DA — Capítulo 30 — Os porquês de Mythro.



Mythro neste momento estava com a cabeça deitada nas pernas de Namhr, enquanto ela acariciava seus longos cabelos.

— Mana, eu falhei como lutador.

— Era sua segunda vez em uma luta, você é muito mais forte, mas você se impede mentalmente de deixar essa força fluir. Eu não te ensinei nada sobre lutas até a morte. Eu mesma participei de algumas, se pudesse voltar no tempo e desfazer as mortes que eu causei, assim eu o faria.

— Para todo caso, o que você precisa entender é que metade da força da sua cultivação está presa. — Gornn diz.

— Como assim? — Namhr pergunta, para Gornn.

— Mythro tem uma cultivação poderosa, ele coroou sua árvore da vida, esta árvore que foi trazida a vida pelo mais sagrado item, Torá. Que, embora esteja incompleto, remete aos conhecimentos do primeiro reino perfeitamente. Seu Sol foi completado com a ajuda do poder cósmico de um imperador, então é puro e cheio de energia. Mas seu corpo… Na medula espinhal de Mythro, fora o que deve haver normalmente em um corpo da espécie humana, tem suas poderosas artérias enérgicas. Um ser humano tem normalmente, 5 dedos, então existem 5 canais de artérias enérgicas, e aqueles que podem liberar a mão cósmica, tem mais 5 canais ocultos, todos estes canais vem da medula espinhal, que tem importante papel no corpo humano, gerenciando muito de seu sistema nervoso. E isso só são das mãos, nas pernas existem 5 canais respectivamente, para a cabeça existem dois major canais, canais enérgicos com a grossura de 5 canais juntos, cada dantian também tem um canal, estes são canais espirituais, e a medula espinhal, que é tanto a gerenciadora quanto um próprio canal. Eu percebi por meio da utilização do poder cósmico de Mythro que existem canais fechados. — Gornn explica.

— E como podemos abri-los? — Namhr pergunta, ansiosa, tudo que puder deixar seu irmão mais forte é válido! Isso remete ao poder dele de proteger a si mesmo.

— As habilidades nos cosmos, são divididas conforme a cultivação. Chamamos o caminho para a imortalidade, ou divindade, de terços. No primeiro terço, o caminho terreno, do primeiro reino até o quarto, dividimos as habilidades de magias, ou artes de quarta, terceira, segunda ou primeira terra. — Gornn

— Como os equipamentos! — Mythro associa.

— Exato! Embora você seja um ser de raça divina, existem desvantagens em seu corpo. Você não é só NOVA, é arfoziano. Em termos de força sanguínea, arfozianos são mais fortes que NOVAs, então como pode NOVA suprimir Arfos? Como pode, um copo de chá, segurar o mesmo que um balde?

— Então, basicamente, Mythro precisa desbloquear seu poder arfoziano, e o meio disso é conseguindo uma arte corporal que suporte tanto o poder de NOVA, quanto o poder de Arfos? — Namhr especula.

Gornn fica de olhos bem abertos e surpreso. Ele não tinha chegado tão perto da resposta, mesmo assim Namhr já tinha chegado no cerne da questão. Os ÉterDao são seres únicos, disso ele já sabe. Os céus que regem suas leis de aço, completamente imparciais, não se atrevem a levantar seu martelo contra ela, isso é só uma das coisas que ele conseguiu testemunhar.

— Acho que não é isso mana. — Mythro diz, colocando uma mão no queixo.

— É isso mesmo, na verdade. — Gornn acente.

Mythro e Namhr ficam surpresos.

— Ora, você surpresa, foi você que disse.

— Eu só segui um impulso, na verdade, isto já estava em minha mente enquanto eu via Mythro lutar. Toda vez que Mythro usava algum golpe, parece que seu corpo atrofiava e pouca força saia. — Namhr recolhe as memórias de horas atrás.

— Sim, é mais ou menos assim que funciona. O seu poder Arfos está tentando se desencadear, mas seu corpo NOVA o segura, isso está gerando um conflito interno que ainda é assintomático, mas conforme ele cultiva, isso pode vir até mesmo a aleija-lo. Foi para isso que disse a vocês sobre os terços. Mythro precisa de uma arte corporal que seja a mais poderosa que um ser pode ter em todos os três reinos, que cresça rapidamente como seu cultivo e que possa aguentar a pressão do uso de seus talentos NOVA e Arfos.

