AVN – Capítulo 27 – A contrabandista!


O Subdistrito F era dividido em 3 cidades, sendo onde ficava o bairro de Blacklight, a cidade de Redneon. O centro dessa cidade era um bairro homônimo, famoso pelos seus bordéis e jogos de azar na vida noturna. Poderia até se dizer que foram os outros bairros que surgiram ao redor daquela, onde trabalhadores industriais iam se divertir aos finais de seus dolorosos turnos. Claro, com o passar do tempo, a mesma era dominada por contrabandistas e máfias, além de alguns cartéis, sendo descrita como até insalubre no guia oficial dos subdistritos, se tornando a cidade mais marginalizada de todo distrito Atlas.

A polícia automatizada era então militar, feita apenas para conter os confrontos diretos, com as escolas queeram depredadas, visto que não valia a pena investir num caso perdido. Prefeitura então … só fachada, com o poder divididoem três máfias epor um cartel de contrabando.

Ainda em RedNeon, uma outra pessoa também se destacava, reconhecida tendo bastante poder e influência. A chamavam de Miss Red, e ela era uma freelancer, com fama se dando por suas exóticas habilidades. No entanto, o fato dela conhecer tantas figuras famosas eram seu maior encanto, colocando-a muitas vezes como interceptora dos marginais daquela cidade com os maiores contrabandistas doutros subdistritos.

Miss Red também era conhecida como Sofia e, de uns tempos para cá, diziam, ela passou a se envolver com certos “empreendedores” do ramo da biônica. Outra coisa que diziam, era que seu objetivo era armar certa gangue, para fazer um grupo de assassinos profissionais com algum objetivo aparente. De certo modo, a cidade não conseguia ficar em silêncio, se tremendo no meio do Neon delirante e a névoa constante, com vozes nos ecos deslizando entre o fato e as as mentiras, onde todos se armavam para uma possível batalha, que traria o caos e sangue para os becos escuros e as ruas vibrantes em algum lugar nos distritos.

— então, Miss Red … — Numa mansão na cidade de Green Hills, distrito B, duas figuras se encontravam. — eu tento entender suas motivações, porém, depois de muito tentar barganhar, ainda me sinto com as mãos atadas. Não queria que isso nos impedisse de negociar, mas é bom saber do que seus compradores desejam. Veja só: se eu te vender esse carregamento de películas antibélicas, poderei está criando certo grupo que, por motivo ou outro, pode arriscar meu pescoço. Então, para não me foder futuramente, preciso confirmar algo: o que deseja?

Sofia estava lá, na casa do velho Shinji, famoso engravatado que tinha uma empresa do ramo de tecnologia. Multibilionário, ele ainda agia como contrabandista, principalmente na revenda de produtos protótipos ou de cópias de equipamentos rivais. Nanotecnologia e armaduras antibalísticas era uma das muitas coisas que ele revendia, além de chips e alguns tipos de materiais genéticos.

— estou reestruturando algo … — Sofia respondia. Lá, te serviam apenas um refrigerante, bebendo entre suas frases, cortando-as. — pode ficar tranquilo, se houver problemas, estará isolado noutros subdistritos. Então só quem se foderá sou eu.

O velho Shinji ria. Sua face enrugada de traços africanos eram bem características, sempre seguindo a forma de suas expressões. Sua voz, um pouco rouca e condescendente, ressoava naquele ambiente, dizendo:

— então acho que podemos continuar nossas vendas … — quem o conhecia, sabia que, para ele, mais sempre seria melhor. — porém, quero falar ainda de outras coisas. Veja, sei que está interessada em partes biônicas militares e, por coincidência, tenho alguns pares de braços RG-200 que nem mesmo são vendidos no nosso mercado.

No mercado negro, diziam que as partes RG-100 eram lendárias. Aperto de 1 k, desmontável e reconhecidas pela leveza. As RayGun, no entanto, era meio que um problema e sua bateria também. Muitas vez, elas falhavam, o que causavam certos acidentes trágicos, como explosão de partes ou envenenamento constante. Pra se manter uma dessas, diziam, precisava ter um bom “mecânico”, que aliás, precisasse está também sempre a disposição.

Para Sofia, porém, outra coisa era mais importante, afirmando:

— isso é curioso. Nunca imaginei que tivesse interesse em biônica.

Shinji tinha uma face séria, ou melhor, sua face de negócios. Daquela que ele usava quando se encontrava com engravatados, tentando fazer os outros seguirem seus passos. Sofia entendia aquela mudança súbita, sabendo que não estaria mais com um amigo e sim com um comerciante, escutando:

— não tenho muito interesse, mas é um mercado expansivo sabe. Me ajeitar rapidamente nele será realmente lucrativo.

Um sorriso qualquer era formado:

— entendo. Mas esses braços? Nunca ouvi falar de uma segunda leva do RG-100. Algum protótipo novo?

Naquela mesa redonda, numa enorme sala de jantar, no estilo médio oriental, onde as cores douradas e o vermelho eram gritantes, um pequeno círculo de holograma mostrava o esquema daquela prótese:

— sim, novo modelo, com tecnologia GD de aperto com estrutura mista dos modelos MG Intern e Basic extern, feito com tecido fibroso artificial e revestido com um certo tipo de polímero. Desmontável, com três entradas neurais, é só instalar um plug de conexão magnética no soldado que tudo se normaliza. Claro, é um protótipo, mas posso garantir que daqui uns anos vai se tornar o melhor produto do mercado!

