AVN – Capítulo 65 – Solaris Digital.


Nota de despedida: “eu vi seu rosto, estive morto, pensei não haver, e depois sumi”.

Terceira porta do servidor:

{ Int A

A = ME

ME = 0 }

{ Int B

B = U

U = Error}

{Int C

C = A + B

C = 0}

Um acesso, do IP denial-4u. Atentamente, ele havia passado das duas primeiras portas. Estranho, nem pelo motivo de ter conseguido, apenas era idiotice continuar. Escreveu na interface:

{ Int A

A = ME

ME = U}

{Int B

B = U

U = ME}

{Int C

C = A + B

C = ME_U}

O acesso não era restrito, qualquer um podia ver aquela tela em branco com os caracteres surgindo no centro da página.

<p class = “western” align= “justify”> O que você quer?

<p class = “western” align= “justify”> Não pensei ainda.

<p class = “western” align= “justify”> Então sai daqui!

<p class = “western” align= “justify”> Pensei que fosse…

<p class = “western” align= “justify”> Uma lugar pra todos.

<p class = “western” align= “justify”> Não é, nunca foste.

<p class = “western” align= “justify”> Então o que seria?

Olhou para o texto da interface, depois o texto no console. Não soube o que responder. Mas antes de tudo, uma questão: quem era ele?

Sou uma consciência multifacetada idealizado para simular o ser-aí1 tanto na materialidade quanto num ambiente idealizado. Te descobri, enquanto acessava o fluxo de informações estagnada da camada 3 da GW-2.

Um cidadão sem alma então?

Como pode dizer o que tenho ou não tenho?

Meus conhecimentos sobre inteligências artificiais normalmente acerta.

E se eu disser que não sou?

Teria que me provar.

Um link seria colocado num subsistema da programação inicial idealizada da interface do site.

267.432.1572, nascido em Redneon. O link te redirecionava a um painel dos arquivos gerais do polo distrital. Esse lugar não é conhecido por exportar hackers…

Então agora dúvida da capacidade humana de superar as próprias adversidades?

Uma outra aba era aberta na interface do sistema, sendo a url: HXT:382Atxqo1r34ida21IdaeÒet.xr3/Wfçty. Era de um outro link que levava a uma porta escancarada do servidor interno da Megatorre 3, do departamento central dos arquivos gerais dos distritos humanos, criptografada em alfanumérico.

Um estudante diligente Havia lá uma grade de informações de uma identidade específica de trabalho. Eu vejo. Mas ainda não explica. O que é você?

Quer que eu te conte toda a história?

Por favor…

Mas sabe que é impossível, não é. Por que eu devo te contar qualquer coisa se nem sei quem você é?

Uma pausa. O IP continuava como Denial-4U. Olhava diretamente para a porta de acesso. Seu IP era 289.346.1.0.3, estava ali, no console, visível para ambos.

Você já deve saber quem eu sou.

Talvez. Mas sinceramente, gostaria de escutar de você.

Escutar o quê de mim?

Um arquivo de imagem era anexada no corpo do site.

Uma imagem minha. Não entendo ainda o que isso quer dizer?

Qual é o seu nome? — Outra imagem era anexada. — Você escreveu que sente falta de alguém, qual é o nome desse alguém.

Uma pausa.

Não te importa…

Saía do site, voltava seus olhos a um espelho próximo. O quarto em si, cor branca. Aquela servente que entrava e tão logo saía, e os livros e aparatos jogados no chão. Voltava pro site.

Como você sabe quem sou eu?

Você saberia, se soubesse quem você é.

Então pode me dizer quem eu sou?

Um outro link era compartilhado, acessava: eram notícias antigas, notícias que ninguém se importava mais. Observava, tinha sua imagem, várias imagens.

Eu me lembro do rosto de Um, a maioria da sua equipe de segurança, mas não sei quem é você.

Eu sou você, ainda não entendo como não entendeu.

Qual o seu nome?

Dois Meia.

Em toda minha vida, nunca escutei falar.

E o seu nome, me diz, qual é?

Você já sabe qual é.

A interface mudava completamente.

Posso até saber. — Todo o site era preenchido por uma imagem de Vênus. — Você que ainda não sabe.

A última porta se abria. Não era nada, uma porta entre observador e observado. Olhava bem para o rosto dele, a cor de bronze, sua barba por fazer, os olhos castanhos vibrantes, os cabelos desgrenhados. Cada detalhe, mas eram os olhos que te engolia e neles, se afogava.

Você me vê?

Cada detalhe.

E o que sou eu?

Ele era uma figura. Um pedaço amarelado de rosto magro. Seus olhos letárgicos em junção ao corpo desnutrido, e os lábios secos engolindo o pouco que havia de saliva, apareciam como mágica na tela holográfica refletida num espelho. Eu via: ele parecia um pedaço de tecido no varal, como se num vento forte pudesse voar e de longe, de algum modo, me matar.

Qual é o seu nome?

Eu sei qual é o meu nome, você também sabe.

<p class = “western” align= “justify”> Sei quem você é…

<p class = “western” align= “justify”> Então, quem eu sou?

<p class = “western” align= “justify”> Uma parte importante de mim…

<p class = “western” align= “justify”> Você está errado.

<p class = “western” align= “justify”> Então, o que é?

<p class = “western” align= “justify”> Não sei, acho que…

<p class = “western” align= “justify”> Nunca fui parte…

De você.


1Tradução portuguesa do termo alemão Dasein , usado no contexto filosófico como sinônimo para ser existente.


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