A descrição de Gornn intriga Mythro e Namhr, onde eles poderiam achar algo tão incomum?

— Onde, onde teríamos que ir para achar algo assim? — Namhr vê que será uma árdua tarefa buscar este tipo de arte.

— Um corpo deste… Talvez seja impossível até sairmos deste lugar. Um ser que represente um corpo deste, tem que ser um nascido deus. Criaturas que nasceram da energia primordial restante de seus quadrantes. Um ser deste… Apenas os Palacianos teriam um destes vivos, ao menos, que eu conheça.

— Precisa ser um ser vivo? E como faremos para este ser ensine a arte do corpo dele? — Mythro fica com diversas dúvidas.

— Você não vai aprender a arte corporal dele. Você vai absorve-lo, e fortificar suas artérias enérgicas. Então seu corpo se mudará como o que ele representa. Exemplo disso é o Cronos, dos palacianos. Seu corpo é feito do que se entende por ”tempo”, dizem que Cronos é um ser que pode controlar o tempo a sua vontade, pelo menos em seu respectivo quadrante. — Gornn diz de olhos fechados na área Shen de Mythro, como se recordando da magia de Cronos.

— Se Mythro tivesse um poder desse, sempre que ele estivesse em perigo, ele poderia voltar no tempo e se salvar? — Namhr fala com uma voz esperançosa.

— Basicamente. — Gornn acente.

Enquanto eles conversavam, batidas soam na porta de Namhr. Ela se levanta rapidamente para ver quem é, ao abrir a porta, ela vê que seus visitantes são Mits, Mitri, Trinto e um ancião.

— Namhr! — Mits grita, pulando em seus braços.

— Cunhada! — Namhr a recebe e a levanta no alto, estendendo seus braços.

— Senhorita Fashr, sou Mitri Paschi, este é meu filho Trinto Paschi, e um dos anciãos do clã, Fernan Paschi.

Namhr encara os homens a sua porta, e percebe um leve medo em seus olhos, ela então sorri, os pede para entrar e se sentar.

— O que os traz aqui à esta hora?

Mits e Mythro estão comendo algo juntos, enquanto Mythro fala um pouco sobre a luta e como ele sente muito o que aconteceu. Mitri e Trinto assistem tudo, relaxados. Um homem que não aceita e admite seus próprios erros e deficiências, não seria um bom marido para Mits.

O ancião consegue manter a compostura e explica o porquê da visita.

— Entendi! — Namhr diz, se levantando, ela busca um saco cinza de um pote de barro que havia no canto do quarto.

— Isto é? — O ancião fica ansioso sobre o saco.

— Aqui tem coisas que eu preparei para a saída de Mythro do abismo. Aí tem duas adagas e um leque de quarta terra. Roupas, comida e alguns gradães. Quanto ao lugar em que as armas estão escondidas, é aqui perto. Elas estão em um armazém, no fundo dos estábulos, sendo guardadas por Rátim. — Namhr explica.

— Perfeito! Agora sabemos onde ir. — O ancião pega o saco de Namhr, e se levanta. Ele chega perto dos distraídos Trinto e Mitri e lhes dá o saco.

— Meu deus, mil perdões, eu divaguei… — Mitri fica assustado com a aproximação do ancião e percebe o que acabou de fazer não foi nada educado, ele se levanta e se curva.

— Meu irmão cuidará bem dela! — Namhr diz sorrindo.

Mitri e Trinto dão sorrisos tortos de embaraço.

— Se quisermos sair despercebidos, temos que ser mais rápidos, os outros vão marchar pela ponte e podem ser percebidos devido a grande massa de pessoas. — O ancião adverte.

— Srta Namhr, não virá conosco? — Trinto diz, se levantando.

— Se eu sair, o rei do norte irá me caçar e matará todos no abismo. O que posso fazer é confiar em vocês para deixar meu irmão seguro, quando o rei do norte morrer, serei livre.

— Então pedimos sua licença. — O ancião, Mitri e Trinto, batem no peito e se curvam mais uma vez, antes de saírem e esperarem ao lado de fora do aposento.

Mythro e Mits ficam na frente de Namhr, e um abraço afetuoso colide os dois. Ela olha para eles e os deseja boa sorte.


Autor: Mateus Lopes Jardim Revisor: Bczeulli



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