DA – Capítulo 58 – Encontro Fortuito



Um garoto atravessa os portões de uma vila sendo carregado por uma… uma serpente de energia.

Todos olham para ele como se fosse louco. Manter uma serpente de energia é algo muito taxativo para a mente e tem alto custo de energia cósmica.

Claro, isso seria para todos, menos o divino menino Mythro.

Viajar de volta para a gruta do paraíso seria um pouco complicado, ainda mais com seu atual estado.

Mas informação é um recurso útil. Tinha dias no mês em que as caravanas se movimentavam em grupos. E foi um destes dias que o pequeno decidiu partir.

Ele encontrou um grupo que o deixaria ir junto na parte de trás da carruagem. O dono do transporte era um senhor chamado Marln. Ele trazia consigo sua esposa Ogta e sua filha, Agata.

Para chegar até o ponto de descer da carruagem e ir a serpente, Mythro viajou com eles por três dias.

A despedida foi simples, sem muitos rodeios. A serpente de energia do pequeno ficava cada vez mais detalhada, seu constante uso a deixava ainda mais proeminente.

Tudo estava bem até a noite. Quando Mythro encontrou um tipo de gato sem pelo, de olhos amarelos. O mais surpreendente era seu tamanho, ele provavelmente tinha 1,5m de largura e 90cm de tamanho.

— Mas que coisa é essa?

“Isso é um gato das areias douradas, pegue-o.” — Ammit responde.

— Como um gato das areias douradas está aqui? Isso não é em outro quadrante?

O pequeno NOVA pega o gato, e vê que ele está sujo e tremendo de frio. O seu peso é tamanho que faz seus braços tremerem de esforço.

“Pelo seu tamanho, ele deve ter menos de dois anos.”

— Isso aqui tem dois anos!?

“Do que você se surpreende? embora você tenha o tamanho de uma criança de sete a oito anos, você tem dois anos e meio consciente e foi gerado por quase um milênio.” — Gornn explica.

Mythro ficou quieto quanto ao que Gornn disse.

O gato, mesmo fraco, olha nos olhos de quem o segura e lambe seu rosto.

“Não subestime este animal. A linhagem dele é mística. Estes gatos serviam de guardas a deusa Bastet, eles eram os mensageiros de sua vontade.”

— Ela é um neteru?

“Não. Bastet era estranha, ela não visitava muito o salão das duas verdades, mas quando eu a via, sentia que ela estava muito insatisfeita com tudo ao seu redor. Acho que foi isso que levou ela a trair o egito e trazer sua queda.”

— A queda do egito?

“Não, sua própria queda. Não tenho todos os detalhes, porque estava presa. Mas ela foi jogada em um dos ventres.”

— Mutima não disse que tinha uma gata aqui? É dessa Bastet que ela falou?

“Provavelmente. Seja o que for, se esse é um animal com sangue místico vale a pena ter ao seu lado.”

— Bem, vamos indo garoto. — Mythro cria uma outra serpente, não tão grande quanto a sua, pois ele não teria força suficiente para mantê-las. A serpente nasce embaixo do gato e eles continuam a viagem.

“Garota.”

Ao longo do caminho, alguns coelhos aparecem. Mas como foram pequenos números, eles viraram apenas carne e couro para beneficiar Mythro.

Ao raiar do dia, a gata volta a andar com mais tranquilidade, mas seu rosto escancara algo para o pequeno NOVA.

— Você está cheia de fome, hein!?

Ela mia para ele. Mythro tira um coelho do saco cinza e balança para ela.

— Prefere isso aqui cru ou assado?

A gata mia e sai correndo. Minutos depois ela traz alguns galhos.

Mythro invoca algumas serpentes que juntam tudo e, com o dançar de alguns raios, fogo se inicia. Os coelhos com chifre eram grandes demais para serem colocados em galhos pequenos, por isso, cortando algumas árvores em crescimento, o pequeno NOVA faz estacas de 1 metro, ele prega os coelhos, e os inclina sobre o fogo.

De tempo em tempo uma serpente de energia gira o galho, assim a carne fica melhor assada, e sem queimados desnecessários.

Sal é adicionado na carne do animal morto, e algumas folhas picadas de Chanomita, que tiram qualquer tipo de mal cheiro e adicionam um gosto mais profundo no assado.

