DA – Capítulo 103 – Descobrindo os vestígios(4)



Mythro levanta de seu repouso, apoiado na árvore, ele vai até os seis do clã Espada sob o Sol, que dormiam em volta de pedras de Qi de fogo. Elas proviam calor para passar a noite e não eram tão brilhantes quanto uma fogueira.

Eram definitivamente a melhor opção para passar a noite aquecido.

Os primeiros raios de sol já viajavam até as pálpebras adormecidas dos seis. Mythro se senta no chão e fecha os olhos. Acordá-los forçadamente é algo desnecessário. Principalmente depois de uma luta tão longa.

— Sinto falta da Gruta do Paraíso. — Ele lança um pensamento para Gornn.

“Deve estar florescendo mais e mais vida lá a cada dia. Se acharmos uma planta senciente, seu jardim alcançará outro nível.”

— Será que existe uma por aqui?

“Com certeza. Este lugar estava escondendo até mesmo Numroharr. Como não poderia estar escondendo uma planta senciente?”

— Mm.

“Não demorará muito para que eles acordem. Lembre-se de ser direto e usar sua Ordem de Cima.”

— Vamos adiante sozinhos?

“Sim. É o melhor. Seja o que for que estiver sendo feito aqui, com certeza não encontraremos crianças do primeiro reino à frente.”

— É… Quais são minhas chances de matar alguém do segundo reino?

“Nulas. Os quatro primeiros estágios são ultrapassáveis. Você ainda não pode tocar na sua alma, caso pudesse, então poderia sim matar seres um reino acima do seu. No último estágio do quarto reino, com certeza você poderá matar seres no início do quinto.”

— Então é uma questão dos terços, certo?

“Correto. Aqueles que completarem seus terços com perfeição superaram aqueles que não o fizeram. Assim como você pode derrotar qualquer ser abaixo do segundo reino com facilidade.”

Sons bruscos soam. Um dos seis começa a acordar. É Lenlen.

— Professor?

— Lenlen. Vamos esperar os outros cinco acordarem, precisamos conversar.

— Tudo bem. Só precisamos voltar para casa agora.

— Quanto a isso que vamos conversar.

— Você quer continuar a caça?

— Mm.

— Professor, isso é loucura. Já matamos mais de uma centena de lobos, com certeza eliminamos o nível necessário deles. — Lenlen se levanta e acaba falando mais alto.

Os outros acabam acordando devido ao barulho. Eles se levantam rapidamente e veem a pele de Lenlen vermelha.

 

— Já que acordaram, vamos direto ao assunto. Eu vou continuar esta expedição de caça. Há coisas que preciso verificar.

— Professor, isso é insano. Mais longe que isso e vamos de cara com coisas do segundo reino acima! — Tobias balança os braços em completa negativa.

— Eu consigo fugir deles. Tenho armas e meios o suficientes para isso. A pergunta é, vocês querem me acompanhar, sim ou não?

— Acho melhor irmos com o jovem sábio… — Maki responde, apertando a camisa pela região do seu peito.

— Não, Maki. Você está fazendo isso porque gosta do professor. — Sâmela responde, puxando o braço da princesa do clã.

— Não, não é isso! — Maki fica completamente vermelha, e olhando Mythro pelo canto do olho.

— Não vou deixar você morrer por culpa dele.

— Isso mesmo, se o professor quiser ir, ele vai sozinho.

— Não estamos sendo egoístas? Nem perguntamos o porquê de ele querer ir mais a fundo.

— Você concorda com ele, Tobias?

— Não é isso, Juca. Mas, continuar a frente é obviamente uma má ideia, então por que o jovem sábio a fez?

— Porque ele é um assassino louco!

— Chega. — Mythro usa sua Ordem de Cima. — É bem simples, vão embora. Mais de quatro de vocês não concorda, então os outros dois vão ter que ir com eles. Ir mais fundo que isso é realmente perigoso, por isso, mandem uma mensagem aos velhos do clã. Eu vou mais a fundo para verificar se tem algo a ver com alguma seita maligna.

Os seis ficam com os olhos atônitos. Seita maligna?

— Como assim, professor?

— Não preciso explicar mais que isso. Vão logo, já escolheram seu destino, o clã Espada sob o Sol!

— Muito bem. Vamos! — Juca pega nas rédeas de um cavalo e o monta.

Os outros cinco ficam parados por um tempo. Se era algo relacionado a uma seita maligna isso era completamente sério! Eles estavam na região do clã, então isso era coisa para que anciões ou guerreiros resolvessem e investigassem, não um guri do primeiro reino.

— Está tudo bem irem com o Juca. Seja o que for, não vou por minha vida em risco. Não vim aqui para morrer nos pés de cães.

Mythro se vira e Suife se aproxima dele. Ele monta em seu trono e olha os seis.

