DA – Capítulo 36 – Coração de rubi, medula de ouro!



O coração de Mythro já era muito poderoso, seu corpo divino se recuperava e assimilava dezenas de vezes mais rápido que qualquer outro ser mortal. Mas agora que seu coração se tornou rubi, um novo fôlego virá a toda sua estrutura.

Mythro era Supernova e Arfoziano. Mas por alguma razão, seus poderes Arfozianos não se revelam como os de NOVA, o que levou Gornn a crer que NOVA segura Arfos, o que seria um completo deletério sendo que Arfos é além de NOVA.

No seu corpo, existiam 2 vezes o número normal de canais ocultos, e alguns deles estavam possivelmente bloqueados, eles eram os 20 canais ocultos das mãos, com a exceção na conta de suas mãos cósmicas, 20 das pernas, os quatro canais major, seis canais de seus dantians e a medula, Mythro tinha o dobro de canais, mas somente uma medula!

Enquanto Mythro assimila o cerne de Ammit, Gornn coloca todas essas informações em sua mente e vê o problema! Não é que Mythro tem canais bloqueados, é que uma medula não pode comandar tantos canais a mais!

“Mais uma medula? Mas assim… Entendo! A medula cria diversas coisas além de simplesmente gerenciar o sistema nervoso, a criação de sangue NOVA deve ser maior que a criação de sangue Arfos, seu canais estão sofrendo de insuficiência sanguínea, então o que virá não é mais uma medula…”

Gornn conseguiu especular corretamente, mas nem ele poderia saber o que estava por vir!

A imagem de Ammit estava parada onde o coração de Mythro estava sendo reconstruído, mas então ela abre os olhos e começa a se mover. A luz dela viaja por uma das artérias enérgicas do coração de Mythro, e vai direto à medula. Lá, sua imagem se transpõe novamente e a medula de Mythro começa a rachar!

A dor de ter seu coração derretido só poderia ser um quarto do que Mythro está sentindo agora, as artérias enérgicas não eram somente físicas, elas tinham conteúdo espiritual também, essa dor mexeu com a própria alma do pequeno NOVA.

A imagem de Ammit cresce, logo o tamanho da mulher de 180cm volta, ela bate suas palmas com sua imagem interligada ao corpo de Mythro, que está parado no chão, quase vegetativo, então a medula começa a soltar um líquido dourado…

Este líquido é nada mais nada menos do que o próprio sangue NOVA de Mythro, o seu próprio sangue está batizando sua medula, fenômeno induzido por Ammit, o sangue começa cristalizar por toda a medula, deixando-a completamente dourada. Após a cristalização, sangue azul celeste também escorre das rachaduras da medula, que começa a seguir por toda as artérias enérgicas, e também tampa as rachaduras e devolve a medula ao lugar original, antes de rachar. Ainda manifestada como imagem, Ammit toca no coração de Mythro, que por agora já está completamente restaurado e faz o sangue Arfos que invadia completamente as artérias enérgicas, bombear rapidamente por todo o corpo de Mythro, que saiu de seu NOVA Statum.

Mythro agora começa a reaver sua consciência, ele se arrasta até uma árvore e tendo ela como apoio para suas costas, senta de pernas cruzadas e se concentra em seu corpo.

Ele consegue sentir as mudanças, as artérias enérgicas que ele não sentia antes começam a fluir livre o sangue, sangue NOVA flui de um conjunto de artérias, e o outro conjunto flui sangue Arfos.

Mas então o que provavelmente Mythro não ia querer que acontecesse novamente, acontece.

As artérias começam a se fundirem, e o sangue começa a se misturar. Só que romper uma artéria enérgica é o mesmo que rachar a medula, e as artérias estão nesse momento devorando uma a outra, para que então possam se reformar como uma, novamente o pequeno NOVA começa a gritar, seu corpo treme, sangue desliza de seus lábios.

— Logo chegará ao fim, aguente, minha energia trará benefícios eternos á sua constituição… — Ammit fala, como é possível se ver, ela não perderá sua consciência ao ser assimilada por Mythro.

As artérias engrossam, logo Mythro fica com um número normal de artérias enérgicas, só que elas são maiores do que normalmente seriam em um ser de espécie humana, após a mudança completa do conjunto de artérias enérgicas, o sangue se agarra nas extremidades das artérias e volta as artérias sanguíneas, completando assim a mudança total em Mythro.

