DA – Capítulo 112 – Leilão(2)


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Depois de meditar o suficiente e dissipar os restantes da sede de sangue da batalha recente, Mythro sai do lugar onde a Pedra Coração Vulcânica está e vai direto aos túneis da vila.

Lá ele encontra o Patriarca, o ancião, Jock, o time de expedição jovem e mais alguns outros. Todos aqui faziam parte do alto escalão, e fariam essa viagem para trazer mais força para o clã.

— Professor… — Tobias murmura, mas não escapa dos ouvidos capazes do pequeno NOVA.

— Oi, Tobias. Que bom que vocês estão a salvo. Desculpa pela demora — Mythro da um sorriso cínico.

Lenlen o vê e suspira. Ela balança sua cabeça levemente.

Todos no clã diziam como o jovem sábio era alguém que tinha trazido a era de ouro para o clã Espada sob o Sol. Ele cuidava da jovem geração. Ele os ensinava, armava, tirava dúvidas sobre cultivação, deixou até mesmo o cofre da Casa Maior mais gordo com novas oportunidades de parcerias com outros clãs e sectos.

Mas só aqueles que tinham que viver ao redor dele sabiam que Mythro estava sempre distante. Se 9 pessoas chamassem ele de herói, e 1 o chamasse de louco arrogante, Lenlen acreditaria nessa uma pessoa.

Pois ela sabia a verdade. Ela já tinha visto como ele lida com as coisas, sempre se distanciando e deixando bem claro que eles não eram o suficiente para estar ao lado dele.

— Senhor ancião, podemos conversar? — Mythro se curva em gesto educado. Na frente dos outros ele gostava de demonstrar esse tipo de saudação. Para que não houvessem rumores de que o ancião deixava alguém da nova geração falar com ele de igual para igual.

— Ora, ora. Claro, quais boas notícias você traz?

Mopak é acompanhado por Mopak II. Eles vão a 100 metros do restante do grupo.

— Jovem sábio, qual a necessidade do assunto? — Mopak II diz com um sorriso. Sua expressão mostrava muito de como ele estava ansioso pelo leilão.

— Bem, a Pedra Coração Vulcânica está evoluindo, e sua imagem de anima é de uma salamandra.

Os dois arregalam os olhos. Mopak II dá um passo cheio de chamas ao redor de seus pés. Ele estava tentando usar um salto de fogo.

— Filho, acalme-se! — Mirmo Mopak o segura no chão, o impedindo de pular.

— Pai, isso é muito grande e diz sobre o futuro do nosso clã, precisamos mudar a pedra de lugar!

— E tirar ela dos glifos? Nós estaríamos matando a chance do minério de criar anima e se tornar quatro estrelas!

Embora ambos estivessem nervosos, suas vozes permanecem baixas. O grupo distante vê a comoção, mas com um aceno das mãos do ancião, eles se acalmam.

— Mythro, você é nosso artesão, o que você acha?

— Pai, o jovem sábio é forte, mas ainda é um cultivador do primeiro reino. Minérios de quatro estrelas não dizem a ele.

— Sua cultivação não faz jus, mas seu conhecimento sim! Esqueceu de quem consertou nossos glifos? Ficamos por anos sem uma resposta da pedra, mas meses depois do pequeno sábio consertar nossos glifos já tivemos uma resposta. Não te culpo por subestimá-lo, mas não ouse tomar decisões precipitadas baseadas em impulsos emocionais! Não lhe ensinei a ser um patriarca desde criança para você falhar em momentos críticos assim, Mopak II!

Levando um sermão do seu pai, Mopak II se acalma.

— Muito bem. O que deveríamos fazer então, pequeno sábio?

— Não devemos mudar a localização da pedra. Embora ela esteja com flutuações que possam revelar sua identidade, elas não são fortes o suficiente para sair do clã. Então no futuro, apenas mantenham pessoas do terceiro ao quarto reino fora do clã e não teremos problemas. Caso precisemos deixar um destes entrar, podemos então colocar a pedra em uma caixa que evite suas flutuações, mas… uma caixa dessas… — Mythro olha a eles com uma expressão não muito legal.

— Uma caixa dessa deve custar pelo menos 30 bilhões… — Mopak entende qual a finalidade da expressão do pequeno NOVA.

Nem agora, nem em 10 anos 30 bilhões poderiam ser gastos pelas mãos de um clã do oeste de fora. Apenas filhos pródigos dos clãs do meio-oeste e do oeste profundo teriam este valor em mãos.

