DE – Volume 1 – Arco 1 – Capítulo 4




Arco 1 – Pequenas Patas
Capítulo 4 – A Torre Perdida

 

Aqui estamos. Meus irmãos e eu temos 8 meses de idade e nossa mãe tem se tornado menos presente esses tempos. Acredito que está quase na hora de irmos caçar sem ela.

Desde a cristalização do meu coração e cérebro, tenho me tornado mais forte que meus irmãos. Acredito que isso se deve pela falta da absorção consciente neles, já que eles parecem incapazes disso. Por sinal, falando deles, eu os nomeei!

Meu irmão recebeu o nome de Jhon. É fácil de lembrar, é rápido para se falar – não que isso importe, já que nem falamos – e ainda soa forte. Afinal, esse maldito come mais do que qualquer um aqui. Enquanto estou com 1,5m o desgraçado está alcançando os 1,7m de altura!

Jhon, além de crescer mais rápido que nós, também é incrivelmente cruel com suas presas. Não sei se é por conta do elemento escuridão, mas ele realmente uma personalidade complicada de lidar. Para ele, matar é como brincar. Apesar de me incomodar às vezes essa personalidade, não é como se ele não fizesse uso da presa após matá-la. Somos predadores afinal.

Já minhas irmãs branquinhas, dei o nome de Suzy e Samy. Essas duas têm 1,4m de altura, são bem ativas em aventuras e exploração, sempre curiosas e nunca ficam longe uma da outra. Diferente do Jhon, que no início vivia me seguindo, agora é um tigre que age sozinho. Não acho isso ruim.

Agora sobre a menorzinha, a minha irmã da mesma cor que eu. Essa pequena é uma graça! Tem 1,4m de altura e vive me seguindo atualmente. Normalmente ela seguia a mãe para ver o que ela fazia e quando não consegue seguir, vem atrás de mim para brincar.

Marie tem uma personalidade dependente do seu irmão maravilhoso. Hehehe. Desde o dia que vi ela ser ferida pelo coelho, sei que pode ser até dependente, mas ela é uma guerreira feroz. Seus olhos confirmaram isso naquele dia. Ah, e eu não tenho ideia do porquê dela ser a menor. Talvez seja biológico?

Enfim, com isso dito, é hora de situar as coisas.

Jhon, nesse momento, está de barriga para cima e roncando. Ele comeu três Coelhos Ankis, e cada dia esse desgraçado está maior para todos os lados!

Marie está deitada em cima de mim. Suzy e Samy estão brincando pelo território e não devem estar muito longe daqui.

A mãe está fora fazem 2 dias… É o tempo mais longo que esteve até hoje. Não sei se me preocupo com ela ou não. Mas por algum motivo sinto que há algo estranho desde que ela passou a sair mais… Suas viagens têm sido cada vez mais longas.

Nesses 8 meses aprendi muito como é a vida dos Tigres Amba. Já nem me sinto mais desconfortável com esse corpo! Minha agilidade nesses últimos dois meses aumentou bastante, já que era algo que me incomodava muito. Afinal, não poder sequer desviar daqueles coelhos que nem são Classificação (E) direito é o cúmulo da fraqueza!

Não sei se é assim em todos lugares, mas até as Bestas Mágicas de Classificação (F-) dessa merda de lugar são assustadoramente espertos! Sabe, não é algo normal para mim isso, ver animais que parecem como seres humanos ao desenvolver táticas e estratégias para apanhar suas presas.

Espero de verdade que nos outros lugares não piore a situação! Se as Bestas Mágicas já são desse calibre, não quero nem imaginar como são as que já tem civilização nesse planeta…

Bom, deixemos esse assunto de lado e vamos falar de algo que importa. O avanço dos meus atributos e Habilidades!

 

 

Usei a vontade para mostrar apenas o que realmente teve mudança na minha Janela Geral.

Hum… Olhando para meu nível na Janela Geral lembrei que tenho algo que gostaria de compartilhar. Quando minha Gema de Energia ardeu naquele dia da cristalização, eu verifiquei a Janela Geral e para ver se houve alguma mudança e percebi que havia ultrapassado o nível 10. Então, pode ser idiota, mas será que há alguma ligação?

Bom, só queria compartilhar isso, mas duvido que seja… Agora vamos comentar da Janela Geral.

