DA – Capítulo 107 – Alcance Cósmico do Pavão Imperador(1)



Mythro se banha nas águas e toca em algumas algas. Ele as trouxe de lagos de fora da Gruta do Paraíso. Elas criam bastante oxigênio para os corais, e fortalecem a qualidade da água, embora, elas não fossem de origem satisfatória o suficiente para ajudar a runa a ir para um próximo nível.

Algodão-Nuvem (Nota do Autor: Vou escrever Algodão-Nuvem a partir de agora, antes era “algodão nuvem”) deslizava pela água, como pequenas pérolas que lembravam lótus e peônias. No ar, Dentes-de-leão viajavam e começavam a queimar caso chegassem muito perto do sol negro, feito por modificações em uma runa de fogo.

A runa do relâmpago repousava no meio do mar de Algodão-Nuvem. Sua influência, junto com a pura energia do Paraíso (Nota do Autor: Energia do Paraíso é a energia da Gruta, não confundam com a energia celeste).

Mythro se concentra e faz sua energia circular por todos seus canais enérgicos. A cada 20 ciclos, ele solta energia pela boca e a reabsorve.

Depois de ter o corpo reformado por Ammit, Mythro se concentrou em apenas cultivá-lo comendo almas. Mas, isso apenas fortalecia seu corpo, enquanto não lhe trazia outros maiores benefícios.

Com certeza, o corpo de uma Deusa como Ammit não trazia apenas isso. É que a própria Ammit não pode se descobrir, mesmo passando milhões de anos viva, ela foi apenas a cadela dos Deuses das Areias Douradas.

Entrando em profunda meditação e seguindo diversos rituais ensinados por Gornn, Mythro conseguiu entender um pouco do poder da Grande Morte.

Primeiro, Ammit podia devorar almas porque assim os cosmos a permitiram, mesmo Arfozianos, que eram os devoradores universais deste universo, não tinham permissão para engolir almas, pois elas traziam Karma.

Karma vai além de memórias e destino. E além de Karma, há a cosmicidade.

Cosmicidade poderia ser tomada por todos, portanto que fossem em momentos específicos, como por exemplo, e antes já citado por Gornn, a coroação de um príncipe, no quarto reino.

(Nota do autor: Príncipe é o título universal para aqueles que cruzam o terceiro reino ao quarto, apenas no ventre seres do quarto reino são chamados de rei. O primeiro reino é o Ciclo Cósmico Pessoal, o segundo reino é a Condensação de Anima, o terceiro reino é a Sobreposição de Anima, e o quarto é Anima Mea Maximum(Em latim seria Alma máxima))

Quando um ser alcançasse o maior nível de um terço, ele seria desafiado pelos céus. Leis que protegem seu karma e cosmicidade seriam revogadas para que sua tribulação fosse maior. Haveriam meios de obter mais recompensas também.

Grandes riscos acompanhados de grandes recompensas era uma lei do universo e do karma.

Foi se aprofundando nestes mistérios que Mythro conseguiu ter uma maior visão sobre os poderes da Grande Morte.

Ela pode tocar nos mistérios do Karma e da Cosmicidade de outrem. Isso era uma das coisas que mais fariam diferença para ele no futuro. Por enquanto, elas não poderiam ser colocadas para total uso, já que a cosmicidade começaria apenas a fazer grande diferença na cultivação de um ser a partir do quinto reino.

Pequenas interferências poderiam ser feitas a partir do segundo reino.

Além de poder tocar em Karma e Cosmicidade, Ammit também possuía grandes forças na questão corporal.

A Lei de Corpo dela era a lei da encarnação. Ela poderia encarnar em um ser diferente, portanto que ela já tenha devorado sua Cosmicidade e Karma.

Ou seja, os poderes únicos daquela raça/espécie! Embora isso fosse limitado as proezas físicas daquela raça ou espécie. Os poderes dela não levariam tão longe a ponto de encarnar o Alcance Cósmico ou Louvor da Vontade do ser.

Por isso, o termo encarnar foi empregado, pois limita-se a carne, ao corpo.

Porém, com o atual cultivo de Mythro, é difícil encarnar em algo. Seu corpo humano não poderia virar um lobo por exemplo, e, também há limites de quantos seres ele pode guardar.

No momento, ele poderia tomar a meio-forma de lobos e ursos. Quando ele se transforma em lobo seu tamanho diminui, ele se enche de pelos cinzas e seus caninos crescem. Em urso, seus pelos crescidos tornam-se mais pretos e ele cresce e proporcionalmente.

E como se fosse pouco, Mythro poderia alimentar esses seres com outros, e misturar seus Karmas e Cosmicidades, e criar uma criatura única, uma encarnação só dele.

Por exemplo, ele poderia criar neste momento um urso-lobo!

Após descobrir este poder, é que Ammit ficou mais irada com os Neteru. Eles provavelmente descobriram o que ela podia fazer e, mascararam pedindo para que ela tomasse apenas a forma de um ser de três partes.

Em sua essência, ainda havia certa cosmicidade das três bestas, o leão, o hipopótamo e o crocodilo. Elas já estavam fundidas.

Mythro neste momento está tirando o lobo para repor com a pele antiga de Ammit.

