AVN – Capítulo 10 – Prelúdio para o início!



Nosso último encontro foi extremamente breve, eu sei, não deu para nós trocarmos muitas palavras. — Acordando, Dois Meia se via em frente a um velho sem barba – de cabelos grisalhos, esvoaçantes –, enquanto o mundo se revelava; — Vou te explicar muitas coisas aqui, por isso preciso da sua atenção!

Ele olhou para todo o cenário, buscando algo, esperando uma revelação, no silêncio. Seus olhos rolavam, e o seu corpo tremia. O silêncio finalizava, onde ele dizia:

Fale … — Sua voz ecoante o irritava. Não era de seu desejo dizer aquelas palavras.

Como? Escutei direito? — E a forma como o velho reagia também lho irritava; — Parece que você não é mais tão cético quanto a minha existência agora, não é?

Apenas fale… — porém a ausência de vontade apenas o fazia responder, após um suspiro. O velho, com sorrisos, não continuava, estando a fixar seus olhos naquele cuja vida se esvaía através do sonho.

Tudo bem, tudo bem. — Sua voz se tornava clara; — Vejo que ser arrastado por essa reviravolta de eventos é um pouco irritante, entendo, por isso vou me dirigir ao principal: quem sou eu?

—… — Respostas abstratas caíam. Dois Meia via sua atenção tomada naquela.

Eu, Franker Médzsci, sou o criador de uma arte marcial bem peculiar, obrigado por perguntar, uma arte marcial bastante perigosa e odiada nesse mundo orgulhoso. Tente adivinhar o motivo?

O motivo do quê?

O porquê dela ser peculiar, perigosa e odiada!

Não sei… por ser… hum… não sei!

Não quer ser visto como um idiota por dar a resposta errada? — Bochechas coravam; — Okay, entendo… meu estilo era único por ser de todos e o meu estilo era perigoso, pois poucos o buscavam! Consegue entender?

Não…

Bem, vou te explicar… veja: um estilo em que todos poderiam praticar e absorver era o que eu criei, porém ele não era algo que muitos poderiam ter, ou sequer fazer. Consegue me entender?

Não!

Você é um imbecil. O meu estilo era como um sonho: todos poderiam ter um e cultivá-lo, porém poucos poderiam torná-lo real.

Contemplando, Dois Meia observava nas constantes explicações uma certa verdade. Empiricamente, ele entendia o que se partia daquelas orações, sentindo na redoma de pensamentos uma enorme solidão em meio ao desespero. Dois Meia encontrava ali, suas palavras:

Então … — E estas palavras arrebentavam aquelas frágeis pernas, que curavam-se com o tempo; — todos te odiaram quando viram os seus sonhos irrealizados?

O velho sorria …

Quase isso … — … Seu olhar percorria o rosto curioso daquele Dois Meia e seu corpo se erguia, nos gesto que sua mão fazia, completando, com o já citado vívido sorriso: — todos me odiaram quando viram morrer todas as suas esperanças de se tornarem algo além deles mesmos …

Olhos arregalados!

As pessoas não se veem culpadas quando o mundo desmorona, elas apenas se sentem culpadas quando não há mais ninguém a se culpar.

E o corpo se desajeitava, desconfortável. Enquanto o mundo idílico desmoronava. Boom! A explosão dourada!

Nós não tivemos muito tempo, entendo. Bem, aceite tudo que essa mulher disser, você está prestes a se tornar a primeira pessoa antes de renascer!

Uma enorme tristeza marcando seu peito …

Não se preocupe! Não importa o quanto você é fraco, no momento em que deseja ser forte, todas as portas se abrem! Agora adeus, não durma tão cedo, recomponha-se e viva!

O mundo, por fim, se quebrava até o breu total e o velho apenas voava para lugar nenhum, como poeira dourada no espaço …



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