de Kan, sabe quais os pontos fortes dela. Então, quero que treine este filhote para a futura batalha. Fora Zan, apenas você conhece as verdadeiras capacidades de Kan. Já você, Ka’in, como sendo um branco, deverá reforçar o filhote enquanto treina. Ele precisa de vocês dois para desenvolver melhor o Manto Amba.”

Os dois me olharam por um tempo e assentiram com a cabeça. Então, Kei começou a falar para mim: “Filhote, como ouviu, você vai treinar com eles. Os Elfos Prateados ainda têm que esperar o reforço das outras aldeias para ir mais fundo nas Terras Gélidas. Julgando isso, então, deve levar por volta de dois meses até as aldeias se encontrarem. Isso se enviarem pouco reforço. Você tem que estar preparado até lá.”

Parece que eles realmente estão sem força para essa batalha. Sério, treinar um filhote por alguns meses? Os Tigres Amba devem estar desesperados, só pode! Então, eu fiz minha última pergunta: “Kei-han. Mãe-han, guerrear?”

Um olhar feroz apareceu em seu rosto, como se vagasse em seus pensamentos, ele respondeu: “Kan é a melhor guerreira. Apesar de ser nova, ela seria capaz de me enfrentar de frente quando séria. Obviamente, ela estará nesta batalha. Então, mostre-a que seu filhote não precisa ser protegido. Se sentir que você é fraco, ela irá se preocupar. Isso em uma batalha é fatal.”

É. Não tem como negar. Ele estava certo. Sendo poderosa, ela teria que comparecer na batalha.

Após a resposta de Kei, Yan foi o primeiro a falar comigo.

“Kan é uma laranja, assim como você. Suas chamas são raras em nossa raça, pois, podem mudar dependendo do talento do laranja. Sua mãe alcançou o estágio dourado, a mesma chama que Kei-han. Como macho, você tem o dever de ultrapassá-la. Agora, venha cá e conheça Han, meu filhote.”

Conforme me aproximava de Yan, comecei a notar um pequeno Tigre Amba ao lado dele. Era da mesma cor, só que parecia meio tímido, já que quando o olhei, foi direto para trás da pata do seu pai, que estava de pé.

Ka’in, que estava apenas rindo ao ver a reação do filhote de Yan, disse: “Filhote, desculpe a atitude do meu irmão Le’in. Ele amava muito sua mãe, quando Zan foi decidido como seu keter, Le’in guardou rancores enormes. Contudo, não o culpe pelos comentários feitos na reunião. Espero que o perdoe.”

Eu apenas assenti para ele. Parece que alguém teve o coração partido por anos, deve ser triste ver o filho do seu rival no amor.

Ka’in pareceu tranquilo após assentir para ele, então, continuou a falar: “Minha filhote se chama Ka’la. Venha aqui conhecê-lo, Ka’la.”

Então, uma pequena tigresa amarela estava do lado de Ka’in.

Quando ele disse “venha aqui conhecê-lo”, ela me olhou e soltou um Hmph! E se virou. Hah… Isso me lembra da Jinse no início…

Após a introdução de todos, Kei disse: “Já podem treiná-lo imediatamente. E não esqueçam: A próxima reunião, daqui um mês, teremos uma competição para ver qual é o filhote mais talentoso e poderoso.”

Valeu pelo aviso Kei. Aposto que todos sabiam, menos eu. Mas sério… faz tempo que não escuto a palavra “competição”. Vai ser bom ver se sou forte.

Após o lembrete, ele olhou para mim e comentou: “Filhote, pelo que imagino Kan não deve ter te dado um nome ainda. Primeiro, porque os pais só nomearão os filhotes quando tiverem um ano. Porém, se só este fosse o motivo, não era para se preocupar. E, sua mãe não gosta dessa tradição. Ainda lembro quando ela disse, Filhotes, vida própria. Só eles, decidir, nomes.” Ele deu uma risada baixa e continuou: “Ela não irá te nomear, nem eu, muito menos os outros irão. Então, quando decidir, avise-nos.”

Parece que minha mãe é desapegada com as tradições. Por sinal, quando ouvi o comentário dele, me fez lembrar de uma coisa. E logo perguntei para ele: “Kei-han. Mãe-han, falar estranho. Motivo?”

Ele parou por um segundo, com os olhos arregalados e soltou uma gargalhada.

