DA – Capítulo 64 – Mapa do tesouro



Mythro fica sozinho por mais alguns segundos. Ele olha no lago e vê que algumas almas sobem e tentam puxar ele.

Nos seus olhos, uma energia cinza espraia. O gosto da depravação pode ser sentido.

— Em pensar que me senti duvidoso de ter negado a vocês, liberdade de suas almas. Agora que olho em seus olhos, sei que não preciso mais hesitar. Os próximos não terão chances nem de nadarem para a superfície de novo.

Depois disso, a visão escurece de vez. E quando Mythro abre os olhos novamente, ele está deitado no colo de alguém, então Núbia lambe seu rosto.

— Chega disso.

— Ele acordou! — A menina grita puxando Mythro para cima, para que ela possa ver seu rosto.

— É um garoto! Pensei que fosse menina por causa do tamanho do cabelo.

— Tem certeza que não é menina?

As meninas estavam quase começando uma discussão de perguntas sobre se ele era, ou não um homem.

— Eu sou um garoto.

— Ah! — Elas fazem tom de desapontamento.

— É assim que tratam o salvador de vocês? — Mythro invoca a serpente de energia que engole suas pernas e o levanta.

— Por que você está fazendo isso?

— É o jeito que ele luta. Você acha que ainda tem inimigos por perto?

— Minhas pernas não estão funcionando, estou usando isso por enquanto.

— Esse tigre sem pelo é seu?

— Isso é uma gata.

As meninas começam a rir.

— Que menino bobo, um gato de 1 metro? Ela é quase maior que você e a Ferrilha!

— Ei! — Uma das meninas reclama, é a mais baixa das três.

— Acho que estamos sendo indelicadas. Qual é o seu nome?

— Mythro Zumb’la.

— Zumb’la? Que clã é esse?

— Não somos do oeste.

— Então, do leste?

— Somos um clã reservado de… — Mythro faz as contas na mão, e se vira rapidamente para Núbia, com um tom inquisitivo e profundo, pergunta: — A mãe tem Zumb’la? Tipo ela é esposa do pai então ela fica com nosso sobrenome, não é?

Núbia dá alguns passos para trás. Ela cai no chão e rola, e volta a ficar perto de Mythro. Tudo isso para simplesmente miar, um ‘’do que você está falando?’’.

“Ela não sabe da existência de Lucem, nem de Xaemi. E, até onde sei, sua mãe usa o sobrenome de senhora dos supernovas. Xaemi Rairashi NüzMimYermTot.”

— Somos um clã reservado de quatro pessoas!

— A gata te respondeu isso? — Ferrilha, pergunta, bem empolgada.

— Deixa de ser inocente, como é que um gato vai responder uma pessoa?

— Eu sou Isabol, esta pequena é Ferrilha e a gritalhona é Matcha. Obrigada por nos salvar daqueles garotos de secto maligno.

— Secto maligno?

— Sim. Estávamos viajando por fora da trilha para evitar encontrar coelhos com chifre. Dizem que uma nova mãe nasceu e eles estão superpopulosos. Até mesmo é possível pegar missões de expurgação na casa maior de vilas do meio-oeste.

— Me deparei com alguns dias atrás.

— Eles são fáceis de matar sozinhos, mas a quantidade deles está aumentando em um nível alarmante. Dizem que faz 120 anos que uma mãe não nasce. — Isabol explica.

— O que é uma mãe afinal?

— Uma mãe coelho de chifre que alcançou o terceiro reino. Elas são tipo as rainhas de uma colmeia e fazem bastante coelhos bebês. — Ferrilha diz prontamente.

— Entendi. E como vocês se encontraram com os garotos?

— Bem, em determinado trecho do caminho, uma rede com extrato de Charifá nos pegou, ela nos deixou presas entre as árvores. Devia ser uma armadilha deles. Depois de algumas horas, dois garotos vieram e nos acharam. — Isabol fala com um tom amargo.

— Primeiro pensamos que eles iam nos salvar, mas depois… — Ferrilha fala melancólica.

— Eles saíram e voltaram alguns minutos depois com mais três garotos. Eles ficaram falando de como iam… — Isabol exita.

— Estuprar a gente, aqueles malditos!  — Matcha fala com raiva.

— Foi quando a sua gata apareceu e mordeu as cordas até que rasgassem. Quando caímos, atacamos com nossos tesouros, mas o menino do terceiro estágio nos atacou com um feitiço sônico e perdemos toda a força. Mas sua gata pegou Ferrilha na boca e depois nos agarramos nela, ela nos puxou até aqui. — Isabol diz acariciando a cabeça de Núbia.

— Ela só parou aqui porque cansou, afinal, carregar nós três seria impossível.

