DA – Capítulo 175 – Lilati, a Vida(2)


“É agora, tudo para fora e solidifique ela em seu domínio!” — Gornn grita na área Shen de Mythro.

Todos libertam toda a energia que suas pedras celestes possuem e utilizando de toda ela, Mythro conecta as peônias ao tronco da Afunda-Mundos. A árvore que já tinha alcançado mais de 20 metros de altura começa a diminuir rapidamente enquanto a energia cósmica negra de Mythro e seu grupo a força em submissão.

As runas que estavam sem dono, flutuam sem ajudar ao pequeno NOVA. Mas isso cessa quando Chokmah e Kether se materializam ilusoriamente para fora do corpo de Mythro e com sinais eles tomam controle das runas e começam a engrenar no tronco. Diversas transformações se passam, e de um tronco de árvore, uma transformação laminada ocorre e cada vez mais a Afunda-Mundos começa a se parecer com uma espada.

Mais alguns minutos se passam até que ela seja completamente refinada, e sem mais runas na região para absorver sua forma final pode ser vista. Uma espada montante. Sua lâmina marrom com a ponta branca. 

Na ponta da espada as setes peônias se assentam, flutuando sagradas e imaculadas. Delas um brilho multi-colorido desperta, limpando a passagem por bem, ou por mal!

As sete folhas se transformaram em um lado do gume, serrilhando a lâmina que tem ao todo 2 metros de altura e 1,2 de largura. A empunhadura era feita de raízes que se enrolavam nas mãos que a seguravam neste momento, as mãos de Mythro!

Cansado, o pequeno NOVA se liberta de suas magias e armaduras e cai no chão. A barreira branca de luz finalmente cai e desaparece. Alura e os outros três correm usando todas as suas forças para cuidar de Mythro.

Grásio se aproxima e há um corte nele. Zara rapidamente pega a pomada que antes passou na Alura e começa a passar por todo o corte.

Odyel também tinha a pomada com ele e tirando a calça e camisa do pequeno NOVA, ele também passa por todo o seu corpo ensanguentado.

Núbia e Suife estavam machucados também, mas nada tão sério. As Sereias de Tragédia voltam para os cabelos do pequeno NOVA, seus corpos levemente rachados.

Com certeza foi uma luta grande! Mas a montante com certeza valeu a pena, é possível sentir que seu poder estava quase alcançando a primeira terra!

Uma arma que estava prestes a se tornar para Príncipes e Princesas! Armas como esta também tinha um outro título, Ápice Terra! Já que estavam no último reino que era possível dentro do primeiro terço.

Éter pula para fora e segura a espada. Os quatro ficam assustados, mas sabendo que existia algo assim dentro do pequeno NOVA eles conseguem se acalmar.

— A ferida dessa espada não é simples… Grásio, amigo, como você se sente?

Grásio sibila e suas feições mudam conforme ele “fala”.

— Como imaginei. A Salva-Carne não vai ajudar em nada a sua ferida. Pelo menos, não nesse nível de confecção. As runas que foram gravadas aqui… Essa espada corta a alma junto com o corpo, isso é definitivamente uma arma de grau divino, mais forte até mesmo que eu no momento.

Armas e magias tinham um sistema simples de “poder”. Magias que podiam ir até o último terço eram mais fortes que magias que podiam ir no máximo até o primeiro terço. Isso separava o potencial da própria arma e magia, e assim podia-se saber o quanto não só ela poderia crescer, mas quanto o seu crescimento renderia e até quando esse tipo de magia poderia ser usado.

Magias como o Salto Reação não tinha maiores transformações além de “puxar o corpo para fora em um salto onde a energia cósmica era embutida nas pernas”. Magias com maiores graus se transformavam completamente quando elas ascendiam um terço, tendo suas antigas forças reforçadas e novas forças e transformações com o novo reino.

A partir do quinto reino a própria cultivação e forma de lutar mudaria de maneiras absurdas. Para derrotar um inimigo, você teria tanto a opção de matá-lo em carne como também destruir seu castelo! Sua Monarquia Espiritual! Assim o matando em cultivação e alma, que estariam fundidas.

