DA – Capítulo 68 – Encontrando mais do que esperava



— Querem descansar?

— Só se for fora daqui! O cheiro de sangue vai atrair coisas. Vamos pegar o que viemos pegar e vamos sair imediatamente. — Isabol é a mais séria do grupo, mas neste momento ela sai na frente completamente empolgada.

Mythro passa pelos coelhos mortos e os encara um pouco.

— O que foi Senhor Mythro?

— Qual será o gosto deles?

— Dizem que coelhos de chifres roxos só perdem para coelhos de chifres negros.

— Nossa, há o arco-íris inteiro deles.

— Se sobrar espaço podemos levá-los. — Ferrilha bate nas costas do pequeno NOVA e segue caminho.

— Mm. — Com uma última olhada, Mythro continua.

O córrego que nascia da caverna corria por um lençol subterrâneo logo abaixo dos pés do grupo. Mas enquanto eles prosseguem, é possível ouvir o barulho de água. Finalmente no fim da caverna, em uma área com mais espaço, é possível ver diversas pedras brilhantes.

— Yay! Pedras com Qi de relâmpago e água! E há outros minérios também. — Ferrilha pula de alegria e vai pegando os pedaços de ferro que encontra, e joga no saco azul.

No canto esquerdo ao fim da caverna tinha um pequeno lago. Às suas margens tinha uma quantidade grande de pedra de Qi de relâmpago e água.

Mythro se aproxima e aponta o dedo. Diversas serpentes aparecem e comem as pedras, quando preenchem completamente sua extensão, elas vão direto para o saco azul de Mythro, depositando seu conteúdo.

Em breves 30 minutos tudo na caverna é tomado. Os seis sacos azuis ficam completamente cheios. No seu saco azul pessoal, Mythro coloca toda as armas e outras coisas que os meninos do secto maligno traziam.

— Bem. Pegamos tudo. — Mythro avisa.

— Senhor Mythro. — Ferrilha chama sua atenção.

— Sim?

— Nós achamos algumas plantas que podem ser usadas para pílulas, se importaria se levássemos? — Ferrilha mostra junto com as outras duas o que coletaram.

— Podem sim. Um dia eu farei armas para vocês. Eu não teria ido muito longe se não tivesse a ajuda de vocês.

Ferrilha abre um sorriso inocente. As maçãs de seu rosto mostram o quão contente e confortável ela está.

— Uma pena que não achamos as runas. — Isabol diz, olhando toda caverna.

— Elas não estão no lago? — Mythro diz encarando o pequeno lago, que poderia ser mais considerado como uma poça.

— Talvez um runa de água, mas… Relâmpago? — Matcha fica ao lado do pequeno NOVA, olhando fixamente o lago.

Sem se prender muito em pensamentos ou palavras. Mythro pula no lago e começa a nadar. Olhando por fora o lago realmente não pareceria fundo, mas depois de adentrá-lo é que se sente quão profundo ele é. Usando sua runa da água Mythro tenta refinar a água ao redor em ar, mas sem uma runa de vento seria difícil conseguir muito do ambiente.

Depois de três minutos indo a fundo, o brilho e a sensação de runas já pode ser alcançado, tomando mais força nos braços, o pequeno começa se mover mais rápido.

A pressão da água começa a incomodá-lo. A densidade de energia cósmica na região vai se tornando maior. Pequenos cristais brilham nas paredes do lago.

Parando para inspecioná-los, Mythro vê que estes cristais estão carregados com Qi de água e relâmpago também, mas são essencialmente diferentes.

“As pedras banhadas em Qi de relâmpago e água são estas. As outras são resquícios com atividade mínima de ambos os Qi. Se aquelas nos sacos azuis forem colocadas junto com essas no lago da gruta do paraíso, eles se tornarão materiais fortes o suficiente para armas de segundo reino, e ainda mais, elas incitarão uma rica energia para toda a fauna e flora que estiver em seu domínio.”

— Bem, se for levar algo de algum lugar, leve até o pó no ar! — Mythro sorri embaixo da água e começa a movimentar sua energia cósmica para pegar todos os cristais que encontra.

Isso começa a tomar mais tempo dele. Mas como um cultivador no segundo estágio do ciclo cósmico pessoal, ficar 15 minutos embaixo da água não seria problema. Junto com seu corpo especial e cultivação, ficar na água por 40 minutos não seriam problemas.