“KUHAHAHA! Filhote… sua mãe acabou de completar 515 anos, então, não faz muito tempo que desenvolveu a voz. E para ajudar, ela não é de conversar muito. Por isso que a maneira que fala nunca se desenvolveu corretamente, parecendo como você.”

MÃE?! VOCÊ É TÃO ANTISSOCIAL ASSIM??!!

Após a resposta, Kei saiu do templo. Sobrando apenas nós cinco dentro. Bom… estou esperando quem é que vai decidir o que faremos agora…

Yan quebrou o silêncio e falou: “Filhote, aqui em cima é ideal treinar a chama do manto, então não precisaremos descer. Porém, você sofrerá muito com o frio daqui de cima. Está preparado?”

Assenti sem qualquer medo. Finalmente posso aprender mais do meu manto.

Ka’in e Yan foram para fora do templo. Seus filhotes pararam na entrada, ao lado dos pilares de gelo para olhar, era o ponto onde ficava o limite do calor que o templo emanava.

E eu? Pffft… Apenas no frio de rachar, com dois colossos na minha frente. Nada demais.

É hora de treinar.

 

– Aldeia dos Elfos Prateados –

 

Rakar estava em um beco sem saída. Queria participar da batalha contra os Tigres Amba, mas tinha que ficar para educar A’ela. E também queria avisar Sha’l que a Mãe Natureza profetizou algo para eles através da A’ela.

Então sua única decisão foi passar a mensagem para San’ki, que já tinha retornado para dentro de Enir para encontrar Sha’l. Pelo menos, desta vez, o Antigo Guerreiro estava acompanhado de outro do mesmo patamar. Afinal, sortudo é aquele que sobrevive dentro de Enir.

Dessa forma, Rakar voltou para a residência de Sha’l e foi observar o que A’ela estava fazendo. Chegando até o quarto dela, a pequena A’ela estava novamente lendo um livro sobre Magia de Madeira.

Se aproximando lentamente para assustá-la mais uma vez, Rakar foi quem levou um susto desta vez. Assim que deu o primeiro passo para o quarto, ele foi recebido por um ramo saindo do chão e agarrando seus pés. Quando viu isso, deu um grito enquanto caía no chão.

“AHHH!”

A’ela se virou da cadeira para olhá-lo. Ela não conseguia parar de rir depois de ouvir a reação dele e vê-lo caído no chão.

“Haha! Te peguei Tio Rakar!”

Agora, A’ela estava com quatro anos e era um talento raro dentro de Enir, tendo Afinidade Alta com um elemento da Segunda Divisão Elementar; Vida!

Por mais que fosse poderoso e um grande guerreiro, Rakar foi pego desprevenido na casa onde sabia que nunca haveria um ataque contra ele. Por conta disso, foi pego na pegadinha dela.

Com vergonha, Rakar teve que mascarar com raiva por ter caído em uma pegadinha desse tipo.

“A’ela! Não faça mais isso! O coração do Tio é fraco! Imagine se eu caio duro aqui morto, o que seria de você?!”

Ela respondeu ainda rindo: “Pare com isso Tio Rakar. Você só está com vergonha. Hihi.”

O clima dentro dessa residência era algo que relaxava muito Rakar, já que, fora dela havia uma Horda se formando, uma guerra se desenvolvendo e uma profecia iniciada. Tudo isso o estressava ao ponto de não conseguir dormir.

A’ela havia percebido que seu tio estava mais tenso que o normal. Então, o seu tom brincalhão mudou para preocupado.

“Tio Rakar… O que aconteceu com o papai?”

Ao escutar o tom dela, ele não conseguiu evitar de mostrar sua expressão complicada. Pensando na infância da menina, como seria afetada se crescesse neste continente caótico. Por mais que fosse uma Elfa Prateada, com uma maturidade mental maior que as crianças humanas, ela ainda era uma criança. Até mesmo Rakar temia o que poderia acontecer no futuro.

Ele forçou um sorriso ao seu rosto e respondeu: “Seu pai entrou no território dos Tigres Amba. Não sabemos o que pode vir, logo ele decidiu pedir ajuda para as outras Aldeias. Então, não se preocupe! Vamos conseguir lidar com tudo o que vier!”

Por mais que Rakar estivesse com um sorriso despreocupado, A’ela sentia que ele estava escondendo mais do que tinha falado.