Por isso, o próprio Éter saiu do corpo do pequeno NOVA para examinar essa arma, a ferida em Grásio não era simples! Na verdade, nem era para ela ser deste nível, este tipo de propriedade só deveria ser visto a partir do próprio quarto reino, no nível das armas, a primeira terra! Mas agora, essa arma que ainda tinha que dar mais um passo para poder alcançar dito estágio, já estava com essa miraculosa propriedade.

—  Nosso Lorde tem foco em adagas, disso vocês já sabem. Mas esta arma na mão de vocês não vai prestar. Ela sozinha já pesa demais, ao ativar as folhas ela fica ainda mais pesada, e utilizando as Peônias de Aldelão ela tem um custo de energia cósmica que por vocês também não pode ser mantido. Os irmãos Onis podem entender técnicas daqui, mas usar ainda é cedo demais. Odyel pode balançar a espada com mais facilidade, mas você simplesmente não foi feito para a delicada arte de massacrar com uma espada, e sim com os punhos ou armas mais brutais. É melhor que ela fique nas mãos do Lorde por enquanto, até que vocês cresçam mais.

Os quatro balançam a cabeça concordando. Com isso dito, Éter finca a espada no chão e volta a perna esquerda de Mythro.

Nenhum deles pensa em tocar na arma. Núbia chega perto de seu irmão e se deita ao seu lado.

Algumas horas passam até que ele finalmente acorde, com nem metade de sua energia cósmica gasta preenchida.

Olhando ao redor, seu augúrio explode lhe dando respostas de tudo que se passou enquanto ele estava desmaiado. Cheiro, resto de energia e aura são decifrados por um meticuloso olhar dourado.

— Vocês dois puderem entender algo da espada até agora?

— Um pouco, Lorde.

Mythro pergunta, se levantando e olhando o teto. O lugar não tinha noite, então a sensação de horas passando não era muito forte.

Os Onis estavam perto da espada, sentados de pernas cruzadas enquanto observavam o pulsar único das Peônias de Aldelão ao redor da espada feito da árvore Afunda-Mundos.

Grásio estava fraco no chão. Não havia sangue sendo derramado da ferida, mas havia uma deficiência na produção de energia vital de suas artérias.

— Lorde, você pode curá-lo?

— Infelizmente não. Só restaurar a alma dele seria fácil, mas o corte separou essa possibilidade. O corte em si não foi feito pela espada, mas, pelas runas gravadas. Se o selo da runa for removido eu consigo restaurar sua alma, e sua alma completa irá retomar as atividades de suas artérias normalmente. É tudo que ele precisa.

Mythro coloca Grásio ao redor de seu pescoço e começa a andar em direção a floresta. Desde que as dezenas de crocodilos morreram, os outros têm evitado o grupo. Estranhamente a terra tomou os cadáveres e a área ao redor dos mortos ficou mais verde e fértil.

Sem fazer muitas perguntas eles simplesmente seguem o seu Lorde. Que apenas para seu galgar para sacar a espada do chão e então continuar.

**

Muitas horas depois, em um lugar onde a energia cósmica e a vital eram ricas além de qualquer outra região. Mythro para e começa a rodar deixando marcas no chão, que segundos depois começavam a rugir fogo negro.

— É melhor você aparecer antes que eu queime esse lugar inteiro. Não importa o quanto demore, mas farei você escavar para fora da sua toca.

— Hmph! Como se você pudesse! A vida arbórea dessa região vem das minhas raízes, e meros seres místicos guiados por um NOVA não podem queimar ela. O fogo sagrado pode fazer um pouco do truque, mas enquanto você queimar as florestas, eu as faço crescer novamente. Quero ver se você tem expectativa de vida suficiente para realmente fazer isso!

Mythro e a menina começam a trocar ameaças.

— Como é que um dos três tesouros de Yah se tornou… Isso?

