DA – Capítulo 106 – Pássaro dos Desejos



A energia celeste começa a migrar de hospedeiro, é possível ver seu brilho saindo de Mythro direto para o cajado.

… Ache para mim, o desejo da qual antes lhe foi proferido.” — Mythro termina o feitiço, e o cajado vai ficando maior, mas sua forma vai mudando para a de um verdadeiro pássaro.

Ele eventualmente se torna algo parecido a um Beija-Flor. As asas criam ondas de ar na Gruta do Paraíso. As vespas-abelhas são feridas com tamanha força.

Os olhos do cajado parecem criar consciência, e o bico do Beija-Flor vai direto ao peito do pequeno NOVA. Sons como o de água sendo engolida podem ser ouvidos vindo do pássaro, ele está se alimentando da energia celeste.

Duas sensações impactam Mythro neste momento. A dor de receber o bico do pássaro em seu peito, e o alivio de ter a energia celestial sendo removida de si.

Quando toda a energia celeste é removida, o pássaro começa a brilhar ofuscantemente, e ele se transporta para fora da montanha, a mais de 100 quilômetros na altura.

Seu corpo expande ainda mais, ficando com um comprimento de mais de 700 metros. Ele bate suas asas de forma tão rápida que parecem não haver asas. Ele gorjeia, como uma águia, e então é possível sentir de sua cabeça, vindo uma runa que faz com que ele tenha uma destinação.

Era a runa da palavra destino, na língua ancestral, “Sohojr”.

Atravessando a Montanha do Paraíso como se fosse um quintal, o Beija-Flor dispara para o leste.

Ele cruza milhares de montanhas em minutos, rios, que abasteciam centenas de milhões de vidas eram atravessadas tão rapidamente, que apenas a rajada de vento ficava como alerta dos que ali viviam, que algo passou.

Reis do oeste e do leste se levantam ao ar, junto com seus anciões.

— De onde isso veio? — Monica observa usando energia ao redor de seus olhos, ela traz Isabol junto consigo para os céus.

— Mãe, a direção que aquilo veio era da Gru… — Isabol estava prestes a revelar a direção da Gruta do Paraíso, quando se lembra que é um segredo que deve ser mantido.

— Gru o quê? — Monica olha para sua filha, com olhos que pedem a verdade.

— Nada, me confundi. — Isabol olha para o horizonte.

**

No clã das Ondas Barbáricas, um homem e um menino ficam lado a lado nos céus.

— Pai! O que foi aquilo!?

— Talvez seja uma criatura lendária passando pelo nosso continente, ou talvez um feitiço dos reis do oeste profundo.

— Tão poderoso assim? Foi o clã anfitrião?

— Talvez tenha sido o clã Tempestade de Relâmpagos.

— O clã daquele Senhor Ymir?

— Cuidado! Ele pode te ouvir.

Caluf Uin conversava com seu filho, Zou Uin. O olhar do patriarca das Ondas Barbáricas e afiado e emana, medo e reverência.

**

No leste, outra pessoa vê o pássaro indo…

— Vó, o que é isso?

Uma menina de cabelos arco-íris pergunta, ao que seria nada, pois, ela estava sozinha em uma floresta de bambus. Mas uma pessoa aparece ao seu lado e coloca sua mão em seu rosto.

— Um feitiço de criança. Lançado pelo seu futuro esposo.

— Qual a finalidade dele? Essa aura… Mythro não poderia lançar algo assim.

— Os céus olham demais pelas criaturas divinas. Ele teve a sorte de receber de bandeja energia celeste, e a utilizou para concluir o feitiço do Pássaro dos Desejos.

— Pássaro dos Desejos… Ele busca qualquer coisa que você desejar?

— Nem pense nesse feitiço, ele não é desse lado da coroa.

— Desse lado da coroa?

— Ainda não é tempo de você saber disso.

Era Mits e Mutima!

Diversos sectos e clãs que possuíam reis foram atrevidos de ir ao céu e olhar na direção do Pássaro dos Desejos, mas nenhum deles conseguiu ter a visão de sua forma, onde ele passava, apenas as rajadas de vento diziam que ele por lá esteve.

Eventualmente, o Beija-Flor atravessa o octógono e viaja pelo vasto mar que o cerca. Mythro senta de pernas cruzadas e medita para poder se recuperar.

As vespas-abelhas, juntas com Grásio, Suife e Núbia, juntam Algodão Nuvem com mel e Ginseng.

Eles misturam nas águas purificadas do Lago do Paraíso e passam nas feridas do pequeno NOVA.

Embora não fossem os remédios certos para este tipo de ferimento, o corpo de Mythro absorveria tudo que fosse benéfico a ele.

**

A runa Sohojr já tinha achado algo, para o Beija-Flor, o alvo brilhava como ouro estelar.

