DA – Capítulo 51 – Onde colocar a terra santificada



— Vocês ficaram cuidando de mim enquanto eu ascendia?

Os três pequenos lobos ganem. Eles pulam ao redor de Mythro e o atacam, mas como uma brincadeira de ninhada.

‘’Seu tempo aqui acabou, está na hora de ir mais a fundo, e se tornar mais.’’

— Eu gostaria de vê-los de novo.

‘’O caminho de ida e volta, se cruzam diversas vezes. Só o homem que os trilha não pode permanecer o mesmo.’’

Mythro se levanta, ele ajeita as adagas em seu cabelo e começa a andar mais à fundo. Os lobos pulam e uivam mais uma vez, antes deles mesmo partirem em uma outra direção.

Mais uma vez, uma enorme sensação de paz e tranquilidade toma o corpo inteiro do pequeno NOVA. Folhas caem ao seu redor, e de vez em quando, ele levanta a mão e pega uma delas, apenas para soltá-la segundos depois.

O pesar que estava no peito dele devido aos novos conhecimentos agora se foram completamente. Com seu rio criado a partir dessas emoções, ele sente uma fluente passagem de calmaria. Enquanto isso, ele fica pensando no que é o Dao da dominação, na qual Nomruharr falou.

Ammit permanece colada a Kether, e ela vê tudo ao redor de Mythro através de seu dantian Jing.

Gornn encara a pedra negra, ela não emite uma sensação odiosa, ou tenebrosa. Embora ela seja escuridão, ela é como o sono na qual todos devem deslizar em final cansaço.

— Acho que o Dao da dominação fala de diversas coisas. Dominar quer dizer exercer controle, certo?

‘’Sim, mas não somente isso. A palavra e seu significado, são apenas o meio de interpretação de um sentimento, situação ou circunstância. Quando colocamos Dao em algo, é para fazê-lo superar o entendimento comum.’’

— Hmm

‘’Você está bem pensativo quanto à isso.’’

— Bem, Numroharr pediu para o reviver, então tenho que entender mais desse Dao da dominação.

‘’Você pretende buscar meios de revivê-lo?’’

— Ele falou que o universo dependia dele estar vivo.

‘’E você acreditou?’’

— Por que não? Ainda mais, para reviver ele vou ter que ser tão forte quanto ele. Então se ele tentar alguma gracinha, eu devoro ele.

‘’Devorar um progenitor?’’ — Ammit murmura.

— Se ele tentar me enganar, para fazer mal à alguém, então ele poderá ser considerado um criminoso, não? Criminosos serão rasgados e devorados!

Gornn e Ammit riem de leve em seus respectivos lugares.

Eventualmente, Mythro simplesmente invoca uma serpente de energia de 8 metros e se senta na cabeça dela. Ele olha tudo por cima, vendo que a floresta se seguia densa por vários e vários quilômetros. Montanhas subiam em mais de 400 metros do chão a todo lugar, algumas chegavam até a 4 quilômetros e tomavam quase tudo que podia se ver em uma grande distância.

Muitos dias se passam, a viagem é muito prazerosa para ele, quando ele era mais jovem não podia sair devido aos grandes perigos. Mas agora ele tinha liberdade para visitar lugares que nunca esteve antes.

Enquanto ele passa por uma pradaria, o pequeno NOVA avista montanhas com cavernas. Ele decide seguir para uma delas. Horas se passam, é no pôr do sol que ele consegue alcançar uma delas.

— Qual eu deveria escolher?

‘’Este lugar é distante, e não parece ser muito visitado. A última trilha que você avistou era a mais de 4 dias. Já é tempo de começar a usar a terra santificada. Para isso, usaremos o augúrio para determinar a melhor caverna para que você possa deixar este lugar para outras finalidades, sem se preocupar com o que aqui for deixado.’’

— Mm.

‘’Primeiro de tudo, pegue a caveira de coelho do seu saco cinza e coloque o osso da perna do animal nas cavidades oculares dele mesmo. Depois repita comigo. ‘’Que a alma do coelho vista-se em karma, e que me leve até a minha casa’’, entendido?’’

