DA – Capítulo 66 – Encontrando mais defesas



— Senhor Mythro!!! — Ferrilha corre atrás do pequeno NOVA.

Isabol e Matcha seguem atrás dos dois.

A descida não é fácil, mas pelo caminho um ajuda o outro até que alcançam uma distância na qual pode se ter melhor visão da ravina, e uma caverna da qual se passa o córrego.

— A mina está ali? — Mythro pergunta.

— Estranho, se tivesse uma mina aqui o cheiro de ferro e metal já estaria transbordando nossos sentidos. — Isabol se aproxima e fala perto do ouvido do pequeno NOVA.

— Talvez seja uma outra mina? — Matcha tira um pergaminho de seu saco azul e o desenrola.

Vários desenhos de tipos de minas se encontram sobre a extensa folha.

Mina de jade amarelo ★

Mina de ferro de coelho ★

Mina de metal transluzente ★★

Mina de minério banhado em Qi de fogo ★★

Mina de minério banhado em Qi de água ★★

— São diferentes tipos de pedras preciosas que podem ser encontradas em minas?

— Isso mesmo Senhor Mythro. — Ferrilha responde de prontidão.

Núbia gane, chamando a atenção de todos.

Três coelhos emergem da caverna com pedras em suas bocas. As pedras oscilam entre um azul calmo e pequenos raios como coloração.

— Aquilo é… — Matcha se levanta, e quase faz barulho, mas serpentes negras se envolvem nela, a impedindo de pisar levianamente.

— Pedra banhada em Qi de relâmpago e água! — Isabol reconhece na hora!

— O que isso quer dizer? — Mythro não entende muito do seu redor, no momento, ele só pode depender dessas três.

— Deve ter duas runas florescentes ali! Elas ficaram por tanto tempo no mesmo ambiente que a energia liberada por eles começou a formar uma união estável entre Qi de água e relâmpago. Cada pedra dessa vale pelo menos 500 mil gradães, e dependendo do tamanho e puridade pode ir até 2 milhões!

— Eu vou colocar elas no lago do meu jardim. — Mythro pensa sobre como isso beneficiaria o lago da gruta do paraíso.

— Mas… temos que ter uma esfera guardiã de um artesão de quatro estrelas, ou então de segundo reino. — Matcha olha um outro pergaminho da qual ela tira essa informação.

Mythro coloca sua mão em seu saco azul e tira a esfera rotativa.

— É isso aqui?

Novamente, a surpresa das meninas fica estampada. Ferrilha invoca mãos cósmicas estreladas e pega a estrutura.

— Parece uma esfera guardiã, mas… O que é esse anel? E uma energia tão pura… Quem fez isso deve ser do segundo reino, e ser um artesão cinco estrelas. Será que foi a princesa da lua?

— Foi eu.

— Você é um artesão? — Ferrilha sente sua mente ficar obstruída. Ela compara a estrutura com qualquer outro canal ou estrutura que ela tenha feito até hoje.

Matcha e Isabol só conseguem ficar quietas diante da esfera guardiã. Ferrilha é uma das poucas artesãs que nasceram em dezenas de anos do clã Haokon, e devido ao seu alto talento sua família era bem próxima da família principal de Isabol. Matcha era uma das mais esforçadas em cultivação e em melhorar a maestria de suas artes, devido a isso foi reconhecida como um jovem talento. Devido a isso as três eram muito unidas, pois eram tidas no clã Haokon como o trio que levaria o clã a novas alturas em sua época.

Mas viajar com o pequeno NOVA as fez refletir sobre tudo que ele fez até aqui. Qual delas podia dizer que era melhor que ele em qualquer coisa? Nenhuma!

— Sim. Não podemos perder tempo! — Mythro já consegue prever o tumulto, o evita puxando o arco e flecha de um dos garotos mortos do secto maligno. Ele pega duas flechas e as mira por alguns segundos, até que duas serpentes deslizam de seu corpo até as setas e abrem suas bocas, prontas para o bote.

Soltando o cordão do arco, as flechas viajam e atacam dois coelhos. Os mesmos eram o que estavam com pedras na boca. Junto com sangue, as pedras caem no chão, e os outros coelhos azuis ganem para a direção das flechas.

— Ataquem sem piedade! Núbia, rasgue eles!

Núbia se envolve em um Qi dourado e uma imagem ilusória de uma pedra dourada com um risco negro, como uma pupila emanando fogo, aparece na sua testa. Sua imagem cósmica do segundo estágio primeiro nível aparece acima de sua cabeça e se estende até metade de seu dorso.

“A coroa dela será uma joia de olho de gato. Contendo as características de seu sangue.”