 

 

Já havia se passado 10 dias. O aprendiz de Rakar, Ra’nh, já havia retornado à Aldeia dos Elfos Prateados. A informação que passou para Rakar foi a mais simples: “Ragnar está indo sozinho para ficar ao lado de Sha’l.”

Rakar sabia que Ragnar era um Homem-Fera viciado em batalhas sangrentas e de larga escala, porém, não esperava que não enviasse ninguém. Isso poderia ser interpretado como falta de confiança vindo dos Homens-Feras, o que tornaria as coisas mais complicadas para se resolver.

Passando alguns dias, outros mensageiros trouxeram seus resultados:

Os Anões Trovejantes enviariam 12 dos seus guerreiros. Os Demônios Negros enviariam 10 Magos e 5 Guerreiros. Foi dito pelos líderes das Aldeias que seria mais do que suficiente para lidar com os Tigres Amba.

Isso fez Rakar se preocupar. Era como se as Aldeias não tivessem acreditado na informação de Sha’l. Enviando apenas o mínimo de apoio. Então, se essa batalha fosse uma falha, o resultado pesaria somente na Aldeia dos Elfos Prateados.

 

– Terras Gélidas, Templo dos Tigres Amba –

 

Os dias de treinamento foram torturantes para meu corpo de filhote. Primeiro: Yan é um Tigre Amba de Elemento Gelo!

Porra, quando vi ele criar dezenas de flechas de gelo, da neve que caía na montanha, e atirando-as para mim foi chocante. Ele podia disparar elas para onde quisesse!

Fora isso, vou resumir a proposta do treinamento: Ou você mantém seu Manto Amba ativado, ou vai acabar morrendo.

Ok, ok. Eu não iria morrer, já que tem o Ka’in aqui, mas as flechas ainda penetrariam meu corpo.

Yan era uma escolha ideal para esse treinamento. Afinal, a ideia era fortalecer as minhas chamas, o que seria melhor do que um oponente de gelo?

Não sei quantas vezes tive que escutar: “Não recue ou desvie! Sua chama deve derreter as flechas antes mesmo de chegar até você!”

Graças a Jeanne, meu salvador de pelo branco estava aqui no início. Ka’in me curou tantas vezes que é até triste dizer.

Nos primeiros dias, ele teve que manter o seu manto ativado em mim. Eu não tinha uma chama forte o suficiente para derreter a flecha inteira antes de encostar em mim. Na verdade, eu só conseguia derreter a ponta, mas o cabo ainda me acertava.

Não preciso dizer que eram atiradas em alta velocidade, né? Então, mesmo sendo só o cabo acertando, ainda machucava os meus órgãos e ossos.

Após o décimo dia, Ka’in não precisava me tratar mais. — Bom, não com tanta frequência…

Agora, minha chama está muito mais poderosa que antes. A chama vermelha que não conseguia derreter o gelo do cume da montanha, atualmente, é capaz de derreter devagar! Bom, é muito lento para derreter, mas é uma melhoria.

Não posso dizer que cheguei até esse ponto só com esforço meu. Na verdade, quem mais me ajudou foi Ka’in. Além de curar, o manto dele é capaz de proporcionar um estimulo de sentidos, aumento no vigor e energia. De fato, um puta suporte.

Toda vez que ele ativava seu Manto Amba, era capaz de direcionar sua chama para mim. O que formava quase uma camada em cima de mim. Também vi que ele pode mudar o formato da camada, como uma cúpula, para apoiar mais de um alvo, no caso, seu poder é para maiores áreas.

Essa aura branca que me cobria tornava minha chama ainda mais viva, fora me curar ao mesmo tempo. Com o apoio dessa aura, mesmo quando Yan lançou 3 lanças de gelo em minha direção, a chama era capaz de derreter completamente antes de me tocar. Claro, eu quase me caguei quando uma das lanças quase tocou minha cabeça. Mas isso são apenas detalhes.

Ka’in utilizou a aura em mim diversas vezes, não porque eu era fraco, mas, porque quanto mais ele usasse, mais me acostumaria com o poder exercido sobre mim. O que significa que servia como métrica para meu poder. Quando o sentimento que a aura trazia sumia, significava que meu manto havia alcançado o poder atual que a aura trazia.

