DA – Capítulo 77 – Filhos santos de terceira



Depois de mais algum tempo conversando, Baki fechou a loja e levou Mythro para casa junto com Bijin e Brosch.

Julia não falou muito com Mythro aquele dia, pois ela ainda se sentia culpada com o ocorrido com sua madrasta. Mas o pequeno NOVA se aproximou e a disse para não se preocupar e que nada do tipo voltaria a acontecer, ele explicou que a viagem o deixou de mente mais aberta, agora ele consegue engolir seu orgulho e arrogância perante pessoas que não são seus inimigos.

Com tudo resolvido, tanto Julia quanto Santiago poderiam seguir suas vidas sem se preocupar com este pequeno ocorrido.

“Libertar o mau karma é também importante para a cosmicidade.” — Gornn disse isso uma vez para seu pupilo, que aprendeu diligentemente.

Naquela noite Mythro ficou sabendo que um enviado do clã Haokon entrou em contato com as três meninas e que elas passariam a noite em uma pousada da vila Chamto.

No outro dia Baki estava testando diferentes roupas e acessórios em Mythro. Como uma das vendedoras mais conhecidas de toda a vila Chamto, e até em outras vilas também, ela fazia questão de que todos associados a ela se vestissem da forma mais contemporânea em moda.

Mas ela estava enfrentando um sério problema.

— Qualquer coisa fica boa em você! — Baki diz irresignada.

— Isso não é bom?

— Não é para um homem ficar bonito de vestido!

— Por que colocou ele em mim então?

— Estava só testando… — Baki cora um pouco, o que deixa Mythro levemente desconfortável.

“Essas mulheres Urto são bem loucas!”

— Ah, é, tinha até esquecido que o sobrenome deles é Urto. — Mythro lança um pensamento para Gornn.

— Que tipo de brinco ficará bom em você? — Baki pega um brinco preto que parece ser uma sobrancelha.

— Mãe, eu só quero algo dourado, azul ou prata.

— Cores bem fortes e extravagantes, acha que é o quê? Uma criança santa?

Os dois riem.

— Azul, dourado ou prata… — Baki passa a mão no rosto de seu mais novo filho e fixa em seus belos olhos dourados. — Nem todo ouro, prata e azul poderiam lhe fazer jus, meu pequeno, parece que os deuses os conceberam para celebrar seu amor mútuo e alegria infindável. Eu sinto que um dia até mesmo as princesas do oeste profundo terão que lutar por sua beleza.

— Azar o delas, já sou casado. — Mythro dá de ombros.

— Hm… Mits, certo? Ariã me falou sobre ela. Como ela é?

— Comilona, briguenta, mais forte fisicamente que eu, a vó dela é muito mais forte que meu mestre, ela me dá medo. Ela partilha meus sonhos e desejos, ela me ama desde a primeira vez que me viu.

Baki fica surpresa. Isso tudo veio de uma criança?

— Quando vocês puderem se reunir, ela será muito bem vinda na casa dos Urto.

Buscando em um saco cinza, Baki tira uma caixa e de lá, brincos dourados e anéis pratas podem ser vistos.

— Você gosta de serpentes, não é? Que tal eu te ensinar como fazer brincos e joias?

— Eu quero! Assim poderei fazer diagramas neles e lutar com ainda mais inimigos. — Mythro imagina seus brincos virando serpentes de verdade e atacando inimigos que chegassem por trás de si.

— Pequeno, acessórios e joias rúnicas são difíceis de serem feitas devido ao pouco espaço de revestimento. Só clãs do meio oeste para frente possuem algo assim.

— Nem precisa se preocupar com isso, minhas mãos cósmicas são especiais, e por isso eu posso fazer esse tipo de coisa considerada impossível.

— Muito bem então garotinho. Você vai fazer belos anéis rúnicos para me proteger, certo?

— Sim! Quem ousar te tocar vai morrer em pedaços de carne queimada e mutilada.

Baki fica em silêncio por um momento. No rosto de Mythro, a naturalidade em dizer essas palavras a assusta. Mas ela sabe que por ser alguém que veio do norte, seu dia a dia devia ter sido cheio de matança e pessoas morrendo ao seu redor como se fossem palha para fogo.

— Vamos arrumar suas roupas primeiro… e depois seu cabelo, vamos cortar até ficar na sua cintura.

— Okay!

Mythro ficou com roupas parecidas com as últimas. Uma camisa de algodão, tanga de algodão, calça de couro e botas de couro. Para complementar, o rabo de cavalo agora era preso por uma presilha azul que era como uma serpente enrolada sobre si mesma, e com as presas à mostra. Algumas mechas ficam fora do rabo de cavalo, e são presas por outras presilhas, do lado esquerdo de sua cabeça fica um sol e do lado direito uma lua.

