AVN – Capítulo 26 – Alma [fragmento 1]!


E lá Zero estava, com sua alma, sendo conectada nos milhares de autores desconhecidos dum passado onde o mundo bailava entre os ruralismos pouco higiênicos até as grandes metrópoles feitas no cal e ferro. Ele via a evolução das ideias que carregavam o mundo em diversas transições, percebendo a forma como as sociedades se organizavam e desorganizavam até aquele momento. Sua alma conectava!

todas essas merdas’ E ele sempre pensava; ‘existem há bem mais tempo que eu imaginava!’.

Através dos livros de história, Zero traçava a realidade e nos de filosofia, ele percebia as motivações. As estantes esvaziavam, e cada vez mais o mundo ficava claro. Ele, de algum modo, acordava! Câmeras que o vigiavam, também regojizavam. Um mundo colorido de felicidades o encarava. Haviam-se passados sete meses, como ele não poderia está naquele estado? Sua concentração estava tão afiada e seu ser tão ocupado que praticamente nada saía de errado. Um, em outro quarto, explicava:

— é o espaço vazio, Anne — Sua voz calma auxiliava à pupila, cuja atenção se encantava. — em seu treinamento, você teve isso, claro, não deste modo; mas teve, e por isso deve entender como é perceber a evolução de seu corpo, de sua alma. A forma como as coisas se tornam mais simples e menos assombrosas. Esse pequeno gênio logo se encontrará com o planeta vermelho, veja só, minha querida!

As expectativas transbordavam e deslizavam entre a fibra ótica dos cabos, dos quais trariamàs imagens para aquela sala, viajando todo um espaço; levando a vida daquela biblioteca fantástica, onde um menino continuamente se impressionava com um mundo de palavras. Eram os passos que se interligavam.

E o tempo passava! Zero, solitário se sentia como rei. Sua mente governava um espaço só seu, cuja se alastrava através de uma percepção que crescia. Quase um ano, lá ele estava. Porém seu crescimento aparentava ser de anos, com sua mente estando tão focada num objetivo sincero, que sua alma, vezes, se tornava duas, onde tudo também partia no fundamento de dois. Então, o tempo passava mais lentamente, com seu corpo mais rápido, trabalhando como um louco. Quase um ano se tornava em dois, e ele percebia-se ainda inerte em sua própria consciência cuja inchava. Era bizarro!

Enquanto lia, alguns outros anexos se abriam na biblioteca. Alguns bem simples, pareciam haver apenas lixos; outros, modernos, eram área de cozinha e mais uma para primeiros socorros. Inicialmente, Zero não entendia as intenções, porém, com o decorrer de seus estudos, ele acabou chegando em certas conclusões.

estou numa prisão, entendo … Uma terceira consciência era criada na maior imergidão de sua alma; ‘tenho que fugir daqui com todo meu ser!’.

Naquele momento, os três tinham características próprias, e pareciam-se absolutas onde ocupavam. Mesmo que a consciência total não soubesse donde elas vinham, ela não percebia problemas nas formas de cada uma, que se aprofundavam no âmago.

— devo dizer, irmãos: quem somos morrerá na primeira oportunidade! — Dizia um.

— concordo. Somos um mal necessário para um conjunto completo. — Outra continuava.

— mas não é nossa função a fala. O que devemos fazer então? — E a última completava!

Não mais solitário, Zero era três. Criando, recriando e consertando. Suas três consciências o fazia pragmático em meio a pilha de lixo eletrônico de um anexo obscuro. As protoboards se ligando a componentes e componentes se ligando a fios. Encontrada no meio de pilhas de lixo, a máquina de solda fazia o trabalho, enquanto sua mente via a lógica de cada parte. Bobinas avulsas eram fabricadas, seguidas de geradores. Se aprofundando nos conceitos, alguns rádios eram vistos, após montagem sistemática, tendo desejos confusos na construção de alguns outros equipamentos analógicos, como relógios rústicos e balanças. Engrenagens não faltavam. Porém ele sentia que nada daquilo adiantava. Suas criações avulsas competiam com suas leituras desorganizadas, que não respeitavam o limite humano de acumular conhecimento. Ele precisava de uma máquina, porém, uma máquina inteligente. Mascomo se poderia obter aquilo? Sua mente e corpo acabavam então por procurar, nos limites de sua alma – das suas consciências —, a resposta que buscavam. Porém nem os livros pareciam querer te dizer alguma coisa, em meio a toda aqueles de programação e eletrônica, estando de modo irritado, vendo seus sonhos se tornarem irrealizados …