Bom, obviamente, Ka’in e Yan controlavam seus poderes para ficar ao meu nível. Acredito que se Ka’in utilizasse todo o poder do manto em mim, possivelmente meu corpo colapsaria por sobrecarga. Já Yan, era capaz de me matar quando quisesse. Por sorte, somos da mesma raça, e isso é apenas um treinamento.

Por mais que não tivesse me levado ao limite, ainda foi um ótimo treino. Com isso, fui capaz de entender melhor como funciona o Manto Amba.

Não é uma Habilidade que evolui com uso contínuo, mas com a compreensão sobre o uso dela. Bom, isso vale para qualquer criatura: Não importa se você tem algo, tem que saber como usar aquilo.

De acordo com as explicações durante o treino, eu consegui destravar o manto vermelho — que de acordo com Yan é o manto de Elemento Fogo — tão cedo não apenas pelo talento, mas pela compreensão que tinha sobre energias. Então, pelo visto, meu estudo sobre a Mana constantemente me gerou lucro.

Ah sim! Aquela surpresa que os Tigres Amba — até Kei se surpreendeu —, quando mostrei o manto vermelho, foi porque despertei muito cedo outro manto, mais rápido que minha mãe, que é chamada de mais talentosa. Por sinal, só os laranjas podem mudar o Elemento dos mantos, mas demora muito para conseguir outros, por isso foi tão chocante.

Então, é por isso que estava na descrição da Habilidade; “uma chama única”.

Com tantas coisas novas sendo apresentadas, mal posso esperar para desenvolver os outros mantos!

Neste momento, estou encarando centenas de lanças de gelo sendo lançadas em minha direção.

Minhas chamas se ergueram duas vezes o meu tamanho. Agora sim posso me chamar de tocha ambulante!

Ka’in e Yan me ajudaram muito. Por mais que eles me explicassem algo, era perceptível que eu aprenderia melhor fazendo do que apenas ouvindo. Mas Ka’in merece agradecimentos por me conceder mais entendimentos do manto branco. Mal posso esperar para poder usá-lo também!

Enquanto eu lidava com as lanças, Yan passou a lecionar um pouco sobre a guerra de três anos atrás: “Filhote, Zan, aquele que traiu nossa raça, fez o antigo líder, He’in, pai de Le’in e Ka’in, seguir a Horda e fazer parte do embate. Ele afirmava que o Dragão Negro concederia o continente todo para nossa raça e seriamos prósperos, podendo ir para todos outros continentes e viver em diversos outros tipos de lugares pelo mundo.” Falando até aí, um tom de tristeza se mostrou em sua voz, “Éramos verdadeiros idiotas…” E descontentamento se mostrou com as atitudes dos Tigres Amba que participaram das Hordas.

Conforme a raiva aparecia na conversa, rajadas mais intensas de ataques caíam sobre mim.

“Zan e He’in, enganados pelo Dragão Negro, formaram diversos grupos de Tigres Amba e seguiram com as Hordas para atacar as quatro Aldeias. Embora fossem 50 Tigres Amba adultos, isso era por volta da metade da nossa raça! Porém, mesmo que naquele tempo tivéssemos ido todos juntos, só seriamos capazes de lidar com uma das Aldeias.” Disse Yan raivoso com a realidade passada.

Ka’in se juntou à conversa e dividiu o fardo com Yan, dizendo: “Os Tigres Amba de três anos atrás eram separados demais, sem ligação, no fim, inúteis sozinhos. Ou seja, nossa fraqueza era sermos descoordenados. Apenas a morte restou para aqueles que participaram daquela batalha. O único objetivo do Dragão Negro era nos usar para que fossemos na frente para limpar o caminho e morrermos pela nossa idiotice.”

Entendo. Pelo visto, a raça só foi mais unida através da grande perda de membros. Como o Mestre Zi dizia: A necessidade é uma força sem igual, como o amor e o ódio.

As ondas de ataques cessaram, e Yan ia falar algo mais, mas deixou de lado e só disse: “Filhote, acredito que você tenha curiosidade pelo seu pai, porém, deixarei para sua mãe contar. Saiba que seu pai era um híbrido da nossa raça, seus pelos eram negros e suas listras brancas, uma raridade. Extremamente raivoso e poderoso, mas vendo você agora, vejo que até mesmo a ferocidade dele é menor que a sua, e mais, seu talento já excedeu de Kan. Você vai ser um grande problema se continuar crescendo tão rápido… Espero que não cometa erros como seu pai.” Em sua última frase, o tom era quase imperceptível, mostrando o ressentimento de Yan.