Então, tão vendo esses atributos? Agora estou com essa bela força e agilidade linda! Nem preciso falar muito sobre isso né. Brincando, caçando, absorvendo energia e comendo que fizeram eu ficar bem mais forte.

Sobre as Habilidades… Predador de (F) foi para (D-), isso é algo bom? Ainda é medíocre, mas aquela frase “serão um acréscimo minúsculo” mudou para “pequeno”! De ridículo foi para desprezível! Hah…

O Manto Amba nem teve mudança?! Por que então está sendo mostrado? Será que é só porque os exemplos foram retirados?! Jeanne, você me deu um sistema com defeito?!

Certo, não é como se fosse um problema isso.

Voltando ao assunto sobre meus irmãos e mãe.

Ultimamente ela nem tem ligado muito para o que temos feito. Acredito que é porque nossa idade já suficiente para nos virarmos sozinhos.

Até o mês passado a mãe só se intrometia na caça quando o Jhon era perseguido por alguns Coelhos Ankis que ele não conseguia lidar.

Como ela tem estado fora, finalmente posso avançar além do território. Meu coração está animado e temeroso. Se as Bestas Mágicas dentro do território da mãe já são tão espertas e poderosas… imagine as que estão fora desse território!

Você deve estar curioso porque quero explorar além do território. Essa curiosidade é bem tola. É ÓBVIO QUE QUERO VER A TORRE!

Aquela maldita torre tem estado na minha visão por oito longos meses e só agora posso ir até ela e ver de perto. Qual o seu tamanho? Será que dá para entrar nela? Preciso saber!

Só há dois problemas.

O que será que minha mãe fará quando chegar aqui e eu não estiver?

E, como enfrentarei as Bestas Mágicas além do território?

Bom, terei que ver do mesmo jeito. Sem enfrentar desafios como posso me chamar de artista marcial? E outra coisa, o medo da morte eu já perdi há muito tempo.

 

 

Agora é por volta das 6 horas da manhã e já estou pronto para sair.

Vamos indo então!

Marie percebeu minha saída silenciosa, de imediato acordou Jhon e mostrou a ele que estava saindo. Ele entendeu e já veio correndo até mim.

E sim, eu a ouvi fazer isso, não sinto problema nenhum sobre isso, na realidade, é até melhor ter uma companhia e saberem que estou saindo. O problema real seria se todos quisessem vir comigo. Não posso me responsabilizar pela sobrevivência deles, já que não posso nem afirmar que retornarei vivo também.

Por esses motivos que estava saindo sem fazer barulho.

Marie não veio, apenas Jhon. Desde que Jhon e eu somos os mais fortes e nenhum predador ousa se aproximar da nossa toca – Afinal é o território da nossa mãe, só apenas um predador que é mais forte que ela ousaria –, então não é necessário ele ficar para cuidar das outras três.

Como eu disse, uma companhia é melhor que nenhuma e se for alguém tão forte quanto eu, então, essa é a melhor opção para retornarmos vivos. E o Jhon é muito útil também, por mais violento que seja.

Seguindo em direção à torre, de vez em quando tínhamos que nos esconder pela neve, pois havia Coelhos Ankis jovens andando em grupos de cinco, e também víamos alguns Lobos Merkin – monstros de Classificação (D+) – caçando.

Esses lobos eram do nosso tamanho, com a pelagem branca com algumas partes roxas, alguns eram até maiores que nós, por sorte andam sozinhos. Eles procuram matar a presa rapidamente, porque são criaturas solitárias, mas quando entram em uma luta… não desistem até que a última gota de seu sangue seja derramada. Essas Bestas Mágicas são as piores.

Nesse momento, Jhon e eu sabemos nossos limites. Um Lobo Merkin é capaz de nos matar, mesmo se estivéssemos 2 contra 1.

Jhon por mais impulsivo que fosse, não tentaria avançar em um Lobo Merkin. E parece que instintivamente sabe que sou mais forte que ele, já que não tenta ir na minha frente. Deixando eu cuidar da frente enquanto ele cuidava de trás.

 

Jhon e eu não podemos evitar algumas lutas, afinal, sentimos fome. E ver coelhos irritantes andando por aí já faz nosso sangue ferver para destroçá-los. Porém, não podemos ficar lidando com a fome toda vez que aparece, o nosso passo tem que acelerar. A torre fica pelo menos 2 dias de distância, isso conosco correndo na velocidade máxima. Então vai levar no mínimo 4 dias e meio para voltarmos à toca da nossa mãe.

