AVN – Capítulo 1 – A morte!



Era uma tarde chuvosa quando duas pessoas distintas se encontravam num beco nebuloso

De um lado, um jovem de cabelos castanhos numa bicicleta, e pelo outro, um velho moribundo de barba rala e cabelos grisalhos. Chovia torrencialmente, e o jovem tinha pressa, em contrapartida do velho, que aproveitava cada mísero segundo, dos seus últimos.

“Como?” Não tinha noção, não tinha nada, apenas um grito íntimo à imagem desfigurada de sua frente, onde jogava sua bicicleta ao chão, indo socorrer o moribundo ensanguentado, cujo tossia sangue por cima da própria roupa. Veria o buraco no peito lhe atravessando, como também o olhar atordoado que te via, como se próximo dum louco. Gritava:

Meu senhor, meu senhor! Quem fez isso com o senhor?!

A visão era turva, de tudo sendo o mesmo cinza embaçado e infinito se degradando entre as sombras do lixo e a luz pálida do dia nublado.

Para com essa merda garoto, minha cabeça dói.

Ficaria mais aliviado ao descobrir que o velho estava consciente, vendo o buraco enorme se contorcendo. Perguntaria:

O senhor está bem? Deixa eu te ajudar… há um hospital aqui perto e… Sendo interrompido pelo velho que sentia sua cabeça latejar.

Uma resposta era dada:

Eu não posso ser ajudado … — Ele cuspiria um sangue meio negro qual desapareceria nos pingos infinitos da chuva gelada. O golpe invadiu meu peito e destruiu meu coração. Já to morto, moleque …

Ele não entenderia, parecia meio absurdo para ser mais exato. Porém, de algum modo, ainda se achava no dever de ajudar, mesmo que entrasse em desespero com todo aquele sangue que espirrava e o ferimento expondo a carne e ossos.

Não diga isso, veja, é apenas superficial! Mentiria. Se eu te levar num médico, você será ajudado e poderá viver o resto de sua vida com sua família ou com alguém que se importe … Apenas me deixa ajudar!

Apenas sorriria ao som, naquela realidade de alguma morte inevitável pulsando. Os últimos minutos sem cigarro na expectativa, sofrendo um último impacto da vida; da imagem se reconectando a algo, ainda. Os gritos que lhe atordoavam indicando clemência, onde o velho pensaria por um momento: “E se eu o usasse”

A fala retornando em seguida. Sua visão turva ao embranquecer intenso.

Você pode me ajudar … — Dizia. — só que para isso, terá que morrer! — Tossia! — Ainda quer me ajudar?

A honestidade era inquebrável, meio incontrolável até, de um jovem que continuava sem entender o que te diziam, visualizando apenas um quadro esquisito. Mas dessa mesma honestidade – burra, rasa e irracional honestidade, – ele também sentia o dever de ao menos tentar salvar uma vida, sem se importar se ao menos fosse capaz de fazê-lo. Não era de beleza, fosse tragédia, mesmo com algo ainda de pecado. Mentira, diriam, não que te importasse.

Sim!A resposta sendo de certo desespero … Desde que o senhor esteja bem, não me importo muito!

Que lho dava o som de um último sopro.

Diria: — Você é muito idiota moleque! Deveria ter saído daqui na primeira oportunidade! segurando o pulso daquele jovem.

Veria uma aura dourada resplandecendo naquele beco, te atordoando, além de sentimentos estranhos que brotavam no seu corpo, te fazendo relembrar algo esquecido, meio que trouxesse o frescor da nostalgia junto da antípoda dilacerando sua mente com algo terrível de um passado recente.

O mundo do velho escurecia.

“espero que segure a barra moleque …” Últimos pensamentos … “você deu tanta sorte quanto azar de ter me encontrado aqui …” De alguém que morria vendo aquela face desesperada, que tentava te ajudar de todos os modos. Olhos cansados se fechando e uma mão gelada caindo. Numa frase curta e pouco entoada na cabeça do jovem, um fuja se apresentou, onde o mesmo, tentando compreender todos aqueles sentimentos complicados de seu corpo, escutava e saía.

Sirenes eram escutadas e uma multidão aparecia. A sombra do beco se apossava da sua mente, e ele, que não sentia nada pelo velho aleatório que te aparecia naquele lapso da sua vida, chorou, numa estranha tristeza; uma tristeza qual seus sentidos não compreendiam.


Autor: Saberhero 


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