DA – Capítulo 53 – Emboscada



Mythro seguiu por dois dias até reencontrar a trilha. Ele estava se acostumando a andar somente na serpente de energia, mas Gornn o aconselhou ir a pé pelo caminho.

Naquele dia, uma carruagem passou pelo pequeno, mas nem ao menos parou para fazê-lo perguntas ou qualquer outra coisa, ela seguiu reta.

Mas da janela da carruagem, uma cabeça para fora da janela pode ser vista, era a de um menino.

— Que estranho.

‘’Crianças são curiosas.’’

— Gornn olha só isso!

O pequeno levanta a mão e a energia cósmica dele se aglomera. A cabeça de uma serpente toma forma, ele mexe a mão, é como se uma serpente negra estivesse abrindo sua boca para devorar qualquer coisa na sua frente, ele então recolhe o braço e com um impulso joga a serpente para frente!

A víbora negra segue um caminho retilíneo e depois volta para Mythro.

‘’interessante, você juntou a serpente de energia com a mão buscadora de corações, e fez um ataque de longa distância.’’

— Sim.

‘’Misturar artes pode trazer um resultado magnífico, continue usando sua imaginação e talento para alcançar novos níveis.’’

Enquanto o pequeno anda, ele continua usando as serpentes. Ele criou grande afeição pela arte.

Horas se passam até que a noite chegue. A trilha era usada por muitos, então não haviam árvores para bloquear a luz da lua.

Mas haviam a partir dessa profundidade no oeste, monstros.

Com uma fauna tão rica em energia cósmica, era apenas natural que os animais começassem a mudar para se adaptar, e pudessem adquirir novas habilidades para poderem competir em território.

Enquanto o pequeno NOVA anda pela trilha, o som de coelhos pode ser ouvido em uma das moitas.

Os ruídos únicos somente a eles, cria uma certa expectativa em Mythro, pois ele não come desde a tarde.

Mas o que se revela no meio da trilha para ele é um coelho de 80cm, com um chifre verde no meio da cabeça.

— O que é isso?

‘’Um coelho.’’

— Ele tem um chifre!

‘’Não o subestime. Sinta a aura dele.’’

Mythro estende seus sentidos e se foca no animal. Uma aura tão forte quanto à dele emerge.

— Ele deve estar no segundo ou terceiro nível do segundo estágio.

‘’Esta criatura tem uma consciência muito pequena, ela provavelmente não pode chamar sua imagem espectral, isso quer dizer que ela não usa artes, só ataques físicos. Mas coelhos podem ser criaturas sociais se seu ambiente os obrigar a serem carnívoros.’’

— Então… quer dizer que tem mais?

Serpentes começam a deslizar das roupas do pequeno, os raios negros tomam seus cabelos e fazem eles ondularem e espasmarem como alguém que acabou de ser atingido por um relâmpago.

— Vamos descobrir seu gosto!

Mythro se coloca em uma pose rígida, em que ele afasta suas pernas e coloca seus braços na altura do seu peito, a mão esquerda se fecha em um punho e o outra fica estendida em formato de garra.

Quatro coelhos aparecem pelas laterais. Um som sai da boca do coelho no meio da trilha, e este não é som de um coelho, e sim de um animal chamando ajuda!

O coelho na trilha é o mais próximo, ele manipula energia para aumentar suas proezas físicas, e então, começa a pular. Em quatro saltos ele já fica na frente de Mythro,  no ar, o monstro aponta o chifre e cai com o peso do seu corpo, mas a mão direita do pequeno NOVA invoca uma serpente, que depois segue o coelho no ar e o morde.

Com o coelho em sua boca, a serpente negra retorna a mão de Mythro, completamente energizada, e com o desenho de garras manifestados pela energia cósmica, rasga o peito da criatura e termina com ela ali mesmo.

Sem ter tempo de se distrair, os quatro coelhos pulam em cima dele, quatro serpentes saem de seu corpo e atacam os coelhos em conjunto.

A maior vantagem das serpentes é o toque elétrico que fazem os monstros perderem muito de suas moções.

Puxando suas adagas do cabelo, ele as atira em dois coelhos que estão no chão, que soltam barulhos de porcos ao morrer.

Virando-se para os outros dois coelhos, Mythro faz duas palmas destruidoras, ele pula no ar e bate na cabeça de um deles, a cabeça é esmagada por dentro, o som do crânio quebrando faz o outro monstro preso ficar assustado, e mais gritos começam a sair de sua boca.

