AVN – Capítulo 67 – RED, By Rei Escarlate.


As luzes incandescentes cai no seu rosto. E ele a olha: bem-vestida, trajada de terno, acomodada em sapatilhas, seu rosto tocado apenas por batom, e seus olhos caindo como luva, sem nenhuma outra razão.

Você vai falar? Ela perguntava, olhando resignada para ele.

Pode deixar, eu sei o que fazer.

Marte, 802 depois da grande queda, a última grande escola surgia como resposta a ideologia da conservação humana criada por Garry Sanders e André Touloise.

Camaradas, hoje o sol nasce vermelho! — A escola utilitária, entranhada no distrito da Giant tree ganhou forças secretamente nos últimos 25 anos. — Podem me questionar sobre o porquê, podem dizer sobre como, mas hoje obtivemos uma vitória política que imortalizará nossos ideais. O grupo vermelho da verdadeira libertação junto com o centro democrático dos jovens pela liberdade e os jovens pela liberdade dos distritos unificados, além do partido dos baixos distritos, o sindicato recém-criado das siderúrgicas humanas e os professores para o progresso. Das duas mil cadeiras, temos novecentas e trinta e duas, temos 7 cidades, sendo Helen Point, Light Blue, Redneon, Dirty Roots, Warm Place, Southern Valley e Iron Gate. Cidades dos verdadeiros trabalhadores, dos verdadeiros oprimidos; das cidades dominadas por gangues, as cidades em que uma mãe deve se prostituir para pagar o pão do próximo dia, que o pai sai para o trabalho e não sabe se volta, do filho que vai para escola e é tomado de chagas, da estrutura desarmoniosa que são nossas escolas, e de como elas se tornam apenas um antro de discórdia.

As plantações na base do monte olimpo e perto de Valles Marieneris estavam dominadas pela corporativa de Grãos Neo-Tree. Alex cuidava dos assuntos corporativos naquele lado, com os latifúndios de grãos dominando o abastecimento calórico dos distritos baixos. Lucro líquido até ali, 2.254.331.420. Estava avaliado em mais de 4 bilhões na Megatorre 6.

Camaradas, hoje o nascer do sol será vermelho! — E era como a instituição política da Megatorre 5 e a plutocracia morresse num momento. — Levaremos democracia, finalmente a esses distritos. — Debaixo do palanque, ele era o sol e o vento. — Foi um trabalho político de 5 anos, mas conseguimos mobilizar as massas através da Giant Tree, fechar as estradas no maior protesto de muito tempo. Nossas mensagens conseguiram atingir por diversas vezes a top trend do I_U, e enfim aqui estamos, tantos passos depois da escravidão; finalmente contemplando a liberdade.

Green Spring, Subdistrito A – agora conhecido como Distrito administrativo da humanidade. A porta se abria, os olhos desciam lentamente pelo espaço em branco, e num grito que ninguém conseguia entender, ele balbuciava do quanto sentia sua falta. Um, que o esperava pacientemente, olhou nos seus olhos, esboçou um sorriso, e realmente acreditou que era ela quem ele ansiava.

