AVN – Capítulo 25 – Uma visita inesperada!


— não acredito que você se interessou mesmo por aquele garoto … — num ambiente colorido por grama sintética e flores de plástico, uma mesa residia no centro …

— deveria. Como última pessoa a conhecer Franker, deveria saber do absurdo que é o mesmo ter clonado sua consciência num chip alheio, que pior, é de um anônimo fraco da casta mais baixa. Não tomá-lo para próximo de mim seria um erro, por isso faço o que faço. — E lá, se assentavam duas figuras, onde tomavam chá, conversando entre si. Uma dessas era Um, vestida dum macacão jeans, tendo seus cabelos cortados recentemente, estando um tanto curto. A outra era chamada Sofia, qual era a mesma que havia golpeado Zero naquela noite sanguinolenta num beco qualquer.

— hum, espero apenas que você não transforme aquele garoto igual essa daí … — Sofia apontava para Anne, que estava em pé ao lado de Um, com os braços cruzados para trás e um sorriso – maldito sorriso, para ser exato –, enquanto Amantana as servia chá.

— ela é fiel a mim, Zero também será. Se isso for um problema pra você, que os mate. — Os olhos de Um fazia um arco sereno enquanto dizia. Seu tom de voz, calmo como a superfície de um lago, sibilava aos ouvidos de Sofia, cuja respondia:

— não te faria esse favor, claro. Essa gracinha não merece morrer pelo fato da mestra dela ser uma louca. Aliás, uma louca que entra na lista negra da organização de manifesto social dos distritos. O que tem feito a esses engravatados, cara dama?

Escutando, Um ficava em silêncio num minuto breve. Anne suspendia sua respiração, mantendo o sorriso no rosto, enquanto olhava com o canto do olho à Um. A única que parecia calma era Sofia, que beliscava um doce folheado num prato qualquer a sua frente.

— Amantana me contou sobre isso. Ela interceptou uma mensagem criptografada na GW-0, que parece levar a algum servidor da Megatorre 5. Estávamos supondo que algum engravatado descobrira sobre a existência dos nossos dados fragmentados, ou sobre o fato de conhecermos as técnicas de moldar o espaço vazio e também do fato de produzirmos Spl-ult por nós mesmos.

— bem, não é segredo que existe certo traficante vendendo essa droga para processar D-SNC, revendendo no distrito D e C, que, como sabemos, é controlada pelo grupo da conservação moral da Giant Tree, cujo vem prometendo criar uma guerra contra os contrabandistas locais faz uns anos.

— não vejo como estaria relacionado.

— alguns engravatados que trabalham na organização tem o desejo de criar um cartel encima da droga, para dividir o lucro entre si. Então eles vão aproveitar a guerra contra os contrabandistas locais, para instaurar um outro mercado debaixo do nariz do grupo de conservação moral, enquanto demonstram apoio à guerra, perseguindo a distribuidora de matéria-prima e roubando seu capital, tudo numa só jogada.

Com a xícara em mãos, Um olhava através do ambiente, se distanciando por um momento de todos que a ti estavam próximos. Sua mente processava a situação enquanto traçava um plano simples e bruto.

— realmente, quando Hammilton foi executado por atentado ao progresso humano, as coisas na organização mudaram de formas incríveis.

Sofia, a observando, fazia uma face séria, indagando:

— como pode dizer isso? Você que ordenou a morte dele!

— na época eu era uma menina ciumenta, você não entenderia.

— você fodeu com o principal núcleo politico dos distritos humanos por puro ciúme? Mas entendo que isso não deve te importar. Vivendo num luxo isolado, nada te importa além do próprio umbigo.

— não fique chateada … — Dizia com um sorriso; — você fugiu de mim pelo mesmíssimo motivo, minha hipócrita favorita. — e Anne tremia. Sofia observava curiosa a forma como o sorriso se arcuava, continuando a comer; tentando se esquecer aos poucos da pessoa com quem era forçada lidar.

— não é como se eu me importasse … — dizia, após uma breve pausa. — mas você sabe mesmo como resolver esse problema? Quero dizer, depois que você se desvincilhou de Franker e as antigas mestras identitárias e epistemológicas, sobrou poucos aliados. Esse ostracismo apenas te deixou só. Os contrabandistas locais podem te dá certo apoio, mas é fato que eles não são confiáveis. Se os engravatados quiserem usar eles para escoar as drogas, você vai ficar sozinha … e poderá morrer … seria vergonhoso depois de tanto tempo morrer desse modo, não concorda?

— eu não me preocupo com isso, você entende. Em guerras, nunca entro de frente. Além do mais, me conhecendo e conhecendo meus negócios, você deveria saber onde é, realmente, minha área de especialidade.

— as assassinas ainda existem? — Perdia o ar. — como elas ainda podem existir. Faz anos que não entram em ação.

— as assassinas nunca morreram. Elas só estiveram de férias no grande deserto, destruindo certas sociedades distantes … nada de difícil ou tedioso. Porém acho que devo reconvocá-las. Além do mais, já está mais do que na hora de introduzir essa madame aqui, do meu lado.

Anne, que escutava um tanto quanto ansiosa, não parecia perder a compostura, enquanto fazia um aceno com sua cabeça, concordando.

— me sinto lisonjeada, minha dama! — Sua voz sequer hesitava.

Um, que te devolvia um sorriso, retornava a observar Sofia, que não parecia se importar de todo com a situação.

— você vai precisar mais que isso. Sabe disso, né? Por exemplo, acho que deveria voltar para os distritos e intimidar todos aqueles engravatados outra vez. Imagina só que repercussão isso daria. Apenas assassinos, porém, vai te mostrar como uma covarde e você também sabe disso.

— sei … mas não me importo. Há um motivo pelo qual saí daquela latrina e é o mesmo motivo que me impede de voltar. Com Franker finalmente morto, as razões de retornar diminuem mais ainda!

— você diz isso … — um tanto irritada, finalizava. — porque deixara de vê as consequências das coisas desde muito tempo. Essa é a maior falha do seu estilo!

Uma faca voava! Mas as mãos pálidas daquela dama a pegava, congelando-a no ar sem tirar seus olhos de Um.

— Anne, saía! — Um dizia, para a jovem dama que tremia, zangada. Seu temperamento explodia num momento estranho e Um tentava manter a calma.

— pode deixá-la aqui. Quem está de saída sou eu. Porém, tenho mais uma coisa para dizer: o fato de Franker morrer numa vala me deixa puta. E mais, o fato de você não parecer vê algo errado nisso, me irrita ainda mais. De resto, essa garota ainda é muito fraca para ser iniciada, e disso você também sabe!

Sofia caminhou em direção a lugar nenhum, fugindo daquele espaço, rumo a névoa. Anne, tremendo, caía com seus joelhos no gramado sintético enquanto lágrimas caíam por suas bochechas. Um tentava se controlar, ordenando:

— Amantana, use todos os recursos na GW-0. Vamos colher mais informações antes de decidir o que fazer. Anne, vá para o seu quarto e reflita sobre esse temperamento. É tudo que tenho a dizer.



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