ALdI – Capítulo 11 – Interrogatório



— Esse aparelho é um coração artificial, sem ele você não estaria vivo. Ele é usado em pacientes que estão esperando um transplante, mas no seu caso é um pouco diferente. — Um dos homens explicou sobre o aparelho.

Kishito voltou a olhar para aquelas pessoas à sua frente, o homem que falava com ele parecia ter trinta anos de idade e usava um terno, seu rosto parecia comum, contudo, não era japonês com seus olhos verdes e cabelo loiro.

O homem olhava para Kishito que estava sem acreditar no que estava acontecendo e continuou: — Ele vai continuar ligado pelo tempo que eu achar que vale a pena te manter vivo — O homem falava com um sotaque que Kishito não conseguia identificar. — Ou seja, o tempo que vai demorar pra você morrer vai depender de você.

As palavras do homem foram diretas e fáceis de entender, o homem estava lhe falando que não importava o que iria acontecer ele ia morrer. Aquilo abalou Kishito, porém seu rosto não se movia então o homem não via suas expressões.

— Que tal primeiro me falar o seu nome?

— Ki… Ki… Kishito… Hishi… ma… — A voz de Kishito saiu rouca e as palavras cortadas por ele não conseguir falar direito ainda. Ele pensou em mentir, mas não fazia sentido até ele saber o que o homem queria, Kishito estava seguindo o fluxo.

— Ótimo senhor Hishima é bom que esteja cooperando. Você pode me chamar de Henry, esse é o Marco.

Henry apontou para um velho ao seu lado, ele parecia ter cinquenta anos e seu cabelo negro mesclava com fios brancos, o rosto com feições duras e olhos negros davam a sensação de imponência. Marco usava um sobretudo marrom e quando foi chamado ele apenas deu um leve aceno com a cabeça para Kishito.

— Ela é a Susan.

Agora Henry apontou para a mulher que chegou perto da cama do Kishito, a mulher tinha uma pele morena e um cabelo preto liso que ia até sua cintura, seus olhos castanhos e lábios finos lhe davam uma bela aparência. Ela usava um vestido preto apertado que enfatizava suas belas curvas e um casaco verde escuro.

— Espero nos divertir durante esse tempo juntos. —  A voz e olhar sensual da mulher deu arrepios em Kishito que achava que havia algo mais além do que ela quis dizer.

— Por último esse é… é… — Henry apontou para o último homem que faltava, ele parecia ter uns vinte anos e como Henry ele usava um terno mas seu corpo era magro e o terno ficava folgado em seu corpo. Ele era alto e tinha o cabelo curto, com olhos negros ele parecia meio irritado e agitado.

— É Harry senhor. Harry — O homem que foi apontado falou irritado. — Eu já estou com vocês há um mês, era pra pelo menos saberem meu nome.

— Acalme-se garoto a gente se lembrará na próxima vez. — Marco falou sem se preocupar muito.

— Isso foi o que disseram na última vez. — Harry retrucou.

— Ok, ok. Já chega disso Harry. — Henry apaziguou a briga dos dois.

Kishito que apenas observava o que acontecia teve sua atenção mudada para uma pessoa que estava perto da porta, era uma pequena garota com um vestido vermelho que o olhava.

Ele a observava quando ela levou seu dedo indicador à frente da boca em um sinal para ele ficar quieto. Ela lhe deu um sorriso e Kishito sentiu seu corpo ficar mais quente a olhando fixamente.

— …ma. Senhor Hishima?

Kishito estava olhando a pequena garota quando ouviu Henry o chamando e olhou para ele.

— Sim? — Dessa vez Kishito conseguiu falar normalmente apesar de sua voz ainda estar um pouco rouca.

Henry ainda o observava e percebeu que, de repente ele podia falar normalmente, mas não disse nada e voltou a fazer suas perguntas:

— Me diga onde está a lâmina?

— Lâmina?

“Essa não é a primeira vez que falam sobre essa tal lâmina, no beco aquele policial também falou sobre isso. O que tem de tão especial sobre essa lâmina?”

Kishito pensou depois de fingir que não sabia sobre o que Henry falava.

— Ah!

Kishito gritou de dor logo depois de responder a Henry, sua perna estava doendo e ele viu que Susan segurava uma agulha de ferro que perfurou sua perna. Ela sorria para ele, enquanto dizia:

— Ver homens mais velhos como você mentindo me deixa triste sabia?