30 minutos de preparo fazem com que o cheiro faça a gata lamber os próprios beiços. Mas ainda não tinha acabado, Mythro tira a colmeia do saco cinza, ele a inclina até que mel comece a sair. Isso atrai certa raiva das vespas abelhas, mas a Aura Primal Mortal as coloca em seu lugar.

A colmeia tinha 40cm, as vespas tinham 7 cm cada, somente 5 vivam ali, contando com a rainha.

Mythro olha no buraco do centro da colmeia, ele vê a rainha deles sendo guardada por 2 vespas-abelhas. Ele coloca a mão, e nenhuma delas se mexe, a rainha bate as asas e pousa em cima de seu dedo. O pequeno NOVA recolhe o dedo e olha para a rainha, que tem um corpo alongado, e parece estar crescendo ainda.

— Vocês devem estar um pouco putos comigo, mas oferecerei o melhor lugar para vocês viverem, então fiquem comigo e sejam parte do meu jardim.

“Evite a boca suja.”

— Hmph!

A abelha voa brevemente e para no nariz de Mythro, então o menino a coloca de volta na colmeia.

Ele conta as vespas-abelhas e sente falta de uma, ele guarda a colmeia e olha para os lados.

A gata começa a ganir, e se virando para atender ela, o pequeno NOVA acha a outra abelha fazendo zumbidos fortes.

“Siga-a, esses zumbidos são muito taxativos para o corpo dessa vespa-abelha, ela deve ter encontrado uma boa flor.”

— Gata siga! Siga!

Entendendo o que ele diz, a gata pelada corre atrás do inseto, Mythro começa a modificar a serpente, em vez de ser carregado por uma víbora, ele faz uma cauda onde estariam suas pernas e usando a arte ‘’mão buscadora de corações’’, ele agarra no chão e desliza a cauda da serpente, alcançando nova velocidade, seguindo com afinco.

Cinco minutos correndo na mesma direção, eles finalmente acham o que a vespa-abelha queria mostrar.

Um canteiro de algodoeiro de diversas cores. Eles atingiam quase 10 metros, e possuíam diversas bolas de algodão.

“Esse tipo de algodão é diferente dos demais, eles não vão sujar se não forem contaminados com misturas nocivas para insetos, este lugar deve ter crescido em segredo. Que sorte, leve isso também, pode fazer parte de uma economia.”

— Que incrível abelhinha!

Mythro pega a abelhinha na mão, e invoca a colmeia. Quando as abelhas veem os algodoeiros elas zumbem em felicidade.

O sorriso no rosto do pequeno desvanece, no entanto.

“O que foi?”

— Estou feliz que possa entender esses animais e insetos. Devo agradecer à minha mãe e pai quando eu puder encarar seus rostos, sem ter vergonha de ser fraco. Tenho certeza que quando eu sair daqui, nada vai ser fácil, exatamente por eu ser assim como nasci, mas jamais os culparia.

Gornn ri na área Shen de Mythro.

“Meu pupilo cresceu!”

— Vocês todos, vamos!

As vespas-abelhas retornam para a colmeia, com a ajuda da gata Mythro recolhe todos os algodoeiros. Ele deve voltar logo para a gruta e replantar, antes que elas sofram demais.

Essa é uma vantagem exclusiva de solos com energia cósmica, uma flor não morria quando era colhida, ela guardava energia em si, quando fosse novamente colocada em solo, ela criaria novas raízes com a ajuda da energia cósmica. A natureza adaptativa era fenomenal.

Em torno de 20 algodoeiros foram colhidos, e todos foram colocados no saco azul. Se no momento de encontro desses algodoeiros ele só tivesse o saco cinza, ele ia perder a oportunidade de remover todos de uma vez, como pôde fazer agora.

A gata e o pequeno NOVA voltam para a fogueira, que apagou devido a um vento, eles comem os coelhos que, infelizmente tinham esfriado bastante, mas ainda estavam deliciosos.

Eles seguem viagem por mais dois dias, até que alcançam o túnel de entrada para a gruta do paraíso, onde o jardim de Mythro finalmente ia nascer, ele começaria a cultivar o caminho da forja.


Autor: Mateus Lopes   │   Revisor: BCzeulli



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