DA – Capítulo 74 – Treinando as meninas(4)



“Um trono de corais fluorescentes… Está bom para um pirralho no primeiro reino.” — Gornn murmura com um tom leve.

Depois que Mythro senta no trono, Núbia pula em cima dele e se deita sobre suas pernas. Ambos fecham os olhos e começam a dormir. Seus NOVA Statum se desfazem e a armadura prateada, junto com o escudo e a lança se desmontam, e caem ao redor do trono, uma área agora coberta por corais.

Ao pé do trono, do lado esquerdo, a ostra se reforma e lá fica. As enguias rodeiam toda a circunferência do trono, como fiéis guardiãs.

“O livro da criação segura muitos segredos. Quem diria, os reinos são imitações de Yah e Weh passando pelo universo.” — Ammit comenta sobre o Torá.

“Se importaria de me dizer o que estava contido nele?”

A grande morte reconta na língua ancestral o conteúdo da segunda página.

“Entendo…”

“Leão rubro. O que é o torá exatamente?”

“Existem pequenas passagens e rumores pelos cosmos, de seres que pegaram partes de um livro chamado torá, e que alcançaram um nível de cultivação sem igual. Geralmente era somente em um único reino, mas todos tinham algo em similar.”

“O sefirot?”

“Sim. As dez esferas. Porém muito pouco se sabe sobre elas, já que todos que possuíram o torá não o tinha por inteiro. Assim eles despertavam somente algumas esferas, e jamais conseguiram alcançar o nível de imperador. Então, enquanto o torá é muito procurado, ele é ao mesmo tempo dito como amaldiçoado. O décimo passo para a divindade é um vão enorme que deve ser completado por aqueles que podem unir suficiente cosmicidade para pular sobre. Um ser que cultiva algo incompleto, não pode virar imperador.”

“Então é essencial que Mythro tenha todas as páginas.”

“São cinco livros diferentes. Essas páginas em losango seguram diferentes quantidades de história. Não se pode saber quando um livro se fecha, e outro termina.”

“Vamos ter que vivenciar e observar então. Vamos ter que esperar pela cosmicidade.”

***

A noite passou devagar aquele dia. Alto nos céus, sentada em um cometa, uma mulher faz a pintura de um menino com armadura prateada brilhante, segurando uma lança dourada e um escudo prateado, com seu corpo dourado e azul, e sua garganta que tinha uma auréola. Ele estava sentado em um trono de corais com forro branco, e tinha uma Sphynx deitada em suas pernas, coberta em chamas brancas.

— Abigail. O que fazes tão próximo ao ventre das fadas? — Uma voz distante irrompe no espaço ao redor da chamada Abigail.

— Estava pintando o pequeno Mythro. Ele achou uma ostra celestial divina, sabia?

— Oh?

A mulher da qual pertence a voz aparece, como se ela estivesse sempre ali. Seus Cabelos são loiros brilhantes. Seus olhos são dourados como ouro que acabou de ser formado em meio ao espaço.

É Xaemi, a senhora dos NOVA.

— Meu filho é muito belo. Fiz bem em dá-lo em casamento para uma arco-íris, do planeta Ravo.

— A menina Mits cresce bem. Mas Mutima está se envolvendo demais.

— Eu falo com ela.

— Eu já ouvi. — Uma mensagem cósmica de Mutima alcança Xaemi e Abigail.

— Mutima…

— Por que você pode ajudar seu filho, e eu não posso ajudar uma neta?

— Você sabe muito bem que tudo que deixei para meu filho foram dois pequenos presentes.

— Uma natureza santa do primeiro reino, e uma semente de terceiro véu são presentes pequenos? Tch, você continua dando eufemismo a tudo o que faz.

— Ele vai ter que competir com todo o cosmo. Esse planeta vai ser apenas uma pequena passagem para ele. Assim como será para Mits também. Quando eles alcançarem cultivação madura, eu os tirarei de lá, não se preocupe. Até que aconteça, deixe eles desvendarem o mundo por si mesmos.

— Se eu tivesse deixado tudo a esmo, como você diz, minha linhagem teria terminado a milhares de anos atrás.

Xaemi fica em silêncio e desaparece.

— Tch, sempre fugindo de conversas.

— Senhora Mutima, minha Senhora só deseja o melhor para o filho dela e para sua noiva, seja mais compreensiva, por favor.

— Compreensiva? Eu não sei o que é nascer de raça divina, mas minha linhagem não perde nem um pouco para vocês, escolhidos do universo. Quando Mits entrar em batalha contra Ravo Sanguis, é bom esse moleque ajudá-la bem!

***

— Senhor Mythro! Senhor Mythro!

Como se acordando de um longo estupor. Mythro mexe no grande trono de corais e olha para Ferrilha, que está a um metro dele.

— R-Ro-Roupas…

— Roupas? — O pequeno NOVA olha para baixo e percebe sua nudez. — Não tenho roupas comigo, vamos ter que comprar.