— Do que… você está falando? — O rosto do Kishito se contorcia de dor, enquanto ele falava.

— Só responda onde está a lâmina.

— Eu não sei que lâmina é es… Ah! — Antes que Kishito pudesse terminar a frase Susan enfiou outra agulha em sua perna.

— Calma Susan não vai matá-lo antes que ele fale. — Henry a parou e depois continuou a perguntar — Se você não sabe o que é a lâmina então o que fazia naquele beco?

— Eu ia cortar caminho pelo beco para casa quando vi duas pessoas se batendo e depois eu não sei o que aconteceu. Eu desmaiei e acordei aqui.

— Aff! — Henry suspirou depois da resposta — Tudo bem. Harry vá falar com o médico e diga pra ele arrumar esse velho pra viagem. Nós vamos fazê-lo falar em outro lugar.

— Sim senhor!

— Velho? — Kishito murmurou.

Henry que já tinha dado as ordens e estava saindo da sala parou ao ouvir o murmúrio do Kishito. Ele se virou e encarou Kishito por um tempo.

— O que disse?

— Você me chamando de velho. Como se você fosse mais novo do que eu.

— Susan me dê um espelho. — Susan foi ao banheiro e trouxe um pequeno espelho que ela entregou para Henry. Ele virou o espelho para Kishito para lhe mostrar sua aparência.

Kishito se espantou ao olhar para o espelho, como ele não podia se mover ele nunca teria imaginado que ele estava daquele jeito. Agora ele entendia porque eles falavam com ele daquele jeito, ele forçou um pouco seu corpo e olhos para suas mãos que estavam amarradas para confirmar o que estava vendo.

Quando voltou a olhar no espelho ele viu um homem velho, seu rosto estava todo enrugado com um olhar cansado. Seu cabelo que antes era preto estava totalmente branco e seu tamanho ultrapassa seu ombro. Mesmo assim ele via traços de seu rosto, aquele parecia ele, mas era bem mais velho. Aquele reflexo parecia de seu avô.

Henry olhava Kishito e via seu espanto ao olhar sua aparência. Foi quando ele teve um flash de esclarecimento. Ele entendeu tudo o que estava acontecendo somente o vendo se olhar no espelho. Antes quando Henry tinha feito aquelas perguntas para Kishito ele percebeu que o velho queria esconder alguma coisa, mas o mais importante é que ele percebeu que nem tudo era mentira.

Quando ele o perguntou sobre a lâmina Henry percebeu que Kishito não sabia o que a lâmina significava, mas sabia que ele a tinha visto. Uma coisa que tinha sido explicada, foi que o documento que acharam com ele, era de um garoto de dezesseis anos.

No começo Henry achou que era algum tipo de coincidência e, que quando Kishito tinha falado seu nome era uma mentira. Porém, agora com todas as peças juntas ele sabia o que estava acontecendo. Foi quando um leve sorriso apareceu no rosto de Henry.

— Henry? — Marco o chamou percebendo seu sorriso. — O que houve?

— Meu amigo, parece que os encontramos.

****

Xia passou o dia todo deitada em sua cama, ela olhava para o teto, enquanto tentava entender tudo o que estava acontecendo. De acordo com o Senhor Hayama, Kishito era o último pássaro que faltava, mas ela não entendia porque Laila não os informou sobre ele. Para os objetivos de Laila ela sempre precisou dos três pássaros então sempre que ela os encontrava ela logo a avisaria, mas dessa vez foi diferente e ela deixou tudo isso acontecer.

A penúltima vez que Xia viu Laila foi no beco, ela quase a forçou a pegar a alma do Kishito, depois disso ela mostrou a alma dele no arranjo. Ela nunca disse a Xia que Kishito era o último pássaro, se ela tivesse pelo menos avisado que ele não estava morto ela não o teria deixado no beco. Só isso era o suficiente para evitar tudo o que estava acontecendo.

“Ela está planejando alguma coisa.”

Esse pensamento não saía da cabeça da Xia. Laila não era alguém tão transparente e sempre guardava segredos. Algo estava errado e por mais que Xia tentasse achar o que era ela não conseguia.

Enquanto ainda estava perdida em seus pensamentos a porta do quarto da Xia se abriu e quem apareceu foi Alicia.

— O Senhor Hayama está te chamando. Está na hora.

Levantando-se da cama Xia estava preparada para a missão em resgatar Kishito.


Autor: Kanino   |   Revisora: Ana Paula



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