Puxando mais flechas, Mythro começa a disparar certeiras setas contra seus inimigos. Núbia desce veloz como um rio e pula nos pobres coelhos que só conseguem grunhir como porcos abatidos.

Isabol e Matcha ficam um pouco hesitantes, mas, vendo o número de coelhos saindo da caverna aumentar, elas descem rapidamente e auxiliam Núbia a matar todos os monstros.

Ferrilha era a mais fraca da turma, ela puxa um sino e o chacoalha de vez em quando. Isso faz os coelhos perderem seus ritmos e ficarem estressados com as badaladas. Mas um segundo no campo de batalha é o suficiente para que um idiota perca a vida, e assim se cumpre o ditado. Flechas, adagas, serpentes, flores e garras rasgam os inimigos em pedaços de carne sem vida.

30 coelhos azuis são assim, facilmente exterminados.

— As flechas acabaram. Vocês duas, peguem as setas. — Mythro desce arrastando a sua serpente e começa a coletar as flechas junto com Matcha e Isabol. Ferrilha segue em direção a caverna.

— Ferrilha, deixe-nos coletar os chifres azuis e as pedras.

Alguns minutos se passam até que tudo esteja devidamente coletado. A caverna que era para estar apenas iluminada pelo já poente sol, tem uma luz oscilante no fundo.

— Vamos.

Ferrilha segura a esfera guardiã em uma das mãos e a alimenta com pouca energia. Sua testa está com pequenas linhas de suor, ela está tentando purificar ao máximo a energia antes dela entrar na esfera.

Mythro abre a boca para falar algo, mas Gornn o impede.

“Deixe-a. Ela está tentando não ser um fardo.”

O pequeno NOVA passa por ela e toca em seu ombro. Ele então assente e continua andando dentro da caverna.

Matcha e Isabol olham para Ferrilha e abrem sorrisos. O nervosismo de Ferrilha desaparece. Ela estava se sentindo cada vez mais para trás do grupo, mas com este pequeno gesto, ela sabe que tem um lugar no meio dos quatro.

A caverna não é muito longa. Nas paredes é possível ver alguns minérios que são realmente ferro e metal que pode ser utilizado na manufatura de armas. As meninas e Mythro pegam tudo o que veem, sem deixar nada para trás.

Andando mais alguns metros à frente, o barulho familiar de corpos sendo jogados contra as paredes pode ser ouvido. Uma luta se instaura.

Isabol vai na frente do grupo e invoca sua flor. Como se pólen estivesse sendo espalhado aos montes, partículas de energia cósmica amarela permeiam o ar e viajam até o fundo. Elas retornam em menor quantidade minutos depois.

— Augúrio? — Mythro não reconhece o que foi feito.

— Não, eu mandei o pólen checar as turbulências de energia. O que tem a frente de nós é uma luta entre dois seres do pico do primeiro reino.

— Terceiro nível do quarto estágio? — Mythro

— Sim. — Isabol

O pequeno NOVA coloca a mão no queixo por um momento.

— Este pólen consegue carregar líquidos?

— Não.

— Você tá pensando em envenenar os dois com extrato de Charifá? — Ferrilha se pronuncia.

— Sim. Se eles não perceberem seria ainda melhor.

Matcha e Isabol ficam surpresas. Se isso pudesse ser feito derrotar as coisas à frente deles não seria impossível.

— Podemos usar agulhas se a reformarmos e colocarmos o líquido dentro. Depois selamos com uma camada pequena de energia no topo e quando elas penetrarem a carne do ser vivo, a energia que está sendo emanada por eles quebraria o selo e deixaria o líquido entrar.

— Isso! Quantas agulhas vocês tem?

Ferrilha puxa seu saco azul e dele pulam 20 agulhas.

Mythro pega todas elas rapidamente e invoca suas mãos cósmicas.

Mais uma vez, as meninas levam um susto.

— O que são essas mãos?

— Mãos lendárias… — Ferrilha murmura.

Mãos lendárias era um conto antigo passado pelos Haokon, e entre outros clãs com grande história. Eram mãos cósmicas que só apareceriam em tempo de grande prosperidade e que trariam as melhores armas para os guerreiros justos.

Fazendo como se fosse brincar com palitos, as agulhas começam emanar sensações de armamentos rúnicos, pequenos raios negros podem ser vistos na extensão do pequeno pedaço de ferro. Mythro tira de um dos sacos azuis pegos dos meninos dos secto malignos um pequeno pote e coloca calmamente o líquido que fez toda a situação presente se suceder.


Autor: Mateus Lopes   │   Revisor: BCzeulli



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