DA — Capítulo 50 — Família de lobos



‘’Aonde você está indo?’’ — Gornn pergunta com calma e quase que retoricamente

O pequeno não responde, ele continua correndo e usando os saltos reação.

Minutos depois ele sai da aldeia, os guardas chamam sua atenção, mas não correm atrás dele.

Horas depois, Mythro cansa. Sua energia cósmica já o tinha deixado faz tempo, mas ele continuou correndo. Seu corpo está completamente suado, a camisa de algodão parece ter sido vítima de chuva, ao invés de correria.

Ele cai de joelhos, e então inclina seu corpo, segurando a barriga. Seu corpo dói, seu abdômen queima.

‘’Você se afastou bastante, quer voltar?’’

— Eu… não sou… daquela vila…

Ele se levanta novamente, e mesmo cansado, continua andando. Ele está avançando para oeste, e a noite logo cai.

Sentado ao lado de um fogo, Mythro assa um coelho.

‘’Lobos logo virão.’’

— Deixe virem. Preciso ensanguentar as artes.

‘’Por que você ficou assim?’’

— Estavam exigindo coisas da Baki, por minha culpa. E eu não consigo protegê-la porque sou fraco.

‘’Você é fraco. Mas todos nascem assim. É uma necessidade para a força.’’

— Ser fraco é necessário para ser forte?

‘’Você entrou em contato com seres muito grandes, muito cedo. Você sabe o que é força bruta, mas não conhece a força da fraqueza.’’

Barulhos de movimento em uma das moitas se faz, Mythro come o coelho, e finge não ter ouvido. Ele puxa o coelho até a altura de seus olhos. Um pequeno grasnado soa, e passos rápidos se fazem na terra gramada.

O pequeno NOVA pula e puxa uma adaga. Agora com sua energia cósmica restaurada ele está em seu ápice novamente. Ele olha para baixo, a figura de um lobo branco, não muito maior que ele.

A adaga sai de sua mão com raios negros. O lobo branco é lento em desviar, e tem a área de sua costela arranhada.

Chegando ao chão, um salto reação faz poeira se levantar, uma palma destruidora de 3 camadas bate na coluna do pequeno lobo.

‘’Deixe-o assim.’’

— Para quê?

‘’Vamos entender o que significa força agora.’’

Outros uivos soam. Mais dois lobos pequenos saem de moitas, e depois outro de 2 metros.

‘’Esses lobos tem pelo menos 7 meses de vida, eles estão aprendendo a caçar. Antes disso, eles brigam entre si para aprender a lutar.’’

Mythro chega perto do lobo que ele derrubou e aponta a adaga para seu pescoço. Serpentes negras saem de sua pele e se enrolam no pequeno lobo, a energia elétrica faz ele se contorcer e chorar, deixando o lobo maior nervoso, mas ele não ataca.

‘’Este lobo maior é mais forte que você, mas tem algo que ele não quer perder. Então, na frente de um inimigo, ele se mantém em posição de ataque, mas fica parado, apenas olhando. Ele está te lendo e vendo se tem algum modo de te matar, e pegar o pequeno lobo de volta.’’

Se qualquer outro homem olhasse nos olhos do lobo neste momento, ele viria apenas um animal enraivecido porque tomaram algum bicho de sua ninhada. Mas Mythro via o medo por trás dessa raiva.

Uma serpente de energia começa a se construir, ela sobe pela sombra que foi criada pelo fogo, e é tão silenciosa que os outros lobos não conseguem nem ao menos senti-la.

‘’As coisas que levaram esse lobinho à atacá-lo, foi o exagero de confiança. Ele deve ser o mais forte da ninhada, nesta noite, sua mãe e pai decidiram levá-los a uma caçada, assim eles poderiam aprender a caçar sozinhos. O cheiro de coelho viajou pela floresta, e atraiu a todos, mas o mais próximo era ele, que achou que poderia pegar o viajante sozinho. Mas agora, quem segura a adaga contra seu pescoço, é o ser que ele achava que seria sua comida.’’

‘’Me diga, garoto. Qual dos dois é você?’’