Anne. — Ela diria. — Pensei ter me perdido, pensei que eu era nada. O único homem que amei era um merda, um sujeito ruim e maldoso, que não agregava em nada. — Se lembrava claramente das mensagens que deixaria por aí, seus olhos imutáveis, uma dor que te devorava. — Míchkin era pra ser a ressurreição de Franker. Agora questiono: como pode uma consciência engolir a outra sem, por algum acaso, ser engolida primeiro. — Foda-se tudo, é um pensamento qual nos recorre. — Anne: Franker foi um cínico que reduziu o mundo a nada quando na verdade tinha o mundo em suas mãos. E Dois Meia foi um pobre coitado que imaginava que o mundo era bem maior do que ele, se agarrando a preceitos de heróis, pensando que poderia ter uma história maior que a minha, de Franker, da sua. Essas duas consciências o que são? Franker tenta demostrar o mundo a ele, aposto, dizendo sobre ser ou não um super-herói, e Dois Meia penetrado pelas palavras, cai num rumo de decepções onde a natureza da individualidade nunca seria suficiente para superar a verdadeira natureza da sociedade. O que é? Veja, encare um espelho em que haja apenas você e saberá que é a pessoa mais especial do mundo. Agora nesse mesmo espelho, tenha o reflexo de milhões de pessoas, e você verá que a sua refletida não é nada, e mesmo que tudo dependesse apenas de você, seria insuficiente. Saber que o mundo é uma merda, que não somos nada, permite nossa liberdade quanto ideologias, nos permite ser quem queremos ser, ao mesmo tempo em que nos torna incapazes, por exemplo de superar a natureza. Na terra, fomos devorados por ela, pois nossos indivíduos em automação não conseguiram ver além da filosofia regressiva e não aceitaram reconhecer que um fundamento importante da humanidade é o constante estudo sobre si mesma. Franker carregava essa sina quando nos levou a superfície de marte. Ele não entendia o que era, quem era, para o que era e o que deveria ser. E todos os crimes que cometeu foi por acreditar que era maior que todos, pois para todos ele era deus, e o que deveria ser só podia ser deus. Dois Meia no entanto, pensava que a natureza firmemente consolidada deveria ser superada pela verdade e a verdade é bem maior que o indivíduo humano. O que eu acredito, é numa mentira, que independente de tudo, é a ideia o primeiro fator que define natureza e depois, humanidade. Nós três estamos errados, óbvio. Mas há um quarto fator que constantemente sempre me esqueço: Koltrain. A humanidade é uma unidade, então o pensamento deve ser único, o movimento uniforme e a criação e recriação deve ser limitada ao sujeito modelo de um estado. É a não volatilidade, a ciência como princípio e a sociedade como apenas um mecanismo para a sucessão da humanidade. É curioso pois sinceramente não me importo. O que me incomoda é que no meio desta dança eu seria tragada, e no teu movimento, com certeza, eu não poderia ser quem realmente sou. Seria meu suicidío este admirável mundo novo. Porém, o mundo de Franker também foi, o meu mundo nunca me agradou e o que me resta, Anne, a última coisa que resta é o mundo deste garoto, seja ele qual for.

A inconstante bate a porta, e Anne olhava seus olhos. A íris inflamada, se agigantando, quase engolindo, e os poros do seu corpo o que eram: um ser fumegante, a história ainda não contada.

Ele sempre foi essa pessoa incrível para você, não é? — Segurava o ar no peito, o veneno da saliva, o sangue fervido a óleo. — Se é tudo, acho que posso ir, não posso?

Você já foi mais atenciosa…

Que eu fosse, por que eu deveria continuar sendo?

Um silêncio, as luzes do quarto dançando no rosto de ambas.

Realmente encontrou seu caminho, não é? — A voz era carregada por nada. — Entendo. Apenas não me esqueça, completamente.

O corpo cai, as flores forradas são o leito, e quando o sorriso se mostra, ele não estava mais do mesmo jeito. Alex estava em Giant Tree, com I.O, no prédio das relações públicas, trajados de terno, carregando pastas.

Eu acho que nunca tivemos um diálogo. — I.O era uma menina vibrante, com olhos cheios de vida e um sorriso sarcástico que penetrava. — O que você acha?

Acho que é apenas o nosso trabalho.

K havia preparado as planilhas, junto de Jó e o detetive de Um, Douglas para apresentar para Jesé Estranho, sobre o aumento estatístico do desemprego nos setores ociosos cuja demanda naquele verão estavam absurdamente altas. O objetivo era obter uma licenciatura para abrir uma startup no setor, que estaria nas mãos de uma incubadora do estado no período de três anos.

O trabalho de ser invisível é correr o risco de morrer a qualquer momento.

Fábrica de gás número 7, Hari desenhava linhas, entoava palavras, criava bordas, domesticava sombras. De um lado arte, de outro lado uma mancha. De todas as formas, ela tinha num quadro em branco mais beleza do que todos os muros pichados de Redneon, mais beleza que as favelas de Dirty Roots, tudo, apenas porque sabia construir linhas, sabia criar imagens, e era isso, um mundo sem palavras, superior a nossa degradante realidade.

Me disseram que você escrevia. — K era a musa, nua, pousando na plataforma, isenta de sorrisos. — Parece que mais que isso.

Também sou um ótima atriz. — O pincel fazia uma curva e retornava, outra curva, e retornava. — Sei esculpir, sei escrever, sei pintar. Respiro arte, consequentemente, tudo ao meu redor é arte.

A linguagem é o ser humano. Primeira coisa que herdamos ao abrir nossos olhos e finalmente respirar. O ar desce e o orifício emiti frequências curiosas, onde do outro lado alguém assente, faz um balanço com a cabeça – outra frequência. Linguagem é o ser humano, é a sociedade, é o modo que sucede luz e o princípio que nos liberta da natureza. No entanto, preso em linguagem, nos tornamos dependentes mais dela do que dela de nós, e é aí que a linguagem se perde e estagnamos no tempo.