— Sim. Por isso é melhor mantermos isso sempre em mente. Evitar trazer anciões e reis para o clã, e, pessoas do segundo reino não podem ficar perto de minha casa. O calor que ela está emanando com certeza não condiz com uma terra rica de Qi de fogo sem que haja um tesouro nela.

— Compreendemos isso. É realmente o melhor. Pequeno Sábio, sabe quando poderemos colher a pedra? — Mapok pergunta, emocionado.

— Depende. A gestação de uma anima é longa. Se curto, 30 anos, se longo, 200 anos. Tudo vai depender da própria pedra nesse momento.

Mapok e Mapok II se entreolham e suspiram. Eles já esperaram muitos anos, e teriam que esperar ainda mais.

No momento que um clã do oeste de fora tivesse um rei, eles seriam promovidos e poderiam usufruir da área para clãs do meio-oeste.

Lá, a energia era muito mais abundante, tesouros como pedras de duas a três estrelas eram vistas com mais facilidade e artefatos podiam ser encontrados em ruínas de maiores níveis.

Fora o contato com os clãs mais antigos, que trariam benefício para toda a vila. Com certeza era algo para se sonhar dia e noite.

— Tem como interferir na gestação. Mas também será caro. Os itens necessários são um pouco raros também.

Isso muda tudo! Mapok pega nas pequenas mãos de Mythro e olhando fundo nos seus olhos ele pergunta:

— Quais itens, diga, quais itens?

— Bem, já que é uma anima de salamandra. Se pegarmos um coração de salamandra de fogo, de, no mínimo terceiro reino. Podemos alimentar a imagem espectral da pedra. Com pó para fortificação de fogo de três estrelas, mais uma runa e um glifo de concentração de segunda terra, poderemos fortificar a pedra e trazer mais cedo sua ascendência.

Os dois inspiram forte. Esses itens com certeza não eram fáceis!

— Mas, senhor Mirmo, a salamandra de fogo não sinergiza com a Lei de Corpo de vocês, não seria mais interessante trocar a pedra?

— Lei de Corpo? — Os dois dizem ao mesmo tempo.

— Errr, quer dizer… O poder sanguíneo de vocês. Vocês cultivam artes de fogo que sinergizam com o caminho humanoide, não o do animal, ainda mais um réptil. Vocês teriam que mudar completamente seus hábitos de cultivação, seja qualquer um dos dois que for para o quarto reino.

Embora eles tenham entendido todas as palavras, eles não compreenderam todos os significados. O propósito principal era, a salamandra não era o mais ideal, e isso, ambos entenderam.

— Mas além disso, o que mais temos? Quem estaria disposto a trocar conosco uma pedra desta? — O ancião pergunta.

— No meio-oeste, tem um clã que segue este tipo de caminho, não?

— No meio-oeste… Não me diga… Bestas Aliadas? — Mapok reflete sobre os clãs e percebe que há um.

— Sim. Eles usam artes que tem a ver com bestas e monstros. Se pudermos fazer uma troca com eles, seria o melhor. Tenho quase certeza que eles possam ter algo humanoide.

As chances eram grandes, pois, como eles seguiam artes que imitavam monstros e animais, se caso eles conseguissem algo humanoide, a troca seria a melhor opção, em vez de usar sem ter a colheita dos melhores frutos.

— Vale a pena dar uma olhada!

— A melhor troca será uma em que não precisemos dar mais nada além da pedra. Se eles pedirem mais algo, tentem prometer algum armamento rúnico que eu possa fazer.

Os Mapoks olham para Mythro e se emocionam brevemente.

— Nesta geração, terei certeza de honrá-lo, até o fim dos meus dias, jovem sábio.

— Não se comprometa dizendo estas coisas. O futuro é longo e o caminho é bifurcado.

— Pai, estamos todos prontos. — Maki se aproxima e avisa aos três.

— Vamos indo, a uma nova oportunidade!

Cada um monta em seu cavalo e logo o forte trotar dos viajantes pode ser escutado. Eles deixam a muralha de pedra negra para trás em esperança de conseguirem algo que os leve para frente.

“Os caminhos dos céus são misteriosos e sem fim. É preciso viajar para encontrar destino, e destino se transforma em karma, e karma colhido é cosmicidade. Cosmicidade é tudo antes do Dao.” — Gornn murmura.

Mythro escuta, e, enquanto Suife cavalga, ele viaja nessas palavras.


Autor: Mateus Lopes   │   Revisor: BCzeulli   │   CQ: Heaven


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