Fazendo uma análise do lago, Mythro conseguiu definir que ele desceu em torno de 20 metros. Por não ter suas pernas ativas no momento, suas remadas com os braços acabam ficando mais fortes, mas continua sendo uma descida muito lenta.

Os cristais começaram a aparecer depois de 15 metros descidos, quando a densidade da água começou a fazer maior pressão sobre seu corpo.

“Com certeza tem seres morando neste lago.”

— Como assim? — Mythro lança um pensamento, enquanto recolhe um cristal.

“Essas pequenas pedras deviam estar sujas de alguma maneira. Impurezas se aglomeram em um ambiente fechado assim. E a densidade de energia aqui é proveniente de uma flora no fundo, que deve ser de no mínimo terceira terra.”

A sensação das runas estava muito próxima, assim como suas luzes. Era possível ver que existia uma metade azul escura,e uma azul claro coexistindo, não muito mais do que 1 metro uma da outra.

No presente momento, 25 minutos já se passaram desde que Mythro entrou no lago. Ele olha para cima e consegue ver as meninas encarando o lago, embora, provavelmente nada elas estariam vendo.

Ele se vira novamente e começa a ir mais fundo no lago. A pressão começa a deixar as braçadas mais fracas, e o frio vai fazendo a energia cósmica em suas artérias enérgicas mais lenta. Por um momento ele se lembra da sensação de estar no abismo. A sensação de mal poder mover sua energia porque suas artérias estavam completamente poluídas e entupidas pela energia fria.

Cada braçada, mesmo sendo bem fraca, deixa ele mais perto das runas… 30 metros… 31… 33… 35… até que finalmente ele as alcança aos 42 metros de profundidade.

30 Minutos já se passaram. Ele teria que subir o mais rápido que conseguisse. Olhando para cima é possível ver que há ondulações na água, as meninas estão batendo na superfície.

Mythro fica entre as runas. Ele estende as mãos e decide tocar nelas. Mas então, atrás dele, um frio que não vinha das águas o toma. Se virando, ele tenta localizar a razão da qual seu corpo o alerta, mas tudo que vê é o escuro das extremidades do lago e alguns cristais.

Pelo menos, assim estava até que uma sombra passa por cima das luzes dos cristais. Agora ele está certo que existe algo aqui.

Se envolvendo em relâmpagos e trazendo algumas serpentes para guardar suas pernas, ele se prepara para lutar.

O barulho de algo movendo na água explode. Mythro tenta buscar em seus cabelos as adagas, mas não as encontra.

“Que burrice! Elas devem ter soltado, eu estou em água!”

A sensação de falta de ar começa a alcançar os pulmões do pequeno NOVA. Uma sombra desliza para dentro da luz, até que é finalmente possível ver seus contornos.

Mythro encara o monstro na sua frente, e seu corpo tensiona. Acima do que seria um tipo de cobra aquática, uma poderosa imagem viva se manifesta.

Uma densa névoa, um rio, chuva e uma árvore com um sol com diversos relâmpagos se encontram na imagem espectral.

Um ser no pico do ciclo cósmico pessoal!

Atrás de Mythro, uma nova sensação de perigo. Ele se vira e encontra outra tão similar quanto esta na sua frente.

— O que são elas Gornn? Por que são tão estranhas?

“Sua sorte invadiu os céus e fez chover em terra deserta. Essas enguias são mensageiras da deusa da sorte.”

— O que você quer dizer com isso? — O medo de Mythro sobe em sua cabeça, a instabilidade emocional faz ele tentar respirar dentro da água.

“Não precisa ter medo. Elas são criaturas divinas provenientes da necessidade dos céus de guardar uma certa ostra.”

Do fundo do lago, uma nova presença se estende. Ela suprime a sensação que as enguias davam.

Começando a se erguer, ela sobe devagar. A sensação de pressão no corpo de Mythro explode como nunca antes, ele mal consegue se mover. Sua cultivação viva treme, e com medo, sua energia praticamente se sela em seu dantian. As víboras que ele criou se desmancham em meio à água.

“Você está prestes a conhecer sua quarta criatura divina…” Gornn faz uma pausa, até que finalmente o ser possa ser visto.

Mythro nunca tinha visto o que estava à sua frente. Mas seu sangue queimando em suas artérias deixaram uma coisa bem esclarecida.

Que, o que for que tivesse à sua frente, era divino.


Autor: Mateus Lopes   │   Revisor: BCzeulli



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