Sob as luzes neon, eu sou e replico. É uma figura curiosa trajada de sombras, e tomada de loucura que me assopra nos ouvidos uma forma estranha de vida. Estou sob as luzes neon, e elas são vermelhas, dançando pelo meu rosto e elas vibram. Sou uma aventureira das estradas e quando ele me olha, percebo: não sou mais nada. Uma sombra que me persegue, um pedaço de luz que preenche. Queria ser os olhos dele para entender sua dor, queria ser seus lábios para degustar do ar, mas no fim sou a mágoa forçada a viver, com ele fora de mim – dele sem eu.

O que achou? — Uma memória dolorosa.

Terrível. — Ela paralisava, chorava.

Eu preencheria o mundo de cor por você. Seria a primavera, seria o verão, nunca o inverno. De vez em quando o que você seria por mim, e me aprofundando, eu percebo: você nunca foi nada para mim.

Valles Marieneris, 799 depois da grande queda. Uma frota de aeronaves do modelo Neo-Hawk 1b-3.8.9 saía do novo Heliporto Human Perch , construído em Iron Gate. A frota era constituída de 5 helicópteros plainando através da solidão carmesim dos ventos desérticos, com seus jatos queimando, suas hélices zunindo e a sombra percorrendo nos olhos dos canhões balísticos de potencial magnético, cujo de seus olhos abria, e o som do cilindro ionizando chiava. No fim, não seria visto o projétil, sumindo no cinzento branco celeste, caindo no longínquo horizonte.

Esse é o passeio das valquírias, filhos da puta! — Os olhos de Bonh eram tomados pelas cores alaranjadas das chamas. O suave brilho azul do cano da torreta descia. Os corpos no computador de bordo pareciam pinturas surrealista. Ora, como pode um nariz está tão equivocado espacialmente, e brincar numa rocha pontiaguda tão longe de seu lar, sua face. Os campos de opiáceas tomadas de fogo, os tiros de metralhadora zunindo contra o céu. Três minutos, 420 milhões de Rps correndo ar, 125 milhões, caindo das comportas.

O passeio das vaquírias é um beijo ensandecido…

Hellen Point, 892 antes da grande queda. Míchkin acendia seu cigarro, naquele pequeno e solitário espaço. Um parque abandonado, cujas ervas daninhas cresciam livremente, entrelaçando suas hastes no metal enferrujado, no entulho e escória que havia, nos baldes d’água qual água podre para sempre residiria.

A incandescência de uma lâmpada que queria ser sol, ele com seu sobretudo, seus olhos nublados. Míchkin e seu cigarro.

Vênus foi o amor que sempre esperei ter. Ela era bonita, me idolatrava e completamente se dedicava a estar ao meu lado. — A memória colorida o furta rapidamente. — Não respeitei nada disso porque sou um merda. Mais do que isso, era tanto amor que eu precisava de algum modo foder isso para ser feliz de verdade. Para resumir, eu não a amava. Acho que na verdade nunca amei as mulheres. Sempre senti um certo desprezo sabe, como se elas fossem inferiores a mim. Não sei bem para onde quero chegar te enchendo de tanta besteira, acho que é algo sobre eu ser misógino, desejar as mulheres apenas como uma posse… É isso… Lunar te respeito, por isso te abandono… Um? Um eu venero, não atoa ante sua luz lhe devoro. Aquela mulher do deserto, ah, como eu lembro dela… Um tirou-a de mim quando me entrelacei em seus braços, beijei sua boca. No entanto, foda-se. Quem ela era, quem eu era… tudo isso jaz nas entranhas do esquecimento.

A outra figura tinha olhos de um sonhador adormecido, dormindo ao relento gélido, coberto das cinzas e o orvalho. Como as lembranças do outono do ano de 90, quando a fumaça no céu era irrefreável, e tudo parecia que ia morrer de repente. Ele era e parecia ser o único modo de suceder, tomado das mágoas, doente de perda.

O nome dela era Red. — Disse. — Seu discurso é triste. Uma confissão realmente digna de pena. No entanto, eu não to aqui para tentar entender o que é você. Eu só quero saber o que serei depois que eu destruir você.

A tela se apaga, a frequência elétrica se dissipa. O canal é amargo, um pútrido pedaço de nós.



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Cores