— Espere, nos sacos daqueles meninos tinha muda de roupas, não? — Isabol está do outro lado do lago. Ela grita e balança uma camisa preta com padrões de caveiras e sangue.

— Não posso vestir isso. Tenho que colocar coisas que Baki me deu.

— Quem é Baki? — Ferrilha tampa os olhos com as mãos.

— Minha mãe adotiva na vila Chamto.

Invocando uma serpente, Mythro fica em pé e vai pelo caminho de corais recentemente formado até o lado da margem, onde a runa de relâmpagos rodeia.

— Nós já comemos aquele coelho de chifre roxo?

— Ainda não. — Isabol não fica envergonhada, ela não sente uma imagem masculina em Mythro pois ele ainda é muito jovem.

— Vamos assá-lo! E enquanto isso… — O pequeno NOVA faz serpentes aparecerem em seus cabelos e elas se movem e tampam seu corpo.

— Cabelo grande realmente tem suas vantagens. — Matcha aparece com uma perna de coelho na boca.

Durante a manhã, eles conversaram e comem o coelho roxo. Sem dúvidas, foi a melhor coisa que Mythro experimentou até hoje.

Após comerem, todos tiveram uma sessão de três horas de meditação.

O raio que Mythro criou estava em seus dedos médios. Ele junta as mãos, e desliza os dedos um no outro, até tocarem o dorso da mão. Ele afasta as palmas e invoca novamente o raio negro imóvel.

— O que você acha disso Gornn? — Ele lança um pensamento.

“É uma concentração poderosa de energia de relâmpago negro e também de fogo.”

— Fogo? Você diz aquele fogo negro que Numroharr tinha nos olhos? Por que eu tenho isso também?

“Quem dera eu pudesse lhe dar esta resposta. Nunca vi um arfoziano que usasse relâmpagos. Geralmente vocês usam poderosos raios de energia e criam devoradores buracos negros. Agora, relâmpagos e fogo negro…”

— Eu não tenho cultivação pra invocar esses buracos. Mas raios de energia eu tenho.

“Os raios que estou falando cruzam milhões, ou até mesmo bilhões de quilômetros em distância, e apagam civilizações planetárias ao menor contato.”

— Vou deixar rolar então. Acho que você só vai ser realmente útil com artes quando eu estiver mais forte.

Gornn fica alguns segundos em silêncio, e então diz:

“Você quer uma arte interessante?”

— Oh? — A surpresa do pequeno NOVA faz um raio saltar de sua cabeça.

***

— Vamos lá, Marcha, expanda mais a raiz!

— Meu nome não é Marcha!

— Dá no mesmo!

— Não, não dá!

Matcha e Mythro estão se movendo em alta velocidade, atacando magias a todo momento.

Empunhando o leque, Matcha faz poeira azul se levantar para cobrir a visão de Mythro. Irrompendo do pó, diversos raios amarelos alvejam o pequeno NOVA.

Todos os raios são bloqueados com as adagas. Mas Mythro sabe que tem muitos mais atrás disso.

Matcha aparece na sua frente, e, com um bastão, faz diversos movimentos, buscando derrubar seu adversário.

— Há!

Dez serpentes negras se transpõem nos cabelos de Mythro e, como uma górgona, ele avança desviando dos golpes do bastão.

— Revestimento floral! Cipós furiosos!

A flor de Matcha tinha cinco raízes, e cada uma neste momento tinha um metro e meio. A flor, que antes tinha 60cm, agora tem um metro!

Tudo isso foi graças aos últimos 20 dias treinando na gruta do paraíso.

Diversos cipós emergem do chão e tentam segurar a serpente que carrega Mythro, mas ele a faz saltar e lança uma torrente de relâmpagos na direção de Matcha.

Com o revestimento floral em ação, os relâmpagos não conseguem alcançar Matcha. Mas então, ela sente algo tocar em sua perna.

— Te peguei!

Mythro deixou uma serpente no chão antes de pular! Ele libera suas adagas, que descem cortando o ar e passam pelas frestas das raízes.

— Não vai funcionar de novo!

Matcha coloca sua flor na frente, e a faz ir em direção as adagas.

— Entrenó de ferro!

O barulho de ferro batendo em ferro pode ser escutado. O entrenó da flor de Matcha repele as duas adagas.

— Tudo pronto! Vocês dois, venham comer!

Os dois se entreolham intensamente.

— Trégua até depois da comida? — Matcha diz, movendo seu leque para cima.

— Fechou! — Mythro desfaz as serpentes em seus cabelos.

— Vocês dois lutando, logo de manhã, não cansam não? — Isabol reclama sobre as atividades matutinas de Mythro e Matcha.

— Até eu derrotar ele uma única vez, não! — Com um pedaço de mel na mão, ela grita e aponta para Mythro, que está se lambuzando perto de Núbia.


Autor: Mateus Lopes   │   Revisor: BCzeulli



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