DA – Capítulo 10 – Centro do abismo



Após correr horas à fio, Mythro finalmente começa a ouvir barulhos de carroças e pessoas gritando. Ele finalmente alcançou o centro do abismo. A única cidade em que pessoas de todas as vilas vem para comprar, vender, participar de leilões e muitas outras coisas…

Aqui também é o local onde muitos artistas marciais do abismo podem treinar e ser reconhecidos e até mesmo sair do abismo e servir nas terras abençoadas do senhor do norte!

Mythro entra em um caminho que geralmente é usado para o tráfego de carroças com mercadorias para venda. Não obstante disso, ele logo encontra problema.

— Hey, garoto! — Uma voz de gralha viaja e vibra no ar até os ouvidos de Mythro.

Entendendo de sua localização, o pequeno NOVA se vira e dá de cara com um senhor, que é tão feio quanto sua voz. Ele usa algumas partes de armadura, isso provavelmente diz que ele é um guarda da movimentação das caravanas, filtrando quem deve ou não deve entrar.

— Sim?

— Qual sua caravana?

— A caravana… da… dali… — Mythro aponta a uma menina com uma mandíbula de lobo ornada em sua cabeça.

A menina olha de novo para Mythro e coloca um de seus dedos no queixo, e inclina a cabeça. Então abana a mão, chamando um homem ao seu lado.

— Trinto, aquele garoto está apontando para mim, será que é amor à primeira vista?

O homem ao lado dela quase espasma, ele olha na direção que a menina aponta e fica com uma expressão de surpresa.

— Minha irmã, se realmente for amor à primeira vista, temos que raptar esse garoto logo, antes que mude de ideia!

— Escuta aqui, o que você — Ela então vê seu irmão correndo na direção de Mythro — Hey, Ou! Você, Trinto!!! — A pequena corre atrás do irmão com as bochechas vermelhas.

Logo o homem chamado Trinto chega perto do guarda e de Mythro, ele olha para os dois e então lança a pergunta.

— Desculpe, o que foi que aconteceu?

— Esse garoto, ele é de sua caravana, Jovem senhor da caça?

“Jovem senhor da caça?” — Mythro

— Hã? Ele?

Mythro então lança uma piscada para a direção do homem.

— É, sim… Ele é. — Trinto diz com convicção.

— Muito bem então — O velho guarda olha para Mythro e levanta um pouco os lábios antes de baforar — Ei garoto! Não se perca, não é raro ver jovens de clãs nobres virarem escravos por terem se perdido!

O Guarda então começa a andar em direção de outra criança, e que antes mesmo de ser abordada, é resgatada pela mãe e pai, que logo mandam o velho guarda embora.

— Que guarda estranho.

— É o velho Rátim, ele é o que vende crianças perdidas aos senhores de escravos.

“Está aí alguém que seria melhor morto, Mythro. Quando tiver sua chance, não a perca.”

Gornn soa na mente de Mythro, e o pequeno NOVA acente. Embora Mythro nunca tenha matado ninguém, ele viu, e sentiu com seu próprio corpo que vidas tem peso. E o peso de um sequestrador de crianças é nulo.

— Me diga, se ele é conhecido por ser sequestrador de crianças, por que ele não é impedido?

— É complicado, ele é um servo direto do Senhor da cidade central do abismo. Não é que ninguém queira fazer algo contra ele, mas as bandeiras que se ergueram contra essa pessoa, e sua família… Bem, uma formiga não vence um elefante.

“Mas milhares de formigas vencem.” — Gornn soa na cabeça de Mythro, e o pequeno repete.

Trinto olha para a criança e fica por um momento perplexo. Onde já se vira? Uma criança de 7 anos, falando sobre algo como ir contra o senhor do abismo? Em um diálogo tão cabido, e despojado de medo.

Nesse momento a pequena chega e, cansada, coloca as mãos nos joelhos e arfa.

— Bem, obrigado pela ajuda. — Mythro diz, e acenando com a mão, começa a andar em direção à entrada da cidade, pelo acesso das carroças.

Trinto olha o pequeno indo e com alguns passos, ele o alcança, colocando sua mão no ombro de Mythro.

— Garotinho, qual é o seu nome?

— Mythro.

— Mythro, por que você não nos acompanha? Afinal, você ainda corre o risco de ser pego por outros, e fora isso, qual seu objetivo aqui? Pergunto, por que seja o que for, podemos lhe ajudar.

“Toda ajuda tem um custo, pergunte o que ele quer. Pequeno NOVA. “

— E o que devo fazer em troca dessa sua ajuda?

Novamente, Trinto mostra grande surpresa em sua expressão. De jeito nenhum um menino de 7 anos faria uma pergunta dessas!

— Minha irmã, teve certo interesse em você. Que tal vocês dois brincarem? Podem até se casar no futuro! —  Trinto diz com grande expectativa.

— Como assim? Vamos brincar e depois casar? Onde está o sentido nisso? — Mythro diz como se algo completamente estúpido tivesse sido proposto.

Gornn faz um pigarro, com um certo tom de risada.

“Vamos, garoto. Aceite, é sempre bom ter esposas!”

— Tem certeza? Ela é meio estranha! — Mythro lança um pensamento.

O pequeno NOVA então olha para a garota, ela está com as mãos no rosto, com as bochechas rosadas e… alguns fios de cabelo na boca. Quando ela percebe os olhos de Mythro, ela acena e começa a andar na direção dele.