 

 

Já estamos na oitava hora de caminhada. A barriga de Jhon está roncando alto, e não vou negar, até eu estou morto de fome, porque só paramos de correr para nos esconder…

E começou a aparecer Bestas Mágicas que nunca vimos antes. Uma delas parecia um urso polar, mas com 4 metros de altura quando em pé. Sério, não gostaria de enfrentar isso ainda. Fora isso, vimos aves semelhantes a águias só que totalmente brancas – Se não fosse pelos grasnares e nossa visão afiada, nem poderíamos perceber elas no céu nublado –, com 3m de envergadura, um verdadeiro monstro do céu.

Você deve se perguntar como sei a envergadura se estavam no céu, é simples, eu “só” vi uma quebrar o pescoço de um Lobo Merkin com uma simples investida! Com essa visão, percebi que a verdadeira ameaça não viria do solo, mas do ar.

Há criaturas que podem nos matar brincando…

Jhon e eu conseguimos caçar na nona hora. Ainda havia pequenas presas de Classificação (F) se esgueirando pela neve, se escondendo dos outros predadores. Só consegui encontrá-las com meu Chi, sentindo suas vibrações. Se eu não usasse isso, acho que nem teríamos comido algo.

E, assim, continuamos nossa jornada até essa torre desgraçada.

 

 

– Aldeia dos Elfos Prateados. –

 

Sha’l já havia partido para dentro do continente Enir. Rakar seria o responsável por educar A’ela, a filha do líder da Aldeia.

O próximo dia era o aniversário de quatro anos de A’ela.

Aos quatro anos, todos Elfos deveriam realizar o Ritual do Vínculo. Esse ritual tem sido realizado desde os primórdios das raças Élficas. No 1400º dia de vida de um Elfo, seria o dia onde a natureza poderia iniciar o vínculo elementar com esse ser.

O Vínculo era considerado a integração da vida do Elfo à natureza. A cor do cabelo do Elfo era determinada com a Afinidade e Vínculo. Quanto mais próximo da cor branca, mais puro seria e quanto mais puro for, mais poderoso o Elfo seria.

Esse dia poderia também ser o determinante da sua Classe e Profissão. A natureza forneceria um reforço para Afinidades elementares e, raramente, um Elemental. O Ritual do Vínculo era mais do que uma integração, era quase uma evolução.

Elfos Prateados, diferente dos Elfos de Alran – que eram em sua maioria Arqueiros, e Arqueiros excepcionais –, tinham uma grande variação de Classes e Profissões, mas sua maioria era Feiticeiros e Convocadores.

Existiam poucos Guerreiros, mas os que eram, eram extremamente ágeis e mortais, sempre buscando conceder uma morte rápida e indolor para qualquer criatura viva.

Rakar foi até a residência de Sha’l, onde a filha do mesmo estava. Mesmo os jovens Elfos já eram maduros, com ideologia que vinha desde o berço. A’ela apesar de ter quase quatro anos, já estava lendo com muito empenho os livros deixados na biblioteca de seu pai.

Ao ver essa cena, Rakar não conseguiu evitar de rir. A menina mal alcançava sua altura estava sentada em uma grande cadeira de madeira que ficava diante de uma mesa de mogno. Ela estava vestindo seu vestido branco quase semitransparente, parecido com uma camisola.

Enquanto A’ela lia seu livro com muito ânimo e agitação, Rakar se aproximou por trás e deu um susto na pequena garota.

“AHHH!” Gritou A’ela assustada. Logo em seguida o encarou com uma expressão emburrada.

Ela reclamou enquanto fazia biquinho: “Tio Rakar! Por que você tem que assustar A’ela todos os dias que vem? Papai já saiu faz algum tempo, e a pessoa que deveria cuidar de mim só fica me assustando!”

Rakar riu baixo e observou a menina que ainda tinha o cabelo curto e loiro. Normalmente, na raça dos Elfos Prateados, todos teriam cabelos loiros antes de atingir os quatro anos. E, só após o Ritual do Vínculo que seus cabelos tomariam a verdadeira cor.

Porém, com os Elfos de Alran era diferente. Todos antes de atingir os quatro anos teriam cabelos escuros, e só após o quarto aniversário que se tornariam loiros.

Rakar deixou seu lado brincalhão e olhou com pesar para a garotinha que lidaria com o Vínculo em algumas horas.

