DA – Capítulo 21 – O sangue do abismo



— Namhr… — Mythro antes mesmo de Namhr o tocar, já estava com seus olhos cheios. Ele olha sua irmã, mais bela, e com seus cabelos e olhos completamente roxos.

Ela olha Mythro, seus olhos percorrem cada detalhe do menino, ela o levanta e abraça mais forte.

— Que menina linda! — Um pequeno de uma vila diz no público — Mas, por que eu estou chorando?

— Me sinto tão mal quando perdi minha esposa…

— Quando meu filho recém nascido morreu por causa do frio… Esse pesar… ele veio me assombrar novamente?

Muitos caem de joelhos e lembram do sentimento de ter perdido alguém próximo.

— Onde você esteve, o que aconteceu, e o que é isso na sua cabeça? — Namhr o faz perguntas sucessivamente, até mesmo fica encarando para sua cabeça.

— Mana, você vê o Gornn?

— É esse… Leão?

— Você sabe o que é um leão?

— Eu não sabia antes de ver, mas… eu não sei… tenho estado estranha… Fumin me disse que estou liberando o poder do meu sangue…

— Mana, Fumin é perigosa! Os homens da vila me bateram até quase eu morrer, eu tive que sair da vila para o Gornn me ajudar e me curar, senão eu estaria morto!

Namhr presta atenção em tudo que seu irmão diz, e é quase como automático, mas seus olhos brilham de um leve roxo, ela começa a ficar com seu rosto irado.

— Eu acredito em você, mas eu não posso.

— Por quê? Não pode o quê?

— Fumin é filha do senhor do norte, ele é um cultivador de quarto reino, até estarmos no quarto reino, serei subalterna dela.

— O que aconteceu para isso?

— Mythro… Bem, aconteceu quando um terremoto veio por nós no abismo, depois disso meu cabelo e meus olhos se tornaram completamente roxos, minha cultivação ficou estranha, porém, mais forte, parecida com a sua.

— Você consegue ver?

— Não… Eu sinto, eu não entendo nada, meu corpo está uma bagunça… Lembranças estranhas assombram meus sonhos.

— Que sonhos?

— Sonhos de duas coisas, pura luz e pura trevas. Elas viviam em um nada… e vieram a ser…

“Imagens da origem?”

— Que origem Mythro?

— Eu não falei nada!

“Ela também pode me escutar?” — Gornn diz surpreso

— Mits também não pode?

“Sua noiva foi enfeitiçada por Mutima para me ouvir garoto, ela não. “

Mythro fica muito surpreso com isso, ele se pergunta se é aquela coisa de ÉterDao que Mutima e Gornn tinham falado antes a causa disso.

— De qualquer forma, meu doce irmão, Fumin disse que as pessoas do abismo vão trabalhar exclusivamente para o senhor do norte, e enquanto isso, devo virar uma campeã para as guerras centenárias que ocorrem entre os pontos cardeais.

Enquanto eles conversam, Hu Ping e Fumin também conversam na bancada central.

— Eu não consigo escutá-los.

— Nem eu, ela é o efeito disso.

— Ela bloqueia nossos sentidos?

— Ela bloqueia tudo! Ela decide se mensagens cósmicas vão alcançá-la ou não, até mesmo se energias externas tem ou não permissão de tocá-la… Eu não sei de que tipo de linhagem ela vem, mas a placa de indicador sanguíneo que você me deu explodiu antes mesmo do sangue dela tocar o dispositivo.

Isso deixa Hu Ping com um rosto muito sério.

— Ela está aqui para o que, Senhora?

— Para servir a mão maligna do norte. — Fumin diz isso, e esconde com o dorso de sua mão, um sorriso sinistro.  E então continua — Esse menino é especial, eu pedi para as antas da vila de Fashr socarem e marretarem ele até a morte, eles me disseram que o menino saiu aleijado se arrastando em direção à floresta, ele encontrou alguma coisa e se curou, saiba o que é.

— Sim senhora.

Hu Ping então pula da bancada e aparece do lado de Mythro e Namhr.

— Desculpem a intromissão de minha presença, afilhada de nossa senhora, mas você tem que observar da bancada.

— Eu quero ficar com meu irmão!

— Por favor, todos aqui esperam uma luta, não os interrompam.

— Pode ir, Namhr… Eu também quero me provar forte para você!

“Aproveitemos que somente ambos de vocês podem me ouvir…” — Gornn conta algo rapidamente para eles e divide em mensagens cósmicas, que podem ser ouvidas enquanto andam.

Mythro fica no meio do mármore contra seu adversário nesta luta, Namhr sobe novamente a bancada com Hu Ping.

Fumin está sentada em um trono, o mesmo era do senhor do abismo, mas agora é seu assento de honra, enquanto o maioral do abismo fica ajoelhado no chão, como um mordomo.

Namhr abraça seu pai e diz que está tudo bem com Mythro, ela explica o que se passou.

— Não acredito que Josom e os homens fizeram isso! É contra as regras do abismo! — Fashr fica irreconciliado.

Fumin escuta e estala os dedos, isso invoca a atenção de todos.

— Foi eu que mandei eles matarem o garoto. — Ela admite, calma.

— Como você ousa fazer isso com meu irmão?

— Como você faz para chover, ela ainda não parou, a chuva — Fumin olha para cima enquanto Namhr rosna para ela.

— Começou a chover porque os céus quiseram!

— E as pessoas que se jogaram ao chão, e lembraram de seus mortos, só porque você soube que seu irmãozinho estava vivo?