Mythro percebe que as roupas rasgadas das três estão sujas com terra. Felizmente elas não foram violadas pelas mãos daqueles adolescentes.

— Depois disso ela trocou alguns golpes com os meninos, eles começaram a discutir os usos dela para eles. — Matcha continua.

— Ai eu cheguei e matei eles, entendi.

— Mas é raro acharmos pessoas de secto maligno por aqui.

— Como vocês sabem se eles são de um secto maligno?

— Sobre as conversas deles enquanto estávamos presas na rede. Eles disseram que por aqui tem uma tal mina… E que o lorde sacrífico precisava dessa mina para as armas dos recrutas.

— Lorde sacrífico?

— Também tem sectos malignos no leste, como você não sabe o que é um lorde?

Mythro fica quieto.

— Lorde sacrifício, e lorde magno. São respectivamente os cultivadores de terceiro e quarto reino de um secto maligno. — Isabol explica.

— Então, estamos em perigo agora?

— Não sabemos. É mais provável que não. Se um lorde estivesse por perto estaríamos mortos antes que você chegasse. Dizem que lordes sacrifícios usam sangue de crianças e virgens para cultivar. — Ferrilha treme ao dizer.

“Uma mina? Procure! Metal é um recurso importante.”

— Vocês sabem onde pode estar essa mina?

— Não…

“Os mortos não precisam de mapas.”

Mythro entende na hora o que Gornn quer dizer.

— Núbia! Traga os sacos azuis para mim.

A gata corre e, em minutos traz na boca todos os cinco sacos. Mythro os inspeciona e acha 6 armas de quarta terra.

— Você colocou o machado e o arco aqui, bem proativa!

Núbia gane.

Além das armas, ele encontra algumas pílulas e três flores. Ele as tira do saco e mostra para as meninas.

— Isso são!

— Tulipa carmesim, flor urso e planta Tinamon!

— Elas são preciosas?

— Para nós do primeiro reino, sim. A tulipa ajuda na circulação de sangue, a flor de urso pode ser usada em pílulas que ajudam a fortalecer o corpo e, a planta Tinamon garante pérolas de ferro refinado. — Isabol fala animada.

— Como é que é?

— A planta Tinamon é miraculosa. Ela come ferro aos poucos e transforma uma certa porcentagem do ferro ingerido em um novo ferro, mais maleável e forte. — Ferrilha explica, pegando a flor na mão.

— Então eu vou ficar com essa Tinamon, vocês podem pegar as outras duas, certo?

As três olham Mythro como se tivessem visto um fantasma.

— O que foi? É uma boa troca.

— Não, é que… Se não fosse por você estaríamos mortas, como ainda pode pensar em dividir algo conosco? — Matcha diz sem se segurar, mas ainda assim um pouco tímida.

— Não preciso dessas de efeito corporal. Preciso de coisas que estimulem um habitat em um lugar fechado.

Matcha então pega a Tulipa e a flor urso. Ferrilha passa a planta Tinamon para Mythro.

— Bem, você terá que cuidar bem dela. E seria ideal colocar peixes de metal em um lago, assim eles soltariam suas escamas de metal na água, e a planta Tinamon poderia se alimentar aos poucos desse metal, tornando-o mais refinado. — Isabol fala.

— E onde encontro isso?

— Se tiver uma mina de metal por aqui, provavelmente lá terá. — Matcha se levanta tremendo.

Ferrilha passa a mão na barriga.

— Vocês não comem a bastante tempo, não é? Tenho alguns coelhos aqui. — Mythro tira 7 coelhos de seu próprio saco azul.

— Vamos assá-los! — Como se tivesse sido renovada, Matcha pega os coelhos do chão e já arma um fogo com os materiais que estavam em um saco cinza que tinha pendurado no pescoço.

— Obrigado Mythro! — Ferrilha ajuda Matcha a montar a fogueira.

Dentro dos sacos azuis dos meninos tinham mais coisas. Alguns pergaminhos, muda de roupas e finalmente o mapa.

Puxando o mapa para fora, ele vê uma área circulada e mede sua posição em relação a ela.

— Estamos próximos. É em uma… ravina?

Isabol se aproxima e olha o mapa.

— Se for mesmo uma mina, devíamos chamar adultos para tomarem ela, e protegê-la.

— Nem pensar, vou pegar ela toda pra mim.

— Isso! Que egoísta…

— Isabol, os adultos vão lhe dar parte da mina, ou dividir lucros com você?

— Provavelmente não. Mas, se é uma mina de metal poder ser benefício do oeste tê-la e fazer ela suprir as necessidades do nosso povo.

— E ela vai. Depois que me pagarem bem por ela.

Mythro guarda o mapa e pega um coelho assado.


Autor: Mateus Lopes   │   Revisor: BCzeulli



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