Ela coloca brincos em Mythro, fazendo rápidos buracos com uma agulha. Dois buracos são feitos e o par de brincos são asas douradas.

— O campeonato vai acontecer em dois dias, hoje teremos uma apresentação das crianças santas. Para isso, vamos viajar meio dia para a vila Schut. Ariã logo estará nos esperando lá fora.

— Baki! — Brosch grita.

— Parece que ele já está lá. — Mythro invoca uma serpente de energia, e a faz engolir suas pernas. Junto de Baki ele desce as escadas.

Ao abrir a porta, Ariã, Bijin e Brosch estão à espera.

— Mãe! Você está achando que Mythro é menina? — Bijin se aproxima do pequeno NOVA e reclama com sua mãe, mas seu rosto corado e satisfeito a entrega.

— Ele é um garoto bonito, ninguém vai dizer nada! — Ariã ri com Brosch.

— Vamos indo? Tenho que encontrar o clã da lua na vila Déka em alguns dias.

— Oh? — Ariã assobia e um enorme lagarto de duas cabeças aparece de um símbolo na palma de sua mão. — Podem subir, vamos ouvir essa história.

A caminho da vila Schut, Mythro explicou sobre como encontrou os dois do clã da lua.

As horas passaram rapidamente no caminho. O que o pequeno tinha vivido alegra e entretém a todos. Com exceção de Baki, que veio a desmaiar duas vezes.

Todas as informações que ele passou privam os segredos mais pessoais dele e dos cosmos.

**

No dia em que eles alcançaram a vila Schut, o lugar estava cheio de carruagens, montarias únicas e auras poderosas por todo o lugar.

— Até mesmo patriarcas e matriarcas estão aqui de clãs grandes do oeste de fora. — Bijin passa os olhos nas pessoas e consegue dizer com grande assertividade suas ascendências.

— Quando eu ganhar essa competição, qual será o prêmio? — Mythro pergunta brincando com um de seus brincos.

— Você poderá escolher um tesouro no salão do campeão santo. Existem artes raras de ruínas! Você também poderá escolher uma caixa de pílulas para auxiliar na cultivação. Contribuição da seita Erva Mágica. Uma seita exclusiva de alquimistas do meio-oeste — Ariã explica, apontando para uma bandeira de 10 metros de comprimento no topo dos portões de entrada da vila Schut, que mostrava uma planta crescendo sobre uma palma energizada.

Nela também havia uma flor liberando energia amarela, um punho feito de pedras, um sol que banhava uma espada com seus raios, entre outros.

Eram clãs e seitas do oeste.

— O clã da lua não participa? — O pequeno não vê o símbolo da lua.

— O clã da lua não precisa. Eles são os senhores do oeste, então tudo é feito sob total jurisdição deles. Todo líder de clã ou seita deve andar com um broche da lua, ou seu clã, ou seita não estão permitidos de lutar. — Brosch se pronuncia e no mesmo momento, um guarda chega ao lagarto de duas cabeças e bate em uma área do peito.

Ariã pega um broche do bolso de seu casaco e coloca na região respectiva de seu peito.

Mas Mythro percebe que o broche de vila é feito de madeira e, tão mal talhado que parece ter sido pego do chão.

— Por que vilas tem um broche tão hediondo?

— Não se preocupe com isso pequeno, vilas são consideradas apenas pontos turísticos de baixo orçamento. Pagamos taxas para os clãs que… nos protegem. — Ariã pausa por um momento e, Mythro consegue ler insatisfação e raiva nele.

— Quem nos protege?

— Do oeste de fora, nos protege o clã espada sob o sol e o clã montanha raivosa.

— Não precisamos deles. Agora que vocês tem a mim… Farei da vila Chamto maior que esses clãs abusivos.

Os quatro olham para Mythro. Como ele sabia que eles eram abusivos com apenas isso? E tornar uma vila maior que um clã? Sonho distante!

— Não vou conseguir cumprir isso agora, mas um dia trarei honra e independência a nossa casa. Eu, Mythro, não aceito subjugação. E não temo derramar sangue para isso.

O guarda olha para os cinco sobre o lagarto de duas cabeças.

— Eu sou Chuir Homp, cidadão da vila Schut, e um subjugado pelos clãs Ondas Bárbaricas, Vento Mutilador e Espadas Gêmeas. Espero que um pequeno tão valoroso como você possa tomar de volta a honra e recursos que nós temos que entregar de bandeja aos grandes clãs!

— Hmph! Guarda! Os clãs do meio-oeste protegem você contra invasão do norte e sul, até mesmo de Markhos e você ainda tem o que reclamar? Filhos santos de terceira não vão te salvar!


Autor: Mateus Lopes   │   Revisor: BCzeulli



Fontes
Cores