Então, o que te sobrava? Os fundamentos, claro. Ele sentia que, a partir do início, conseguiria o que queria, sem a plena dificuldade que lho acometia ali. Porém, uma outra dúvida surgia, o que te tomava meses e meses de pesquisas insaciáveis sobre o mesmo: ‘Onde minha dúvida se inicia.’, Essa dúvida fundamental era mantida pelas consciências que compreendiam, descobrindo no pensamento que o início de fato era desconhecido. Então, para ser exato, ele precisava de algo que o introduzisse entre o início e o que se supõe ser o início, encontrando um século XIX e XX curiosos, vivendo sonhos de humanos do passado; com a magia duma realidade presente.

— preciso programar o comportamento da placa-mãe manualmente. — Suas mentes voltavam a trabalhar.

— os componentes que achei estão queimados e outros danificados, vamos ter que nos aprofundar para achar peças novas.

— deveríamos nos focar na leitura. Talvez outro anexo se abra e talvez achemos coisas mais importantes desse modo.

No meio das pilhas de lixo, Zero encontrava alguns chipsets e memória RAM, de tempos antigos, encontrando até alguns slots de expansão zerados. Se encontrando com um processador, ele passava a se apoiar, primeiro na programação, escrevendo num papel o que planejava, visto que os hardwares eram bem antigos e a firmware da RAM já estava bem programada, precisando encontrar, por algum acaso, um chip zerado. Então desse modo, ele precisava se dividir, pois certa consciência te dizia que era melhor programar tendo o sistema operacional padrão como base, do que tentar fazer tudo do zero, enquanto a outra dizia que, reconhecendo as limitações, todos os seus objetivos poderiam ser frustrados pelo SO padrão. Era hora pra consciência principal resolver, dizendo: ‘é hora de aceitarmos a realidade de nossa humanidade. Tempo é tudo …’.

Um ano e seis meses se passavam. Zero ainda não finalizava seus livros e muito menos seu pequeno robô. Como ele poderia sonhar com algo além do que era permitido?

Sua mão se apoiava através das consciências e fazia arte, mesmo que rústica, desenvolvendo, montando e compreendo cada parte, descobrindo o quão vital são os detalhes; se focando no todo como um espetáculo a ser alcançado.

O gesso coçava, vez ou outra e sua concentração, vezes se dispersava também. Outro detalhe vital que ele havia se esquecido, como pôde? Uma mão era útil, duas? Melhor ainda! Talvez até esse fosse seu maior limitador, o que fazia Zero buscar na suposta enfermaria, sua cura. E essa cura era uma faca, que cortava aquele gesso com destreza, descobrindo por baixo daquela massa, um braço coberto de veias e um chip no seu pulso que brilhava. Zero tentou movimentá-lo, mas seu braço doía, como se, definitivamente, ainda estivesse quebrado. Porém, não era essa aparência que tinha, reconhecendo a culpa de uma só vez naquele chip delirante. Ele observava: “se eu tentar retirar essa merda por força, posso me ferrar. A melhor forma de me livrar disso é conhecendo qual o modelo desse chip.

Zero decidia voltar aos seus afazeres, quando, porém, um livro era encontrado. Talvez ele tivesse visto antes, no entanto, apenas naquele pequeno segundo, ele se encantava, como se aquele o chamasse, de algum modo, pedindo sua atenção. Reconhecendo seus instintos, o próprio não negava o pedido, indo a encontro com uma face interrogativa, cujo encarava letras garrafais que iluminariam: “S-N chips e outros tipos, uma introdução”.

— Como pude me esquecer! — Palavras saíam de sua boca. — Na verdade acho que já me esqueci de tanta coisa que posso me surpreender por muito ainda!