No peito do pequeno NOVA, seu coração de rubi brilha. Desta vez, é possível ver até mesmo através de sua pele negra clara o vermelho cintilante.

A água ao seu redor borbulha, mas não de ebulição, e sim de energia. O Lago do Paraíso cede a energia por ele mantida para que Mythro possa realizar a troca sem ficar cansado demais.

A runa de fogo, que agora parecia como um sol negro que irradiava raios e relâmpagos, se move e vai até o zênite do lago. Partículas de energia caem sobre Mythro vindas do sol.

A runa de relâmpago faz três galhos, que tocam três pérolas de Algodão-Nuvem, elas são lançadas pelo mar de algodoeiros e as três caem em três pontos do corpo do pequeno NOVA.

Seu dantian do céu, Shen, seu dantian do meio, Qi, e seu dantian de baixo, Jing.

Mythro possuía uma runa de terra e de vento, mas, elas estavam fundidas em seus dedos.

De repente, dois pequenos totens tomam forma, uma forma ilusória. Um é urso, outro é lobo.

O lobo sai do peito de Mythro, e vai até sua boca, onde o pequeno NOVA o devora. Ammit, dentro do dantian Jing de Mythro, tira sua máscara de crocodilo com juba, sua saia roxo-acizentada e a pele de leão de seu dorso. Eles viram pó estelar e vão de encontro ao coração de Mythro, atravessando véu do espirito a carne.

As partículas alcançam o lugar onde antes estava o lobo, e começam a se fundir. Por horas o pequeno NOVA permanece assim, enquanto a velha pele de Ammit vai tomando forma.

Depois de mais 4 horas neste estado de profunda concentração, a imagem da velha pele termina seu semblante. Um ser com cabeça de crocodilo com juba, dorso e metade do corpo feita de leão, e a outra metade feita de hipopótamo nasce.

Esse ser ainda é muito primitivo e feio. Era literalmente como um tipo de cão deformado, com partes aleatórias de monstros.

Era assim que os Neteru queriam retratar Ammit.

Mythro começa a refinar a velha pele de Ammit. Como antes esta habilidade não tinha nome, pois ela não podia treinar seu caminho e Dao. O pequeno NOVA a pergunta se ela quer dar um nome a isto.

“Chame de Lei da Encarnação, e os seres que você puder se tornar, de Imagens Encarnadas. Esta pele que os Neteru me deram, chame de Perdição do Egito.”

Esta Lei de Corpo então seria a Lei da Encarnação! Mythro refina a Perdição do Egito. Ele está deixando-o com uma forma mais humanoide. Ele quer que seja um ser com estrutura de um humano, mas, claro, com os quadris e abaixo com parte de hipopótamo, quadris acima de leão, e cabeça de crocodilo com uma poderosa juba.

Certa ansiedade cresce em seu peito, ele quer ver o dia em que ele poderia se encarnar a esta exata imagem.

Ele vai refinando até que um gorjeio irrompe todos os sons paradisíacos da gruta. Ele abre seus olhos e os Algodão-Nuvem em seu peito, abdômen e cabeça se soltam, como Dentes-de-leão, e voam pelo vento.

O sol volta a sua posição e o lago para de borbulhar.

O Pássaro dos Desejos vai até a margem do lago. Seu tamanho não está mais colossal, ele tem apenas 1 metro. Em seu bico, um pergaminho milagroso.

O corpo de Mythro treme ao ver o pergaminho.

— O que é isso? Todo pergaminho de Alcance Cósmico é assim?

“Com certeza não. Este Qi como diamante e cristal é energia divina, de nível Deus.”

— O Pássaro dos Desejos é realmente poderoso, eu farei mais um após este!

“Não, gatinho. Esta magia lorniana não é tão potente assim. Você deu máscara a Yin com Yang, e por isso para Deuses distantes não foi possível ver a magia. Mas isto é para Deuses que não estavam usando magias oculares. Qualquer Deus que estivesse olhando os ventos da fada com magia ocular poderia ver através do seu pobre disfarce. Embora, a magia de procura foi de fato poderosa devido a energia celeste, ela jamais teria encontrado algo escondido por Qi divino, isto lhe foi entregue por um próprio Deus!”

As palavras de Gornn soaram como trovão no ouvido de Mythro (Nota do Autor: É só forma de expressão, gente, ele não se assusta com trovão! O caminho dele é o do trovão, kkk).

Mytho pensa em Mutima. Mas a energia dela era rosa, ele tinha certeza disso. Ele vai até o pergaminho e o toma do bico do pássaro. Logo após, a ave se desmancha em pó.

A energia cósmica do pequeno NOVA começa a ser drenada, e o pergaminho começa a ficar pesado, como se tivesse ficando 100kg mais pesado a cada 3 segundos.

“Há uma palavra primordial como selo, diga seu nome!”

Os olhos de Mythro brilham intensamente, ele olha o pequeno laço que impede o pergaminho de se desdobrar e lê através de sua energia. O laço emana apenas uma intenção, e essa intenção é a palavra.

— Palácios!

O laço se desfaz e o pergaminho se desdobra! Uma luz intensa e cintilante toma toda a gruta do paraíso.


Autor: Mateus Lopes   │   Revisor: BCzeulli   │   CQ: Heaven



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