Um novo som vem por trás de Mythro, um lobo de 2 metros pula em sua direção, mas como ele não era um novato em situações como essa, a serpente que ele estava dando maior parte de sua energia, se levanta. Com seus cinco metros, ela morde o lobo pelo pescoço, e então se enrola nele.

Raios começam a devorar todos os sentidos daquele lobo. Logo ele fica somente espasmando no chão.

— Eu sou o pequeno lobo. Colocando tudo à perder por minha arrogância. Fazendo aqueles que me protegem se colocarem em perigo por minha causa. Minha força só se estende, ao que eu consigo dominar, tudo aquilo que foge da extensão dessas mãos… é tomado de mim.

Mythro então solta o pequeno lobo, e desfaz a víbora que atacava o lobo atrás de si. O pequeno lobo está fraco, e ainda não consegue se levantar.

O lobo à sua frente o encara, ele começa a dar passos para frente.

Mas então, surpreendendo este lobo, uma serpente com uma adaga na boca rola em seu pescoço e aponta com sua boca a lâmina.

‘’Não era bem o que eu ia dizer. Mas contanto que você entenda.’’

O outro lobo se levanta e corre pelas laterais até os dois lobos mais jovens, ele olha o lobo que está preso com uma serpente.

‘’Você prendeu a mãe, aquele que lhe atacou por trás é o pai.’’

— Saiam daqui. Suas vidas não me interessam. Mas se me atacarem de novo, lhes matarei sem dó ou piedade. — Mythro então libera a serpente, que antes de sumir, joga a adaga para ele, que a pega no ar.

Gotas caem do céu devagar. É o anúncio de chuva.

A loba mãe dá passos em direção à Mythro. Seu rosto está calmo, porém ela ainda está cautelosa, os pequenos lobos atrás dela pulam e ganem com medo em seus tons.

Ela chega frente-a-frente ao pequeno NOVA, ela olha em seus olhos. Seus olhos amarelos à noite, pareciam tão dourados quanto os de Mythro. Ela pega sua cria e depois anda para trás, um passo por vez. Ela então solta o pequeno no chão, ele volta a andar, mancando até seu pai. Os cinco então começam a encarar a criança além da fogueira, que continua comendo o coelho.

— Estão se perguntando o quê? Como posso falar com vocês, ou por que os deixei vivos?

A loba gane. Mythro ri.

— Eu posso falar com vocês porque consigo ler vocês com meus olhos de augúrio, e os deixei vivos… porque meu mestre diz que depois de matar um animal, tenho que comer tudo. E sinceramente, não vou conseguir comer nem seus três filhotes, imagina vocês dois.

A loba estende sua pata direita, e deita sua cabeça, até que seu focinho toque no chão.

É um sinal de respeito.

‘’O que você fez agora é uma das faces da verdadeira força. Você fez um ser se ajoelhar em gratidão e respeito, não em derrota e humilhação. É preciso hav—‘’

— Domínio. Eu trarei gratidão e respeito daqueles que tiverem de minha misericórdia. Mas aqueles que merecerem apenas minha raiva… a derrota e a humilhação os aguarda. Eu entendo o que você disse Gornn, não preciso sair por ai achando que conseguirei peitar todo mundo que eu ver. Mas mesmo sendo mais fraco que a pessoa à frente, se ela ameaçar algo meu. Mesmo se for contra o abismo, nele me lançarei e exercerei a minha dominação, e onde é meu domínio, só eu decido o que é permitido.

A Aura Primal Mortal rodeia Mythro, a cor vermelha fica mais forte, e devido à essa realização sobre domínio, ele consegue entrar em estado meditativo rapidamente.

A imagem viva dele aparece, é possível ver que a densa névoa começa a convergir como um tapete… ou então, como um rio. Ele estava indo para o próximo estágio.

Mais e mais névoa começa a condensar, a imagem viva fica ainda mais bela. Agora que o sol de Mythro mudou de cor, a energia cósmica mudaria junto. A névoa de Mythro já era de cor negra, agora o rio que começa a se formar também é negro, cheio de raios, como se tivesse sido alvo de um relâmpago.

Ele fica nesse estado por horas, até que o dia amanhece. Ele abre os olhos, e os dois lobos estão do seu lado, e os outros três estão na sua frente.


Autor: Mateus Lopes   │   Revisor: BCzeulli



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