Ele não queria deixar o clima pesado, então, logo disse: “A’ela, apesar de seu pai não estar aqui para ver o seu Ritual, seu tio Rakar aqui cuidará muito bem de você!” Dizendo isso, Rakar apertou as bochechas brancas dela e puxou enquanto sorria amavelmente para ela.

“Tioooo Rakkkkarrr! Paaaraaa de apertarrr!” Disse A’ela descontente.

Após ela reclamar, Rakar parou de apertá-las e falou: “A’ela… está preparada? Devemos ir ao altar.”

Ela assentiu com a cabeça e fechou seu livro. Saindo da grande cadeira de mogno com um pequeno pulo, Rakar não conseguiu evitar de deixar um sorriso sair. A’ela de fato não alcançava a cintura de Rakar, e pior, até para a cadeira ela teria que fazer um pequeno esforço para descer.

De fato, uma garotinha minúscula, mas ainda assim, fofa e linda.

Ela ignorou o sorriso zombeteiro de Rakar.

Evitando soltar uma risada, ele disse: “A’ela, vá trocar suas roupas. Você já deve ter preparado sua vestimenta para o ritual, certo?”

A’ela assentiu e logo foi para seu quarto para se trocar.

Ela colocou uma tiara de ramos – pertencentes à Árvore Hera –, trajou o vestido branco da Mãe Terra e nada mais. Embora ainda começado a fase infantil, o rosto de A’ela, junto com o ornamento e vestido, a fizeram parecer como a mensageira da natureza. Serena, pura e bela.

 

A’ela e Rakar já estavam no altar e a hora do 4º aniversário já havia chegado.

Ela se ajoelhou no meio de um Círculo Ancestral. Não havia ninguém além deles no altar. Rakar ficou fora do círculo e A’ela começou a orar para a Mãe Natureza.

“Mãe Natureza, abençoada Terra, amável Vento, implacável Fogo, carinhosa Luz, delicada Água, aquela quem dá vida, aquela que gera frutos, aquela quem nos auxilia, aquela que concede o início e traz o fim e aquela que com o fim mais uma vez concede o início, em um ciclo natural da vida e morte. Esta jovem Elfa Prateada quem serve à tua palavra e vontade, deseja sua bênção. Mãe de tudo, vincule esta pequena Elfa à tua natureza.”

Rakar esperou silenciosamente até essa parte. Quando A’ela terminou a oração, ele colocou sua Mana no Círculo Ancestral, que era formado pelos antigos galhos da Árvore Hera. Esses galhos se iluminaram de todas cores, até chegar a cor prata-branco. E, assim que alcançaram essa cor, todas luzes desses galhos saíram, como pequenas esferas flutuantes e brilhantes, era como vagalumes, e penetraram o corpo da pequena garota.

A’ela gritou alto. Era um processo doloroso, pois, seu pequeno corpo mal tinha absorvido Mana em toda sua vida, e agora, estava sendo bombardeado de Mana Elementar, exercendo uma mudança completa em todo seu ser.

Ela sentia como se seu corpo desmanchasse como barro seco, sendo reconstruído e destruído. Algumas vezes ela sentia ser afogada, queimada viva e até mesmo cortada por lâminas invisíveis. Parecia um ciclo infernal, uma tortura sem fim.

A’ela berrava sem parar. Lagrimas caiam de seus olhos, não lagrimas normais, mas sim douradas, como gotas de ouro. Seu cabelo curto estava lentamente mudando sua cor e, quanto mais lagrimas caiam, mais seu cabelo loiro desaparecia. Era como se a cor loira estivesse sendo expurgada pela cor prata, quase branco.

Rakar agarrou a mão de A’ela e apertou forte. Com seus olhos fechados e com seus dentes cerrados, ele entendia muito bem a dor que ela sentia. Ele sabia que quanto mais pura fosse a cor do cabelo, mais doloroso e demorado seria.

Ela não conseguia falar. Gritando por horas. Levou um total de 5 horas. Uma tortura terrível.

Rakar ficou ao seu lado todo o tempo. E, também ficou surpreso, pois, um Elfo Prateado comum levaria 1 hora, ou no máximo 2, para completar o Ritual de Vínculo.

Quando A’ela parou de sofrer, de imediato abriu seus olhos. Seus olhos já não eram mais os mesmos de sua raça. Eram dourados como ouro e seu cabelo já não estava mais loiro, agora era prateado por inteiro, próximo do branco.

