DA – Capítulo 42 – A família de Bijin



— É maior que a cidade do abismo inteira.

Mythro olha nas paredes, desenhos que ele nunca viu antes estão estampados.

“Aquilo são os glifos que te falei. Dentro dessa vila você poderá cultivar mais rápido.”

— Bijin, onde você está me levando?

— Suas mãos cósmicas, elas são mais raras que as mãos orbitadas. Atualmente, existem três pessoas com mãos orbitadas no oeste, sendo que uma delas é a própria princesa da lua! Eu mesma só tenha as mãos estreladas, e já fui aceita no maior clã do oeste, mesmo não sabendo fazer uma arma! Se com meu potencial eu já pude ter a proteção do clã da lua, imagina alguém como você.

— Bijin, não fale sobre as minhas mãos cósmicas.

— Por quê? Você poderia até mesmo ser um discípulo direto do clã da lua. Eu tenho duas mãos cósmicas estreladas, e nunca fiz uma arma em toda minha vida. Ainda assim recebi visitas do clã da lua, e o pingente que me da status diferente aos demais.

— Bijin, eu queria que você me ensinasse a forjar.

— Mythro, eu sou uma aprendiz, como vou ensinar alguém sendo que eu mesma sou aprendiz?

— Então vamos aprender juntos.

— Por quê? Do que você tem medo?

— Eu não quero que restrinjam minha liberdade. Quero ir onde eu quiser ir.

— Bem, é verdade que eles iam fazer você ficar fazendo armas… Mas você viveria muito bem, sem lhe faltar nada.

— Me faltaria liberdade.

Bijin olha para o garoto em seus braços.

— Ai meu deus. Quem lhe meteu na cabeça essa de liberdade?

Óbviamente foi Gornn.

— Muito bem. Eu não vou contar sobre as suas mãos. Mas ainda assim direi que você é alguém com mãos cósmicas estreladas, como as minhas. Assim teremos mais créditos para poder estudar o caminho da forja.

— Vamos lá então!

Bijin coloca Mythro no chão e então, ela o dá a mão. Eles seguem andando o resto do percurso. Alguns guardas vem correndo na direção dela.

— Srta Bijin, vimos você correndo a toda velocidade, alguma coisa aconteceu?

— Mm… Encontrei esse garoto. Ele se diz ser do abismo…

— Ah!

O guarda não parece confuso, nem muito perplexo.

— Você sabe de algo?

— Na verdade…

O guarda então explica que todos foram avisados na casa maior que haviam pessoas no abismo que fugiram após travar uma batalha com algum ancião do terceiro reino. Muitos foram mortos, mas alguns conseguiram fugir. Se estes cidadãos do abismo jurassem fidelidade ao ponto cardeal em que eles parassem, eles poderiam viver entre os seus.

Bijin olha Mythro com novos olhos. Uma criança tão jovem com mãos cósmicas sem iguais, e que fugiu de um combate contra um ancião do terceiro reino. É como se os céus estivessem velando por ele.

— Onde podemos jurar? — Mythro pergunta.

— Ele é só uma criança. Ele não pode jurar até que complete 12 anos segundo as leis do oeste. — O guarda não responde à Mythro, e sim a Bijin.

— Até lá ele precisará de alguém para o observar, certo?

— Sim, podemos dar ele para alguma família que esteja disposta e…

— Eu ficarei com ele!

— Senhorita!? — O guarda fica muito surpreso.

— Eu já me decidi. Eu o levarei para casa. Pedirei que Minha mãe e pai o adotem, e todos os documentos serão mandados para a casa maior em alguns dias.

Bijin então desvia-se do guarda que ainda está atônito. E passa pelos portões da vila.

— Vamos para sua casa agora?

— Sim.

Mythro encara as altas casas, os comerciantes nas ruas, as pessoas com poderosas auras.

— Quantas pessoas fortes…

Bijin olha para Mythro, e então vê as pessoas que seus olhos se direcionam.

— No abismo as pessoas não conseguem nem passar do segundo estágio do primeiro reino, certo? Aqui é mais raro uma pessoa chegar ao terceiro reino, pessoas no segundo reino se numeram aos montes.

— Que incrível.

Coisas que Mythro conseguiu perceber que havia padrão na vila chamto, eram os telhados, que geralmente eram brancos. Ao perguntar para Bijin, ela o respondeu que eram brancos devido ao clã da lua. Isso queria dizer que as pessoas dormiam sob a sua proteção.

Eles andam por volta de 20 minutos.

— Chegamos.