— Oi… — Ela chega bem perto de Mythro, olhando bem seus olhos.

— Olá

— Eu sou Mits, sou filha do Senhor da vila da caça.

— Eu sou Mythro.

— Qua.. Qual sua vila, Myt… Mythro, onde você nasceu?

— Eu não sei onde nasci. Eu fui salvo por Namhr quando eu tinha o tamanho de alguém de 5 anos, ela me levou à vila Fashr, e vivo lá a dois anos.

Trinto ouve a história e começa a entender um pouco mais da situação.

— Então, você veio aqui para poder se provar à Fashr? Boatos de Fashr adotando um garoto viajaram a nossa vila. — Trinto pergunta à Mythro com os braços cruzados.

— Na verdade, não.

— Pelo que então? Myt… Mythro.

— Me espancaram na vila, eu quase morri. Eles pensam que eu sou um Markho.

Os dois irmãos ficam nervosos e extremamente perplexos. Mythro disse com muita tranquilidade que ele foi espancado e quase morto!

— Markho? Se eles tivessem dúvida de você ser um Markho, eles deviam trazê—lo aqui para investigar seu sangue. O que Fashr fez é contra as leis do Rei do norte! — Trinto fala completamente irado!

— Não foi o Senhor Fashr… Foi um plano da Fumin e dos aldeões.

— Indiferente! Assassinatos dentro da vila, também são proibidos! Ainda mais, um Senhor de vila não ficar sabendo do que acontece dentro de sua jurisdição, o que Fashr é? Um tolo? Ele alcançou a liderança como? Sendo um completo imbecil? — Trinto não consegue se reconciliar com sua raiva.

— Calma, mano!

— Sim, Senhor Trinto, calma. Eu estou aqui porque quero ficar mais forte, e provar ser útil para a vila. Na verdade, agora que você falou deste teste. Eu também quero tentar! Se eu provar que não sou Markho, não terei mais problemas aqui no abismo.

— Isso até pode ser, mas… Como você consegue ficar tão calmo com uma situação dessas?

— Eu quase morri lá por ser fraco. Se eu fosse forte. Se eu fosse mais esperto. Se eu fosse mais… Nada disso teria acontecido.

“Ótimo garoto. Sua vida está nas suas mãos, enquanto alguém mais forte não tiver interesse nela. Se você quer ser o único detentor de sua morte, então cultive!” — Gornn

Trinto vê nos olhos de Mythro uma forte determinação e suspira. Ele então puxa Mythro pelo ombro, e todos os três voltam ao lado da carroça da vila da caça.

— Temos que falar com o papai! — Mits diz puxando a calça de couro de Trinto.

— Sim, ele foi resolver algumas coisas com os outros mercadores. Devemos esperar e explicar um pouco mais para Mythro sobre a atual situação.

“Garoto, pergunte para ele, por que há tanta gente aqui. Mesmo sendo uma cidade, a cidade de um lugar lixo, continua sendo lixo, e quando muito lixo se reúne, é porque há tesouro.”

— Gornn quer saber porque tem muita gente aqui. — Mythro diz, olhando o arredor

— Gornn? — Trinto pergunta com as sobrancelhas franzidas.

—Hã, falei errado. Por que tem muita gente aqui? — Mythro rapidamente se recupera do erro, e sem ao menos trocar de expressão já lança outra pergunta.

— Hoje temos uma visita. Um general da cidade do norte veio ao abismo, para mostrar um pouco da arte marcial da realeza.

— Só isso? — Mythro fala.

“Garoto tolo, ver um expert em ação traz muitos benefícios, fora isso, se o general tomar gosto por ti, pode te levar como aprendiz! Isso aceleraria seu cultivo e treino.”

— Claro que não, Myt… Mythro. Se o general gostar dos jovens do abismo, ele levará alguns para treinar lá fora! Ele disse que planeja levar até 10. Para decidir quem levar, haverá uma luta entre 100 crianças, com faixas de idade parecida. — Mits explica.

— Entendi.

“Isso é uma roubada, tente não ser escolhido.”

— Por quê, Gornn? Não foi você que disse que ser escolhido traz boas coisas? — Mythro lança um pensamento.

“Sim, de fato. Mas 10 pessoas são demais. Ele provavelmente só está aqui pelos próprios benefícios. Nesta terra abismal há algo que o rei do norte quer. Essas relações de aprendizagem serão quase inexistentes. Até prevejo a morte dessas 10 crianças que saírem daqui.”

— Como assim?

“Você verá, sem pressa!”

— Lá vem nosso pai! — Mits aponta e pula na direção de um homem.

Este homem tem alguns fios brancos na barba. Seus cabelos são cortados até as orelhas, em forma esparza. Seus olhos são afiados, ele tem um bom porte, e se veste parecido com Trinto.

— Este é nosso pai, Senhor da vila da caça. Mitri.

— Mitri? Nossos nomes são parecidos. Espera, é por isso que você gagueja meu nome Mits?

— Sim, eu quase o chamo pelo nome do meu pai. — Mits diz com o rosto vermelho, e acuado na camisa rosa de algodão.

— Temos visita? — Mitri chega perto dos três e para com uma mão na cintura, ele inspeciona Mythro da cabeça aos pés.


Autor: Mateus Lopes Jardim Revisor: Bczeulli  CQ: Gabriel Lucas



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