DA – Capítulo 37 – A raiva de Ammit



— Onde estou!?

Mythro olha seus arredores, mas a mata, as flores e as árvores lhe são estranhas. Ele começa a correr em qualquer direção, procurando familiaridade.

“Acalme-se, irmão”

— Quem!? — Mythro se vira, sua confusão o remete medo, a voz que ele ouviu não é comum a seus ouvidos.

“Mythro, acalme-se, é Ammit que fala contigo.”

— Ammit? Por que você me chamou de irmão?

“Eu sou NOVA, como você.”

— Não eras um demônio cadela?

“Eu proíbo você de me chamar assim, pequeno, meu nome é Ammit, não cadela. Fui considerada um demônio por causa de minha natureza, que agora é sua, então não demorará até que você seja chamado de demônio também.”

— Desculpe, mana. — Mythro se joga de joelhos no chão, ele respira forte e olha para o sol, morno e cheio de energia.

“Mana?” — Ammit desconhece isso.

“Os mortais chamam assim suas irmãs, é um apelido carinhoso.”

“O único apelido que me deram, é o que eu quero me livrar. Cadela dos deuses… Está na hora de falar sobre o que eu quero, mano.”

Os olhos de Mythro brilham com luzes douradas e azuis, então ele diz:

— Você quer ser reconhecida, que nem eu, e provar seu valor. Quer que o nome de Ammit seja adorado e aclamado. Quer o que lhe foi negado pelo panteão das areias.

“Mentiras!” — Ammit se levanta e grita, sua voz é poderosa e faz o dantian de Mythro tremer. — “Eu quero a morte de todos os Neteru!”

— Mm. — Da boca de Mythro, linhas de sangue aparecem.

“Ammit, acalme-se, o machucamos ainda que nesta forma!”

“Me provar? Eu nasci uma grande deusa, poderia ter sido a eterna rainha de um quadrante, ter feito de meus sonhos raças místicas, mas não, fui presa no salão das duas verdades, para devorar o coração dos transgressores da lei deles. As areias de ouro me devem e você irá cobrá-los em sangue!

Mythro então fica quieto.

“Ammit, isso é loucura, ele jamais poderá se posicionar contra toda as areias douradas.”

“Você não se posicionou contra os Kananmis? Sua raça permanece viva e próspera porque um leão foi corajoso, e não mediu consequências.”

“Ele é uma criança!”

“E um dia será um homem!”

Gornn e Ammit gritam um com o outro, a devoradora busca sua vingança e Gornn, a proteção de Mythro.

— Calados.

“Você não calará a grande m-“

— Eu disse para ficar calada! — Mythro se levanta e com um forte grito, sua aura sobe ao máximo, raios azuis desprendem-se de seu corpo e fazem Ammit ficar sem voz. — Tudo será conforme a minha vontade ou você pode sair do meu dantian e morrer presa na fenda do abismo, presa às correntes negras!

Ammit estava tentando falar mesmo sem voz, mas a frase de Mythro a deixa surpresa e ela se encolhe.

— Eu não sei o que você passou, e não entendo o que são milhões de anos. Mas eu não vou sair matando tudo para satisfazer sua vingança, encontre uma nova casa comigo e faça de seus sonhos raças místicas, irmã, e se um dia você ainda desejar esta vingança, caçaremos os Neteru. Concorda?

Ammit fica sem palavras por um bom tempo, eventualmente ela se levanta e assente.

“Então é isso, tanto poder e ancestralidade num ser não muito longe de uma criança” — Gornn vê no semblante de Ammit, confusão, medo e irreconciliação.

— Eu estou estranho, coisas que eu não sabia antes parecem ter aparecido na minha mente. — Mythro olha para suas mãos e sente seu corpo leve, respirar é doce e andar relaxante.

“Seu corpo está alinhado, seus sentidos aumentados e claro, você está fora do abismo. As novas sensações podem até mesmo entorpece-lo caso você se deixar levar. Continue na direção que Mits foi.”

“Oeste… vá pro oeste” — Ammit volta a falar.

— E por que, oeste? — Mythro olha a direção à frente, o que ele olha é a direção pro oeste.

“Enquanto eu caia, uma mulher apareceu do meu lado, ela disse para que eu avisasse para o nosso irmão que no oeste tinha um presente que lhe beneficiaria eternamente.”