— Boa viagem! Maki, vamos.

Lenlen puxa a princesa, que está sem reação. Mythro percebe pelas ondulações das emoções dos seis que eles estavam prestes a mudar de ideia, e decide dizer algo para fazê-los sentirem raiva e decidirem não voltarem de todo jeito.

— Que bom que vocês não virão comigo. Assim, minhas chances de sobreviver aumentam.

Tobias estava quase dizendo que ia junto com o pequeno NOVA, mas quando ele diz isso, ele salta no cavalo e usando sua energia cósmica recolhe todos os pertences no chão, ele os guarda em seu saco azul, preso em sua cintura.

— Esperaremos pelo senhor no clã, professor. — Com tom ríspido, ele bate no cavalo e sai trotando.

Os outros olham com hesitação, mas dá para ver que eles repetem em suas mentes o que Mythro acabou de dizer, e, sem mais delongas, eles vão pelo caminho feito por Tobias.

Suife começa a andar na direção contrária a eles. Em poucas horas Mythro entra em uma área reconhecida por ter monstros do segundo reino.

“Agora que você está só, já pode começar seus feitiços de rastreio.”

Mythro pega um colar de seu saco azul e o joga no alto três vezes. Enquanto o colar pula para cima e para baixo, ele entoa:

— Apresente-se a mim, escondida!

O colar cai na mão do pequeno NOVA e começa a flutuar. Como adorno, sua pedra que era branca, começa a brilhar um raio verde e voa em uma direção.

Sem que seja necessária uma ordem, Suife segue o colar. Ele cavalga por horas até que o colar para e repousa no chão.

Mythro vê uma montanha à sua frente. O cheiro de sangue é forte. Mas é uma aura que permeia o lugar que deixa os sentidos do pequeno NOVA loucos.

— Aura de ritual… Merda, Gornn! Por que isso me deixa tão bravo!? — A Aura Primal Mortal de Mythro grita em seu corpo, ele sente seu sangue gritar por algum tipo de vingança.

“Isso deve ter relação com algum ser místico. Ou até mesmo…”

— Arte proibida pelos céus! — A garganta de Mythro começa a queimar. O pilar de luz, flecha do seu arco celeste, rugi tentando sair de seu corpo.

“Uma arte proibida pelos céus é uma que vai contra as leis divinas. Mas poucas coisas afetam as leis divinas.”

— Os céus estão preguiçosos? Onde está a chuva de relâmpagos?

Mythro diz vociferando. Sua ira é algo que vem de seu cerne. Como ele é uma criatura divina, está em seu âmago proteger as leis divinas do cosmo! E não obstante, ele é uma criatura divina em dobro, já que ele é Supernova e Arfoziano. A sensação que percorre seu sangue o faz querer se atirar contra os infratores e rasgá-los com as mãos nuas em pedaços de carne.

“Próteses, afetando o divino… Isto deve ser magia de Kromo.”

— Kromo? O velho arma-necromante?

“Ali.” — A voz de Ammit soa e olhando na direção da qual ela apontava, dentro da área Jing, Mythro vê um lobo andando como homem, mas sem cabeça. Sua cultivação era algo entre o terceiro e o quarto estágio do ciclo cósmico pessoal. É como se não fosse algo fixo.

“Sim, isso é sem dúvida magia de Kromo. O perigo de você ficar no oeste aumentou em níveis alarmantes. Essa seita maligna está usando o caminho do Roubo Celeste, algo que não deveria ser possível para seres mortais de sangue ralé.”

— Então… Os filhos de Kromo estão aqui!?

Mythro pega o Chomir em seu dorso e ataca o lobo sem cabeça. O lobo é retalhado e cai no chão.

Mas o incrível vem em seguida. Uma energia descende nele e o reconstrói. E sua cultivação começa a subir de maneira agressiva e poderosa.

“Mate-o, agora!”

Com suas pupilas em filetes de eterno fogo negro. Mythro invoca seu arco celeste, e, com fulgor antes desconhecido, ele atira uma flecha de pura luz na besta.

A seta perfura o coração do monstro e ele começa a se desconstruir. A fera, como se tivesse olhos, encara o pequeno NOVA.

— Criança divina… Você não impedirá minha ressurreição…

O monstro fala!

“Devore a energia!”

Abrindo sua boca, Mythro suga a mesma energia que acaba de reconstruir o lobo, que vira pó e energia.

Logo após terminar de devorar toda a energia, Mythro sobe em Suife e vai correndo na direção da gruta do paraíso.

Enquanto ele cavalga, Grásio finca suas presas em seu pescoço enquanto o pequeno NOVA faz diversos selos de mãos.

“Resista a energia celeste. Se você a absorvê-la em sua atual cultivação você explodirá!”


Autor: Mateus Lopes   │   Revisor: BCzeulli   │   CQ: Heaven



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