DA – Capítulo 75 – Voltando a vila Chamto



Em meio a uma trilha, quatro pessoas e uma gata fora do tamanho caminham em direção a uma vila do oeste de fora.

— É realmente necessário ir para a vila Chamto para essa competição de criança santa? — Matcha diz, cutucando o rosto de Mythro, que é carregado engolido por uma serpente negra de energia.

— Não sei. A cultura é de vocês. — Ele responde um tanto antipático.

— Para as vilas é bem importante, demonstra o potencial de aprendizado e qualidade de vida no local que a criança santa nasceu. — Isabol explica para Mythro, enquanto mexe com as pétalas de sua flor na mão direita.

— Eu não sou do oeste, eu não fujo dessas especificações?

— Não. Você já foi registrado como filho de Baki e Brosch, então você é considerado sim um filho do oeste. — Isabol explica.

— Entendi. E também, eu preciso vê-la, eu fugi de casa faz uns dois meses. E depois terei que ir a vila Déka novamente para encontrar Oprita e Tuin.

— Oprita e Tuin…? Eles são artesãos do clã da lua. — Ferrilha reconhece os nomes.

— Mm.

— Não poderia imaginar uma melhor pessoa para ser um artesão do clã da lua. Com suas mãos cósmicas lendárias, você trará uma nova era para o oeste, e estaremos bem no meio dela. — Ferrilha comenta com os punhos levantados, como em firme determinação.

— Certifiquem-se de não morrer, se não perderam meu esplendor.

— Arrogante. — Ferrilha fala.

— Prepotente — Isabol continua.

— Mesquinho. — Matcha completa.

— Já estou acostumado a estes adjetivos, vocês deveriam inventar novos. Que nem… maior lutador da vila Chamto, ou então…

— Você está no segundo estágio ainda. Quando alcançarmos o segundo reino você pode dizer isso. — Matcha diz alegremente, esse tempo na gruta do paraíso fez ela ascender um nível, indo direto ao terceiro estágio, segundo nível. Sua chuva cósmica agora estava mais forte e suas habilidades com sua flor completamente diferentes com as de um mês atrás.

— Com quantos anos é ideal alcançar o segundo reino? — Mythro pergunta o padrão de idade para alcançar o segundo reino.

— Dentro de 16 a 22 anos. Sendo que 16 é para pessoas de clãs da maior hierarquia em cada ponto cardeal. Como exemplo, a princesa da lua alcançou o segundo reino aos 16 anos. — Isabol explica.

— Eu vou fazer melhor.

Em uma semana eles alcançam a vila Chamto. Mais uma vez os portões podem ser vistos.

— A vila Chamto é tão pacífica. Nosso clã é tão cheio. — Ferrilha passa pelas ruas sendo encarada fortemente pelas pessoas que passam.

— Esse pessoal encara demais. — Mythro se lembra da primeira vez que passou por essas ruas, e como foi encarado.

— Três pessoas do clã Haokon, um menino andando em uma serpente de energia, e um tigre sem pelo. Se não estivéssemos chamando atenção, eu acharia estranho. — Isabol ri com a mão cobrindo a boca.

— Mythro! — Uma voz grita pelo pequeno NOVA.

Ele se vira na direção do som e encontra Bijin.

— Bijin, a quanto tempo.

— Você sabe o problemão que você nos deu?

— Aquele Santiago voltou a cobrar a Baki?

— Não, ele não voltou. Mas esse não é o problema, você que ficou quase dois meses inteiros fora de casa, mamãe esteve tão mal desde então, você deve desculpas à ela, e tem que deixar de ser tão arrogante e grosseiro!

— Eu sei. Prometo não colocar vocês em perigo por minha culpa de novo.

— É isso?

— Sim.

Bijin fica surpresa. Ela esperava uma discussão árdua com Mythro sobre o assunto, mas ele se mostrou receptivo a essas críticas e ainda disse que mudaria.

— Você… Quem são essas garotas? Clã Haokon? — Bijin inspeciona as roupas das meninas e percebe os padrões de flores.

— Sim, eu sou Isabol Haokon, primeira filha de Monica, matriarca dos Haokon.

— Eu sou Ferrilha Haokon, filha de Roberto Haokon e atual aspirante a artesã do clã Haokon.

— Eu sou Matcha, filha de Júrio Haokon, e atual aspirante à guerreira flor do clã Haokon.

Os títulos dessas garotas deixam Bijin de queixo caído. Elas não eram simplesmente de um dos clãs mais fortes do oeste de fora, elas eram também pessoas do alto escalão do mesmo clã!

— Elas estavam sendo atacadas por pessoas de um secto maligno e eu as salvei.

Núbia gane para Bijin.

— Tigre sem pelo…?