 

 

E, finalmente, passou-se o primeiro mês de treinamento no inferno congelante. Apelido carismático para o cume da montanha.

Era o dia da reunião, e também, o dia da competição entre os filhotes. Por sinal, já faz um tempo que não vejo a Janela Geral. Afinal, nem tive tempo para pensar nela. ATÉ PORQUE EU TINHA QUE LIDAR COM CENTENAS DE FLECHAS, LANÇAS, ESPADAS DE GELO VOANDO PARA MIM!

Nada como um dia normal neste mundo desgraçado… Vamos ver o que esse treino me rendeu.

 

 

Graciosa seja Jeanne! Que saudade senti de ver essa Janela!

Mal elevei meu nível, mas os Atributos Principais ainda assim aumentaram apenas com o treino. Essa Agilidade linda que sempre falta está subindo! Que alegria!

Minha Força cresceu bem menos que a Mana… Bom, considerando que não usei força nesse treinamento, apenas outros Atributos, é de se esperar. Aguentar de vez em quando espadas enormes caindo do céu e o frio de gelar os ossos, valeram a pena. Tudo contribuiu para o meu crescimento.

Por mais que fosse doloroso ficar neste frio — ainda é —, isso fez meus pulmões e circulação mais fortes, assim como o antigo treino do Mestre. Fortalecer o interior e só então ir para o exterior.

Acho que é isso para dizer, não é? Agora é hora de acabar com uns filhotes arrogantes.

 

– Continente Enir, Deserto de Dante –

 

Ragnar estava indo para onde Sha’l estava. Por ter decidido ir sozinho isso permitiu este monstro guerreiro se locomover ainda mais rápido e ágil por Enir.

Se ele estivesse acompanhado, então teria que proteger a tropa que o acompanha e andar no ritmo deles. Isso impossibilitaria a mobilidade real dele, mas também havia outro motivo para ir sozinho: Restaria mais oponentes para ele!

Ragnar tinha a Classe Rara Lutador Explosivo. Sendo capaz de controlar o impacto gerado de seus punhos e chutes, ele mostrava completa maestria no domínio dos impactos e explosões. Quando ele saiu da Aldeia para dentro de Enir, ele havia utilizado o impacto dos seus pés, conduzindo uma explosão debaixo da terra para ser atirado para longe de lá. Um verdadeiro especialista.

Ele poderia decidir onde haveria impacto, quando explodiria e para onde seria conduzida a onda. Mostrava ser capaz de se atirar para longe sem afetar as pessoas próximas.

Era capaz de socar o ar e explodir monstros a 500 metros de distância, apenas com o impacto controlado e aumentado. Também era capaz de socar o chão e abrir as nuvens do céu. Seus punhos não faziam lógica! Era como demonstrar a verdadeira força de um guerreiro que contraria todas leis.

Atualmente, Ragnar estava passando pelo Deserto de Dante. Como o nome afirmava, era um território arenoso, com uma temperatura escaldante. Apenas Bestas Mágicas de Classificação (B+) ou maior, que se adaptaram a este ambiente poderiam vagar por lá sem problemas.

A Aldeia de Ragnar, conhecida como Espada da Aliança, era a Aldeia mais poderosa dentre as quatro em Enir, e ninguém ousava contrariar esta afirmação. Afinal, todos que vivem lá eram verdadeiros guerreiros, nascidos para batalhar.

Enquanto isso, Ragnar encarava um Escorpião Khan adulto, uma Besta Mágica de Classificação (A-). Com um olhar despreocupado, ele deu um pisão no chão e a Besta foi atirada para cima. Foi uma explosão vinda debaixo da terra. A carapaça do escorpião foi rachada e começou a desmanchar.

Enquanto descia do ar, Ragnar deu um tapa no ar com sua mão esquerda, e o escorpião foi explodido em sangue verde e vísceras. Tudo o que restou da Besta foi atirado para esquerda por conta da onda de impacto.

Ele já estava próximo ao fim do Deserto de Dante, chegando próximo da área onde Sha’l estava.

 

Sha’l estava ansioso pelo retorno de San’ki e dos outros, mas quem chegou primeiro até ele foi Ragnar, coberto de areia do deserto, porém, ainda imponente.