A partir deste momento, Mythro não seria mais NOVA que suprime Arfos, ambas hereditariedades caminharão juntas em seu corpo e alma.

A imagem de Ammit some, ela entra no dantian de baixo de Mythro, na área Jing. Ela então se senta ao lado da árvore cósmica de Mythro, e encara Kether por alguns segundos, ela então fecha os olhos.

A dor no corpo de Mythro subside, mas ele ainda não consegue levantar, os movimentos de seu corpo são pesados, o gasto mental foi enorme, pensar é como a sensação de sufoco ao se afogar, eventualmente ele não mais consegue manter sua consciência e desmaia.

“É uma honra dar a este velho leão, visão tão magnífica. És Ammit, do quadrante das areias douradas. Já ouvi falar de você, mas pensei que fosse apenas um ser subordinado dos deuses maiores para que engolisse o karma existencial dos seres que infringiram as leis de sua cultura”

“Você é Gornn, ancião dos leões sagrados, caiu aqui por ter ido em guerra contra o pedido das fadas, e ter trocado sua divindade por poder, certo?” — Ammit também fala por meio de pensamentos com Gornn, ela olha para cima, onde Gornn está preso, na área Shen de Mythro.

“Sim, este é o meu pecado, que embora sinta vergonha, repetiria se me dado as mesmas situações.”

“Não existe pecado, eu soube do que houve por meio de anúbis 47º.”

“E você, Srta Ammit, por que foi jogada aqui?”

“A história é longa, contarei quando seu hóspede acordar, ele deve entender que o pacto foi selado, mas ainda não existem as clausulas. Eu tenho vingança a ser feita, por tudo que me foi negado em todos estes milhões de anos.”

“E quanto a esta máscara e as roupas, o que elas representam? Sua verdadeira forma?”

“Bobagens, os deuses primordiais do egito me encontraram depois que eu nasci na terra deles. Eu nasci deusa, mas sem memórias, eles se apoderaram de mim e me vestiram como as bestas que os homens mais temiam, para que assim suas leis fossem cumpridas. Eu nasci Supernova, assim como este menino.”

Gornn fica completamente perplexo, poucas coisas fugiam de seu conhecimento, e esta é exatamente uma delas! Ele não sabia que seres que nascem deuses eram Supernovas, isso põe completamente os NOVAs em uma nova tabela!

“Então… Você é um ser de espécie humana, que nasceu dos restos da energia primordial do quadrante egípcio…”

“Eu não disse nada de minha ascendência, leão rubro, você está enganado a meu respeito. Restos? Eu, Ammit, sou maior do que qualquer deus leão hibernando nas catacumbas dos tronos de ouro de seu clã, ser de raça divina não te faz grande merda. Quando Nun nasceu, metade da energia cósmica do quadrante das areias douradas foi gasta, mas ele jamais pode absorver o restante, e assim ela pairou intocada, no início dos tempos. Mas um dia, por capricho do cosmo, eu vim a nascer e não foi por uma mera explosão de duas anãs brancas, ou duas massas celestes primordiais. A energia primordial é o que ficou da memória  de passagem do reluzente por todo o universo, e tanto tempo, quieta e intocada, a deixou enraivecida, então um dia, ela se despedaçou em seu próprio eixo, e assim Ammit, nasceu.”

Gornn fica completamente calado. Se um dia perguntarem a um homem que se diz sábio sobre algo que ele não sabe, ele dirá que não sabe com orgulho, conhecimento é infinito e sem fim, e sempre crescente. Mas diga ao homem sábio algo que sobrepõe o que ele aprendeu em sua vida, e dizia com confiança ser a verdade sem alterações, e você terá seu silêncio de derrota!

Esta, é a exata situação que nosso leão rubro se encontra, mas o que lhe faz ficar calado, é que mesmo ele sendo um dos altos anciões do clã, ainda assim existiam conhecimentos que ele não tinha acesso no monumental acervo de conhecimento de seu clã, existem coisas que somente deuses podiam saber!

“Não se culpe, você nasceu há uns 150 ou 200 mil anos, segredos eternos são para seres eternos, se não, quem ficaria vivo para contar?”

Ammit então fecha os olhos, Gornn a segue. Cada um com seus particulares motivos.

Pela manhã do outro dia, Mythro acorda e se levanta, na sua frente, uma floresta que ele nunca viu aparece.


Autor: Mateus Lopes   │   Revisor: BCzeulli



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