DA – Capítulo 79 – O povo das vilas não é gado!



— Venha lutar contra mim, Mythro Zumb’la.

Zou Uin desafia o pequeno NOVA com uma grande pose!

Mythro move a serpente em suas pernas e fica na frente de Zou.

— Tá afim de apanhar mais?

O público inala frio. O garoto de uma vila acabou de perguntar se o jovem mestre Uin queria apanhar mais!

A disparidade militar que um clã do meio-oeste cobria era algo que nem mesmo um clã do oeste de fora podia cobrir. Isso, salvo de algumas exceções como o clã Haokon.

Então quando alguém vindo de uma vila é desafiado por alguém de um clã… Apenas humilhação o espera.

— Você fala demais! Com Ariã ao seu lado eu fiquei com medo de atacar com tudo.

— Não foi Xor que dissipou um ataque meu para não matar você?

— Como se um ataque seu pudesse me matar!

— Ondas Barbáricas é o seu clã? Está mais para ondas panacas!

— Ai, seu!

A conversa dos dois se mostra no nível de crianças. O senhor Schut se levanta e invoca um sino de seu saco azul.

— As regras são simples. Não vale matar ou aleijar! Se cair da arena perde, se tocar nas correntes entre as lanças perde, ou se for decidido por mim e pelos conselheiros que você não pode continuar, vamos parar a luta para que nenhum machucado permanente possa acontecer, assim privando o oeste de um jovem talento. É estritamente proibido o uso de armas de maior terra vigentes a essa competição, ou então monstros, bonecos, ou qualquer outro tipo de ajuda fora de sua própria força e cultivação!

— As regras estão ao seu favor, garoto da vila Chamto!

— Mostre-me como as Ondas “Babáricas” lutam.

Zou Uin balança a mão e o pavão volta a sua tatuagem.

— Vamos! — O garoto do meio-oeste invoca dois bastões que emanam uma aura de quarta terra, três estrelas.

— Ele é tão idiota que nem percebeu. — Isabol, do lado de sua mãe, comenta sobre a ofensa desapercebida que Mythro lançou.

— Esse menino do abismo é forte? — Monica pergunta.

— Sim, mãe. Ferrilha não consegue durar muito tempo contra ele, Matcha consegue lutar de igual para ele em força, mas Mythro parece ter mais experiência de luta e por isso sempre a vence com uma combinação sofisticada de sua Aura Primal Mortal e suas serpentes de energia.

— E você, Ferrilha disse que ele também poderia derrotar você.

— Sim, é verdade… Mas… Isso é com Mer.

— Mer?

— Sim… O conjunto rúnico completo dele.

— Uma criança de vila com conjunto rúnico completo? — Monica cerra os olhos. Conjuntos rúnicos são peças de armamento e armadura rúnica que juntas fazem o cultivador expressar mais força do que seu estágio e nível de reino. São coisas poderosas que até mesmo cultivadores do terceiro reino não possuem, já que conjuntos rúnicos são raros artefatos, somente encontrados em ruínas, e que quase nenhum artesão consegue recriar.

— O conjunto dele é o mais forte que já vi. Uma armadura prata, um escudo prata e uma lança dourada. Ele também tem um sangue especial, como o nosso, mas… O dele com certeza vai muito além do nosso. Todas as vezes que lutei contra ele perdi. Com seu conjunto rúnico completo e seu sangue manifestado, ele pode se pôr contra seres no quarto estágio nível inicial.

Os cílios de Monica pulam de surpresa. Conjuntos rúnicos geralmente ajudam a lidar com seres um, ou dois níveis acima. O mais forte conhecido no oeste é o conjunto do próprio senhor da lua, e ele ajuda a combater seres de um estágio acima.

Isabol ri um pouco.

— O que foi?

— Você acreditaria em mim se eu dissesse que ele mal consegue utilizar o poder do seu conjunto?

Dessa vez a expressão de Monica muda. Seus olhos tomam uma cor amarela, e como se ela estivesse na própria arena, ela observa Mythro.

Outros anciões de outros clãs perceberam a energia que Monica começou a emanar, principalmente Senhor Schut.

“Ela não está olhando Zou…” — Schut passa os olhos em Zou, e se não fosse pelo clã do menino, ele cuspiria no chão. A pose do garoto estava cheia de aberturas, só para ficar bonita. Quando ele chega em Mythro, ele olha para o garoto montado na serpente de energia e se pergunta por que ele não a dissipa para lutar mais livremente.

Enquanto Schut o encara, Mythro percebe os olhares percorrerem por seu corpo. Ele olha para Schut, e depois para Monica.

“Ele percebeu?”

“Ele percebeu?”

Ambos pensam.

O pequeno NOVA abre um sorriso.

— Senhor Schut. Hoje você vai dormir bem. — Mythro fala baixo, sabendo que ele poderia ouvi-lo.