Apesar de sentir dor, ela rapidamente levantou e disse para Rakar: “Tio Rakar! A Mãe Natureza falou comigo!”

Rakar ficou abismado. Ele nunca havia ouvido falar de alguém, exceto o Elfo Branco, ser capaz de ter uma comunicação real com a Mãe Natureza. Sem demora, ele perguntou: “A’ela, isso é verdade?! O que ela disse?”

Com um pequeno, mas dolente, sorriso, ela respondeu: “Embora pequeno, tem dentes e garras afiadas. Sua cauda e cabelo laranja são únicos. Aquele que mudará a visão de tudo aparecerá em meio à uma batalha.”

A’ela sabia que isso era incrível. Ser comunicada pela própria Mãe Natureza significava que ela tinha grande papel nisso.

Após dar uma pausa e soltar um leve suspiro, ela voltou a falar: “Tio Rakar, A’ela não sabe o que ela quis dizer com isso, mas ela também disse que A’ela deveria acompanhá-lo quando chegasse.”

Ao ouvir tudo isso, Rakar estremeceu.

 

 

Já passou 2 dias e algumas horas desde que saímos da toca. Mas finalmente chegamos nessa porra de torre!

Tivemos alguns problemas com predadores, mas conseguimos lidar bem. Estávamos exaustos e não tínhamos lugar para nos escondermos, apenas neve e algumas árvores espalhadas pelo ambiente. Foi uma situação desesperadora.

Jhon e eu revezamos a vigilância. Dormindo 2 horas no máximo na noite e continuávamos o caminho para a torre. O estresse mental era gigantesco, mas conseguimos chegar!

Vendo eu diminuir a velocidade, Jhon logo percebeu que chegamos onde eu queria. Ele foi até um canto e começou a roncar. Gostaria de ter esse privilégio também…

Avancei para a torre com passos lentos e pesados.

Olhando para cima, deu para entender o porque eu não conseguia ver a ponta da torre, por mais longe que estivesse. Essa merda é gigantesca! Sua estrutura é igual de uma masmorra, aquelas de livros ou contos encantados de princesa. Só que a diferença é que essa além de alta é larga. Para ter noção de quão larga essa desgraça é, acho que nem quinhentos homens poderiam dar a volta nela, mesmo com os braços esticados.

O material que ela é feita é algo que nunca vi antes. De longe eu percebia que ela soltava brilhos à noite, mas de perto, ela é linda demais! De longe não percebia, mas até de dia ela solta brilho, mas claro, é bem mais fraco.

Sua cor roxa parece ser natural, mas o tom escuro parece ter sido causado pelo tempo. Porém, não vejo nenhum musgo grudado nela, como se fosse imutável pelo tempo. Assustador…

Agora… tem uma coisa que tá me irritado muito.

ELA NÃO TEM PORTA! Eu vim aqui, o caminho todo… DOIS DIAS DE SOFRIMENTO E QUASE MORRI PARA NÃO TER NADA!

A única coisa que ela tem é uma tabuleta de pedra próxima com um monte de letras que não entendo! Nem sei se são letras!

ME SINTO ENGANADO!

Essa porcaria de torre não tem nada para mim! Sequer posso ler o que está escrito!

Agora que parei para pensar, eu não sei mais como é falar. Como é que vou me comunicar…?!

Digo… se eu ver alguma espécie inteligente e capaz de dialogar, obviamente eu gostaria de conversar com ela. Já que viver só de rugir, grunhir e outros sons é bem chato. Não consigo nem conversar com meus irmãos.

Como eu não queria sair daqui com as mãos abanando, porque foram dois dias de viagem até aqui, quero testar algumas coisas.

Primeiro; ver se consigo quebrar a torre para entrar.

Pensando nisso, já comecei a circular todo o meu Chi pelo meu corpo. Concentrei o Chi em minhas garras e ataquei a parede da torre.

Tiiinnnk!!

Quando minhas unhas atingiram a parede, nem mesmo uma lasca saiu da parte onde atingi. Minha pata foi empurrada de volta e voei para trás, atingindo um monte de neve. Foi como um campo mágico protegendo a torre, ricocheteando meu ataque. Minhas garras foram rachadas e parece que só depois de alguns dias que voltarão ao normal.

Por sorte só atingi neve, mas ser lançado para trás voando por uma força invisível era algo que não esperava de uma torre!