Namhr fica quieta, ela também entende que o seu pesar foi compartilhado entre os outros.

— Menina, eu espero que fique claro o que eu te disse antes, te direi ainda mais. Se você não servir a casa Mor, a casa Fashr, e aquele pirralho… Não mais serão.

Namhr morde os lábios, mas ela fica quieta e acena.

— Que comece a luta! — Hu Ping grita e assopra o chifre.

Mythro olha seu adversário de cima para baixo, eles tem mais ou menos a mesma altura, este Monc Teblanc tem olhos puxados e um rabo de cavalo, na sua pele, feridas e hematomas podem ser vistos.

— Ele é forte, deve ter treinado muito — O pequeno NOVA lança um pensamento.

“Não… Ficar apanhando de uns homens que se acham artistas marciais não o torna forte, esses hematomas são inúteis, e deixam a energia Yin deste lugar entrar e se instalar com mais abundância, ele é fraco, e dirigido pela falsa vontade de sair deste lugar”

— Falsa vontade?

“Olhe no olhos dele, ele está com medo. Ele deve ter sido empurrado aqui pelos anseios de sua família, ele deve apanhar como cão.”

— Você está bem? — Mythro começa a sentir pena do menino a sua frente.

— Cale-se e lute!

Monc Teblanc treme, ele olha Mythro e aperta seus punhos e corre com a mão levantada para cima dele.

“Patético, mate-o”

Mythro dá alguns passos para trás e quando o soco está para atingí-lo, ele dá um passo para o lado e coloca seu pé na canela de Monc, fazendo ele dar uns passos largos tentando se reequilibrar.

— Não vou matá-lo, não há necessidade.

“Verdade, é que faz tempo que não vejo coisas morrendo, era como chá, à tarde. Ao menos derrube-o”

Mythro se vira novamente para a criança que luta, tremendo, e sente seus ombros relaxarem.

“Você vai se arrepender disso.”

Monc, vê a mudança óbvia de expressão de seu adversário e corre com toda força, ele levanta a mão e… joga uma pedra!

A pedra voa rápido e acerta na cara de Mythro.

— Isso é contra as regras! — Mits grita.

— Não é não! — O líder da vila de Teblanc fala, quase pulando da cadeira.

Monc alcança Mythro que está atordoado pela pedrada na cabeça, ele dá uma rasteira nele e quando o pequeno cai, monta e começa a socar seu rosto!

“Tire esta coisa de cima de você, és aprendiz de um imperador, eu te proíbo de apanhar de ralé.”

Monc eventualmente fica cansado, o rosto de Mythro está inchado, mas ele ainda consegue lançar um soco na cara do menino.

Completamente enraivecido, Mythro começa a socar o menino até que ele cai e bate forte no rosto do garoto. Uma leve luz azul fica em volta de Mythro, essa luz não é celeste, e sim a luz de energia cósmica.

— Che…ga… — Uma voz feminina o alcança, ele não poderia conhecer menos… É Namhr!

“Mensagem cósmica antes do segundo reino? Isso é uma quebra celestial.” — Gornn fica intrigado e olha para a cara da menina na bancada, depois ele olha para o céu, e vê as nuvens se convergindo em uma nuvem negra, sons de trovão e raios começam a sacudir os céus, um relâmpago cai em direção a bancada, mas como se fosse mágica, ele para a 1 quilômetro e retorna para a nuvem.

“!!!”

No meio das nuvens, duas pessoas estavam olhando, um homem, e uma deusa.

— Os céus não castigaram ela por ter quebrado uma lei celestial.

— O que é ÉterDao, minha Deusa?

— Eu odeio sua voz, já falei isso? — Mutima estala os dedos e Aurio desaparece, ela então recolhe as mãos em suas mangas e cerra seus olhos, encarando Namhr.

Mythro que estava socando sem parar o menino, para e olha para suas mãos ensanguentadas.

Ele pega nos ombros do menino que parece estar desacordado e o sacode.

— Hey, hey!

Monc Teblanc responde com um gemido, mas não abre os olhos inchados.

“Ele está vivo, saia de cima dele e olhe para o juíz”

O pequeno faz como Gornn disse, Hu Ping o encara de cima para baixo.

— Mythro venceu esta! Os próximos são Mits Paschi e Xon Mong!

— Boa Mythro! — Mits pula.

Uma mulher sobe no mármore e pega o menino.

— Meu filho, meu filho, você está bem? Você lutou bem.

— Eu perdi mãe, não vamos para o paraíso… — Monc se refere ao norte, fora do abismo.

— Você vai, fracassado. — Um homem aparece atrás da mulher e arranca Monc de seus braços.

Todos seguem o homem com os olhos, ele vai para o lado de seu clã e com uma marreta…

— Meu filho não! — A mulher grita, ensandecida, e se joga em cima do garoto, buscando protegê-lo.

Mas é tudo em vão, a marreta quebra seu crânio ao meio, depois atinge o rosto do garoto, que afunda como pé pisando em areia movediça.

O sangue que cai dos dois deixa Mythro amedrontado. O homem levanta a marreta com pedaços de cérebro da mulher e cospe nos corpos de sua mulher e filho.

— Meu clã não precisa de um filho fraco, e uma mulher que não da bons frutos!

— Você fez certo meu filho! — O líder da vila bate no ombro do homem, e acena para alguns homens, que pegam os corpos e arrastam para uma carruagem.


Autor: Mateus Lopes Jardim Revisor: Bczeulli  CQ: Gabriel Lucas



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