— Não ouse citar a grande Fumu(Pai e mãe ao mesmo tempo, palavra que expressa as duas posições no mesmo ser).

{OBS: Yah e Weh são grandes energias e não tem gênero. Nenhum é pai ou mãe por gênero, e sim por criação. A palavra “Fumu” é para literalmente englobar que, a posição do ser em questão é como a de um pai e uma mãe, onde o ser em questão cuidou e deu luz, não necessariamente por meio de gravidez como normalmente pensamos. Enfim, quero que esqueçam um pouco da posição de gênero, não só agora mas ao fundo do DA. A sociedade do DA vai ser construída na ideia de que o que realmente importa é a cosmicidade de um ser, seu profundo caráter e pessoa, e jamais seu gênero. Por isso dentro do DA não vão haver brigas de “gênero”, e isso não é de forma alguma uma militância, e sim uma nova aproximação de construto social. Enfim se quiserem discutir depois sobre como vou abordar(tentar abordar, sei que talvez eu tropece um pouco) nisso comentem.]

— Como eu não poderia? Além disso, chega desse devaneio. Até parece que você não conseguiu ver através!

— Aberração! — A voz da menina sobe, e raízes começam a se mexer no solo.

— Eu? Uma aberração? Sisi(Amor), Marp(Frugalidade), Heli(humildade)… Qual é você?

A menina não mais responde.

— Com certeza você não é nenhuma, pois não estaria cultivando crocodilos para que quando eles morram se tornem adubo para a terra!

— Eu fiz o necessário para sobreviver nesse, nesse… — Fazendo um barulho de ranger de dentes, ela continua — LIXO DE PLANETA, nesse caralho de VENTRE DAS, DAS IMUNDAS, MALDITAS LUZES CORPÓREAS! TRAIDORAS SANGUINÁRIAS E GANANCIOSAS, AAAAAH!!!

As raízes ficam descontroladas e a face da menina pode ser vista novamente. Seiva cai de onde seriam seus olhos. Pela primeira vez, todos conseguem ver um dantian fragmentado e irregular, onde quatro pequenas joias podiam ser vistas. A Semente de Terceiro Véu estava entre as quatro joias, na hora que ela aparece Odyel tem que sentar e meditar, resistindo todos seus instintos de pegar a joia natural.

— Esta Semente de Terceiro Véu é minha… O que são.. Não!

Mythro olha novamente as pequenas joias e seu peito cai.

— Você devorou suas irmãs?

Por um momento o choro e angustia da menina cessa. Seus olhos feitos de raízes encaram o pequeno NOVA, e então com um grito de rachar, literalmente rachar a terra soa pela expansão. Ela ataca jogando tudo para o alto. Suas mãos roubam a energia cósmica e vital da região de quilômetros e um ataque monstruoso até para Mythro se defender é solidificado. A raiva e ódio dela podem ser sentidos por cada folha e tronco, ela era a expansão em si! Todos com exceção das criaturas divinas, se colocam de joelhos a tremer.

— Pare!

Chokmah intervém. Sua forma ilusória aparece e usando sinais ele consegue travar a menina no lugar.

— Solte-me, SOLTE-ME CHOKMAAAAAAH. EU VOU MATAR ELE! MATAR, MATAR, MATAR!

O choro volta ainda mais forte. As raízes começam a se rasgar e o dantian começa a se fragmentar ainda mais.

— Gabriella, Verônica e Estela, poderiam cantar o “Coro Tranquilizante Divino”?

— Com a atual força que nós temos, é impossível… — Gabriella responde.

— Tch, é só usar a semente!

Kether aparece e estalando os dedos. O Aurum Verum do pequeno NOVA se manifesta e cura parcialmente o dantian da menina. A forte alma dourado toca na Semente de Terceiro Véu, e mais energia começa a ser solta pela semente.

— Kether?

— Lilati, sua pequena idiota. Comece a explicar por  você está com suas irmãs em seu dantian!


Autor: Mateus Lopes   │   Revisor: BCzeulli



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