“Provavelmente alguma seguidora de Xaemi, sua mãe deve ter deixado mais alguma coisa para ti, siga oeste, e antes que diga algo, Mits estará bem, você saberá pela marca de dragão da arte de cultivação dupla.”

— E onde está isso? — Mythro mexe nas roupas rasgadas em seu corpo procurando tal marca.

“Está em seu sol.”

Mythro se concentra na área Jing dele, que vê um pequeno dragão rodeando seu sol.

— Que isso? — O pequeno NOVA fica completamente surpreso, isso não estava lá até… eles fazerem o feitiço de liberação dos dragões gêmeos!

“Cuidado para não perder este colar, é sua prova da promessa de matrimônio com a menina Paschi.”

— Mm. — Mythro então concentra sua atenção em Ammit, ele vê suas roupas e começa a materializar sua mente na área Jing.

Quando Mythro aparece na área Jing seu corpo se transforma por inteiro, agora ele parece um ser reluzente entre o dourado e o azul. Ele voa até Ammit, e pousa ao seu lado.

“Tire essas luzes” — Ammit reclama, enfiando ainda mais seu rosto na máscara de crocodilo.

— Não fique triste ou irritada comigo, essa máscara não esconde seus olhos, neles posso ver os sentimentos na superfície de seu ser. — Mythro então estende seus braços e tira a máscara de Ammit, o rosto revelado é no mínimo tão belo quanto Mutima, mas com seus próprios contornos; a pele dela, negra, com diversos pontos espalhados e brilhantes, como estrelas no céu a noite, lábios belos que expressam suavidade e perdição, olhos dourados profundos e claros, cabelos que descem a sua fina cintura, ondulados como pedra caindo em um rio. — Então este é seu rosto, a partir de agora, traja a si mesma, e não a máscara. Pelo que eu me lembre você não é mais a cadela dos deuses, agora você é minha irmã e parte de mim, Ammit Zumb’la, talvez não sejas rainha lá fora, mas em meu coração você já é, assim como a Namhr.

“Eterna…?”  — Ammit olha o pequeno a sua frente, os olhos dele, tão similares aos seus, a pele parda, que embora mais clara que sua pele, ainda assim é sua carne, algo que não nasceu nela em milhões de anos servindo como o monstro do salão das duas verdades, agora nasce, e isso se chama fraternidade.

Mythro larga a máscara dela no chão e volta sua mente para seu corpo, que estava sentado de pernas cruzadas. Ele olha o caminho à frente e respira fundo.

— Então está na hora de ver um novo horizonte. — Mythro caminha em direção ao oeste, ele segura o colar de presas cinzas dado a ele por Mitri.

“Me orgulho de quem você se torna Mythro, tais palavras jamais seriam ditas dias atrás quando nos conhecemos.”

— O Dao é o caminho, está na hora de trilhar ele, e quem ficar na frente… vai ser atropelado. — Quando Mythro diz isso, seus olhos brilham.

Todos esses fenômenos indo de acordo com suas emoções, é assim que devia ser desde o início, agora que Mythro libertou seu ser ao que devia ser desde o começo, ele conseguirá demonstrar todo seu poder. Seu caminho apenas começou, mas já está decidido em seu coração os objetivos que ele deve alcançar.

— Ammit, você não me contou como veio parar aqui.

“Eu tinha me cansado de ser tratada como um cão para os deuses do submundo. Na verdade, eu já estava cansada faz tempo disso… Mas eu só tomei coragem quando alguém rezou para mim, eu, a grande morte, trajada como os monstros que os mortais mais temiam, recebi um pedido de agradecimento… Quem rezou para mim foi um pequeno faraó, chamado Tutâncamon, ele se parecia com você, e essas adagas… São as adagas dele… Ele morreu prematuramente, e parte foi culpa minha, em uma noite eu o visitei e perguntei a ele porque rezava para um monstro.”

— O que ele disse? — Mythro pegou uma folha que caia, ele abre a mão e a deixa voar novamente.

“Ele disse que um ser que devora criminosos, não é ruim, nem maligno, mas sim puro e justo. Ele foi o primeiro a me dizer algo assim em toda a minha existência.”

— Quem são os neteru?

“Primeiros deuses das areias sagradas” — Ammit diz, deitada, olhando para a máscara no chão.

— Bom saber.


Autor: Mateus Lopes   │   Revisor: BCzeulli



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