Matar estes cinco coelhos não seria problema. Mas o que veio da chamada do último, foi o que não se esperava.

Um som de conjunto de pulos começa a fazer o chão vibrar levemente. Há algumas dezenas de metros, Mythro consegue ver uma pequena multidão de 30 coelhos chegando.

— Tá brincando. — Ele pega uma das adagas e corta a garganta do último coelho da primeira onda.

‘’Está na hora de aprender a lutar com múltiplos inimigos.’’

— Mas Gornn… Como vou comer tudo isso depois?

‘’Esses chifres verdes devem servir para alguma coisa, jogue eles no seu saco cinza, talvez consiga vendê-los. Quanto a comê-los… Impossível, se fossem apenas os cinco eles durariam uns 2 dias, mas mais de 40 vão estragar.’’

— Mais de 40?

Do outro lado da floresta, outra multidão de coelhos vem pulando na direção de Mythro, e uma coisa diferente está no meio… Um coelho de 1,40m com chifre azul, uma aura de terceiro estágio emana dele!

— Não… Tenho que fugir! — Mythro sente medo, o número de coelhos é insano.

‘’FIQUE E LUTE! Você é filho de dois imperadores que logo serão deuses, pupilo de um imperador, filho das duas faces do universo. Você não foge, você deixa seus inimigos aos seus pés! Se você deixar o campo de batalha estando no primeiro reino, quando você se tornar rei, e enfrentar o exército de milhões de inimigos, como poderá sua Aura Primal Mortal colocá-los de joelhos perante a sua vontade? Que domínio terá você sobre a vida e morte de seus aliados e dos civis que esperam seu retorno? A arma mais mortal de um ser, é sua vontade!’’

A voz profunda de Gornn é como o próprio desejo dos céus, a aura de Mythro se manifesta, negra e vermelha! Seus olhos ficam com partículas vermelhas que vão manchando aos poucos o dourado de seus olhos.

Ele invoca uma cobra para pegar sua outra adaga. Ele segura as duas e encara os coelhos à sua frente.

‘’Está na hora de colocar todas as suas artes em uso. Está na hora de se banhar em sangue. São coelhos, jamais chegarão aos pés dos seus futuros inimigos. Não tenha medo, tenha concentração. Vidas são frágeis e podem ser tomadas em instantes.’’

Sem se segurar mais, Mythro se enrola em raios negros, em especial, três raios começam a chover no chão, e vão se materializando em três serpentes que vão crescendo por segundo, até alcançarem 7 metros cada.

Mas estes coelhos não temem nada. Infelizmente, para o pequeno NOVA, estas três são o máximo que ele conseguirá fazer daqui em diante.

Ele ignora a terceira onda de coelhos que está atrás dele, e se joga na segunda.

As serpentes deslizam pela terra criando um pequeno rastro de queimado. Ele anda atrás das três. Seu primeiro plano é matar os coelhos que ficarem eletrizados com as serpentes.

As víboras criadas tem 80cm de largura. Então, embora elas sejam grandes, o espaço que elas ocupam é bem menor. Quando Mythro criava só uma para andar na sua cabeça, ele usava a mesma energia para deixar o corpo mais largo, assim se aproveitando do espaço.

Os coelhos que vêm a seguir se movimentam com mais classe. Eles pulam em árvores paralelas e apontam seus chifres em velocidades incríveis, porém, seus ataques estão mirados nas serpentes de energia, embora isso as faça cair, elas não estão vivas, e seu toque elétrico ainda assim faz efeito.

Cinco já estão no chão grunhindo. Duas adagas voam e acertam seus respectivos alvos. Uma sombra negra e vermelha se aproxima dos outros três, um soco faz a coluna de um dos coelhos pular 3 cm para fora de seu corpo, com outro movimento, duas palmas destruidoras acertam seus alvos e fazem sangue macular a boca de seus hóspedes.

As serpentes de energia começam a ficar agitadas como chicotes, suas presas se alongam e mordem dois a três coelhos de uma vez.

Coelhos de chifres azuis aparecem, eles mordem as serpentes e vão jogando elas para dentro da floresta, separando elas em distância de Mythro.

Isso só complica as coisas para ele. A conexão vai custando mais energia.


Autor: Mateus Lopes   │   Revisor: BCzeulli



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