DA – Capítulo 70 – Lago do paraíso



A caminhada para a gruta do paraíso foi longa e exaustiva. Tirando o cuidado que elas tinham que ter com Mythro, Núbia desmaiou de exaustão no meio do caminho, tornando a jornada ainda mais extensa.

Por cinco dias inteiros elas andaram e nada do pequeno NOVA de acordar. Mas como se os céus olhassem para elas, em dois desses dias choveram, assim elas conseguiram reabastecer sua água e deixar as enguias e a ostra imergidas por um tempo para recuperarem forças e prosseguir fora d’água.

Quando elas chegaram na gruta, quase são atacadas pelas vespas-abelhas, mas ao ter sinal de Núbia elas param e as deixam entrar.

— O que é esse lugar? — Matcha está maravilhada pelas partículas de luzes que se desprendem do solo.

— Um santuário natural perdido? — É a única coisa que Isabol consegue pensar.

Carregando a ostra no seu dorso se tornou mais fácil ao adentrar de novos dias, mas Ferrilha também era a única que podia segurar a estrutura, e isso taxou muito de sua força física, espiritual e mental.

Ela cai no chão, e desmaia por alguns segundos, mas ela acorda novamente logo depois.

— As runas do senhor Mythro…

— Ferrilha! — As duas gritam, mas elas estão com as mãos carregadas também.

Matcha carrega as duas enguias enroladas em seu corpo e Isabol carrega Mythro, e os sacos azuis.

Núbia gane para Isabol, ela deixa Mythro no dorso da gata, que morde na camisa de algodão do menino e começa a se aprofundar na gruta, até que atravessa o lago.

— Tem um lago aqui, vamos soltar essas enguias e a ostra lá! — Isabol percebe a existência do lago agora, ela corre para Ferrilha e tira a ostra de seu dorso.

Embora cansada, Matcha consegue fazer três saltos reações de 9 metros e isso ajuda para que ela possa liberar logo o fardo sobre ela.

Isabol por ter maior cultivação consegue fazer cinco saltos de 10 metros. Ferrilha se levanta e anda com passos lentos e pequenos até o lago, no meio do caminho as duas ajudam segurando-a onde podiam.

Segurando sua consciência até o fim, a pequena menina consegue alcançar o lago e derrubar as runas.

A runa de relâmpago emerge sobre a água, e a runa de água corre até o centro, onde outra runa já brilhava e dominava.

— Ele já tinha uma runa florescente. — Matcha aponta no lago e mostra as outras duas.

— Vamos ficar aqui para cuidar dele, e eu tenho muitas perguntas também. — Isabol pega um pouco de água do lago e limpa o rosto de Ferrilha.

As runas se encontram no lago. Como se fossem sencientes, uma fica perante a outra por alguns segundos, até que a runa original do lugar expande e transpõe a runa de fora. Uma explosão pequena de luz toma o lago, é como se o divino estivesse sendo feito nas águas, pequenas ondas batem na margem e assustam as meninas. O poder da água é tão grande que começa a tomar mais espaço…

O lago tinha uma área de 200 metros, mas como se quebrando uma antiga barreira, a terra é empurrada para cima e o lago expande até completar 300 metros!

— Foi para aquele lado que Núbia levou Mythro! — Matcha alerta.

— Vamos descansar primeiro, depois podemos lidar com essa terra com nossas flores. — Isabol fala cansada.

A runa da água sobe por um momento à superfície da água. Seu tamanho e sensação de poder é completamente diferente da de antes. Um pequeno furacão se forma na área de 300 metros e acompanhando a runa completa, as duas enguias sobem e encaram a runa de sua nova casa.

A ostra aparece no meio delas e abre sua boca. A runa desce até pousar acima da ostra, e na boca dela um líquido concentrado e bege começa a se formar…

**

Uma sensação agradável desliza em seu corpo. Mythro sente o pousar de pequenas coisas sobre seu peito, acompanhadas pela passagem do que seria água.

Ele abre seus olhos e percebe o azul do lugar onde está. Os movimentos de seu corpo não estão em seus melhores dias, mas ele consegue deixar sua coluna reta.

— O Mythro acordou! — Uma voz doce emite uma chamada ao seu lado, se virando para encontrar a dona, o pequeno NOVA se depara com Ferrilha.

— Ferrilha… Estamos na gruta?

— Sim!

— Ótimo. Núbia?