Mythro então segue tudo o que foi instruído por Gornn. Energia cósmica é drenada dele pela caveira de coelho, que então começa a tomar forma de um coelho feito completamente de energia cósmica negra. Os ossos que Mythro tinha colocado nas cavidades oculares descem até onde seriam as patas do animal.

Só que o que vem depois impressiona o pequeno NOVA. Os ossos saem do corpo feito de energia e saem pulando por si mesmos, e enquanto isso, a caveira fica pronunciando sílabas estranhas que vão se formando no chão, como runas.

— Gornn isso é estranho!

‘’Está indo bem. Não tema.’’

Em torno de 30 minutos se passam, até que o coelho pare de conjurar sílabas. No chão um círculo com diversas runas foi feito, ele brilha com um fraco clarão. Os ossos já tinham a muito tempo se despedido e pularam para o raio que o parta.

— E agora?

Não passa nem um segundo da pergunta. Algo desce rapidamente de uma das montanhas. É um dos ossos! Ele cai bem no meio das runas, que depois se materializam e começam a girar, e então, uma linha negra se faz entre o osso no meio do círculo e provavelmente, o outro que esperava no alto da montanha.

— Que magia hein.

‘’É o que consegui encontrar com melhor precisão que você pudesse conjurar. Não demore, sua energia não vai segurar a linha para sempre. Este coelho ficará aqui como guardião do círculo runar.’’

Mythro então invoca a serpente e a faz subir a montanha, tendo em vista sempre a linha negra. A luz das runas faz com que alguns animais apareçam, mas logo que veem um crânio de coelho todo preto, eles recuam de medo.

Esta arte é delicada, caso ela seja tocada por algo que não seja o coelho, ou Mythro, ela quebrará.

Em 10 minutos 400 metros são vencidos, o ar começa a ficar rarefeito, mas isso não atrapalha muito o corpo de um cultivador. Ao longe, finalmente o outro osso consegue ser visto.

— Por que essa magia selecionou este lugar?

‘’Eu optei pelo augúrio de segurança e segredo. Então este lugar lhe trará segurança e será muito bem guardado.’’

— Eu sinto outra coisa também. A sensação de abraço que senti quando vi a minha natureza do primeiro reino.

Isso surpreende Gornn. Que fica ansioso para ver o que tem do outro lado da montanha escalada.

Chegando lá, a porta da caverna já pode ser vista. Mythro puxa alguns galhos e faz fogo, estalando os dedos com raios. Ele entra na escuridão e coloca alguns galhos nas paredes, que ficam como tochas do caminho que ele percorreu. Ele anda por 7 minutos até que chega ao fim do túnel. Na sua frente, uma área bem espaçosa pode ser vista, no teto, a montanha deixa a visão das estrelas, e no chão, água tão azul quanto a própria energia cósmica pode ser vista. Ela está quieta, até que uma gota de uma estalactite cai, e faz o som ondular pelas águas, e ouvidos de quem estivesse ali.

— Que lugar lindo.

‘’Coloque a terra.’’

Mythro segue para uma área seca e vira o saco cinza. Dois coelhos mortos caem, junto com alguns galhos e folhas. E logo depois, a terra santificada.

Mythro tira o couro dos animais e separa em uma pedra. Os galhos são juntados para que uma fogueira seja iniciada. Depois que ele prepara essas coisas, ele move sua energia cósmica para espargir a terra, para que ela tocasse o máximo do chão dali.

Vendo que tudo está bom, ele assa e come os coelhos. A beleza da noite avança, tornando tudo ainda mais majestoso. A água azul reflete as inúmeras estrelas na abóboda celeste, e da terra santificada gotículas de energia se levantam como vagalumes, e sobem alguns metros até desaparecerem.

Quando o sono alcança as pálpebras do pequeno NOVA, ele pega os couros dos coelhos na pedra, e os lava na água azulada. Ele ergue dois galhos e os coloca perto da fogueira, segurando os couros pra secarem mais rapidamente. 30 minutos depois os couros secam e viram cobertores para Mythro, que dorme olhando para o céu.


Autor: Mateus Lopes   │   Revisor: BCzeulli



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