Mas as maquinações do universo eram maiores. Bem distante, do octógono, distante até mesmo do ventre das fadas, ou do quadrante das areias douradas, um ser viajava, deixando em seu rastro, planetas e estrelas fora de suas orbitas.

Ele viaja com uma coroa à mostra, e o universo em suas asas. Mas ainda assim, seu corpo possuía um véu que o separava do céu e terra. Em certo período de seu percurso, ele sente uma energia especial, vindo de um quadrante próximo.

— Pássaro dos Desejos? O que uma magia Lorniana faz deste lado? — O ser dobra suas asas, e gira em espiral, um rasgo abre no espaço e ele mergulha.

Seu corpo reaparece ao lado do Ventre das Fadas.

— Você não é bem-vindo aqui, Lorniano! — Um outro ser aparece do seu lado, com cabeça de Chacal.

— Anúbis, criança. Onde estão os Neteru?

— Os senhores estão viajando.

— Entendo… Foi assim que isso foi permitido.

Embora o ser com corpo de homem e cabeça de chacal, conhecido como Anúbis tenha vindo de forma agressiva, ele segura um Khopesh na mão, e não ousa aponta-lo para o Lorniano.

— Muito bem, foi o destino que nos juntou. Um presente deve ser dado a uma criança tão corajosa.

O ser remove seu véu, e sua boca cospe uma energia que brilha transluzente, como um tipo de diamante.

— Isso é!? — Anúbis se choca com a visão deste ser, e desaparece.

Ela era um abutre. Se um mortal o visse talvez o comparasse a um abutre-barbudo. Mas todas suas penas eram verdes como a mais intensa esmeralda, não, a esmeralda ainda não alcançaria o verde destas penas, que a luz das estrelas e planetas, brilhavam como joias feitas para adornar o próprio criador do céu e terra.

Seus olhos eram rosas como os rosas do cabelo de Mutima. Eram o ápice do que a cor poderia representar neste universo.

A energia vai se transformando em diversos caracteres da língua ancestral, e então é selado com um caractere da língua primordial! A energia parece um pergaminho de cristal-diamante.

— Sendo você, quem é, tenho certeza que poderá abrir isso.

O ser levanta sua perna, e, com sua garra ele manda o pergaminho até o Pássaro dos Desejos.

— Este é um dia para ser lembrado pela eternidade, terei certeza de levar isso ao meu Senhor. Esta viagem foi um sucesso, os Palácios vão vibrar com esta vinda.

O ser volta ao seu véu, e rasga novamente o espaço. Ele gira e é transportado, para um novo universo.

O Beija-Flor cruzava o mar e estava indo em direção a uma única flor, não maior que um girassol, que viajava no mar, sozinha.

Foi quando o pergaminho cristal-diamante apareceu em sua frente. Primeiro, o pássaro temeu. Depois, a energia celeste entrou em fúria.

Mas então, o caractere em língua primordial brilhou e acalmou a energia celeste. O Pássaro dos Desejos pegou em suas patas o pergaminho, e dando meia-volta, começou sua jornada para a Gruta do Paraíso.

Mythro percebe que o Pássaro está retornando, e sai do seu estado meditativo. Ele permaneceu assim por mais de 12 horas.

Suas feridas fecharam e sua energia cósmica está estabilizada. Graças as vespas-abelhas, Suife, Grásio e Núbia.

Sentindo a energia da Gruta do Paraíso, Mythro se sente satisfeito. Fazia muitos meses que ele não visitava ela, e seu crescimento é estável como ele tinha previsto.

As abelhas agora estão em um número de 50, colmeias que só poderiam ser chamadas de enormes se prendem em meio as estalactites.

Os algodoeiros enchem a visão distante da longa caverna. Suas cores fazem com que, o que parecia ser um mar de seda, se tornasse real.

— Minha Gruta do Paraíso… Um dia tudo isso pertencerá a mim, Namhr e Mits.

“Após pegar o que for que o Pássaro dos Desejos tenha trazido, você deverá primeiro se recuperar completamente. A muitos mistérios no Alcance Cósmico que não podem ser desvendados com um corpo ferido.”

— Sim. Tomarei meu tempo para estuda-lo quando eu estiver em melhores condições…

O Beija-Flor voa rapidamente, e novamente alerta todos os reis. Alguns decidem segui-lo, mas, uma nova aura brilha ao seu redor e ele desaparece.

— O camuflaram? — Um expert de nível ancião que estava voando atrás do pássaro vai ao chão e começa a chorar.

Para todos que não sabiam o que o Pássaro dos Desejos era, apenas conjecturas de ser uma besta lendária ou então um fenômeno cósmico, eram plausíveis.

Seja o que for, quando ele desapareceu em meio ar, todos desistiram de pensar sobre ele, e suas origens, e deixaram isso para trás de suas cabeças.


Autor: Mateus Lopes   │   Revisor: BCzeulli



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