Mythro olha para o lugar à sua frente. É uma casa em cima de um comércio de armas. No comércio, há uma bancada fechada em ”[” há um homem batendo num pedaço de metal, e o mergulhando em sangue, depois em água temperada.

— Pai!

O homem olha para Bijin. Ele larga o que estava fazendo e corre para abraçá-la. Ele a levanta, e os dois riem, felizes.

— Minha querida filha.

— Pai, pai! — Bijin diz entusiasmada. Ela pega na mão de seu pai e o leva até Mythro.

— Quem seria este pequeno? Por que ele está sem roupas?

— Ele é o Mythro, ele está sem roupas porque… Por que você tá sem roupas mesmo?

— Elas estavam encharcadas de sangue, e muito rasgadas pelos lobos da floresta. Então as deixei de lado.

O rosto do homem e de Bijin cai.

— Se bem que, tenho que dizer que prefiro ficar pelado. Com exceção do passador das calças onde eu colocava as adagas, mais nada me faz falta.

— Bijin! — O pai de Bijin fala alto, ela espasma de susto.

— P-p-pai?

— Eu espero que esse garoto tenha batido a cabeça bem forte e esteja alucinando. Se não a coisa vai ficar preta pro seu lado.

— Calma eu já explico!

Bijin então explica todos os eventos que aconteceram até ali.

— Entendo… Mas foi muito imprudente de sua parte já o colocar sob nossa casa. Eu e sua mãe teremos que conversar.

— Pai, ele é um artesão também. Quer dizer, ele também tem mãos cósmicas, pensa no quanto podemos ganhar se ele ficar conosco. E além do mais, você vai deixar uma criança no chão, suja e ignorar?

Esta frase toca Mythro. Ele se lembra de Namhr, quando ela o encontrou sob mesmas condições, e ainda assim lutou em ficar com ele.

O pai dela suspira. Ele então se aproxima de Myhro e o levanta.

— Então cuidaremos dele. Você será como meu filho mais novo. Eu sou Brosch, esta será sua irmã, Bijin. Mais tarde você conhecerá sua mãe, Baki. E em alguns anos, Craz, meu filho mais velho.

— Eu já tenho mãe e pai.

— Eles estão mortos, não? Nesse saco. — Bijin aponta para o saco cinza que Mythro não larga

— Não, eu menti para você me ajudar.

— Ai, seu! — Bijin fica vermelha.

Brosch ri histericamente.

Passando pela bancada, tinha a área em que Brosch forjava e vendia armas. E do lado de uma fornalha, tinha duas portas. A porta esquerda era um depósito, e a porta direita era uma escada que levava direto para a casa deles. Na porta direita tinha uma placa escrita ”Casa dos Urto”

Naquele dia, Brosch fechou mais cedo e foi buscar Maki.

Bijin foi pegar água em uma das fossas construídas em diversos pontos da vila, para que todos tivessem acesso a água. Quando ela volta, ela banha Mythro e coloca roupas nele.

Uma camisa de algodão, tanga e calça de couro. Ela também prende o cabelo dele e faz um longo rabo de cavalo.

— Agora sim você está apresentável.

— Eu sempre estou apresentável.

— Que tal baixar a bola.

Mythro então mexe na calça.

— Não essas!

Ele começa a rir e rolar no chão.

— Meu deus, agora entendo do que o Craz reclamava quando eu era mais nova.

— Está de noite, tenho que caçar.

— Caçar? Mythro, era sério sobre você ter matado lobos?

— Sim, eu fiquei um tempão na floresta. Fui atacado por cobras, lobos, patos—

— Patos?

— Sim, tinha uma altura enorme, penas grandonas e pescoço de girafa. Eu fui pegar um ovo grandão e ele veio atrás de mim. Felizmente eu cortei a cabeça dele jogando uma adaga.

— Isso… Isso não era um avestruz?

— Ele veio correndo no rio atrás de mim. Uma ave que nada é um pato, não é?

— Mas de onde veio isso!?

Bijin está prestes a dar um sermão em Mythro quando um barulho de porta pôde ser ouvido.

Então passos sobem a escada.

— Ai, homem. O que foi que você está com tanta pressa?

A voz de uma mulher viaja. Mythro fica encarando o pé da escada que dá acesso a sala de estar da casa de Bijin.

Finalmente, a cabeça de uma mulher e um homem aparece.

— Esta é sua mãe? Parecida mesmo com você.

A mulher que sobe a escada olha para o menino à sua frente. Seu rosto empalidece um pouco, susto e ansiedade se geram nela.


Autor: Mateus Lopes   │   Revisor: BCzeulli



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