Um rugido soa do lago, e logo, junto com o barulho de algo saindo às pressas da água, Mythro é atacado por Núbia.

— Que bom… — Ele a abraça.

Matcha e Isabol chegam minutos depois.

— Finalmente, venha, você tem que comer. — Isabol pega Mythro nos braços e volta na direção do lago.

Mythro percebe que a gruta está bem diferente de antes. Existem dois pequenos canais de água que foram recentemente criados, eles vão de encontro a área do algodoeiro.

— Vocês fizeram isso?

— Não, runas completas são levemente sencientes e mudam a topografia do lugar onde elas habitam baseado na necessidade do lugar para com ela. — Matcha explica.

Entrando na água, Mythro consegue entender do que se fala.

As enguias vão até a margem e o pegam, a água brilha onde ele passa. A sensação de pureza do local é diversas vezes maior do que quando ele tinha saído da gruta do paraíso… desta vez, o lago realmente poderia se chamar lago do paraíso.

É como se todos os anseios e emoções negativas fossem lavadas pela água.

Isso realmente tinha a ver com a runa no seu terceiro estágio, o estágio completo. Mas claro que agora que a água era habitada pela Mer, a ostra celestial divina, um ambiente de simbiose poderoso foi se ajeitando.

No fundo da água é possível ver o brilho de diversos cristais, que são como estrelas no céu. Na outra margem do lago, a runa de relâmpago flutua girando, e soltando raios de tempo em tempo, tanto na água, como no solo e algumas árvores e plantas.

Os Qi de relâmpago e água transbordam as sensações de qualquer pessoa que entrasse no raio de 30 metros dessas duas runas.

As vespas-abelhas pousam nos ombros de Mythro enquanto as enguias o carregam para o outro lado, ele consegue ler delas a felicidade por sua volta.

— Eu voltei… para casa…

Quando a distância de uma margem a outra é vencida, ele consegue sentir o cheiro de algo assando.

São peixes e coelhos.

Núbia passa nadando e vai direto ao fogo. As três meninas alcançam a margem junto com Mythro e Isabol o pega novamente nos braços.

Se sentando na terra, ela pega um peixe no graveto e oferece a Mythro. As vespas-abelhas trazem pequenos pedaços de mel e jogam no peixe.

— Não poderia existir um outro lugar melhor que este neste momento, obrigado a vocês três… — Mythro solta algumas lágrimas.

A única pessoa que poderia fazer isso por ele seria a própria Namhr. Mas agora ela estava presa pelas mãos sangrentas do norte.

— Somos suas amigas, não precisa disso. — Ferrilha se aproxima de Mythro e o oferece água em uma jarra.

O gosto da água é como o de poder entrar em um rio em um dia quente de verão.

— Eu sei que você está fraco, mas será que poderia responder algumas coisas para nós? — Ferrilha se senta ao lado e segura a jarra de água nas mãos.

— Claro, eu posso sim. — Mythro abre a boca e morde o peixe.

— Que lugar é esse? — Isabol lidera as perguntas.

— Minha casa, a gruta do paraíso.

— Esse lugar era um antigo santuário? — Matcha diz curiosa.

— Não, eu trouxe tudo que aqui tem e trarei ainda mais no futuro.

— Por que essa terra é tão rica que chega a causar mutações nas plantas? — Isabol pergunta, pegando uma pequena pérola de algodão na mão.

Essa pérola emite um doce aroma e possui o branco que colocaria as nuvens do céu em segundo lugar.

— Eu não sei bem o que é isso. — Mythro realmente não sabia, ele pega a pérola que é macia como a mais fina seda.

— Isso é algodão nuvem. Muito raro e caro, e você sabe por quê? — Isabol revela.

— Não.

— Eles só podem ser cultivados em tamanho tão grande em lugares onde monstros de terceiro reino no mínimo morreram, e deixaram seus corpos para que a terra absorvesse seus nutrientes. Estes lugares são considerados santuários santos por todos no octógono.

— Isabol, nunca vou poder dizer muito para você sobre esse lugar. Não porque eu não quero, mas porque você talvez não venha a acreditar. Este lugar é meu, esse rio é meu, essas runas são minhas. Vocês são bem vindas para vir aqui quando quiserem.

A garota abre a boca novamente, mas nada sai. Ela vê Matcha e Ferrilha balançando a cabeça para ela e então ela simplesmente desiste da ideia de ficar perguntando coisas.


Autor: Mateus Lopes   │   Revisor: BCzeulli



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