Já que percebi que a torre não permitia ataques ou qualquer coisa semelhante, é hora de tentar a segunda opção. A tabuleta.

Olhando para os símbolos dela, comecei a gravar na minha memória, vai que um dia eu sei ler isso. Como aqui não parece ter predadores próximos, é hora de tirar um tempo para descansar.

Dizendo isso, deitei ao lado do Jhon. Finalmente podemos descansar um pouco mais do que duas horas.

 

Durante a noite, a torre se tornou mais iluminada, e a tabuleta começou a brilhar, no caso, seus símbolos.

Chegando próximo dela, toquei a tabuleta com a minha pata, e, do nada, um aviso apareceu na minha mente.

 

 

 

– Terras Gélidas, Continente Enir. –

 

Sha’l estava cada vez mais fundo dentro de Enir. Enquanto protegia e treinava os jovens Elfos Prateados, ele tinha que lidar com diferentes tipos de Bestas Mágicas, variando da Classificação (C-) até (B-).

Para ele, um Elfo Prateado que viveu 180 anos, isso ainda era algo tranquilo. O problema real era quando viesse um grupo grande da mesma Classificação, e ter que proteger os jovens guerreiros desse grupo.

Shal’ viu que as Bestas Mágicas tinham se tornado ainda mais ferozes e inteligentes que dois anos atrás. Percebendo que estava correto da sua decisão de ter vindo com um grupo grande para ver o que estava ocorrendo.

Para algo fazer tantas Bestas Mágicas se moverem e adaptarem ao ponto de andarem em grupos maiores, então só significava uma coisa, uma ameaça que poderia prejudicar todas outras bestas havia nascido.

Dentro de Enir havia relatos confirmando a existência de Bestas Mágicas de Classificação (A+) e maiores. Porém, mesmo que fosse uma Besta Mágica com Classificação (A+) ainda seria impossível forçar um desenvolvimento nas outras bestas…

Logo, Sha’l imaginou a resposta. Só uma Besta Mágica poderia ameaçar tão facilmente todas outras. Era o nascimento de uma Besta Mágica com Classificação (S-) no mínimo.

Só de pensar nisso, todo seu corpo estremeceu. Se uma horda de Bestas Mágicas de Classificação (A) era capaz de empurrar toda a Aliança Último Escudo ao desespero… se colocasse uma Besta Mágica de Classificação (S-) para liderar, significaria o fim da Aliança, ou a mudança inteira no continente.

Sha’l havia acabado de colocar os pés no território conhecido como Terras Gélidas. Os jovens e imaturos Elfos Prateados que estavam acompanhando seu líder por alguns meses, agora, estavam mudados por completo. Agora eram verdadeiros Soldados de Enir, guerreiros da Aliança e da sua raça.

Quando o líder dos Elfos Prateados, Sha’l, pisou nas Terras Gélidas, não houve demora para ser recebido. Três Tigres Amba machos bloquearam seu caminho. Um de cor branca, outro da cor negra e o último da cor azul. Os três com uma altura de 8 até 9 metros.

Eles rugiram em uníssono.

ROOOOOOOARRRRRR!

ROOOOOOOARRRRRR!

ROOOOOOOARRRRRR!

Não havia outro significado por trás desses rugidos além de: SE AFASTEM DO NOSSO TERRITÓRIO!

E todos os Elfos Prateados entenderam de imediato isso.

Sha’l gargalhou, encarou os três Tigres Amba e disse: “Seu território?! Seus tigres malignos! Vocês tiram a vida da minha mulher, do meu pai e agora ousam bloquear o caminho dos Elfos Prateados?! QUE O SANGUE DE VOCÊS SEJA OFERECIDO À VIDA!”

Sha’l guardava um rancor profundo dos Tigres Amba. Na última horda que invadiu as Aldeias nas bordas de Enir, os Tigres Ambas tinham tirado muitas vidas da raça dos Elfos Prateados, até a esposa e pai de Sha’l pereceram nas garras de um Tigre Amba.

Os Tigres Amba entenderam que eles não iriam recuar. Com rugidos furiosos, eles ativaram seus Mantos Amba.

Era hora de acabar com os invasores de seu território.

Todos Convocadores e Feiticeiros atacaram imediatamente. O céu encheu de todos tipos de luzes e poderes.

Sha’l e os Guerreiros avançaram.

Era iniciada uma batalha contra os Tigres Amba.


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Autor: Rose Kethen



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