— Existe mesmo um tigre sem pelo por aqui, ou vocês tem essa mania feia? Ela é uma gata grandona, só isso. Bijin, essa é Núbia, minha gata.

Se enrolando e ronronando nas pernas de Bijin, Núbia começa a conhecê-la.

— Isso me faz pensar. Vocês estavam indo aonde quando nos conhecemos mesmo?

— Estávamos indo para a vila Somni, fica 15 dias depois da vila Déka, quase no oeste profundo. Íamos entregar uma mensagem. — Isabol tira uma carta de seu saco azul.

— Não tem problema se vocês não entregarem?

— Não, não tem. É só mostrarmos as roupas dos garotos de secto maligno que minha mãe entenderá. — Isabol puxa um pouco para fora a camisa preta com padrões de caveira e sangue.

— Secto maligno? — Bijin fica surpresa em ouvir esse nome.

— Menino Mythro, você voltou. Passarinhos vieram aos meus ouvidos logo quando você entrou.

— Senhor Ariã! — Matcha, Isabol e Ferrilha se curvam rapidamente para Ariã, que vem na direção deles.

— Quem sou eu para receber tamanho respeito de vocês três, que logo superarão este velho? — Ariã ri, andando devagar na direção deles.

— Ariã, eu vim participar da competição de criança santa.

— Você nos preocupou pequeno, onde esteve? — Ariã abre um sorriso e pega no ombro de Mythro.

— Fazendo o de sempre. Salvando donzelas indefesas, matando lixo de secto maligno, edificando meu domínio sobre esta terra e colecionando as maravilhas deste universo.

O rosto de Ariã fica lívido. Mas que por—?

— Repita?

— Senhor Ariã, Mythro salvou a mim e minhas companheiras de clã de um ataque de infantes de um secto maligno. Creio que sejam do templo da caveira de sangue. — Isabol pega a roupa com caveiras e padrões de sangue e da para o veterano.

— Senhor Mythro e a gata dele, Núbia, são muito fortes e com poderes especiais! — Ferrilha invoca suas mãos cósmicas e em poucos instantes faz um canal, levanta suas mãos, mostrando para Ariã. — Olha o que eu aprendi com ele!

As sobrancelhas do homem estão quase nos céus. Muitas coisas passam por sua cabeça. Núbia, uma gata ou um tigre sem pelos? Senhor Mythro? Poderes especiais? Ela estava falando do alto talento dele de aprender artes sem dificuldade, ou ainda tinha mais coisa atrás deste pequeno? Uma artesã aprendiz no segundo estágio criando um canal a esmo como se fosse nada, e ainda, ser de um dos clãs mais poderosos do oeste de fora e dizer que aprendeu com um garoto que veio do abismo, lugar abandonado e sem nenhum conhecimento sobre cultivação? E, ainda se não houvessem estes itens anteriores, Isabol está no pico do terceiro estágio, como Mythro que estava no pico do primeiro estágio a poderia salvar?

É neste momento que ele checa a aura do pequeno NOVA, e percebe que ele está no segundo nível do segundo estágio. Nível intermediário do rio cósmico aos 8 anos! Nem que fosse pela demonstração de arte em maestria santa, ele já ganharia de qualquer oponente da mesma faixa de idade pelo seu alto cultivo!

Ariã se vira para os céus, e aguça seus sentidos. Ele precisa ter certeza que o céu não está se desmoronando em peças de ouro e prata, entregues em uma cesta de algodão nuvem.

— Onde está Baki e Brosch, eu tenho presentes para eles. — Mythro tira tufos de algodão nuvem, que exalam uma forte presença de energia cósmica, junto com os tufos, um punhal feito de minério banhado em Qi de água e relâmpago, e um martelo, também feito do mesmo minério, só que na pesada camada retangular do martelo, a espinha de um animal podia ser vista incrustada, e no topo do martelo, bem em seu centro, um chifre roxo se estendia.

— Isso são… armas de quarta terra feitas de pedra banhada em Qi de água e relâmpago, e no martelo tem a espinha e chifre de um coelho de chifre roxo! — Bijin fica atônita! Ela não conseguiria fazer algo do tipo.

Ariã puxa um banco de seu saco azul e se senta. Ele coça seus olhos com o dedo médio e o dedão.

— Duas armas de quarta terra feitas por uma criança de 8 anos. E o poder que elas emanam… 3 estrelas… Não… 4!

— Infelizmente não consegui colocar um diagrama, nem desenho de efeito. O próprio martelo vai recusando o desenho porque eu não coloquei na estrutura dele um apoio ao canal central. — Mythro suspira, com tom decepcionado.

— O quê? — Bijin com certeza tinha lido muito mais sobre artesanato do que Mythro, mas o que ele acaba de dizer para ela é algo que sua mente não consegue associar.


Autor: Mateus Lopes   │   Revisor: BCzeulli



Fontes
Cores