— Por quê acha isso?

— Serpente-rei!

A víbora que Mythro monta aumenta de tamanho, até 8 metros!

— Hey, uma serpente de energia aumenta tudo isso antes do terceiro estágio?

— Esse garoto deve ter treinado ela além da conta!

— Essa energia negra dele é estranha!

O público começa a comentar.

— Falsa bravata!

Zou se irrita, ele invoca uma serpente de energia de cinco metros. Mas ela não é tão detalhada quanto a de Mythro, e sua aura é fraca.

“Ele está usando um artefato de cópia e aprimoramento.” — Gornn comenta.

— O que é isso? — Mythro lança um pensamento.

“Um brinquedo de criança. Aqui eles chamam de artefatos, qualquer coisa que eles encontram e não compreendem a estrutura, de forma que eles não possam fazer uma réplica parcial, ou completamente. O pingente que ele está usando é algo com revestimento fantasia interno. Se você tiver coragem de quebrar e estudar os mecanismos da para aprender a recriar.”

— Então é aqui que a coragem deles acaba? — Mythro ri e isso enfurece Zou.

— Do que você está rindo? Eu copiei perfeitamente sua magia! Só não coloquei tanta energia, pois vou mostrar minhas verdadeiras magias, as magias das Ondas Barbáricas!

— Então foi isso! Eu achei estranho que a magia do jovem mestre Zou Uin estava atrás da do garoto da vila Chamto.

— No final, alguém de vila não supera um de clã.

O público era maioria de vilas.

— Calem-se! — Mythro urra para todos ouvirem. — Vocês não estão cansados de serem tratados como escória? Povo das vilas!

Todos param para ouvir o que o pequeno NOVA tem a dizer.

Até mesmo Monica fica atenta. É como se o charme de outro mundo estivesse naquelas palavras.

— É somente natural, não temos quase nada de recursos pois somos fracos e pobres! — Uma garota se levanta e grita.

— Errado! — Mythro aponta o dedo para ela, e seus olhos se tornam filetes de fogo, imperceptíveis a todos que tinham cultivação menor do que o terceiro reino.

Monica consegue ver as chamas negras queimando nas pupilas do pequeno NOVA.

— Que linhagem é essa? — O clã Haokon é um dos mais velhos do oeste, eles permanecem no oeste de fora por tradição! Pupilas de fogo negro, como um eterno abismo da perdição não estava escrito em nada que ela já tenha lido em sua vida como matriarca.

— Lá vai ele de novo! — Matcha ri e estala o dedo.

Ferrilha e Isabol cobrem suas bocas e riem junto.

— Cultivar é criar em si um universo único e particular, e quem rege o próprio universo se não o cultivador? Recursos são atalhos! Cosmicidade é o caminho! Treinar e meditar são o caminho! Ir além de suas forças todos os dias! Colocar sua garganta contra a lâmina e quebrar ela com os dentes!

Todos no primeiro reino parecem hipnotizados, pessoas começam a romper de nível!

“Um sábio!” — Schut se levanta, ele se lembra da velha lenda!

— Um sábio… Então a lenda é verdadeira… — Anciões de outros clãs começam a murmurar.

— Calado! — Zou Uin também é elucidado pelas palavras de Mythro, mas ele se recusa a deixá-las criarem sementes na sua cultivação. — Cascata!

Nos braços do jovem mestre das Ondas Barbáricas água em forma de energia cósmica azul escura começa a se formar, ela então é jogada como se fosse uma mini cachoeira!

— Um poderoso ataque do primeiro reino, isso jovem mestre Zou! — Xor tenta apoiar Zou.

Todos param de digerir as palavras de Mythro para prestar atenção no ataque. Zou Uin estava no segundo estágio nível superior aos dez anos de idade, ele em termos, é mais forte que o menino da vila.

— Schut, salve o jovem sábio! — Um velho ancião se levanta e manda uma mensagem cósmica para Schut.

— Não ouse! — Mas no mesmo instante, uma outra mensagem cósmica o alcança e faz Schut ficar arrepiado.

— Patriarca Uin… — Schut se vira para os céus e percebe um homem olhando com grande violência para a arena.

— Você se enganou pensando que eu ia servir de exemplo. O povo das vilas não é gado! — Mythro fecha os olhos e quando ele os abre novamente, um relâmpago aparece deitado em frente a sua testa, com fogo negro rugindo de suas extremidades.

— Deificação lu— O que nos céus? — Monica se levanta e percebe leves similaridades com o estado que Mythro acaba de entrar.

Seu corpo libera raios e relâmpagos, e o breve som de trovão pode ser escutado. Ele levanta sua mão e uma adaga se revela, ele a energiza e lança, ela sai rompendo pelo ataque de Zou, e como se não fosse nada o dissipa!


Autor: Mateus Lopes   │   Revisor: BCzeulli   │   CQ: Heaven



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