Curiosa, Sofia aproximava suas mãos no holograma, girando-o.

— interessante, mas me preocupa. RG significa o que penso?

Também aproximando suas mãos, o velho Shinji passava o holograma.

— sim. Tecnologia antiga e trágica, porém se sofisticou durantes os anos. Dois disparos por carga e menos de um por cento de chance de explodir na sua cara. A bateria nuclear do braço também é isolada e sem chances de envenenar quem porta. Mesmo que o braço se foda todo, as chances de rompimento são zero.

Sofia observava bem, olhando para o esquema duvidando. Mesmo que não houvessem erros aparentes, ela sabia que iria se ferrar se não fizesse as coisas direito.

— hum, você fala isso mas não sei … — essa era arte do negócio.

— por acaso já te enganei? — que tanto ela quanto Shinji conheciam muito bem.

— sempre há uma primeira vez. — Uma cidadã sem alma se aproximava, levando os copos vazios da mesa; — Mas vou te dá um voto de confiança. Ter um ou outro brinquedo desses é bom pra quando precisar. Além do mais, pelo perigo do meu negócio, tenho certeza que vou precisar bastante.

— isso é excelente. — Um cheiro delicioso de carne sendo grelhada chegava àquela sala. — Deseja obter alguns microchips ou Softwares também? Tenho a reserva de um cidadão sem alma que pode vir a calhar. Essas máquinas são excelente na coleta de informação, além de administrar muito bem suas reservas.

— não precisa. Cada uma dessas partes já dei um jeito. Tudo que preciso são armas? Aliás, como vai esse mercado?

— Problemático. As fábricas de conteúdo bélico sempre foram pequenas. Com a tentativa de estatização, estamos tendo problemas. Sabe, antes desviávamos o excedente. Com a estatização, dizem, a produção será por demanda da polícia automatizada.

— problemático mesmo, mas me pergunto, quem poderia fazer tal lei. Será que os engravatados estão tomando consciência da realidade que são os subdistritos?! Bizarro demais pra ser verdade!

— Isso é lei de um grupo novo, chamado jovens pela liberdade. — Se reaproximando do círculo de holograma, outras imagens reapareciam, sendo estas de pessoas como pinguins enfurnadas em ternos caros. — Quem criou foi a filha do Marius Orfan. Realmente, nem acredito que aquele megalomaníaco que matou o Hammilton conseguiu fazer uma filha tão – como posso dizer … tão obcecada no bem-estar social. Não tão perigosa, verdade, mas sincera no que deseja.

— me lembro dessa menina quando era pequena. — Sofia aproximava a imagem na garota, com milhares de memórias te rodeando como estrelas distantes. — No caso do Hammilton eu sequestrei e quase degolei seu pescoço. Se Franker não tivesse me alertado que era esforço vazio, talvez hoje eu fosse a mais procurada entre os inimigos de Marius.

— conheço essa história. — Shinji retirava um cigarro eletrônico. — Sua mestra, ou ex se preferir, me contou na época, com toda sua insensibilidade típica, sabe. Mas sabe, pelo menos é bom saber que algo decente saiu desse trauma, não concorda?

— É … — Sofia olhava o display da tela do seu computador de braço, baixando as imagens. — Porém, jovens querendo livrar o mundo do mal não é algo novo e, sinceramente, apenas aguardo o tempo até vê-la ser corrompida naquelas megatorres, como todos antes dela foram.

— ela será, em breve. Mas não importa. Aproveitando que está aqui, relembro, vejo que será bom falar sobre outro tipo de problema: o cartel de Sampa. Sua mestra não agiu em todo esse tempo e o cartel está realmente se preparando pra algo grande. Esse cartel — lembre dos nomes — é composto por Lewis, Carlos e, por pseudônimo, Sombra. Não sei se reconhece esses nomes, não são tão famosos. Acho que os nomes são falsos até — o submundo tem dessa —, mas é bom se alertar. Caso se sinta muito ameaçada, nem pense em me contatar. Mas olha, não quero mal seu e nem da sua mestra. Por isso, sempre estarei aqui pra negociar qualquer merda que te ajudem nas suas futuras batalhas! Só me ligar quando a merda não tiver nas suas caras.

— entendo, Shinji … — Outro copo de refrigerante surgia na sala. — mas o silêncio dela não deixa nós sabermos o problema. Aliás, acho que ela até mesmo desistiu de tudo isso. Seu mais novo pupilo vem a deixando num estado estranho e realmente nem sei o que virá disso.

— se há um aluno tão especial assim, então devem vir só coisas boas. — Dois pratos também chegavam. Seu aroma embriagava. — Mas bem, deseja almoçar? Temos as melhores carnes de bovinos marcianos, o que é algo – admita! – que você não come todos os dias.

— aceitaria, mas tenho muitos negócios. — O atrativo era posto de lado. — Deixa para a próxima. De todas as formas, obrigada por tudo. Entendo que você não é de fazer favores.

— pra você minha querida, me disponho. Mas vá! Não sei o que anda fazendo, porém entendo a sua necessidade em fazê-lo. Até a próxima, minha serva te mostrará a porta.

Na sala, sem Sofia, apenas o vazio. Ele via, sem a silhueta e os sons calmos vindos de cada máquina dentro dos perímetros de sua propriedade.

— pelo menos espero que viva, se não, bem, acho que finalmente ficarei completamente só! — Shinji se calava aos ventos.

Sofia, que já desaparecia nas ruas pavimentadas e frias, apenas reconhecia seu próprio objetivo que era …



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