Olhando-o, Sha’l estava com grandes expectativas: “Ragnar-han! Por que você veio?”

Ragnar gargalhou alto e respondeu: “Pequeno Sha’l, pelo visto a mensagem ainda não foi entregue para você. Eu avisei para seu mensageiro que só viria eu.”

Ouvindo a afirmação dele, Sha’l paralisou. Embora achasse que Ragnar não viesse, mas sim alguns guerreiros da sua Aldeia no lugar. Afinal, não era comum um líder ir sozinho para dentro de um lugar onde a morte é comum. Entretanto, por mais que ele soubesse que o Homem-Fera na sua frente era poderoso, vir sozinho era loucura, e também soava como uma desconfiança sobre o relato de Sha’l sobre as Bestas Mágicas.

Logo, ele disse a pergunta que estava o incomodando: “Por que você não apenas enviou guerreiros da sua Aldeia no lugar?”

Em resposta, Ragnar olhou para Sha’l, que apenas alcançava seus ombros, e respondeu em tom sério: “Você sequer confirmou a Horda. Apenas disse que as Bestas Mágicas ficaram mais espertas. Por acaso, você moveria sua Aldeia por causa de um aviso idiota como este?! Moleque, seu pai pelo visto não te criou direito.” Era claro o aborrecimento que sentia depois de ser desconfiado por outra pessoa, principalmente se você a conhece por anos.

Sha’l tremeu após o olhar de desgosto de Ragnar. Ele era o único que causaria uma mudança de expressão no líder dos Demônios Negros, o qual era conhecido por ser o mais cruel e insensível da Aliança Último Escudo. Então, era natural que o jovem líder fosse afetado por este monstro apenas com um olhar normal.

Porém, por mais que sentisse medo que Ragnar pudesse fazer algo contra ele, Sha’l não desviou o olhar. Continuou a encarar ele, mostrando que jamais recuaria, não importasse quem fosse. Ambos eram líderes de suas respectivas Aldeias, se um recuar, seria assumir que sua posição é menor que a do outro.

Quando notou isso, Ragnar divagou em seus pensamentos. O menininho que ele conheceu nos braços de seu velho e melhor amigo, Há’sha, havia crescido em um líder firme e forte.

Ele apenas gargalhou outra vez e bateu nos ombros de Sha’l. Ao mesmo tempo, sentiu que seus ombros seriam deslocados se Ragnar batesse mais uma vez.

Com essa demonstração simples, ambos assumiram que não havia motivo para brigar e nem ter desconfiança. Até porque, dentre os quatro líderes, Ragnar nunca foi de mentir ou esconder as coisas, sendo sempre sincero.

Olhando para todos os Elfos Prateados, feridos e cansados, Ragnar falou baixo para Sha’l: “Seus mensageiros devem estar de volta em alguns dias, até lá, estarei brincando nas Terras Gélidas. Em cinco dias voltarei.” E mais uma vez olhou para os outros Elfos Prateados e comentou: “Deixe-os descansarem até minha volta. Pelo visto, a maioria são novatos e inexperientes e mesmo assim você quis levá-los para próximo do interior de Enir… Decisão errada, Líder dos Elfos Prateados.”

Quando escutou isso, Sha’l rangeu os dentes. De fato, foi idiotice levar tantos novatos, principalmente depois de só ter passado alguns anos desde a última Horda. Seria mais esperto ter mantido os novatos na Aldeia e levado os mais experientes. Porém, não tinha como ele saber que seria tão perigoso quando entrasse nas Terras Gélidas.

No fim, diversos guerreiros foram feridos e mortos. Ele só podia se arrepender de não ter pensado com clareza quando foi avisado na Aldeia.

Ragnar notou o arrependimento no rosto de Sha’l e perguntou: “Foram os Tigres Amba que fizeram tanto estrago em vocês?”

Com uma feição séria, ele respondeu: “Sim…”

Coçando o queixo, Ragnar respondeu pensativo: “Farei uma visita rápida pelos territórios deles. Cuide-se, pequeno Sha’l.”

Quando terminou de falar, ele se atirou dentro das Terras Gélidas em uma velocidade absurda. E sua direção era a cordilheira do Templo dos Tigres Amba.


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Autor: Rose Kethen



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