Com aquele livro, Zero passava semanas. Era pelo fato de haver conceitos de medicina e neurologia avançados que, com apenas uma leitura de livros recomendados na bibliografia, era possível entender.

Sendo assim, ele se encontrava com diversas partes de interesse. Por exemplo, aquele chip tinha o objetivo da imobilização, emitindo sinais elétricos ao sistema nervoso central para fazê-lo sentir dor em determinada região do corpo, no momento em que fosse captado movimentos. A retirada manual e forçada poderia ser danoso, e extremamente doloroso, sendo preferível a formatação. S-N chips não eram firmwares, sendo quase como computadores. A matriz alterada poderia ser formatada, desfazendo a programação que o afligia. Porém, para isso, precisava de, pelo menos, um emissor e captador de infravermelho, que era um instrumento para conectar Chips de sistemas incompatíveis com computadores de SO geral. Ele não tinha Rom com o SO, óbvio, mas comparando certos livros, ele entendia que os modelos modernos de SO não se diferiam tanto nos quesitos mais básicos do antigo SO Linux J (Modelo que influenciou muito positivamente a robótica e nanotecnologia nos últimos anos antes da queda, pois facilitava a programação de certos tipos de chips). Por um acaso, ele havia encontrado uma Rom com tal sistema, tendo até um computador montado onde ele programava e preparava as partes iniciais de seu possível robô. Ou seja, ele praticamente só precisava de um Emissor/Receptador de infravermelho.

— encontraremos nessas tralhas? — Uma consciência perguntava.

— essa tecnologia é antiga. Podemos encontrar facilmente. — Outra respondia.

— vocês realmente acham que sem o chip algo mudará?

— cale-se! — Duas consciências restavam.

Zero retornava para a pilha, desmantelando-a de modo que pouco restava naquele anexo, achando entre tralhas e tralhas, um outro livro, mas ele não era tão interessante assim para seu problema imediato, sendo guardado perto onde ele montava seus equipamentos. O infravermelho, porém, parecia ser difícil encontrar, não achando de nenhuma forma enquanto lá estava.

— poderíamos montar um infravermelho por nós mesmo.

— faz sentido, o chip já tem um receptor. Precisamos apenas de um emissor.

Com suas consciências resolvendo diversos problemas na questão de produção, o trabalho se tornava cada vez mais rápido, com Zero desmontando certos equipamentos eletrônicos em busca de peças e uma mente focada. De alguma forma, ele sentia que tudo ali já estava engatilhado, tendendo já, veja só, ao final!

Os olhos que o observavam também sentiam o mesmo, completando:

— Anne, no meu teste, demorei cinco anos para conseguir resolver todas essas questões. Você pode achar um pouco estranho, mas aquele espaço vazio, evoluindo como está evoluindo, só pode nos trazer coisas infinitas. Veja, em parte isso é culpa minha. Minhas drogas para cultivar tal ponto estão com méritos gritantes, porém, olha só que irritante. Lembra de Franker? Então, vamos dizer que ele se armazenou no espaço vazio desse garoto e vem o auxiliando a moldar o caminho do corpo. Há muito, ele conseguiu capacidades regenerativas fantásticas e um metabolismo irreal. Teoricamente, o espaço vazio só pode se moldar num caminho. Ir por dois limita, ele não se torna o chamado especialista. Desse modo, estamos dando doses que se aproximam da overdose de uma droga curiosa, chamada Spl-ult, que, para nós, Alunos e Mestres, faz-nos desconectar do espaço vazio. Resumindo: mesmo que eu esteja moldando seu espaço vazio e melhorando suas capacidades, Zero não se conecta. Ou seja, ele está limitado, constantemente chapado, sendo que não era nem mesmo para ele está fazendo metade do que faz. Porém, ele não só destrói nossas expectativas, como também tem surtos onde se reconecta com seu espaço. E sabe o que isso significa? Significa que ele deverá escolher. Esse será seu destino: escolher. Só assim ele não será engolido pela duplicidade, querida. Apenas espero que o planeta vermelho o torne consciente de tal fato.

Uma consciência restava.



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